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Fluxo de Caixa
INTRODUÇÃO
Contextos econômicos modernos
de concorrência de mercado exigem das empresas maior
eficiência na gestão financeira de seus recursos, não
cabendo indecisões sobre o que fazer com eles. Sabidamente,
uma boa gestão dos recursos financeiros reduz
substancialmente a necessidade de capital de giro,
promovendo maiores lucros pela redução principalmente das
despesas financeiras.
Em verdade, a atividade
financeira de uma empresa requer acompanhamento permanente
de seus resultados, de maneira a avaliar seu desempenho, bem
como proceder aos ajustes e correções necessários. O
objetivo básico da função financeira é prover a empresa de
recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários
compromissos assumidos e promover a maximização de seus
lucros.
É neste contexto que se
destaca o fluxo de caixa como um instrumento que
possibilita o planejamento e o controle dos recursos
financeiros de uma empresa. Gerencialmente, é indispensável
em todo o processo de tomada de decisões financeiras.
CONCEITO E
IMPORTÂNCIA DO FLUXO DE CAIXA
Para Assaf Neto e Silva (1997,
p. 35) “(...) o fluxo de caixa é um instrumento que
relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos
monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo
de tempo”.
O Fluxo de Caixa é
indispensável para uma sinalização dos rumos financeiros dos
negócios. Através de sua elaboração é possível prognosticar
eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se
medidas saneadoras a serem tomadas. Para se manterem em
operação, as empresas devem liquidar corretamente seus
vários compromissos, devendo como condição básica apresentar
o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos
vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar cortes
nos créditos, suspensão de entregas de materiais e
mercadorias, e ser causa de uma séria descontinuidade em
suas operações.
A manutenção de saldos de
caixa propicia folga financeira imediata à empresa,
revelando melhor capacidade de pagamento de suas obrigações.
Neste posicionamento, a administração não deve manter suas
reservas de caixa em novéis elevados como forma de maximizar
a liquidez. Ao contrário, deve buscar um volume mais
adequado de caixa sob pena de incorrer em custos de
oportunidades crescentes. É indispensável que a empresa
avalie criteriosamente o seu ciclo operacional de maneira a
sincronizar as características de sua atividade com o
desempenho do caixa.
Os fluxos de caixa costumam
apresentar-se sob diferentes formas: restritos, operacionais
e residuais, podendo ainda relacionar o conjunto das
atividades financeiras da empresa dentro de um sentido
amplo, decorrente das operações.
É importante que se avalie
também que limitações de caixa não se constituem em
característica exclusiva de empresas que convivem com
prejuízo. Empresas lucrativas podem também apresentar
problemas de caixa como conseqüência do comportamento de seu
ciclo operacional. Por outro lado, problemas de caixa
costumam ocorrer, ainda, em lançamentos de novos produtos,
fases de expansão da atividade, modernização produtiva, etc.
2.1
ABRANGÊNCIA DO
FLUXO DE CAIXA
Foi comentado que o fluxo de
caixa descreve as diversas movimentações financeiras da
empresa em determinado período de tempo, e sua administração
tem por objetivo preservar uma liquidez imediata essencial à
manutenção das atividades da empresa. Por não incorporar
explicitamente um retorno operacional, seu saldo deve ser o
mais baixo possível, o suficiente para cobrir as várias
necessidades associadas aos fluxos de recebimentos e
pagamentos. Deve-se ter em conta que saldos mais reduzidos
de caixa podem provocar, entre outras conseqüências, perdas
de descontos financeiros vantajosos pela incapacidade de
efetuar compras a vista junto aos fornecedores. Por outro
lado, posições de mais elevada liquidez imediata, ao mesmo
tempo em que promovem segurança financeira para a empresa,
apura maior custo de oportunidade. Em essência, este é o
dilema risco e rentabilidade presente nas
finanças das empresas.
Ao apurar o saldo líquido
destes fluxos monetários, o instrumento do fluxo de caixa
permite que se estabeleçam prognósticos com relação a
eventuais sobras ou faltas de recursos, em função do nível
de caixa desejado pela empresa.
O fluxo de caixa não deve ser
enfocado como uma preocupação exclusiva da área financeira.
Mais efetivamente deve haver comprometimento de todos os
setores empresariais com os resultados líquidos de caixa,
destacando-se:
-
a área de
produção, ao promover alterações nos prazos de
fabricação dos produtos, determina novas alterações nas
necessidades de caixa. De forma idêntica, os custos de
produção têm importantes reflexos sobre o caixa;
-
as decisões de
compras devem ser tomadas de maneira ajustada com a
existência de saldos disponíveis de caixa. Em outras
palavras, deve haver preocupação com relação a sincronização
dos fluxos de caixa, avaliando-se os prazos concedidos para
pagamento das compras com aqueles estabelecidos para
recebimento das vendas;
-
políticas de
cobrança mais ágeis e eficientes, ao permitirem colocar
recursos financeiros mais rapidamente à disposição da
empresa, constituem-se em importante reforço de caixa;
-
a área de
vendas, junto com a meta de crescimento da atividade
comercial, deve manter um controle mais próximo sobre os
prazos concedidos e hábitos de pagamentos dos clientes, de
maneira a não pressionar negativamente o fluxo de caixa. Em
outras palavras, é recomendado que toda decisão envolvendo
vendas deve ser tomada somente após uma prévia avaliação de
suas implicações sobre os resultados de caixa (exemplos:
prazo de cobrança, despesas com publicidade e propaganda,
etc);
-
a área
financeira deve avaliar criteriosamente o perfil de seu
endividamento, de forma que os desembolsos necessários
ocorram concomitantemente à geração de caixa da empresa.
Uma adequada administração dos
fluxos de caixa pressupõe a obtenção de resultados positivos
para a empresa, devendo ser focalizada como um segmento
lucrativo para seus negócios. A melhor capacidade de geração
de recursos de caixa promove, entre outros benefícios à
empresa, menor necessidade de financiamento dos
investimentos em giro, reduzindo seus custos financeiros.
Dessa forma, o
objetivo fundamental para o gerenciamento dos fluxos de
caixa é atribuir maior rapidez às entradas de caixa em
relação aos desembolsos ou, da mesma forma, otimizar a
compatibilizarão entre aposição financeira da empresa e suas
obrigações correntes.
As principais
áreas que podem contribuir para melhor desempenho do fluxo
de caixa, acelerando os ingressos ou retardando os
desembolsos, insere-se basicamente nas fases do ciclo
operacional. É sabido que a extensão do ciclo operacional é
o fator determinante das necessidades de recursos do ativo
circulante; ele é administrado através de:
-
negociações com
fornecedores e outros credores visando alongar os prazos de
pagamento;
-
medidas mais
eficientes de valores a receber, sem prejuízo de vendas
futuras, objetivando reduzir o volume de clientes em atraso
e inadimplentes;
-
decisões tomadas
na área com intuito de diminuir os estoques e incrementar
seu giro;
-
concessão de
descontos financeiros , sempre que economicamente
justificados, na expectativa de redução dos prazos de
recebimentos das vendas etc.
Os sistemas de cobrança, por seu lado, devem
ser avaliados com base em sua facilidade de pagamento e
rapidez de emissão e entrega das faturas/duplicatas aos
clientes. A agilidade do sistema revela-se mais
indispensável, ainda, no caso de clientes que pagam somente
em determinados(s) dia(s) do mês, ou que apresentam um
processo lento de pagamento.
De maneira ampla, o
fluxo de caixa é um processo pelo qual uma empresa gera e
aplica seus recursos de caixa determinados pelas várias
atividades desenvolvidas. Neste enfoque, ainda, o fluxo de
caixa focaliza a empresa como um todo, tratando das mais
diversas entradas e saídas (movimentações financeiras) de
caixa refletida por seus negócios.
2.2
O FLUXO DE CAIXA
E OS SISTEMAS DE INFOMAÇÕES DAS EMPRESAS
As altas taxas de inflação e a
excessiva interferência da legislação fiscal no principal
sistema de informações das empresas, que é a contabilidade,
impedia a até poucos anos, que os empresários dessem
importância aos dados gerados por esses sistemas.
Enquanto os profissionais da
área contábil faziam grande esforço para gerar números sem
distorções inflacionarias e discutiam o significado de lucro
inflacionário, lucro inflacionário realizado, lucro
inflacionário diferido, correção monetária pela legislação
societária, correção integral e outros temas de difícil
entendimento para o empresário, este, sabiamente,
refugiava-se em alguns indicadores incompletos, mas
confiáveis, como, por exemplo, quantidade de vendas no mês,
o estoque e o dinheiro disponível.
Estocar mercadorias e adquirir
imobilizado significava proteger-se da inflação. A própria
administração financeira das empresas foi confundida com
administração das disponibilidades, somente. Era muito
difícil pensar em investimentos que envolviam o longo prazo,
já que o longo prazo da época era de 30 dias.
Com a inflação debelada, ela
deixou de ser um aspecto relevante. Isto permite o uso da
moeda real para a apresentação das contas das empresas.
A interferência da legislação
fiscal no principal sistema de informações das empresas, a
contabilidade, é um problema mundial, que se apresenta de
modo mais acentuado no Brasil.
As empresas buscam resolver
esse problema de várias formas. Algumas mantêm registros
paralelos à contabilidade oficial para obter informações
gerenciais pelo regime de competência, eliminando parte das
distorções causadas pela legislação fiscal. É um trabalho
difícil e nem sempre satisfatório, pois de um lado temos o
contador e o advogado tributarista trabalhando 365 dias por
ano para fazer o planejamento tributário de modo a pagar
menos impostos, e, de outro, algumas poucas horas para gerar
as informações gerenciais.
Outras empresas se voltam
quase que exclusivamente para informações de caixa, criando
um sistema independente, em que prevalecem critérios
distintos dos estabelecidos pela legislação fiscal.
O chamado “reprocessamento”
dos dados para gerar informações ao Fisco, aos proprietários
e administradores, às instituições financeiras, representa
alto custo para as empresas. Reduzi-lo é um grande desafio.
Se, por um lado, o Real, com a
inflação baixa, trouxe facilidades aos empresários, aos
contadores, aos financeiros e aos administradores, por outro
lado, a abertura da economia brasileira trouxe novos
concorrentes, exigindo das empresas competência maior. Além
do aumento da concorrência, as altas taxas de juros têm
penalizado empresas e pessoas físicas que precisam recorrer
a empréstimos e financiamentos. A manutenção das altas taxas
de juros levou associações como a FEBRABAN (Federação
Nacional dos Bancos) a recomendar à população que não se
endividasse com as taxas de juros então vigentes. Embora
sensata, a recomendação foi seguida por poucos. Afinal, após
muitos anos, estávamos diante de uma situação nova. Haviam
caído as limitações de prazo para o crédito. O freio ao
excesso de consumo passou a ser somente a taxa de juros
alta.
Gradativamente, a economia
brasileira ficou com um comportamento mais próximo das
economias desenvolvidas. Podemos aplicar aqui a maioria dos
princípios financeiros utilizados lá fora.
É importante conhecer os
produtos e serviços do mercado financeiro, saber calcular a
taxa efetiva de um empréstimo ou financiamento.
Precisamos ter informações
confiáveis, de fácil entendimento, que estejam disponíveis
em tempo hábil. O feeling do empresário precisa ser
completado com o que dizem os números gerados pelos
controles. Precisamos acompanhar os acontecimentos no mundo
e principalmente no Brasil, avaliando sua influência no
segmento no qual está inserida a empresa e transformar essa
visão em planejamento dos negócios e financeiros. Já podemos
elaborar orçamentos de caixa para, pelo menos, três meses.
Isto custa pouco e traz bons benefícios, por permitir
visualizar com antecedência as necessidades financeiras.
Há muitas empresas obtendo
ganhos significativos de produtividade, mas perdendo todo
esse ganho ao tomar dinheiro emprestado, a curto prazo, a
taxas de 40,0 a 50,0% ao ano. Os “ralos financeiros”
precisam ser fechados para que o empresário volte a ganhar
dinheiro com seu negocio.
Vivemos uma nova realidade, na
qual há espaço para o planejamento e controle dos negócios.
2.3 AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS
ENTRE REGIME DE CAIXA E DE COMPETÊNCIA
Regime de Competência
·
Reconhece a
receita quando ocorre a venda, com entrega da mercadoria ou
prestação do serviço.
·
Reconhece
despesa quando incorrida, independente de ter sido paga ou
não.
Regime de Caixa
·
São as datas de
recebimentos e pagamentos que determinam os registros.
Se uma concessionária de
veículos vende um automóvel por R$ 25.000,00, o regime de
competência reconhece, hoje, a receita de R$ 25.000,00,
embora o cliente tenha dado de entrada um carro usado
avaliado em R$ 7.000,00 mais R$ 8.000,00 em dinheiro e o
restante a ser pago em quatro prestações mensais de R$
2.500,00:
·
Regime de
competência – receita de R$ 25.000,00;
·
Regime de caixa
- receita de R$ 8.000,00.
No lado das despesas, essas
diferenças entre caixa e competência também ocorrem. Por
exemplo, o 13º salário é pago, geralmente, em novembro e
dezembro de cada ano, mas as despesas são reconhecidas
(1/12) a cada mês. Portanto, os números de caixa podem ser,
e geralmente são, diferentes dos números de competência.
MÉTODO DIRETO DA DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
O Método Direto, que também é
conhecido como a abordagem das contas T (T Account
Approach), consiste em classificar os recebimentos e
pagamentos de uma empresa utilizando as partidas dobradas. A
vantagem desse método é que permite gerar informações com
base em critérios técnicos, eliminando, assim, qualquer
interferência da legislação fiscal.
Um exemplo:
A Delta Veículos Ltda.
é uma concessionária de veículos recém constituída. No
primeiro mês de atividade, ocorreram os seguintes pagamentos
e recebimentos:
Os
sócios da empresa integralizam o capital no valor de $
5000.000,00
A
empresa adquire a vista móveis e utensílios no valor de $
1000.000,00 e máquinas e ferramentas no valor de $
200.000,00
Pagamento à montadora pela compra de veículos no valor de $
600.000,00
Recebimento de clientes pela venda de veículos no valor de $
560.000,00
Pagamento do aluguel da loja no valor de $ 40.000,00
Pagamento de salários a funcionários no valor de $ 50.000,00
Os lançamentos a débito e a
crédito que acabamos de efetuar são mostrados a seguir nos
razonetes (razão simplificados). Os débitos são mostrados do
lado esquerdo das contas e os créditos no lado direito. A
diferença entre os débitos e os créditos representa o saldo
de cada conta.
Caixa
|
|
Recursos Próprios
|
|
(1)
5000.000,00
(4)
560.000,00 |
300.000,00 (2)
600.000,00 (3)
40.000,00 (5)
50.000,00 (6) |
|
|
500.000,00 (1) |
|
1.060.000,00 |
990.000,00 |
|
|
|
|
70.000,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Móveis e Utensílios
|
|
Máquinas e Ferramentas
|
|
(2) 100.000,00 |
|
|
(2) 200.000,00 |
|
|
|
|
|
|
|
|
Pgto. Fornecedor -
Montadora |
|
Rec. Clientes – veículos novos
|
|
(3) 600.000,00 |
|
|
|
560.000,00 (4) |
|
|
|
|
|
|
Aluguel
|
|
Salários e Encargos
|
|
(5) 40.000,00 |
|
|
(6) 50.000,00 |
|
O próximo passo consiste em
colocar as contas com os respectivos saldos na forma de
relatório. Usaremos a convenção, sem parênteses para
recebimento e com parênteses para pagamentos.
Demonstração dos Fluxos de Caixa
|
|
Atividades
Operacionais |
|
|
|
Receb. de clientes -
veículos novos |
560.000,00 |
|
|
Pagamento fornecedores
- montadora |
(600.000,00) |
|
|
Pagamento de aluguel |
(40.000,00) |
|
|
Pagamento salários e
encargos |
(50.000,00) |
|
|
Fluxo de Caixa
operacional líquido (FCOL) |
|
(130.000,00) |
Atividades de
Investimentos
|
|
|
|
Móveis e Utensílios |
(100.000,00) |
|
|
Máquinas e Ferramentas |
(200.000,00) |
|
|
Caixa Líquido das
atividades de Investimentos |
|
(300.000,00) |
Atividades de
Financiamentos
|
|
|
|
Recursos Próprios |
|
500.000,00 |
Caixa Líquido do
Período
|
|
70.000,00 |
|
Saldo inicial das
disponibilidades |
|
-0- |
|
Saldo final das
disponibilidades |
|
70.000,00 |
Por esse relatório, podemos
perceber que no primeiro mês de atividades a empresa pagou
mais do que recebeu no Operacional. Isso costuma
ocorrer em início de atividade. Em regra geral, no entanto,
é que os recebimentos operacionais superem os pagamentos
operacionais. Essa é a condição para que a empresa sobreviva
e ganhe dinheiro.
O grupo Investimentos
consumiu $ 300 mil. Como regra geral, esse é o grupo que só
consome dinheiro, mas esse dinheiro precisa ser investido
para que a empresa possa operar.
O grupo Financiamentos
gerou entradas de $ 500 mil. O comportamento deste grupo
varia ao longo do tempo. Há períodos em que gera caixa, como
na integralização de capital por parte dos sócios, ou na
obtenção de empréstimos e financiamentos, e há períodos em
que consome caixa, como na amortização de empréstimos e
financiamentos ou nos pagamentos de dividendos.
Caixa líquido do período é o
somatório de Operacional (130.000,00), Investimentos
(300.000,00) e Financiamentos 500.000,00. No período
analisado, entrou mais do que saiu do Caixa $ 70.000,00.
Uma das vantagens desse
demonstrativo é facilitar a administração financeira das
empresas. Com ele podemos saber se os problemas financeiros
têm origem no Operacional, no Investimentos, no
Financiamentos, ou ainda numa combinação dos três grupos.
3.1 MÉTODO INDIRETO PARA
ELABORAR A DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA
Utilizando como base o exemplo
da Alfa Veículos Ltda vamos elaborar a DFC pelo
método indireto. Tomaremos por base o Balanço Patrimonial e
a Demonstração de Resultados em 30-06-20X1. Vamos, portanto,
converter os números de Competência em números de Caixa.
Balanço Patrimonial da Alfa Veículos
Ltda. em 30-06-20X1
|
Ativo
|
|
|
1.315.172 |
|
Circulante |
|
949.172 |
|
|
Caixa |
80.172 |
|
|
|
Aplicações financeiras |
400.000 |
|
|
|
Estoque de veículos
novos |
354.000 |
|
|
|
Estoque de veículos
usados |
71.000 |
|
|
|
Estoque de peças |
26.000 |
|
|
|
Clientes peças assist.
Técnica |
18.000 |
|
|
|
Permanente |
|
366.000 |
|
|
Terrenos |
70.000 |
|
|
|
Obras civis |
126.000 |
|
|
|
Móveis e utensílios |
43.000 |
|
|
|
Máquinas/equipamentos |
70.000 |
|
|
|
Veículos de uso |
36.000 |
|
|
|
Computadores/software |
21.000 |
|
|
|
Passivo |
|
|
1.315.172 |
|
Circulante |
|
858.357 |
|
|
Investimentos a pagar |
4.000 |
|
|
|
Salários e encargos a
pagar |
50.800 |
|
|
|
Outras contas a pagar
operacional |
25.200 |
|
|
|
Tributos a pagar |
24.200 |
|
|
|
Financiamentos -
leasing |
22.557 |
|
|
|
Fornecedores veículos
novos |
680.000 |
|
|
|
Fornecedores peças |
51.000 |
|
|
|
Exigível longo prazo |
|
21.819 |
|
|
Financiamentos -
leasing |
21.819 |
|
|
|
Patrimônio líquido |
|
434.996 |
|
|
Capital |
280.000 |
|
|
|
Lucros acumulados |
154.996 |
|
|
Demonstração de resultados em 30 de
junho de 20X1
|
|
|
Receita de vendas |
3.383.500 |
|
|
Custo mercadorias
vendidas |
2.719.700 |
|
|
Lucro bruto |
663.800 |
|
|
Salários e encargos
sociais |
180.000 |
|
|
Outras desp. Operac.
Adm. |
239.600 |
|
|
Tributos |
82.300 |
|
|
Encargos financeiros |
6.904 |
|
|
Lucro líquido |
154.996 |
|
Demonstração dos
Fluxos de Caixa Alfa Veículos Ltda em
30-06-20X1
Método Direto
|
|
ATIVIDADES
OPERACIONAIS |
|
|
Receb. clientes
veículos novos |
2.101.300 |
|
Receb. clientes
veículos usados |
409.500 |
|
Rec. clientes
peças/assit. técnica |
422.000 |
|
Pág. fornecedores
veículos novos |
-1.866.000 |
|
Pág. fornecedores
peças |
-141.000 |
|
Salários e encargos |
-129.200 |
|
Outras desp. oper./adm |
-214.400 |
|
Tributos |
-57.500 |
|
Encargos financeiros |
-6.904 |
Fluxo caixa
operacional líquido
|
517.796 |
|
ATIVIDADES
INVESTIMENTOS |
|
|
Terrenos |
-70.000 |
|
Obras civis |
-126.000 |
|
Móveis/utensílios/instalações |
-43.000 |
|
Máquinas
ferramentas/equipamentos |
-70.000 |
|
Veículos de uso |
-36.000 |
|
Computadores/software |
-17.000 |
Total investimentos
|
-362.000 |
|
ATIVIDADES
FINANCIAMENTOS |
|
|
Recursos próprios |
280.000 |
|
Financiamentos/leasing |
44.376 |
|
Total
financiamentos |
324.376 |
|
Caixa líquido do
período |
480.172 |
|
Saldo inicial
disponibilidades |
0 |
|
Saldo final
disponibilidades |
480.172 |
Obs:
(+) recebimento
(-) pagamento
A Demonstração de Resultados
mostra que o Lucro líquido em seis meses foi de R$ 154.996,
enquanto a Demonstração dos Fluxos de Caixa apresenta um
Fluxo de Caixa operacional líquido (superávit) de R$
517.796. Vamos compensar essa diferença de R$ 362.800.
O primeiro passo a ser dado é
associar as contas do Balanço Patrimonial com as contas da
Demonstração dos Fluxos de Caixa.
A seguir, faremos adições e
subtrações ao lucro líquido para chegar ao fluxo de caixa
operacional líquido. Estaremos trabalhando com o balanço
patrimonial do inicio do período, em que todos os saldos são
zero, pois trata-se no exemplo de empresa recém-constituída
e o balanço patrimonial no final do período.
Subtraímos R$ 18.000 do lucro
líquido referente ao acréscimo da conta Clientes de peças –
assistência técnica (de zero para R$ 18.000 temos um
acréscimo de R$ 18.000). Porque essas vendas a prazo foram
computadas na apuração do resultado, mas o dinheiro não
entrou no caixa.
E somamos R$ 50.800 ao lucro
líquido referente ao aumento de Salários e encargos –
operacional. Porque essas despesas foram computadas na
apuração do resultado, mas o dinheiro não saiu do caixa.
|
DFC da empresa Alfa
Veículos Ltda em 30-06-20X1
- Método Indireto |
Lucro Líquido
|
|
|
154.996 |
|
(-) aumento estoques
veículos novos |
|
-354.000 |
|
|
(-) aumento estoques
veículos usados |
|
-71.000 |
|
|
(-) aumento estoque
peças |
|
-26.000 |
|
|
(-) aumento clientes
peças/assit téc |
|
-18.000 |
|
|
(+) aumento salários
enc a pagar |
|
50.800 |
|
|
(+) aumento contas
pagar – operacional |
|
25.200 |
|
|
(+) aumento tributos a
pagar |
|
24.800 |
|
|
(+) aumento fornec
veículos novos |
|
680.000 |
|
|
(+) aumento fornec
peças |
|
51.000 |
|
|
Total dos ajustes |
|
|
362.800 |
|
Fluxo de caixa
operacional líquido |
|
|
517.796 |
|
ATIVIDADES DE
INVESTIMENTOS |
|
|
|
|
Terrenos |
|
-70.000 |
|
|
Obras civis |
|
-126.000 |
|
|
Móveis e utensílios |
|
-43.000 |
|
|
Máquinas e
equipamentos |
|
-70.000 |
|
|
Veículos de uso |
|
-36.000 |
|
|
Computadores/software |
-21.000 |
|
|
|
(-) investimentos a
pagar |
4.000 |
-17.000 |
|
Total dos
investimentos pagos
|
|
|
-362.000 |
|
ATIVIDADES DE
FINANCIAMENTOS |
|
|
|
|
Recursos próprios
(Capital) |
|
280.000 |
|
|
Financiamentos
Leasing |
|
44.376 |
|
Total financiamentos
|
|
|
324.376 |
|
Caixa líquido do
período |
|
|
480.172 |
|
Saldo inicial de
disponibilidades |
|
|
0 |
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Saldo final de
disponibilidades |
|
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480.172 |
3.2 MÉTODO DIRETO x MÉTODO
INDIRETO
Na comparação entre os dois
métodos, é importante irmos além dos aspectos técnicos e
consideramos a realidade em que vivemos, principalmente a
realidade brasileira.
Método Indireto – Vantagens
1.
Apresenta baixo
custo. Basta utilizar dois balanços patrimoniais (o do
início e o do final do período), a demonstração de
resultados e algumas informações adicionais obtidas na
contabilidade.
2.
Concilia lucro
contábil com fluxo de caixa operacional líquido, mostrando
como se compõe a diferença.
Método Indireto –
Desvantagens
1.
O tempo
necessário para gerar as informações pelo regime de
competência e só depois convertê-las para regime de caixa.
Se isso for feito uma vez por ano, por exemplo, podemos ter
surpresas desagradáveis e tardiamente.
2.
Se há
interferência da legislação fiscal na contabilidade oficial,
e geralmente há, o método indireto irá eliminar somente
parte dessas distorções.
Método Direto – Vantagens
1.
Cria condições
favoráveis para que a classificação dos recebimentos e
pagamentos siga critérios técnicos e não fiscais.
2.
Permite que a
cultura de administrar pelo caixa seja introduzida mais
rapidamente nas empresas.
3.
As informações
de caixa podem estar disponíveis diariamente.
Método Direto
– Desvantagens
1.
O custo
adicional para classificar os recebimentos e pagamentos.
2.
A falta de
experiência dos profissionais da área financeira em usar as
partidas dobradas para classificar os recebimentos e
pagamentos.
Quando falamos em informações
para administrar os negócios, pelo menos duas condições
devem estar presentes:
·
Essas
informações devem representar 100% das atividades da
empresa; e
·
As informações
devem ser geradas por critérios técnicos e não por critérios
fiscais, que visam pagar menos tributos.
Para a realidade da maioria
das empresas brasileiras, o método direto traz mais
benefícios, principalmente para a redução dos custos
financeiros.
A escolha por um dos dois
métodos deve ser analisada considerando a realidade de cada
empresa. Há segmentos, o da construção civil, por exemplo,
em que as vantagens do método direto são ainda maiores,
porque os números de competência têm pouco significado para
essa atividade.
4.
AVALIAÇÃO DE
EMPRESAS PELO MÉTODO DO FLUXO DE CAIXA DESCONTADO
A avaliação de uma empresa não
pode ser feita segundo princípios de uma ciência exata. O
peso que os técnicos em avaliação atribuem aos diversos
fatores envolvidos no processo de avaliação não é uniforme.
Isto se deve a um problema de julgamento pessoal de cada
avaliador que é influenciado pela experiência que este
especialista acumula, bem como pelos motivos e objetivos da
avaliação para o comprador ou vendedor.
A valoração de uma empresa é
complexa por envolver em seu corpo um conjunto de bens
heterogêneos e destinados a produzir riqueza, dentro das
mais diversas conjunturas econômicas e sociais.
Dentre as concepções de valor
da empresa, destacam-se as seguintes:
·
Valor
Patrimonial: o valor da empresa é determinado pelo somatório
dos bens que constituem o patrimônio da empresa.
·
Valor Econômico:
o valor da empresa decorre do potencial de resultados
futuros.
Ambas as abordagens apresentam
fatores embutidos dentro de suas formulações teóricas.
Alguns bens que compõem o patrimônio da empresa são de
difícil mensuração, principalmente quando considerados
isoladamente. É o caso dos bens intangíveis como marcas,
patentes, ponto comercial, reputação, organização, etc. Por
outro lado, a avaliação econômica dos benefícios futuros que
a empresa pode gerar depende de um grande número de fatores
que ainda apresentam dificuldades quanto à sua quantificação
(risco do negócio, risco financeiro, taxa de capitalização,
crescimento da empresa, etc.).
O objetivo principal deste
modelo é determinar o valor máximo que um potencial
comprador poderá pagar pela empresa.
São as seguintes premissas
básicas do modelo apresentado:
a)
a avaliação
independe do modo como será feita a aquisição da empresa,
bem como a forma de pagamento (financiamento) a ser
realizado pelo comprador;
b)
a estrutura de
capital da empresa não influencia no cálculo do valor máximo
a ser pago;
Aplicam-se os seguintes passos
para a análise do investimento:
a)
determinar o
capital inicial necessário;
b)
determinar
lucros e despesas, para composição do fluxo líquido de caixa
esperado;
c)
determinar a
rentabilidade implícita na relação entre investimento e
retorno.
Com relação à rentabilidade,
apresentam-se duas formas para medi-la:
a)
calcula-se a
taxa de retorno implícita (TIR) do fluxo líquido de caixa,
comparando-a com a taxa de retorno exigida (custo de
capital);
b)
pela comparação
do valor presente do fluxo de caixa (usando-se como taxa de
desconto a taxa de retorno requerida) com o valor do
investimento.
A seguir apresenta-se um
exemplo de avaliação, aplicando-se os conceitos do orçamento
de capital.
Considerando-se a necessidade
de um investimento inicial de $ 100.000 numa nova empresa
(semelhante à empresa que está sendo avaliada), e um fluxo
líquido de caixa esperado de $ 15.000 para o primeiro
qüinqüênio, $ 25.000 para o qüinqüênio seguinte, $ 20.000
para o terceiro qüinqüênio e $10.000 para os últimos cinco
anos, obtém-se uma taxa de retorno (TIR) de 17,2%
ao ano:
A seguir, calculam-se os
valores presentes dos fluxos líquidos de caixa da empresa
que está sendo avaliada, utilizando-se como taxa de
desconto: a) a taxa interna de retorno (TIR) de 17,2% a, a,;
e b) a taxa de retorno exigida pelo potencial comprador
(custo de capital), estimada em 15% a, a,. O fluxo líquido
de caixa foi previsto em:
1°
qüinqüênio = $ 24.000
2°
qüinqüênio = $ 24.000
3°
qüinqüênio = $ 15.000
4°
qüinqüênio = $ 10.000
Observa-se que este fluxo
admitiu valores maiores de receita para os primeiros
períodos, uma vez que a empresa já vem operando normalmente.
-
Cálculo do
Valor Presente Líquido (VPL):
a) taxa de desconto igual à
“TIR” = 17,2% a, a,
VPL = (24.000 x R10¬0,172) +
(15.000 x R5¬0,172 x S10¬0,172) + (10.000 x R5¬0,172 x
S15¬0,172)
VPL = $ 123.800
b) taxa de desconto igual à
taxa de retorno mínima exigida pelo comprador = 15%
VPL = (24.000 x R10¬0,15) +
(15.000 x R5¬0,15 x S10¬0,15) + (10.000 x R5¬0,15 x
S15¬0,15)
VPL = $ 137.030
Agora, estabelece-se uma
análise de rentabilidade, pela comparação das taxas de
desconto utilizadas e os valores presentes calculados.
Se o potencial comprador fosse
instalar uma nova empresa, teria que investir $ 100.000 e
seu retorno seria de 17,2% a,a,. A esta mesma taxa, contudo,
o valor presente dos fluxos líquidos de caixa da empresa em
funcionamento é de $ 123.800, superior ao valor de $100.000
da nova empresa.
Assim, conclui-se que é mais
atrativo optar pela compra de empresa em funcionamento a
implantar uma nova empresa.
4.1
ABORDAGEM DO
PROJETO TOTAL VERSUS ABORDAGEM DIFERENCIAL
Dois métodos comuns para
comparar as alternativas de projetos utilizando o VPL são: a
abordagem do projeto total e a abordagem diferencial.
A abordagem do projeto
total calcula o impacto total nos fluxos de caixa para
cada alternativa e, então, converte esses fluxos de caixa
totais em seus VPs. Essa é a abordagem mais popular e pode
ser utilizada para qualquer número de alternativas. A
alternativa com o maior VPL dos fluxos de caixa totais é a
melhor.
A abordagem diferencial
calcula as diferenças nos fluxos de caixa entre alternativas
e, então, converte essas diferenças em seus VPs. Esse método
não pode ser utilizado para comparar mais de duas
alternativas. Freqüentemente, as duas alternativas em
comparação são: aceitar um projeto e rejeitar.
Independente da abordagem
utilizada, talvez a parte mais difícil de realizar decisões
de orçamento de capital seja predizer os fluxos de caixa
relevantes. Verifique que os eventos causados ao fluxo de
caixa, para dentro ou para fora, poderão ser muito
complicados, especialmente quando houver muitas origens de
fluxos de caixa. Você, entretanto, não pode comparar as
alternativas se não conhecer seus custos; assim, a primeira
etapa para a abordagem de projeto total ou abordagem
diferencial é arranjar os fluxos de caixa relevantes por
projeto.
·
Abordagem do
projeto total: determine o VPL dos fluxos de caixa para
cada projeto individual. Escolha o projeto com o VPL
positivo maior (isto é, o maior beneficio) ou o VPL negativo
menor (isto é, menor custo).
·
Abordagem
diferencial: calcule os fluxos de caixa diferenciais. Em
outras palavras, subtraia os fluxos de caixa para o projeto
B dos fluxos de caixa para o projeto A para cada ano.
Lembre-se de que as entradas de caixa são números positivos,
enquanto as saídas são negativas. Em seguida, calcule o VP
dos fluxos de caixa diferenciais. Se esse VP for positivo,
escolha o projeto A; se for negativo, escolha o projeto B.
Esses dois métodos podem ser
utilizados intercambiavelmente, desde que haja apenas duas
alternativas sob consideração. Se houver apenas uma
alternativa, a escolha seria a do projeto total.
4.2
FLUXOS DE CAIXA
RELEVANTES PARA O VPL
No arranjo dos fluxos de caixa
relevantes esteja seguro de considerar quatro tipos de
entradas e saídas de caixa:
·
Entradas e
saídas de caixa iniciais no tempo zero.
·
Investimentos em
contas a receber e estoques.
·
Valores
residuais futuros.
·
Fluxo de caixa
operacional.
Entradas e saídas de caixa
iniciais no tempo zero: Esses fluxos de caixa incluem
saídas de caixa para compra e instalação de equipamentos e
outros itens necessários para o novo projeto, e outras
entradas ou saídas de caixa da eliminação de quaisquer itens
que sejam repostos.
Investimentos em contas a
receber e estoques: São saídas de caixa iniciais tanto
quanto investimentos em instalações e equipamentos. No
modelo VPL, os desembolsos iniciais são entradas no esboço
de fluxos de caixa no tempo zero. Contas a receber e
estoques, entretanto, geralmente diferem de instalações e
equipamentos no final da vida útil do projeto. Investimentos
em instalações e equipamentos são, em geral, utilizados
durante a vida do projeto, deixando pouco, se algum, valor
residual. Em contraste, os investimentos originais inteiros
em contas a receber e estoques são, geralmente, recuperados
quando o projeto termina. Conseqüentemente, todos os
investimentos iniciais são tipicamente considerados com
saídas de caixa no momento zero, e seu valor residual final,
se algum, é considerado como entradas de caixa no final da
vida útil do projeto.
A diferença entre o desembolso
inicial para o capital de giro (na maior parte, contas a
receber e estoques) e o VP de sua recuperação é o VP de
custo de usar capital de giro no projeto.
Valores residuais futuros:
Os ativos, além de contas a receber e estoques, podem ter
valores residuais relevantes. O valor residual, no fim de um
projeto, é um aumento na entrada de caixa no ano do
descarte. Os erros em prever valores residuais finais são,
geralmente, não-cruciais, porque o VP é, geralmente,
pequeno.
Fluxos de caixa
operacionais: O principal propósito da maioria dos
investimentos é afetar as entradas e saídas de caixa
operacionais. Muitos desses efeitos são difíceis de
mensurar, e três pontos merecem menção especial.
Primeiro, usar a análise de
custos relevantes, os únicos fluxos de caixa relevantes são
aqueles que diferirão entre as alternativas. Freqüentemente,
os custos indiretos fixos serão os mesmo sob todas as
alternativas disponíveis. Se assim for, eles poderão ser
seguramente ignorados. Na prática, não é fácil identificar
exatamente quais custos diferirão entre as alternativas.
Segundo, como mencionado
antes, a depreciação e os valores contábeis devem ser
ignorados. O custo dos ativos é reconhecido pelo desembolso
inicial, não pela depreciação, como calculado sob o regime
de competência contábil.
Terceiro, uma redução na saída
de caixa é tratada da mesma maneira que uma entrada de
caixa. Ambas significam aumentos no valor.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A condição para que a empresa
viva e ganhe dinheiro é ter recebimentos operacionais que
superem os pagamentos operacionais. O Administrador se
depara com o dilema do Risco e Rentabilidade, se por um lado
ela precisa manter uma liquidez imediata essencial a
manutenção das atividades, por outro lado, ele pode incorrer
em riscos de custos de oportunidade, então o grande desafio
para os administradores é buscar um volume adequado de caixa
para empresa, de forma a incorrer o mínimo possível em
riscos. A Demonstração de Fluxo de Caixa é uma importante
ferramenta que auxilia na tomada de decisões e pode
facilitar o trabalho dos administradores através das
análises de fluxos passados e previsão de fluxos futuros.
O objetivo da Contabilidade é
produzir informação útil, confiável em tempo hábil para uma
gama enorme de usuários que na grande maioria das vezes não
possui, ou possui pouco conhecimento para análise de
demonstrações mais complexas como a DOAR, por exemplo. Neste
sentido a Demonstração de Fluxo de Caixa é ideal por ser de
fácil entendimento pelos diversos tipos de usuários. Desde
que seja elaborada adequadamente a DFC é um importante
instrumento de análise financeira das empresas que permite à
Contabilidade desempenhar mais eficientemente o seu papel de
principal guia na tomada de decisões econômicas.
Vale ressaltar também que as
informações sobre fluxo de caixa são úteis porque além da
facilidade de entendimento e ferramenta auxiliar na tomada
de decisões econômicas, proporcionam aos usuários das
informações contábeis como investidores e credores, uma base
para avaliar a capacidade da empresa gerar caixa e valores
equivalentes à caixa e, as necessidades da empresa em
utilizar esses fluxos de caixa.
REFERÊNCIAS:
ASSAF NETO, Alexandre; SILVA,
César Augusto Tibúrcio. Administração de capital de giro.
São Paulo: Atlas, 1997.
CAMPOS FILHO, Ademar.
Demonstração dos fluxos de caixa: uma ferramenta
indispensável para administrar sua empresa. São Paulo:
Atlas, 1999.
HORNGREN,
Charles T.; SUNDEM, Gary L.; STRATTON, Willian O.;
Contabilidade Gerencial. São Paulo: Prentice
Hall, 2004.
IUDÍCIBUS,
Sérgio et al. Manual de contabilidade das
sociedades por ações. São Paulo: Atlas, 1980.
NEIVA, Raimundo Alelaf.
Valor de mercado da empresa. São Paulo: Atlas, 1999.
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