Globalização
I n t r o d
u ç ã o
O mundo
começou a ficar globalizado no início dos anos 80, quando a
tecnologia de informática se associava a tecnologia de
telecomunicações e com a queda das barreiras comerciais.
Existe interligação acelerada dos mercados internacionais,
possibilidade de movimentar grandes quantias de valores em
segundos, é a “Terceira Revolução Tecnológica”
(processamento, difusão e transmissão de informações).
O mercado
financeiro é uma massa mundial dentro da qual se aposta em
tendências conflitantes, modelos de empresas, abertura de
comércios, a mundialização das marcas de produtos, mais
ágil, viabiliza o fechamento de negócios em segundos. O
mercado financeiro saiu da mão dos bancos. Os especuladores
ganharam maior poder de fogo. Em poucos instantes, o valor
de negócios pode ganhar transformações radicais.
A
globalização é um fenômeno com ramificações industriais, de
prestação de serviços, comerciais ou financeiras, graças a
queda do custo da comunicação e as novas tecnologias de
troca de dados. A rapidez, o barateamento e a confiabilidade
caracterizam a globalização do ponto de vista tecnológico. A
Velocidade da informação pelo mundo é a característica atual
da globalização.
O
desemprego é um drama nacional dos países mais pobres, que
perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam
e o atraso tecnológico. A globalização não beneficia a todos
de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos,
outros perdem. Exigem-se menores custos de produção e maior
tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. A
globalização está concentrando renda, os países ricos ficam
mais ricos, e os pobres mais pobres, e os motivos são
diversos entres eles subsidiar os produtos agrícolas nos
países ricos, inviabilizam os pobres, e outros motivos
econômicos a mais.
O que é globalização?
Existem
diversas definições, variando do ponto de vista de cada um.
Segundo
alguns, a explicação mais didática está no teorema do
economista Eduardo Gianetti da Fonseca: “ O fenômeno da
globalização resulta da conjunção de três forças poderosas:
1) a terceira revolução tecnológica (tecnologia ligada à
busca, processamento, difusão e transmissão de informações;
inteligência artificial; engenharia genética); 2) a formação
de áreas de livre comércio e blocos econômicos integrados
(como o Mercosul, a União Européia e o Nafta); 3) a
crescente interligação e interdependência dos mercados
físicos e financeiros, em escala planetária”.
O jornal
francês “Le Monde” discorda. Usando o termo “mundialização”,
ele define globalização como sendo “ a mundialização é
bem mais que uma fase suplementar no processo de
internacionalização do capital industrial em curso desde faz
mais de um século”. E lembra que “o comércio entre
nações é velho como o mundo, os transportes
intercontinentais rápidos existem a vários decênios, as
empresas multinacionais prosperam já faz meio século, os
movimentos de capitais não são uma invenção dos anos 90,
assim como a televisão, os satélites, a informática”. O
que “Le Monde” chama de “novidade” é “a desaparição do único
grande sistema que concorria com o capitalismo, o comunismo
soviético”. O fim do comunismo permite globalizar o
capitalismo, com todas as implicações decorrentes: aumento
no fluxo de comércio, de informação e de expansão das
empresas multinacionais em mercados antes fechados.
O
especialista Anthony McGrew lista três tendências nos
analistas da globalização: 1) os hiperglobalizantes – os que
acham que a globalização define uma nova época na história
da humanidade; 2) os céticos – os que entendem que os
fluxos atuais de comércio, investimento e mão-de-obra não
são superiores aos séculos passado; 3) os transformalistas –
admitem que os processos contemporâneos de globalização não
têm precedentes. Têm uma visão intermediária. Apontam um
novo padrão de inclusão e exclusão social na economia
globalizada.
Não há uma
definição que seja aceita por todos. Ela está
definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo
tempo, define uma nova era da história humana.
Globalização e o Mercado Financeiro
O mercado
financeiro internacional tem poder, adquirido pelos fatores
da desregulamentação dos anos 80 e o avanço tecnológico nas
comunicações, fazendo com que capitais percorram o mundo
expressivamente.
Acabaram-se
os controles sobre movimentação de capital, ao mesmo tempo
em que mudou a face do mercado financeiro. A hegemonia dos
bancos, como geradores de empréstimos, acabou. Subiu o
mercado de títulos, emitidos por instituições financeiras e
empresas, como os títulos comprados por diversos
investidores ao redor do mundo, especialmente por meio de
fundos de pensão e fundos de investimento, que tiveram um
crescimento vertiginoso.
O avanço
das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais uniram
os mercados. Hoje, muitas instituições financeiras operam 24
horas por dia. Abrem o dia na Ásia, começam a operar na
Europa quando já é janta na Ásia e abrem os negócios na
América quando os Europeus estão terminando de jantar. Por
esta razão, qualquer choque sobre o mercado tende a se
propagar sem paradas.
Outro
componente que torna o mercado financeiro internacional
assustador é o volume do dinheiro movimentado por
negociações derivadas de alguma outra. Negocia-se no mercado
futuro uma operação financeira de compra e venda que tem
como referência a variação do preço de um ativo. Esta
montanha de papéis e diversos investidores são capazes de
reagir, em questão de segundos, a boas e más notícias.
A
globalização dos mercados financeiros torna esses movimentos
rápidos, violentos e mortais. Uma inconsistência
macroeconômica poderia se arrastar por muitos anos e
provocar uma lenta desvalorização na economia de um país em
questão de semanas. O risco da globalização financeira
existe e a multiplicação do volume de papéis financeiros em
relação à produção real pode acabar.
Existe uma
lógica no movimento de capitais. Um princípio continua
válido: para países que mantêm políticas econômicas
consistentes, a globalização financeira pode ser mais uma
oportunidade do que um risco.
Tecnologia na Globalização
O mundo
passou por uma integração comercial importante, mas não
podia trocar informações na velocidade e na quantidade de
hoje. O preço da chamada telefônica caiu 90% entre os anos
70 e hoje, e a Internet pode barateá-la ainda mais. A
comunicação global ainda não foi democratizada: A África tem
menos de uma linha para cada 100 habitantes enquanto na
América do Norte, Oceania e Europa a taxa supera 25 para 100
habitantes. Fusões de empresas da área da informática,
telefonia e comunicação mudam o mercado da informação.
Avanço tecnológico andou lado a lado com o fortalecimento do
mercado financeiro.
A indústria
da telecomunicação vive uma explosão sem precedentes, somada
ao barateamento e à popularidade da informática.
Paralelamente, começa a se esboçar uma convergência entre a
infra-estrutura de comunicação e a indústria da mídia, à
medida que ambas se digitalizam. É essa conjunção que torna
possível um mundo globalizado nos moldes de hoje.
Três
fatores vão derrubar ainda mais os custos de
telecomunicação: 1) avanços técnicos que reduzem o custo da
infra-estrutura; 2) o excesso de capacidade de transmissão
internacional – que acaba transbordando para ligações de
longa distância nacionais; 3) desregulamentação e erosão das
margens de lucro. A queda dos monopólios de comunicação e a
revisão dos acordos tarifários internacionais devem reduzir
as altíssimas margens de lucro das empresas telefônicas.
Embora as
empresas não tenham chegado a achar um caminho para a
convergência, a infra-estrutura se aproxima dela. Até pouco
tempo havia uma distinção clara entre redes de telefonia, de
dados e de broadcast (TV e rádio).
A tendência
é que telecomunicações, difusão de rádio e TV e transmissão
de dados passem a circular indiferentemente por fibras
óticas e satélites. Apesar das barreiras políticas e
econômicas à integração das comunicações, do ponto de vista
tecnológico os avanços nunca foram tão rápidos. Apontam para
uma comunicação mais ubíqua, rápida e barata.
Globalização e os Blocos Comerciais
A área de
livre comércio é um acordo que permite a adoção progressiva
de tarifas alfandegárias comuns entre os países-membros. Com
parceiros fora do bloco, cada país estabelece regras
próprias. Se os membros decidem adotar uma política única
com quem não integra o grupo, forma-se uma união aduaneira.
O mercado comum vai além, liberaliza o trânsito de pessoas,
bens e capitais, e não só de mercadorias. Quando
padronizam-se as políticas econômicas dos membros rumo a uma
moeda única, chega-se à união econômica.
A formação
de Blocos Comerciais Regionais traz uma dúvida: trata-se de
um estágio necessário para um mundo sem barreiras econômicas
ou, pelo contrário, resultará, no futuro, na criação de
novas restrições? Há o temor de que países como o Brasil,
antes fechados economicamente voltem a reestruturar
barreiras em torno de seus grupos locais de comércio. Outro
risco é deixar países politicamente importantes fora dos
Blocos, como a China e Rússia. A resolução do impasse
estaria na capacidade de esses blocos estarem aos demais
países as vantagens que existem apenas para os seus membros.
A globalização produziu, em matéria de comércio
internacional, este dilema.
Idêntico
problema cerca os acordos comerciais regionais, como o
Mercosul: grandes especialistas em comércio internacional e
até as entidades que supervisionam não têm certeza se os
blocos são apenas etapas necessárias e positivas na direção
de um mundo sem barreiras ou se minifortalezas que, no
limite, impedirão a queda de todas as fronteiras.
Esse
conflito entre globalização e regionalismo é latente. Ao
liberalizar o comércio só com seus vizinhos, os países
estão, por definição, discriminando os que não têm a sorte
de estar no clube local. A questão e saber se os “clubes
locais” caminham para integrar-se a outros clubes, de forma
que haja um grande bloco, do tamanho do planeta, ou se
tendem a fechar-se em três ou quatro grandes conglomerados
em guerra comercial uns com os outros.
Na falta de
um projeto global, o risco é o de que cada superbloco se
feche para os demais, o que, além do risco de uma guerra
comercial, marginalizaria países gigantescos, como China e
Rússia, que, até agora, entraram em sistema algum. É
sintomático que a União Européia e os EUA estejam empenhando
em uma surda guerra para ver qual dos dois consegue fechar
antes o acordo com o bloco sul-americano. No Brasil também
há uma surda guerra de argumentos entre os pró-Alca e os
pró-União Européia.
A “Rodada
Uruguai” (marco no processo de globalização) começou em 1986
em Montividéu, arrastou-se por quase oito anos e terminou
com o mais abrangente pacote de redução das barreiras ao
comércio planetário. Seu impacto mais visível e até certo
ponto quantificável surge da redução das tarifas
alfandegárias para importações.
A “Rodada
Uruguai” foi além da negociação sobre derrubada de barreiras
para exportar mercadorias. Introduziu na agenda mundial as
chamadas áreas novas do comércio, em especial o vastíssimo
campo de serviços. É uma rubrica que cobre desde
telecomunicações a transporte marítimo, passa por serviços
financeiros e atinge até compras governamentais.
A “Rodada
Uruguai” não fechou acordo algum na área de serviços, mas
estabeleceu uma agenda de negociações que vai até o ano
2000. Já foram assinados acordos para abrir o mercado de
telecomunicações, o que prevê derrubar, até o ano 2000,
todas as barreiras para importação de equipamentos/serviços
de tecnologia de informação (ou informática).
O impacto
da liberalização no setor de serviços tende a superar o da
derrubada das barreiras para mercadorias. Trata-se do setor
mais dinâmico da economia mundial e do único que ainda gera
empregos, ante a estagnação da indústria e a mecanização da
agricultura, que se torna crescentemente irrelevante.
A “Rodada
Uruguai” introduziu modestas aberturas , mas jogou as
negociações definitivas para o ano 2000. Motivo óbvio: tanto
EUA como a União Européia subsidiam seus produtores
agrícolas e recusam-se a abrir mercados para a competição
com produtos do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento.
Por trás dos países ricos, há um número relativamente
pequeno de empresas transnacionais que determinam a agenda.
O comércio entre filiais e matrizes de multinacionais
representa aproximadamente 1/3 do comércio mundial, e as
exportações das multis, as companhias que não são
subsidiárias, delas cobrem outro terço.
Essa
concentração de poder econômico pode limitar a concorrência,
reduzindo os ganhos para os consumidores e economias
nacionais. Não abriu lugar à mesa de negociações para os
consumidores, que tanto podem ser as vítimas como os
beneficiários da globalização.
Globalização e os Estados
Na balança
de poder do mundo, o Estado muitas vezes se enfraquece
diante do sistema financeiro globalizado. Fruto de uma época
ideologicamente confusa (a crença de um sistema único e
infalível, o capitalismo, que emergiu após a queda do Muro
de Berlim) a situação mostra-se instável para os Estados
emergentes.
O triunfo
de 1989, ano em que o Muro de Berlim ruiu, parecia tão certo
que chegou-se a prever o fim da história. Em 1995 quando
tudo se caminhava para a consolidação da onda liberal, o
capitalismo começou a investir contra si próprio; vieram a
crise do México, a quebra do Banco Barings e, agora o crash
das bolsas.
Sob os
efeitos da globalização, um vírus inoculado na Bolsa de Hong
Kong espalhou-se pelo mundo em outubro/97. No Brasil
dobrou-se as taxas de juros – recurso para tentar atrair os
capitais especulativos que batiam em retirada – causando
alta dos crediários. A crise começou em Hong Kong e invadiu
o lar de cada brasileiro.
Alguns
países estão sob o risco porque não seguem à risca as regras
do sistema liberal – encontram-se com a moeda
supervalorizada, deficts em suas balanças e despesas
públicas maiores do que as receitas. Evidente que o
interesse que move a gangorra das bolsas não é o social, mas
o da especulação.
Cultura Global
A
globalização cultural é tomada como ideologia fundamental de
um plano de instrução de formação que tomará conta do
planeta, que resultará na configuração de um mundo integrado
e organizado no modelo de um gigantesco Estado-Nação.
Essa visão
é polemica internacionalmente. Não se pode transformar o
mundo sem ver o desenvolvimento da informática, robótica,
comunicações por satélite, Internet e modernos meios de
transporte. O clima de euforia flui como no século 19, com
as maravilhas inventadas nessa época. É natural que esse
mundo transformado pela internacionalização, aflora a
enpolgação da comunidade integrada.
Uma das
características importantes do que se entende hoje por
cultura global é justamente a maior visibilidade de
manifestações étnicas, regionalistas ou vindas de sociedades
excluídas. Talvez as nações ocidentais jamais tenham-se
visto na contingência de conviver com a diversidade cultural
no interior de suas fronteiras.
As
“Terceiras Culturas” são um conjunto de práticas,
conhecimentos, convenções e estilos de vida que desenvolvem
de modo a se tornar cada vez mais independentes dos
Estados-Nação. Formam se em diversas áreas e colocam em
conflito idéias em que as vítimas periféricas têm apenas
duas alternativas: deixar-se subjugar ou erguer forças para
evitar sua incorporação à modernidade ocidental.
Se encontra
em curso uma nova etapa da internacionalização. Não há
dúvida de que o mundo e cada vez mais percebido como um
lugar; não há dúvida que as culturas nacionais geram uma
cultura global, em que os indivíduos dos quatros cantos do
planeta podem se reconhecer; não há dúvida de que essa
cultura global surge da intensificação dos contatos entre
povos e civilizações vinculados à expansão econômica e
técnica.
Globalização e Marketing
Uma empresa
globalizada seria aquela que opera seguindo uma lógica
operacional mundial, cujo objetivo seja maximizar benefícios
e minimizar custos não importando onde esteja a base de
produção e que obedeça uma estratégia de marketing única
para todos os países onde vende seu produto. Uma empresa
transnacional, o mercado seria uma determinada região do
mundo, enquanto para uma multinacional o mercado seria o
planeta inteiro.
Uma
característica essencial da empresa global atualmente seria
a facilidade para identificar locais onde existam as
condições mais atraentes para suas operações. Fica mais
fácil tomar conhecimento sobre as condições de trabalho em
um determinado país e compará-las com a situação em outras
partes do mundo. Com os serviços de informação, o aumento
nas taxas de juros de um país (que atende a encarecer os
custos de produção e a favorecer as aplicações financeiras)
chega ao conhecimento dos investidores e empresários de
forma imediata.
Somada à
crescente desregulamentação não só dos mercados financeiros,
mas também em outras áreas, inclusive no que se refere à
legislação trabalhista, ficou praticamente liberada a
movimentação de capital, trabalho e bens entre os países.
Qualquer tendência de elevação dos custos de elevação dos
custos de produção em um determinado país pode levar a
empresas a trocá-lo por outro onde seja mais barata a
fabricação.
No circuito
das chamadas empresas transnacionais, o investimento em
fábrica deixou de ser privilegiado. A prioridade passou a
ser de envestir em marcas. Muitas vezes, a empresa global
compra uma campanha local apenas para ganhar uma fatia do
mercado, por causa da marca. O crescimento do número dessas
companhias e dos negócios por elas realizados é apontado
como uma das razões para a expansão do comércio
internacional.
O processo
de expansão das empresas multinacionais também provoca
polêmica por causa das condições de trabalho nas fábricas
desses grupos instaladas em países que não se destacam pelo
respeito aos direitos dos trabalhadores. Muitas vezes é o
mesmo consumidor, no papel de trabalhador, que sofre com a
política da empresa transnacionais de fechar uma determinada
fábrica ou de promover demissões, alegando a necessidade de
reduzir seus custos para aumentar a produtividade.
Globalização e os Países Ricos e Pobres
Ano a ano o
fosso que separa os incluídos dos excluídos vem aumentando:
os ricos ficam cada vez mais ricos, e os pobres, mais
pobres. Em 34 anos a participação dos excluídos na economia
global diminuiu em 1,2%. São várias as causa, desde as
barreiras alfandegárias punitivas às exportações dos países
subdesenvolvidos às leis de proteção de patente que
dificultam o acesso das nações pobres a novas tecnológicas.
O comércio
mundial cresceu 12 vezes no pós-guerra. Mas foi também o
vilão que mais acentuou as desigualdades entre os países
ricos e pobres no processo de globalização. Com 10% da
população do planeta, os países mais pobres detêm apenas
0,3% do comércio mundial. Para o conjunto de países em
desenvolvimento, a globalização impôs perdas comerciais.
O fantasma
que ronda a economia globalizada dos países mais ricos é o
desemprego. O impacto da revolução tecnológica nas
comunicações e na economia ocasiona a perda de empregos no
Primeiro Mundo que é a contra partida da criação de postos
de trabalho nos países em desenvolvimento. Isso atribuí-se
ao fato das nações emergentes estarem avançando na educação
de seus habitantes e terem o custo de produção menores.
Existem
propostas que sugerem que os governos adotem critérios mais
seletivos na hora de abrir as fronteiras à competição
internacional, invistam na educação da população mais pobre
e fomentem as pequenas empresas. Recomendam, ainda, que
formem blocos econômicos regionais para aumentarem o
comércio, facilitando o fluxo financeiro e melhorando os
meios de transporte. Destaca-se uma proposta de um mecanismo
para controle e vigilância com mais agilidade da liquidez
internacional, mudanças nas regras do comércio mundial em
benefício dos países pobres e uma associação de empresas
internacionais para fomentar a redução da pobreza.
É uma
tendência em alta. Com as constantes fusões de gigantes
empresariais, vai aumentar a importância das multinacionais,
em detrimento dos Estados. E é por essa razão que já há quem
prefira chamar a globalização de era da englobação.
C o n c l u
s ã o
A crise que
abala as Bolsas é a mais recente manifestação de um processo
em que o poder dos governos, o papel das empresas, o destino
dos empregados e as culturas nacionais são transformados
pela integração econômica e tecnológica.
Depois do
furacão que varreu o mundo, ficou clara a interdependência
do mercado financeiro, em que um choque tende a se propagar
sem paradas. Com o avanço das comunicações e a liberdade de
fluxos de capitais, muitas instituições financeiras operam
24 horas por dia. Movimentação de derivativos, contratos que
surgiram com o objetivo para aumentar a segurança de outros
investimentos, há dez anos eram insignificantes, hoje têm
razões suficientes para transformar todo planeta em questão
de segundos, reagindo a boas e más notícias.
A
globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns
ganham muitos, outros ganham menos, outros perdem. Na
prática exige menores custos de produção e maior tecnologia.
O problema não é só individual, é um drama nacional dos
países mais pobres, que perdem com a desvalorização e atraso
tecnológico.
Bibliografia
Folha do
Estado de São Paulo, Caderno
Especial, São Paulo, 2 de novembro de 1997, páginas 1 a 12.