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CÁLCIO
O cálcio, como o magnésio, é um macroelemento. É o
mineral mais abundante do organismo: 1100 a 1200 g de
cálcio, dos quais 90% está no esqueleto. O resto é repartido
entre os tecidos (músculos sobretudo) e o plasma sangüíneo.
Neste nível, o cálcio se apresenta ligado às proteínas, como
também na forma ionizada indispensável às numerosas funções
das células. É um elemento primordial da membrana celular na
medida em que ele controla sua permeabilidade e suas
propriedades eletrônicas. Está ligado às contrações das
fibras musculares lisas, à transmissão do fluxo nervoso, à
liberação de numerosos hormônios e mediadores do sistema
nervoso, assim como à atividade plaquetária (coagulação do
sangue).
As trocas entre o tecido ósseo e o plasma sangüíneo
se fazem nos dois sentidos, de maneira equilibrada nos
indivíduos normais. A quantidade de cálcio presente no
sangue(calcemia) resulta de vários movimentos: duas entradas
(a absorção do cálcio no intestino delgado e a reabsorção
óssea) e duas saídas (depósito nos ossos e perdas através da
urina). A calcemia não é um espelho fiel destes movimentos e
não pode ser o único parâmetro para identificação de uma
patologia cálcica. Pode-se observar uma redução do mineral
ósseo (osteoporose) ou uma anomalia do metabolismo cálcico
(doença de Paget) sem que seja modificada a taxa de cálcio
no sangue.
Os principais fatores de regulação do metabolismo
cálcico são o paratormônio secretado pelas glândulas
paratireoides (que tendem a liberar o cálcio a nível ósseo e
favorece a reabsorção a nível renal ) e a vitamina D, que é
indispensável a uma mineralização correta.
Enquanto que dificilmente se podem administrar os
fatores interiores(equilíbrio hormonal) que intervém na
fisiologia do cálcio, é possível atuar sobre os fatores
externos, o aporte de cálcio e da vitamina D, a relação do
cálcio com o magnésio e o fósforo ou ainda a composição da
ração alimentar. Assim, por exemplo, o excesso de proteínas
na refeição aumenta a eliminação urinária do cálcio (atenção
aos regimes hiperprotêicos). Da mesma forma a ingestão de
alimentos ricos em ácido oxálico (por exemplo, espinafre) ou
em ácido fítico (pão integral) faz diminuir a
disponibilidade do cálcio em razão da formação de sais
insolúveis. A cafeína, o álcool e diversos medicamentos são
fatores desfavoráveis para a disponibilidade do cálcio.
As carências profundas em cálcio (hipocalcemias) são
bastante raras. Ao contrário, as carências moderadas são
freqüentes. Elas provocam os sintomas de
hiperex-citabilidade neuromuscular: formigamentos,
agulhadas, entorpecimento dos membros e contrações
musculares. Ao nível dos ossos, a redução da taxa de cálcio
no organismo pode traduzir-se por sinais de descalcificação:
raquitismo, retardamento do crescimento e osteoporose.
As hipocalcemias são devidas mais freqüentemente ao
déficit de vitamina D e também à falta de aporte de cálcio.
Mais raramente uma insuficiência renal, uma pancreatite
aguda ou um excesso de fósforo podem estar em jogo. Quanto
às hipercalcemias (aumento do cálcio no sangue), elas se
manifestam sob formas diversas: poliuria (necessidade
freqüente de urinar), formação de cálculos renais, perda de
apetite, sonolência, fraqueza muscular e palpitações. Os
hipercalcêmicos revelam, ou uma patologia subjacente como o
câncer com metástase óssea, hiperparatireoidia,
insuficiência renal, ou um incidente iatrogênico como nos
casos de utilização prolongada de grandes doses de vitamina
D ou de certos diuréticos.
O ion cálcio nos distúrbios vasculares
Tendo tomado medicamentos "inibidores de cálcio",
certos pacientes acreditam que é melhor evitar consumir
cálcio, o que é um erro.
Se o cálcio interfere nos fenômenos de espasmos
vasculares, na insuficiência circulatória cerebral e nos
distúrbios vasomotores, assim como, na hipertensão arterial,
estas são circunstâncias particulares.
Normalmente, a concentração do cálcio na célula é
pequena, mas em circunstâncias patológicas (falta de
oxigênio) há uma sobrecarga de cálcio intracelular, pois a
membrana celular não preenche mais seu papel de barreira
face ao cálcio extracelular. Esta entrada maciça de cálcio
no interior da célula implanta canais membranários rápidos,
que se abrem quando o equilíbrio da célula é perturbado. A
elevação do cálcio livre na célula tem conseqüências
desastrosas: a vasoconstrição dos vasos sangüíneos, uma
diminuição da deformabilidade dos glóbulos vermelhos
(aumento da viscosidade do sangue) e a tendência à tendência
a hiperagregação das plaquetas sangüíneas.
Uma nova classe de medicamentos (os antagonistas do
cálcio, que impedem o fluxo transmembranário do cálcio), é,
pois, mais e mais utilizado nas doenças vasculares e nas
hipertensões arteriais.
Acusar o cálcio de provocar contração exagerada dos
músculos lisos é uma solução fácil; de fato, é antes o
sistema nervoso simpático que exerceria um papel chave (por
meio das secreções aumentadas dos mediadores) na indução das
situações patológicas ao nível das membranas celulares.
As necessidades de cálcio estão sendo revistas. Uma
ração alimentar normal fornece cerca de 500 a 600 mg de
cálcio/dia. É a quantidade aconselhada até hoje. Todavia, o
novo trabalho do grupo Getramol (grupo da comissão in-
terministerial) preconiza um aumento do aporte nutricional
de cálcio. Uma ingestão diária da ordem de 800 a 1000 mg/dia
parece aceitável. Se se admite este aumento, é necessário se
preocupar também com a modificação nos aportes de magnésio e
fósforo, pois é importante conservar a relação Ca/Mg
(cálcio/magnésio) vizinha de 2 e a relação Ca/P
(cálcio-fósforo) entre 1 e 1.5.
As necessidades em cálcio aumentam no período de
crescimento, durante a gravidez e o aleitamento
(1500mg/dia).
De certo, durante a gravidez se produz uma adaptação
do metabolismo fosfocálcico a fim de responder à demanda das
necessidades do feto. Assim, a absorção do cálcio no
intestino e ao nível dos condutos renais é aumentada, graças
ao aumento da formação de vitamina D. Porém, a mulher
grávida pode ser carente de vitamina D no período invernal
nas nossas condições de fraca insolação. Ao lado de um bom
aporte de cálcio, sabe-se, a partir de estudos recentes, que
a adição de vitamina D às mulheres grávidas assegura uma
assimilação exata do cálcio. Esta precaução se faz
necessária, não só para a mãe como também para a criança,
pois é da mãe que a criança receberá a vitamina D.
É interessante lembrar que as taxas baixas de
vitamina D e as hipocalcemias dos bebês não são raros na
França.
Devem-se também ressaltar os trabalhos americanos,
apresentados no encontro internacional sobre alimentação das
mulheres grávidas, que preconizam um suplemento cálcico
durante a gravidez com a finalidade de protegê-las contra
uma elevação da pressão arterial.
O cálcio e a osteoporose
Melhor prevenir que remediar. O cálcio é também o
centro de debate da osteoporose, que se tornou uma espécie
de "epidemia silenciosa", notadamente entre as mulheres.
Lembremos que, com a idade ,o capital ósseo diminui
lentamente e que a osteoporose corresponde à ampliação deste
fenômeno fisiológico.
É difícil analisar a eficácia do aporte de cálcio
nesta doença, devido às divergências encontradas nos
resultados dos estudos.
Estas divergências são provenientes, de um lado, pelo
diferente comportamento dos ossos nas várias regiões do
esqueleto: os ossos do rádio não reagem ao suprimento do
cálcio, enquanto que as taxas das fraturas dos outros ossos
(fêmur, bacia) diminuem de maneira significativa. De outro
lado, parece que todas as mulheres menopáusicas não reagem
ao aporte adicional de cálcio. Nas mulheres com uma taxa
normal de estrógenos, o equilíbrio cálcico se estabelece
mais rapidamente que nas carentes de estrógenos. Finalmente,
muitos autores concordam no essencial, isto é, sobre a
prevenção a longo termo. É primordial assegurar à massa
óssea a maior densidade possível entre os vinte e quarenta
anos.
Os primeiros anos da idade adulta seriam decisivos
para uma predisposição futura à osteoporose. De fato, a
densidade do esqueleto continua a aumentar entre doze e
dezesseis anos após o fim do crescimento da estatura.
Por que não fazer um esforço para ter um bom aporte
cálcico se ele fornece uma proteção sem nenhum risco? Nas
doses indicadas o risco de hipercalcemia ou hipercalciuria
(aumento do cálcio na urina) é pequeno. Toda a prudência é
pouca nos indivíduos portadores de litíase cálcica.
Como fonte de cálcio, os derivados do leite são os
mais ricos. Em caso de intolerância à lactose (enzima
hidrolisante), o açúcar do leite é pouco ativo ou ausente em
certas pessoas), os yogourts podem substituir o leite: senão
é necessário recorrer a um complemento alimentar de 500 a
600 mg de cálcio/dia.
BIBLIOGRAFIA
http://WWW.OLIGOPHARMA.COM.br/OLIGOELEMENTOS
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