Aterramento
1
- Generalidades
As
características e a eficácia dos aterramentos devem
satisfazer às prescrições de segurança das pessoas e
funcionais da instalação.
O valor da resistência de
aterramento deve satisfazer às condições de proteção e de
funcionamento da instalação elétrica.
2
- Ligações à terra
- Aterramento
Qualquer
que seja sua finalidade (proteção ou funcional) o
aterramento deve ser único em cada local da instalação.
NOTA:
Para casos
específicos de acordo com as prescrições da instalação,
podem ser usados separadamente, desde que sejam tomadas as
devidas precauções.
A seleção e
instalação dos componentes dos aterramentos devem ser tais
que:
a) o valor
da resistência de aterramento obtida não se modifique
consideravelmente ao longo do tempo;
b) resistam
às solicitações térmicas, termomecânicas e eletromecânicas;
c) sejam
adequadamente robustos ou possuam proteção mecânica
apropriada para fazer face às condições de influências
externas.
Devem ser
tomadas precauções para impedir danos aos eletrodos e a
outras partes metálicas por efeitos de eletrólise.
- Eletrodos de
aterramento
O
eletrodo de aterramento preferencial numa edificação é o
constituído pelas armaduras de aço embutidas no concreto das
fundações das edificações.
NOTAS
1- A
experiência tem demonstrado que as armaduras de aço das
estacas, dos blocos de fundação e das vigas baldrames,
interligadas nas condições correntes de execução, constituem
um eletrodo de aterramento de excelentes características
elétricas.
2- As
armaduras de aço das fundações, juntamente com as demais
armaduras do concreto da edificação, podem constituir, nas
condições prescritas pela NBR 5419, o sistema de proteção
contra descargas atmosféricas (aterramento e gaiola de
Faraday, completado por um sistema captor).
3- Em
geral os elementos em concreto protendido não devem integrar
o sistema de proteção contra descargas atmosféricas.
No
caso de fundações em alvenaria, o eletrodo de aterramento
pode ser constituído por uma fita de aço ou barra de aço de
construção, imersa no concreto das fundações, formando um
anel em todo o perímetro da estrutura. A fita deve ter, no
mínimo, 100 mm2 de
seção e 3 mm de espessura e deve ser disposta na posição
vertical. A barra deve ter o mínimo 95 mm2 de
seção. A barra ou a fita deve ser envolvida por uma camada
de concreto com espessura mínima de 5 cm.
Quando
o aterramento pelas fundações não for praticável, podem ser
utilizados os eletrodos de aterramento convencionais,
indicados na tabela 1, observando-se que:
a) o tipo e
a profundidade de instalação dos eletrodos de aterramento
devem ser tais que as mudanças nas condições do solo (por
exemplo, secagem) não aumentem a resistência do aterramento
dos eletrodos acima do valor exigido;
b) o
projeto do aterramento deve considerar o possível aumento da
resistência de aterramento dos eletrodos devido à corrosão.
NOTA
1-
Preferencialmente o eletrodo de aterramento deve constituir
um anel circundando o perímetro da edificação.
2- A
eficiência de qualquer eletrodo de aterramento depende das
condições locais do solo; devem ser selecionados um ou mais
eletrodos adequados às condições do solo e ao valor da
resistência de aterramento exigida pelo esquema de
aterramento adotado. O valor da resistência de aterramento
do eletrodo de aterramento pode ser calculado ou medido (ver
7.3.6.2).
Tabela 1
- Eletrodos de aterramento convencionais
|
Tipo de eletrodo |
Dimensões mínimas |
Observações |
|
Tubo de aço zincado |
2,40 m de comprimento e diâmetro nominal de 25 mm |
Enterramento totalmente vertical |
|
Perfil de aço zincado |
Cantoneira de (20mmx20mmx3mm) com 2,40 m de
comprimento |
Enterramento totalmente vertical |
|
Haste de aço zincado |
Diâmetro de 15 mm com 2,00 ou 2,40 m de comprimento |
Enterramento totalmente vertical |
|
Haste de aço revestida de cobre |
Diâmetro de 15 mm com 2,00 ou 2,40 m de comprimento |
Enterramento totalmente vertical |
|
Haste de cobre |
Diâmetro de 15 mm com 2,00 ou 2,40 m de comprimento |
Enterramento totalmente vertical |
|
Fita de cobre |
25
mm² de seção, 2 mm de espessura e 10 m de
comprimento |
Profundidade mínima de 0,60 m. Largura na posição
vertical |
|
Fita de aço galvanizado |
100
mm² de seção, 3 mm de espessura e 10 m de
comprimento |
Profundidade mínima de 0,60 m. Largura na posição
vertical |
|
Cabo de cobre |
25
mm² de seção e 10 m de comprimento |
Profundidade mínima de 0,60 m. Posição horizontal |
|
Cabo de aço zincado |
95
mm² de seção e 10 m de comprimento |
Profundidade mínima de 0,60 m. Posição horizontal |
|
Cabo de aço cobreado |
50
mm² de seção e 10 m de comprimento |
Profundidade mínima de 0,60 m. Posição horizontal |
Não
devem ser usados como eletrodo de aterramento canalizações
metálicas de fornecimento de água e outros serviços, o que
não exclui a ligação equipotencial de que trata .
- Condutores de
aterramento
Os
condutores de aterramento devem atender às prescrições
gerais.
Quando o
condutor de aterramento estiver enterrado no solo, sua seção
mínima deve estar de acordo com a tabela 2
Tabela 2
- Seções mínimas convencionais de condutores de aterramento
|
|
Protegido mecanicamente |
Não
protegido mecanicamente |
|
Protegido contra corrosão
|
De
acordo com 6.4.3.1 |
Cobre: 16 mm²
Aço: 16 mm² |
|
Não
protegido contra corrosão
|
Cobre: 16 mm² (solos ácidos)
25 mm² (solos alcalinos)
Aço: 50 mm² |
Quando o eletrodo de aterramento estiver embutido nas
fundações a ligação ao eletrodo deve ser realizada
diretamente, por solda elétrica, à armadura do concreto mais
próxima, com seção não inferior a 50 mm2,
preferencialmente com diâmetro não inferior a 12 mm, ou ao
ponto mais próximo do anel (fitas ou barra) embutido nas
fundações. Em ambos os casos, deve ser utilizado um condutor
de aço com diâmetro mínimo de 12 mm, ou uma fita de aço de
25 mm x 4 mm. Com o condutor de aço citado, acessível fora
do concreto, a ligação à barra ou condutor de cobre para
utilização, deve ser feita por solda exotérmica ou por
processo equivalente do ponto de vista elétrico e da
corrosão.
Em
alternativa podem usar-se acessórios específicos de aperto
mecânico para derivar o condutor de tomada de terra
diretamente da armadura do concreto, ou da barra de aço
embutida nas fundações, ou ainda do condutor de aço derivado
para o exterior do concreto.
NOTA - O
condutor de aço derivando para exterior do concreto deve ser
adequadamente protegida contra corrosão.
Na execução
da ligação de um condutor de aterramento a um eletrodo de
aterramento deve-se garantir a continuidade elétrica e a
integridade do conjunto.
- Terminal de
aterramento principal
Em qualquer
instalação deve ser previsto um terminal ou barra de
aterramento principal e os seguintes condutores devem ser a
ele ligados:
a) condutor
de aterramento;
b)
condutores de proteção principais;
c)
condutores de equipotencialidade principais;
d) condutor
neutro, se disponível;
e)
barramento de equipotencialidade funcional (ver 6.4.8.5), se
necessário;
f)
condutores de equipotencialidade ligados a eletrodos de
aterramento de outros sistemas (por exemplo, SPDA).
NOTAS
1 - O
terminal de aterramento principal realiza a ligação
equipotencial principal .
2 - Nas
instalações alimentadas diretamente por rede de distribuição
pública em baixa tensão, que utilizem o esquema TN, o
condutor neutro deve ser ligado ao terminal ou barra de
aterramento principal, diretamente ou através de terminal ou
barramento de aterramento local;
3 - Nas
instalações alimentadas diretamente por rede de distribuição
pública em baixa tensão, que utilizem o esquema TT, devem
ser previstos dois terminais ou barras de aterramento
separados, ligados a eletrodos de aterramento eletricamente
independentes, quando possível, um para o aterramento do
condutor neutro e o outro constituindo o terminal de
aterramento principal propriamente dito.
4 - Os
condutores de equipotencialidade destinados à ligação de
eletrodos de aterramento de SPDA devem ser dimensionados
segundo a NBR 5419.
Quando
forem utilizados eletrodos de aterramento convencionais,
deve ser previsto, em local acessível, um dispositivo para
desligar o condutor de aterramento. Tal dispositivo deve ser
combinado ao terminal ou barra de aterramento principal, de
modo a permitir a medição da resistência de aterramento do
eletrodo, ser somente desmontável com o auxílio de
ferramenta, ser mecanicamente resistente e garantir a
continuidade elétrica.
3 - Condutores de proteção
- Seções mínimas
A seção não
deve ser inferior ao valor determinado pela expressão
seguinte (aplicável apenas para tempos de atuação dos
dispositivos de proteção que não excedam 5 s):

Onde:
S é a seção
do condutor, em milímetros quadrados;
I é o
valor (eficaz) da corrente de falta que pode circular pelo
dispositivo de proteção, para uma falta direta, em ampères;
t é o
tempo de atuação do dispositivo de proteção, em segundos;
NOTA -
Deve ser levado em conta o efeito de limitação de corrente
das impedâncias do circuito, bem como a capacidade
limitadora (integral de Joule) do dispositivo de proteção.
k é o fator
que depende do material do condutor de proteção, de sua
isolação e outras partes e das temperaturas inicial e final.
As tabelas
3, 4, 5 e 6 dão os valores de k para condutores de proteção
em diferentes condições de uso ou serviço. Se, ao ser
aplicada a expressão, forem obtidos valores não
padronizados, devem ser utilizados condutores com a seção
normalizada imediatamente superior.
NOTAS
1
- É necessário que a seção calculada seja compatível com as
condições impostas pela impedância do percurso da corrente
de falta.
2 - Para
limitações de temperatura em atmosferas explosivas, ver IEC-79-0.
3 - Devem
ser levadas em conta as temperaturas máximas admissíveis
para as ligações.
Tabela 3
- Valores de k para condutores de proteção providos de
isolação não incorporados em cabos multipolares ou
condutores de proteção nus em contato com a cobertura de
cabos
|
|
Isolação ou cobertura protetora |
|
Material do condutor |
PVC |
EPR
ou XLPC |
|
Cobre
Alumínio
Aço |
143
95
52 |
176
116
64 |
NOTAS
1 - A
temperatura inicial considerada é de 30º C.
2 - A
temperatura final do condutor é considerada igual a 160º C
para o PVC e a 250º C para o EPR e o XLPE.
Tabela 4
- Valores de k para condutores de proteção que sejam veia de
cabos multipolares
|
|
Isolação ou cobertura protetora |
|
Material do condutor |
PVC |
EPR
ou XLPC |
|
Cobre
Alumínio |
115
76 |
143
94 |
NOTAS
1 - A
temperatura inicial do condutor é considerada igual a 70º C
para o PVC e a 90º C para o EPR e o XLPE.
2 - A
temperatura final do condutor é considerada igual a 160º C
para o PVC e a 250º C para o EPR e o XLPE.
Tabela 5
- Valores de k para condutores de proteção que sejam capa ou
armação de cabo
|
|
Isolação ou cobertura protetora |
|
Material do condutor |
PVC |
EPR
ou XLPC |
|
Aço
Aço/Cobre
Alumínio
Chumbo |
(Ainda não normalizados)
|
Tabela 6 -
Valores de k para condutores de proteção nus onde não haja
risco de dano em qualquer material vizinho pelas
temperaturas indicadas
|
|
Condições |
|
Material do condutor |
Visível e em áreas restritas
1) |
Condições normais |
Risco de incêndio |
|
Temperatura máxima
Cobre
k |
500º C
228 |
200º C
159 |
150º C
138 |
|
Temperatura máxima
Alumínio
k |
300º C
125 |
200º C
105 |
150º C
91 |
|
Temperatura máxima
Aço
k |
500º C
82 |
200º C
58 |
150º C
50 |
As
temperaturas indicadas são válidas apenas quando não puderem
prejudicar a qualidade das ligações.
NOTA -
A temperatura inicial considerada é de 30º C.
A seção do
condutor de proteção pode, opcionalmente ao método de
cálculo, ser determinada através da tabela 7. Se a aplicação
da tabela conduzir a valores não padronizados, devem ser
usados condutores com a seção normalizada mais próxima. Os
valores da tabela 7 são validos apenas se o condutor de
proteção for constituído do mesmo metal que os condutores
fase. Caso não seja, sua seção deve ser determinada de modo
que sua condutância seja equivalente à da seção obtida pela
tabela.
Tabela 7
- Seção mínima do condutor de proteção
|
Seção dos condutores fase da instalação
S (mm²) |
Seção mínima do condutor de proteção
correspondente
Sp (mm²) |
|
S
SYMBOL 163 \f "Symbol" \s 14 16
16
SYMBOL 60 \f "Symbol" \s 14 S SYMBOL 163 \f "Symbol"
\s 14 35
S
SYMBOL 62 \f "Symbol" \s 14 35 |
S
16
 |
A seção de
qualquer condutor de proteção que não faça parte do mesmo
cabo ou do mesmo invólucro que os condutores vivos deve ser,
em qualquer caso, não inferior a:
a)
2,5 mm² se
possuir proteção mecânica;
b)
4 mm² se
não possuir proteção mecânica.
NOTA -
Ver também item 2, no que se refere à escolha e instalação
dos condutores em função das influências externas.
- Tipos de condutores
de proteção
Podem ser
usados como condutores de proteção: