Ciência, Mito e filosofia
1.0 Introdução
Falaremos a seguir sobre
ciência, mito e filosofia; mostrando as suas diferenças e
características próprias e como cada uma das funções trabalham
juntas proporcionado o mesmo objectivo. sendo mencionado uma
diferença entre o pensamento de filósofos e cientistas:
Sartes escreveu que a essência vem após a existência sendo
está condenada por
Heidegger. A idéia de totalidade onde a
filosofia abandonou a investigação de um dos elementos que
constituíam até então a sua essência, o que foi o momento de
Hegel onde a idéia de estabilidade foi substituída pela
idéia de movimento universal. O hegelianismo comete o erro de
querer explicar todas as coisas. As coisas não devem ser
explicadas mais vividas. Não pode existir sistema da
existência. A verdade objetiva tal como Hegel é a
morte da existência. Nas especializações do saber cientifico
serão descritos: A especialização que visa incrementar a
produtividade científica, as vantagens da especialização e
suas conseqüências nefastas. Faremos um comentário geral sobre
a ciência e mito e as características da ciência, onde para a
ciência o universo é ordenado com leis acessíveis à razão; a
ciência é menos ambiciosa que o pensamento mítico, onde mito e
ciência obedecem o mesmo princípio. Relacionados também os
textos que tratam do papel da teoria, da imaginação na
actividade cientifica; a experiência determina a validade dos
mundos possíveis; a ciência pretende que as suas explicações
sejam objetivas. Ciências ou ciência? Vamos pois tentar, em
primeiro lugar, compreender o que é o conhecimento científico,
tendo em conta que a ciência é hoje uma realidade complexa e
multifacetada onde dificilmente se descobre uma unidade.
Citadas serão conseqüências as características da ciência suas
unidades e diversidade. A ciência pode ser descrita como um
jogo a dois parceiros: trata-se de adivinhações sobre o
comportamento de uma unidade distinta de nós. No texto
‘ciência e reflexão filosófica’ serão destacados os texto
sobre: ciência e sociedade, ciência e cultura, os limites de
uma cultura científico-tecnológica, a ciência e política,
ética e ciência o para encerar será descritos valor do
espirito científico.
2.0 Na origem da filosofia
2.1.
Os primeiros
filósofos
Os gregos são os primeiros a
colocar a questão da realidade numa perspectiva não mítica.
Embora revelando influências do pensamento mítico anterior e
contemporâneo, as explicações produzidas pelos primeiros
filósofos, por volta do século VI a. C., na colônia grega de
Mileto, na Ásia Menor, são consideradas por muitos o embrião
da ciência e da filosofia, ou seja, do pensamento racional
(cf. texto de F. M. Cornford, A cosmogonia jônica).
2.1.1.
Tales,
Anaximandro, Pitágoras
mais antigo filósofo de que se
tem conhecimento que terá encontrado uma resposta para esta
questão foi Tales. Pensou ele que o princípio único de todas
as coisas era a água. Pela mesma época outros filósofos
tomaram posições mais ou menos parecidas com a de Tales. Foi o
caso de Anaximandro e de Pitágoras que fizeram do indefinido e
do número respectivamente o princípio originário a partir do
qual tudo proveio (cf. Fragmentos dos Pré-Socráticos).
2.1.2.
Heraclito e
Parménides
As respostas irão
progressivamente tornando-se mais elaboradas, embora sempre
centradas no problema da unidade ou da multiplicidade, da
mudança ou da permanência das coisas. Nesse sentido, Heraclito
(cf. texto de J. Brun, Uma filosofia do devir?) e Parménides
(cf. texto do próprio, A unidade e imutabilidade do Ser)
representam, historicamente, um radicalizar de posições: o
primeiro, aparece como o defensor da mudança: não se pode
penetrar duas vezes no mesmo rio; o segundo, como partidário
radical da unidade fundamental de todas as coisas. Esta
oposição não resiste, todavia, a um estudo aprofundado das
posições dos dois pensadores.
Ficaram célebres os argumentos
ou paradoxos inventados por Zenão de Eleia, discípulo de
Parménides, com o objetivo de mostrar o caráter contraditório
do movimento, e assim defender as teses do mestre sobre a
imutabilidade do real (cf. texto de Kirk & Raven, Paradoxos de
Zenão). Para além de uma reflexão sobre a natureza do espaço,
do tempo, do conhecimento e da realidade, os paradoxos de
Zenão desencadearam uma crise na matemática da Antigüidade,
que só viria a ser resolvida nos séculos XVII e XVIII d. C.,
com a criação da teoria das séries infinitas.
2.1.3.
Sócrates
Finalmente, com Sócrates (cf.
texto de Platão, Sócrates e os pré-socráticos) verifica-se uma
assinalável ruptura em relação aos antecessores. Explicar a
origem e a verdade das coisas através de objectos e realidades
materiais torna-se absurdo. Só no interior do homem se pode
encontrar a verdade e Sócrates passa toda uma vida a
ridicularizar aqueles que pensam saber qualquer coisa que não
seja de natureza espiritual. A ontologia, ou ciência do ser,
entra aqui numa fase completamente nova, mas para isso
remetemos para o capítulo relativo às respostas dos filósofos,
mais especificamente as respostas de Platão, discípulo directo
de Sócrates, e Aristóteles, discípulo de Platão.
3.0 As filosofias da existência
3.1
Vejamos agora a
que se opõem as filosofias da existência.
Podemos dizer que estas
filosofias se opõem às concepções clássicas da filosofia, tais
como as encontramos quer em Platão, quer em Espinosa, quer em
Hegel; opõem-se de fato a toda a tradição da filosofia
clássica desde Platão.
A filosofia platônica, tal como
a concebemos vulgarmente, é a investigação da idéia, na medida
em que a idéia é imutável. Espinosa quer ter acesso a uma vida
eterna que é beatitude. O filósofo em geral quer encontrar uma
verdade universal válida para todos os tempos, quer elevar-se
acima da corrente dos eventos, e opera ou pensa operar só com
a sua razão. Seria necessário reescrever toda a história da
filosofia para explicar contra o que se insurgem as filosofias
da existência.
A filosofia era concebida como o
estudo das essências. A maneira pela qual os filósofos da
existência concebem a formação da teoria das idéias em Platão
é a seguinte: um escultor para esculpir uma estátua, um
operário para construir uma mesa, consultam idéias que estão
perante o seu espírito; qualquer coisa feita pelo homem é
feita porque ele contempla uma certa essência. Ora, é a partir
da ação do operário ou do artista que se conceberá qualquer
ação. A propriedade essencial destas essências ou destas
idéias é essencialmente serem estáveis. Segundo Heidegger,
este pensamento encontra-se fortalecido pela idéia de criação
tal como a concebemos na Idade Média. Tudo foi imaginado como
por um grande artista, a partir de idéias.
3.2
A essência do
homem está na sua existência
Os filósofos da existência serão
levados a opor-se à idéia de essência considerada neste
sentido. Heidegger diria: os objectos, os instrumentos, têm
talvez essências, as mesas e as estátuas de que há pouco
falamos têm mais essências, mas o criador da mesa ou da
estátua, isto é, o homem, não tem uma tal essência. Posso
perguntar-me o que é a estátua. É que ela tem uma essência.
Mas, em relação ao homem, não posso perguntar-me: o que é, só
posso perguntar-me: quem é? E neste sentido ele não tem
essência, tem uma existência. Ou então dizemos - é a fórmula
de Heidegger -: a sua essência está na sua existência.
Haveria aqui que mencionar uma
diferença entre o pensamento de Sartre e o pensamento de
Heidegger. Sartre escreveu: "A essência vem após a
existência". Heidegger condena esta fórmula, porque, na sua
opinião, Sartre toma nesta fórmula a palavra "existência" e a
palavra "essência" no seu sentido clássico, inverte a sua
ordem, mas essa inversão não faz que ele não permaneça no
interior da esfera do pensamento clássico. Ele não deu devida
conta do que, para Heidegger, constitui um dos elementos
fundamentais da sua própria teoria. Esse elemento fundamental
é que a existência para ele deve ser considerada como sinônima
de "ser no mundo": ex-sistere, "ser fora de si". Se vemos que
a existência é isso, e não a simples realidade empírica,
chegamos a uma fórmula que não é a de Sartre: a essência vem
após a existência, mas que é esta que Heidegger adota: a
essência do homem é a existência, a essência do homem é ser
fora de si. A luta contra a essência, contra a idéia, contra
Platão, continua-se por uma luta contra Descartes. Kierkegaard
disse que a fórmula de Descartes: "Penso, portanto existo",
não corresponde à realidade do homem existente, dado que
quanto menos penso, mais sou, e inversamente.
É necessário recordar, sem
dúvida, que ele próprio recorre ao que chama um pensamento
existencial, ou seja um pensamento que está simultaneamente em
luta com a existência e de acordo com ela. Em qualquer caso, é
muito diferente do pensamento tal como o concebe Descartes,
isto é, tão universal e tão objectivo quanto possível.
Falamos de oposição a Platão, de
oposição a Descartes; num e noutro, a filosofia é a
investigação do que é estável e universal.
3.3
A idéia de
totalidade
Parece que houve um momento na
história da filosofia em que a filosofia abandonou a
investigação de um dos elementos que constituíam até então a
sua essência; foi o momento de Hegel, no qual a idéia de
estabilidade foi substituída pela idéia de movimento
universal. Mas Hegel conserva as idéias de objetividade, de
necessidade, de universalidade, de totalidade, dos filósofos
clássicos: só é necessário mudar a idéia, também ela
fundamental, de estabilidade. E sucede que pelo seu gênio
Hegel consegue manter simultaneamente a idéia de movimento e
as idéias de objetividade, de necessidade, de universalidade,
e fortalecer a idéia de totalidade. A meditação sobre o
movimento como essência, introduzida por Nicolau de Cusa e
Giordano Bruno no domínio do pensamento, foi introduzida por
Leibniz no próprio domínio de uma filosofia racional. A obra
de Hegel foi unir ainda mais estreitamente movimento e razão.
Foi principalmente por oposição a Hegel que se formou, no
espírito de Kierkegaard, a filosofia da existência. Ele vê
naquela o final da tradição filosófica que começa com Platão e
talvez com Pitágoras.
Que censura Kierkegaard em
Hegel? Censura, em primeiro lugar, que tenha feito um sistema,
dado que não há, diz Kierkegaard, sistema possível da
existência. Kierkegaard recusa-se a ser considerado como um
momento no desenvolvimento da realidade. Para Hegel, só há uma
realidade verdadeira e plena, é a totalidade, a totalidade
racional, porque tudo o que é real é racional e tudo o que é
racional é real. Esta totalidade é a Idéia. Tudo o que existe
só existe pela sua relação com uma totalidade e finalmente com
a totalidade. Consideremos o mais fugidio dos nossos
sentimentos. Só tem existência porque faz parte dessa
totalidade que é a minha vida. Mas a minha própria vida, o meu
próprio espírito, só existe, dirá Hegel, porque está em
relação com a cultura de que sou uma parte, com a nação de que
sou um cidadão, com a minha função e a minha profissão. Estou
profundamente unido ao Estado de que sou membro, mas esse
próprio Estado é apenas uma parte do vasto desenvolvimento da
história, isto é, da Idéia única que se explicita em todo o
curso deste desenvolvimento. E chegamos à idéia de um
universal concreto que compreende todas as coisas. Do mais
fugidio sentimento, vamos à idéia universal de que todos os
universais concretos, como as obras de arte, as pessoas, os
Estados, são apenas partes. E esta idéia universal existe no
início das coisas tanto como no fim, dado que, sendo a única
realidade, ela é a realidade eterna (...)
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