[Continuação]
·
As Teorias Crítico-Reprodutivas
No Brasil, a situação quanto ao
estudo é péssima, grande parte das crianças não freqüentam a
escola, quanto aos que conseguem entrar, há um afunilamento
muito grande.
Como a escola reproduz os
privilégios já existentes na sociedade:
- As Comunidades
Tribais - Trata-se de sociedades
que não têm Estado, classes, Escrita, Comércio e Escola . Essa
sociedade é essencialmente mítica.
Nas comunidades tribais, as
crianças aprendem imitando os gestos dos adultos em suas
atividades diárias.
A adaptação aos usos e valores
da tribo geralmente é levada a efeito sem castigo.
·
A Escola Tradicional Burguesa
Nos séculos XVI e XVII são
fundados colégios pelas ordens religiosas dos séculos XVI e
XVII. E para disciplinar a criança, submetendo-a aos rigores
da hierarquia surge o hábito dos castigos corporais.
Com isso surge o modelo da
escola tradicional, nestes colégios existem uma rígida
formação moral.
Tornam-se famosos os internatos
dos jesuítas, que se espalham por toda a Europa durante 200
anos (do século XVI ao XVIII). Essas escolas se destinam à
nobreza e à burguesia ascendente.
Com a Revolução Industrial,
passa-se a exigir que ao lado da formação humanística fossem
também estudadas as ciências da natureza.
CRÍTICAS À INSTITUIÇÃO
ESCOLAR
·
A Escola Nova
A instituição escolar se tornou
mais complexa a partir do Renascimento e Idade Moderna.
Foi a partir do século XVIII que
a legislação que demonstra o interesse do Estado em assumir a
educação, tornando-a leiga e gratuita.
A escola nova surge no final do
século XIX para propor novos caminhos a uma educação em
descompasso com o mundo onde se acha inserida favorecendo os
já socialmente favorecidos. A herança escolar cabe aos
herdeiros de sistemas privilegiados: o acesso à escola, o
sucesso escolar, a possibilidade da escolaridade prolongada
até a universidade estão reservados àqueles cujas famílias
pertencem às classes dominantes.
Nos tempos atuais, encontramos o
chamado modo de produção capitalista onde as forças
antagônicas são representadas pelas classes sociais, sendo os
interesses dessas classes divergentes, só se sustentam
mediante a dominação de uma classe sobre outra. Afirma ainda
que o Estado é composto por dois tipos de aparelhos: o
repressivo de Estado e o ideológico de Estado.
Para Establet e Baudelot, se
vivemos em uma sociedade dividida em classes, não é possível
haver uma “escola única”. Existem na verdade duas escolas, não
apenas duas escolas diferentes, mas opostas, heterogêneas.
Desse modo, a escola reafirma a divisão entre trabalho
intelectual e trabalho manual.
Da mesma forma, Snyders
considera que a separação escola-mundo descrita por Baudelot e
Establet parece muito defasada no tempo. Embora tenham
enfatizado a luta de classes, acabam descartando a
possibilidade de que a escola seja um dos campos dessa luta, o
que redunda em pessimismo e impotência.
·
As Teorias Progressistas
Na década de 70, esmorece o
otimismo da escola nova, cujas promessas não atingem as
camadas populares, surgem assim, as teorias progressistas como
a busca de outros caminhos a partir de uma nova concepção de
educação.
A educação progressista pretende
formar o homem para o trabalho.
Se o trabalho fosse integrado à
escola, também seria possível superar a dicotomia entre
cultura erudita e cultura popular.
A teoria progressiva parte do
pressuposto que não existe educação neutra. Não estarmos
atentos a esse fato pode nos levar a sucumbir à ideologia.
EDUCAÇÃO PARA
SUBMISSÃO
·
A Educação Popular
Grandes são as dificuldades em
se definir com clareza o que se entende por educação popular.
A própria palavra povo é bastante ambígua. Assim de forma mais
genérica possível, consideraremos como povo o conjunto dos
indivíduos de uma sociedade.
Quando falamos em povo, fazemos
naturalmente a separação do povo e elite. Por exemplo: ao
usarmos termos tais como: “Zé povinho e Povão”.
A separação existe na divisão
desigual dos bens culturais. Portanto, observa-se que persiste
a escola dualista. Então falar em educação popular é se
referir ao tipo de educação que é dado ao povo, mas que não
foi por ele escolhido.
A educação popular deve ser
entendida como aquela que é oferecida de maneira universal.
Desde a antigüidade, quase que
não existia oportunidade para a camada menos favorecida
freqüentar a escola. Entretanto, no século XIX, esse quadro
foi mudado, havendo uma ascensão social, sobretudo para as
classes médias.
Com o tempo diminui o número de
empregos oferecidos em relação ao número de formado. Além
disso, os filhos dos trabalhadores que porventura conseguissem
encaminhar-se para a burocracia das empresas, ao encontrarem
pouca oferta de emprego tinham o salário pressionado para
baixo.
O descaso pela educação popular
decorre de uma economia dependente e exclusivamente agrária
que não exige mão-de-obra qualificada.
Com a vinda da família real para
o Brasil, é dada ênfase à criação de escolas de nível
superior, deixando ao abandono os demais níveis.
Só será possível a construção de
uma autêntica escola popular se for abandonado a crença dos
educadores liberais de que o Estado deve se incumbir da
educação popular.
·
A Educação da Mulher
Já se sabe que a história da
educação se faz a partir da ótica das classes dominantes,
agora acrescentamos que ela também é androcêntrica, isto é,
centrada na figura masculina. Os direitos, deveres, aspirações
das mulheres se acham há milênios subordinados aos interesses
do patriarcado.
Apenas enquanto persiste a
comunidade primitiva é que a mulher exerce tarefas
complementares. Mesmo assim, já existindo nessa época divisão
sexual das tarefas, essas porém não eram de subordinação.
Mesmo antes de nascer, a criança
já se acha submetida às expectativas dos adultos: se for
homem, os pais imaginam o seu futuro como profissional bem
sucedido; se for mulher fixa ao seu destino de mãe e esposa,
sendo sua carreira sempre algo secundário.
Foi no século XIX que
intensificaram-se os movimentos feministas que lutavam para
que a mulher fosse considerada ser autônomo com direitos e
iguais oportunidades de estudo, profissionalização e
participação política.
O processo de inferiorização da
mulher é antigo e tem assumido novas faces a partir das
mudanças históricas que vivenciamos, de fato vivemos em uma
sociedade que separa “superiores” e “inferiores.
REPENSANDO A EDUCAÇÃO
·
Possibilidade e Limites da Educação
A ação humana é uma práxis, ou
seja, supõe a relação dialética entre teoria e prática.
No século XX, a expansão do
ensino tornou muito clara à oposição entre duas escolas,
aquela destinada à elite e a outra ao proletariado. Essa
situação só poderá se conter se for evitado que as decisões
sejam tomadas “de cima para baixo”, sem a prévia discussão com
os envolvidos no processo.
As reformas educacionais
realizadas no Brasil são carregadas de vícios que
impossibilitam a execução dos projetos; desse modo, somos
influenciados por modelos estrangeiros inadequados para a
resolução de nosso problema.
O principal fator que fez com
que a escola continuasse dualista decorre do fato de a
legislação sempre se espelhar aos interesses das classes
representadas no poder.
Além disso, esses estado de
coisas penaliza mais uma vez os alunos vindos das classes
desfavorecidas, uma vez que os jovens bem preparados pela
escola particular ocupam as vagas das melhores universidades,
quase sempre, as públicas. Originam-se então inúmeras
faculdades, oferecendo cursos de baixo nível. Para elas se
encaminham os que foram barrados nas principais universidades,
consequentemente inflacionando o mercado com diplomas sem
categoria.
Segundo os teóricos
crítico-reprodutistas, é preciso compreender a educação dentro
de um contexto maior, afim de desenvolver nos alunos a
capacidade de questionamento e desencadear a desmistificação
da cultura onde a mistificação existe.
De fato, os alunos que cursaram
uma escola melhor, no caso as particulares, possam obter um
sucesso maior nas universidades públicas. Entretanto, não é
porque estes passam nas públicas que as particulares se
destinam àqueles que não tiveram oportunidade de se educar
numa escola particular. Como pode-se notar, a PUC é particular
e é uma das melhores faculdades desde país, e seu critério de
avaliação é rigoroso e se afunila numa busca constante de
alunos cada vez mais qualificados para a instituição. Daí, não
importar muito se o aluno estudou numa escola pública ou
particular, pois o que se avalia é o seu conhecimento.
Deve ser lembrado então que, a
escola pode ser excelente mas o aluno é ruim, não será este
aluno que chegará à uma universidade pública, aliás, creio que
nem na particular teria chance. Enquanto que se tivermos uma
escola ruim e um aluno bom, seja ele de qualquer classe
social, este poderá estar apto à ingressar em uma universidade
pública, bastando para isso, que se dedique aos estudos
através de livros específicos que muitas das vezes é
excepcionalmente mais didático que muitos professores.
Professores estes que podem estar tanto em escolas públicas
como nas particulares.
REPENSANDO A EDUCAÇÃO
·
Possibilidade e Limites da Educação
A ação humana é uma práxis, ou
seja, supõe a relação dialética entre teoria e prática.
No século XX, a expansão do
ensino tornou muito clara à oposição entre duas escolas,
aquela destinada à elite e a outra ao proletariado. Essa
situação só poderá se conter se for evitado que as decisões
sejam tomadas “de cima para baixo”, sem a prévia discussão com
os envolvidos no processo.
As reformas educacionais
realizadas no Brasil são carregadas de vícios que
impossibilitam a execução dos projetos; desse modo, somos
influenciados por modelos estrangeiros inadequados para a
resolução de nosso problema.
O principal fator que fez com
que a escola continuasse dualista decorre do fato de a
legislação sempre se espelhar aos interesses das classes
representadas no poder.
Além disso, esses estado de
coisas penaliza mais uma vez os alunos vindos das classes
desfavorecidas, uma vez que os jovens bem preparados pela
escola particular ocupam as vagas das melhores universidades,
quase sempre, as públicas. Originam-se então inúmeras
faculdades, oferecendo cursos de baixo nível. Para elas se
encaminham os que foram barrados nas principais universidades,
consequentemente inflacionando o mercado com diplomas sem
categoria.
Segundo os teóricos
crítico-reprodutistas, é preciso compreender a educação dentro
de um contexto maior, afim de desenvolver nos alunos a
capacidade de questionamento e desencadear a desmistificação
da cultura onde a mistificação existe.