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  Matérias :: Filosofia

 

  Autoria: Rafaela de Souza Mattos
 

[Continuação]

· As Teorias Crítico-Reprodutivas 

No Brasil, a situação quanto ao estudo é péssima, grande parte das crianças não freqüentam a escola, quanto aos que conseguem entrar, há um afunilamento muito grande.

Como a escola reproduz os privilégios já existentes na sociedade:

- As Comunidades Tribais  - Trata-se de sociedades que não têm Estado, classes, Escrita, Comércio e Escola . Essa sociedade é essencialmente mítica.

 

Nas comunidades tribais, as crianças aprendem imitando os gestos dos adultos em suas atividades diárias.

A adaptação aos usos e valores da tribo geralmente é levada a efeito sem castigo. 

 

· A Escola Tradicional Burguesa 

Nos séculos XVI e XVII são fundados colégios pelas ordens religiosas dos séculos XVI e XVII. E para disciplinar a criança, submetendo-a aos rigores da hierarquia surge o hábito dos castigos corporais.

Com isso surge o modelo da escola tradicional, nestes colégios existem uma rígida formação moral.

Tornam-se famosos os internatos dos jesuítas, que se espalham por toda a Europa durante 200 anos (do século XVI ao XVIII). Essas escolas se destinam à nobreza e à burguesia ascendente.

Com a Revolução Industrial, passa-se a exigir que ao lado da formação humanística fossem também estudadas as ciências da natureza.

 

 

CRÍTICAS À INSTITUIÇÃO ESCOLAR 

 

· A Escola Nova 

A instituição escolar se tornou mais complexa a partir do Renascimento e Idade Moderna.

Foi a partir do século XVIII que a legislação que demonstra o interesse do Estado em assumir a educação, tornando-a leiga e gratuita.

A escola nova surge no final do século XIX para propor novos caminhos a uma educação em descompasso com o mundo onde se acha inserida favorecendo os já socialmente favorecidos. A herança escolar cabe aos herdeiros de sistemas privilegiados: o acesso à escola, o sucesso escolar, a possibilidade da escolaridade prolongada até a universidade estão reservados àqueles cujas famílias pertencem às classes dominantes.

Nos tempos atuais, encontramos o chamado modo de produção capitalista onde as forças antagônicas são representadas pelas classes sociais, sendo os interesses dessas classes divergentes, só se sustentam mediante a dominação de uma classe sobre outra. Afirma ainda que o Estado é composto por dois tipos de aparelhos: o repressivo de Estado e o ideológico de Estado.

Para Establet e Baudelot, se vivemos em uma sociedade dividida em classes, não é possível haver uma “escola única”. Existem na verdade duas escolas, não apenas duas escolas diferentes, mas opostas, heterogêneas. Desse modo, a escola reafirma a divisão entre trabalho intelectual e  trabalho manual.

Da mesma forma, Snyders considera que a separação escola-mundo descrita por Baudelot e Establet parece muito defasada no tempo. Embora tenham enfatizado a luta de classes, acabam descartando a possibilidade de que a escola seja um dos campos dessa luta, o que redunda em pessimismo e impotência. 

 

· As Teorias Progressistas 

Na década de 70, esmorece o otimismo da escola nova, cujas promessas não atingem as camadas populares, surgem assim, as teorias progressistas como a busca de outros caminhos a partir de uma nova concepção de educação.

A educação progressista pretende formar o homem para o trabalho.

Se o trabalho fosse integrado à escola, também seria possível superar a dicotomia entre cultura erudita e cultura popular.

A teoria progressiva parte do pressuposto que não existe educação neutra. Não estarmos atentos a esse fato pode nos levar a sucumbir à ideologia. 

 

EDUCAÇÃO   PARA   SUBMISSÃO 

 

· A Educação Popular 

Grandes são as dificuldades em se definir com clareza o que se entende por educação popular. A própria palavra povo é bastante ambígua. Assim de forma mais genérica possível, consideraremos como povo o conjunto dos indivíduos de uma sociedade.

Quando falamos em povo, fazemos naturalmente a separação do povo e elite. Por exemplo: ao usarmos termos tais como: “Zé povinho e Povão”.

A separação existe na divisão desigual dos bens culturais. Portanto, observa-se que persiste a escola dualista. Então falar em educação popular é se referir ao tipo de educação que é dado ao povo, mas que não foi por ele escolhido.

A educação popular deve ser entendida como aquela que é oferecida de maneira universal.

Desde a antigüidade, quase que não existia oportunidade para a camada menos favorecida freqüentar a escola. Entretanto, no século XIX, esse quadro foi mudado, havendo uma ascensão social, sobretudo para as classes médias.

Com o tempo diminui o número de empregos oferecidos em relação ao número de formado. Além disso, os filhos dos trabalhadores que porventura conseguissem encaminhar-se para a burocracia das empresas, ao encontrarem pouca oferta de emprego tinham o salário pressionado para baixo.

O descaso pela educação popular decorre de uma economia dependente e exclusivamente agrária que não exige mão-de-obra qualificada.

Com a vinda da família real para o Brasil, é dada ênfase à criação de escolas de nível superior, deixando ao abandono os demais níveis.

Só será possível a construção de uma autêntica escola popular se for abandonado a crença dos educadores liberais de que o Estado deve se incumbir da educação popular. 

 

· A Educação da Mulher 

Já se sabe que a história da educação se faz a partir da ótica das classes dominantes, agora acrescentamos que ela também é androcêntrica, isto é, centrada na figura masculina. Os direitos, deveres, aspirações das mulheres se acham há milênios subordinados aos interesses do patriarcado.

Apenas enquanto persiste a comunidade primitiva é que a mulher exerce tarefas complementares. Mesmo assim, já existindo nessa época divisão sexual das tarefas, essas porém não eram de subordinação. 

Mesmo antes de nascer, a criança já se acha submetida às expectativas dos adultos: se for homem, os pais imaginam o seu futuro como profissional bem sucedido; se for mulher fixa ao seu destino de mãe e esposa, sendo sua carreira sempre algo secundário.

Foi no século XIX que intensificaram-se os movimentos feministas que lutavam para que a mulher fosse considerada ser autônomo com direitos e iguais oportunidades de estudo, profissionalização e participação política.

O processo de inferiorização da mulher é antigo e tem assumido novas faces a partir das mudanças históricas que vivenciamos, de fato vivemos em uma sociedade que separa “superiores” e “inferiores.

 

REPENSANDO   A   EDUCAÇÃO 

 

· Possibilidade e Limites da Educação 

A ação humana é uma práxis, ou seja, supõe a relação dialética entre teoria e prática.

No século XX, a expansão do ensino tornou muito clara à oposição entre duas escolas, aquela destinada à elite e a outra ao proletariado. Essa situação só poderá se conter se for evitado que as decisões sejam tomadas “de cima para baixo”, sem a prévia discussão com os envolvidos no processo.

As reformas educacionais realizadas no Brasil são carregadas de vícios que impossibilitam a execução dos projetos; desse modo, somos influenciados por modelos estrangeiros inadequados para a resolução de nosso problema.

O principal fator que fez com que a escola continuasse dualista decorre do fato de a legislação sempre se espelhar aos interesses das classes representadas no poder.

Além disso, esses estado de coisas penaliza mais uma vez os alunos vindos das classes desfavorecidas, uma vez que os jovens bem preparados pela escola particular ocupam as vagas das melhores universidades, quase sempre, as públicas. Originam-se então inúmeras faculdades, oferecendo cursos de baixo nível. Para elas se encaminham os que foram barrados nas principais universidades, consequentemente inflacionando o mercado com diplomas sem categoria.

Segundo os teóricos crítico-reprodutistas, é preciso compreender a educação dentro de um contexto maior, afim de desenvolver nos alunos a capacidade de questionamento e desencadear a desmistificação da cultura onde a mistificação existe.

De fato,  os alunos que cursaram uma escola melhor, no caso as particulares, possam obter um sucesso maior nas universidades públicas. Entretanto, não é porque estes passam nas públicas que as particulares se destinam àqueles que não tiveram oportunidade de se educar numa escola particular. Como pode-se notar, a PUC é particular e é uma das melhores faculdades desde país, e seu critério de avaliação é rigoroso e se afunila numa busca constante de alunos cada vez mais qualificados para a instituição. Daí, não importar muito se o aluno estudou numa escola pública ou particular, pois o que se avalia é o seu conhecimento.

 Deve ser lembrado então que, a escola pode ser excelente mas o aluno é ruim, não será este aluno que chegará à uma universidade pública, aliás, creio que nem na particular teria chance. Enquanto que se tivermos uma escola ruim e um aluno bom, seja ele de qualquer classe social, este poderá estar apto à ingressar em uma universidade pública, bastando para isso, que se dedique aos estudos através de livros específicos que muitas das vezes é excepcionalmente mais didático que muitos professores. Professores estes que podem estar tanto em escolas públicas como nas particulares.

 

REPENSANDO   A   EDUCAÇÃO 

 

· Possibilidade e Limites da Educação 

A ação humana é uma práxis, ou seja, supõe a relação dialética entre teoria e prática.

No século XX, a expansão do ensino tornou muito clara à oposição entre duas escolas, aquela destinada à elite e a outra ao proletariado. Essa situação só poderá se conter se for evitado que as decisões sejam tomadas “de cima para baixo”, sem a prévia discussão com os envolvidos no processo.

As reformas educacionais realizadas no Brasil são carregadas de vícios que impossibilitam a execução dos projetos; desse modo, somos influenciados por modelos estrangeiros inadequados para a resolução de nosso problema.

O principal fator que fez com que a escola continuasse dualista decorre do fato de a legislação sempre se espelhar aos interesses das classes representadas no poder.

Além disso, esses estado de coisas penaliza mais uma vez os alunos vindos das classes desfavorecidas, uma vez que os jovens bem preparados pela escola particular ocupam as vagas das melhores universidades, quase sempre, as públicas. Originam-se então inúmeras faculdades, oferecendo cursos de baixo nível. Para elas se encaminham os que foram barrados nas principais universidades, consequentemente inflacionando o mercado com diplomas sem categoria.

Segundo os teóricos crítico-reprodutistas, é preciso compreender a educação dentro de um contexto maior, afim de desenvolver nos alunos a capacidade de questionamento e desencadear a desmistificação da cultura onde a mistificação existe.

 

   

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