A
Escola De Recife
A Escola de Recife
sofre de uma arrogância tal como ocorreu com os outros
pensadores brasileiros, de não dar-se conta de correção das
idéias (principalmente as ecléticas). A filosofia constitui
um elemento que unificou os diferentes elementos culturas
desta realidade. Surgiu nos anos 70 do século passado,
dentro do movimento de idéias novas. "No ciclo incial,
tratava-se de combater os suportes da monarquia, entendida
como obstáculo ao progresso. Esgrimando tese apanhadas
indiciriminadamente na obra de Comte, Darwin, Taine, Renan e
outro. Não há facções ou tendências, mas uma espécie de
frente cientificista. Nesse ambiente é que surge o
positivismo como dissidente, mas na verdade formando
diversas vertentes e influinfo de forma diversificada
seguindo os segmentos da cultura brasileira que se
considere" ( ). Tão logo se consituiu iniciaram-se as
contestações, popularizadas na frase de Sílvio Romero: "Se
constituía sintima de atrase combatê-lo por se estar aquém
corrrespondia a sinal de progresso feri-lo por se estar
além" ( ).
A Escola tinha várias
preocupações desde a poesia, a política, mas a filosofia é
que se constituiu no elemento unificador. Tem suas raízes na
filosofia evolucionista, com bases em Spencer, que já
afirmara a questão evolucionista antes mesmo do próprio
Darwin. Spencer afirmara que o "evolucionismo é uma
integração de matéria e uma dissipação concomitante de
movimento, durante a qual a matéria passa de uma hegemonia
definida e coerente e durante a qual o movimento retido
sofre uma transformação paralela" (87).
Junto ao evolucionismo
esta a concepção monista que afirma a pluralidade dos seres
como resolúvel numa unidade fundamental imanente. É da união
do evolucionismo com o monismo que surge a Escola de Recife,
tendo como seus maiores expoentes Tobias Barreto
(1839-1889), Sílvio Romero (1851-1914), Clóvis Bevilacqua
(1859-1944) e Euclides da Cunha (1866-1909). É uma reação ao
oficialismo da filosofia instituída como doutrina imperial.
Fruto da reflexão formada na faculdade de direito da capital
pernambucana.
TOBIAS BARRETO, reage
por meio da publicação do jornal intitulado DEUTCHER KAMPFER,
totalmente em alemão, porque segundo ele era a maneira de
restabelecer a reflexão com propósitos puramente
filosóficos. Afirma que o ecletismo é apenas um sombra de
ilustres defuntos, cujas teorias, em tudo ou em parte,
morreram também. Para ele o positivismo também não servia
como ideal de reflexão pois se tornou um mero catálogo de
fatos, petrificando-se em uma dogm tica do novo gênero, e
como todas as dogm ticas, um processo de encurtar a atrofia
cerebral.
Tobias Barreto não era
um filósofo sistem tica, sua doutrina continha muitas
contradições. Não possuíam harmonia ao ponto de não terem
uma síntese completa da filosofia ou do direito (curso que
dava aulas), segundo Clóvis Bevilacqua, "faltava-lhe o gosto
pelo detalhes".
Sobressaiu-se Tobias
Barreto que no início de seu pensamento baseou-se em Ernest
Haeckel, apondo-se posteriormente pois conclui que a
filosofia não deve ter o saber operativo, mas inquirir o
conhecimento científico, tendo aí a influência do
neokantismo. Porém, não chegou a estabelecer a
incompatibilidade entre a epistemologia e o monismo, pois
restaram-lhe poucos anos de vida. Coube a seus seguidores
estabelecer a incompatibilidade dos modos de pensar
(especialmente Artur Orlando).
"Contudo, a grande
significação do pensamento de Tobias Barreto, no empenho de
restauração a metafísica, consiste da abordagem do homem
como consciência, a seu ver a única forma de retira-lo do
determinismo a que o havia cingido o positivismo. Tal é o
tema central da parcela última de sua obra filosófica".
"A cultura é a antítese
da natureza, no sentido de que ela importa uma mudança do
natural, no sentido de fazê-lo belo e bom. Designa-se pelo
nome geral de natureza; o estado origin rio das coisas, o
estado em que elas se acham depois do seu nascimento,
enquanto uma força estranha, a força espiritual do homem,
com sua inteligência e vontade, não influi sobre elas e não
as modifica".
"A particularidade do
mundo da cultura consiste no fato de que se subordina a
idéia de finalidade, escapando a todo esquema que se
proponha resolve-lo em termos de causas eficientes".
"Na questão da
liberdade, combateu aqueles que pensavam na impossibilidade
desta na criação humana, pois para admitir a existência da
liberdade na criação, deve-se diferenciar liberdade de ação
imotivada. "Acha entretanto que a livre vontade não é
incompatível ao exercício normal da liberdade(...). A chave
para a solução do problema ser encontrada no entendimento da
cultura como sistema de forças combatentes contra o próprio
combate pela vida, isto é, radicalizando a oposição entre o
império das causas finais e o império das causas eficientes,
entre o mundo da criação humana e o mundo natural" (90).
"O fato natural não o
livra de ser ilógico, falso e inconveniente. Porém um fato
natural transposto ao mundo da cultura não pode ser encarado
independentemente do ponto de vista moral. Para o mundo
natural, até pode existir a escravidão, como entre as
formigas polyerga rubescens, mas é cultural que não exista
escravidão.
Critica Rousseau pelo
fato deste afirmar que a sociedade corrompe o homem, pois,
para ele, "o processo da cultura geral deve consistir
precisamente em gastar, em desbastar, por assim dizer o
homem na natureza, adaptando-o a sociedade "(...) a
sociedade, é um sistema de regras, é uma rede de normas, que
não se limita ao mundo da ação chegam até os domínio do
pensamento (...) no âmbito dessa imensa teia, o direito é
uma espécie de fio vermelho e a moral o fio de outro". "O
que caracteriza verdadeiramente o ente humano é "a
capacidade de conceber um fim e dirigir para ele as próprias
ações, sujeitando-as distarte a uma norma de proceder.
Trata-se em síntese, de um animal que se prende, que se doma
em si mesmo: Todos os deveres éticos e jurídicos, todas as
regras da vida acomodam-se a esta medida, que é a única
exata para conferir ao homem o seu legítimo valor.(90).
"Tobias Barreto pretendia estimular uma inquirição de índole
filosofia acerca do homem, a fim de tornar essa an lise
independente dos limites estreitos, fixados pelo
cientificismo. Semelhante direcionamento conduzia
inevitavelmente a descoberta da magnitude do problema moral,
cuja especificidade era recusada (...) isto levou-o a
proclamar que no seio cultural o direito é o fio vermelho e
a moral é o fio de ouro, explicando, que ao erigir-lo, os
homens não se inspiram na natureza" (91).
SÍLVIO ROMERO:
"imaginou a possibilidade de uma investigação da cultura
segundo pressupostos científicos. Acreditava que partindo
dos fatos chegar-se-ia a uma visão totalizante, razão pela
qual recomendava que o modelo se aplicasse a cultura
brasileira" (92). Para isso levantou v rios aspectos da
cultura brasileira vindo desde a colonização, a formação
étnica, operariado, etc. Esta visão que foi também de Artur
Orlando e outros foi denominado culturalismo sociológico,
porém este abandono da investigação filosófica afastou a
Escola de Recife da reflexão que se desenvolvia na Alemanha
com o neo-kantismo e a preparação da fenomenologia.
"Sílvio Romero em 1906
afirmava que a metafísica que morrera é a metafísica dogm
tica, apriorística, inatista, meramente racionalista, a
metafísica do melhor estilo feita a parte mentis a pretensa
ciência intuitiva do absoluto, pal cio de quimeras fundado
em hipóteses transcendente, construindo dedutivamente de
princípios, imaginados como superiores a toda verificação
(...) a metafísica que se pode considerar viva é a que
consiste na crítica do conhecimento, como a delineou Kant
nos seus proleg"menos, e mais a generalização sintética de
todo o saber, firmada nos processos de observação e
construída por via indutiva" (93). Pela afirmação acima
percebe-se que é um sect rio positivista, admitindo a
posição de Comte dos seus últimos anos de vida, mais em
direção a Littré, como também busca ser evolucionista. Esta
foi a sua grande busca: harmonizar as duas posições. Ao
final da vida é um pensador que busca um caminho entre os
sistemas europeus, com segura autonomia de pensamento.
CLÓVIS BEVILAQUA: Parte
da visão de que a filosofia não deveria ser denominada
ciência porque não determina relações entre fen"menos (...)
"mas se não é uma ciência é uma recapitulação ou, antes, um
extrato de todas as ciências, que tem isso de original:
simplifica, unifica e completa os resultados de todas elas,
sendo menos minuciosas do que qualquer delas, porém tendo
mais amplitude e mais profundeza do que todas reunidas"
(94).
"A Escola de Recife não
logrou superar a atmosfera na qual vicejava o positivismo e
acabou reforçando entendimento semelhante do saber
filosófico. Ao invés de contribuir para impulsionar o
culturalismo de Tobias Barreto, o que somente viria a
ocorrer muito mais tarde"(95).
Segundo Silvio Romero,
Clóvis Bevilacqua é um: "crítico filósofo e jurista, não sei
se os haver superiores em nossa terra. Foi um dos seus
últimos, senão o último representantes de uma geração da
inteligência brasileira que esteve à altura das exigências
do seu tempo. Por isso, nunca separou a ciência do
verdadeiro sentido que deve ter na nossa terra, isto é,
formadora de uma consciência nacional" (96).
Grande Jurista,
alicerçou-se numa forte cultura filosófica. Iniciou seus
estudos nos ensinamentos positivista, chegando a sua
compreensão por meio de Littré sendo acrescido de Stuart
Mill. Sua grande proposta filosófica era a união de idéias
aparentemente antag"nicas, o movimento e o sentimento.
EUCLIDES DA CUNHA
reflete a paritr de teorias e hipóteses baseadas num
evolucionismo mecanicista, acrescida da concepção filosófica
e matem tica de Comte, excetuando-se os aspectos políticos e
religiosos.
Afirma no concurso de
lógica do Colégio Pedro II "Não se compreende nenhuma
ciência das coisas em si, nenhuma ciência do Ser.
Compreende-se ciências de relações...", considerando a
Metafísica "falsa ciência, toda feita de hipóteses
arrojadíssimas, desenvolvendo-se sob o influxo exclusivo do
método reflexivo"(97).
É um pensador engajado
e participante das exigências nacionais em sua época, tem
consciências crítica ainda que contraditória e tr gica em
sua biografia.
GRAÇA ARANHA
(1868-1931) sem se dispor a renunciar ao monismo, enfatiza
que a ciência decompõe o universo, conhece-o discrimina-o,
estuda-o nas suas manifestações parciais. Só h ciência do
que se pode fragmentar. Ela pode analisar, explicar cada
ordem de fen"meno que a sensação percebe, ela é
essencialmente divisível e analítica. 5.1 - Conclusões sobre
a Escola de Recife:
A Escola de recife
avançou na reflexão filosófica e cinetífica. Porém não
derrotar o comtismo que foi conseguido pelo grupo da escola
politécnica do Rio de Janeiro. A escola de Recife chegou a
um equívoco fundamental: Segundo Evaristo Morais filho
"suponham que o conhecimento da verdade mais precisamente,
do que entendiam como tal - seria suficiente para segui-la"
(98).
A divergência da Escola
de Recife com o positivismo não é essencial, pois acreditam
numa filosofia sintética de índole científica.
"A grande diferença
aparece na avaliação dos ciclos históricos, afirmando que a
civilização individual é falsa e não constitui com o
desenvolvimento da ciência e a filosofia primitiva do
positivismo um indício de evolução progressivo, mas uma
prova de decadência, pois com a predomínio das sub raças nos
vemos apagar todas as nações de justiça social, substituida
pela lei leonina do mais forte com que os s bios do
naturalismo sancionam as violências da Inglaterra, da
Alemanha, da Rússia, etc... (99).