Filosofando: Introdução a Filosofia

A física aristotélica

Os corpos são classificados a partir da teoria dos quatro elementos: terra, água, ar e fogo. No universo, todos os corpos estão disposto de modo bem determinado, possuindo um lugar natural conforme sua essência, partindo desta analise, Aristóteles constrói a teoria da queda dos corpos. A terra e a água por serem copos pesados têm seu lugar natural embaixo, o ar e o fogo sendo corpos leves tem seu lugar natural em cima. O movimento natural é aquele em que as coisas retornam ao seu lugar na ordem estática do cosmos.

Todo ser é constituído de matéria e forma, princípios indissociáveis. Enquanto a forma é o princípio inteligível, a essência comum aos indivíduos de uma mesma espécie, a matéria é pura passividade, contendo a forma em potência. Através disto que se explica o devir (o movimento), sendo a passagem da potência para o ato, “é o ato de um ser em potência enquanto tal”, é a potencia se atualizando. O movimento também pode ser compreendido como movimento qualitativo, pelo qual o corpo tem uma qualidade alterada. As causas do movimento variam: a causa material, a causa eficiente, a causa formal, e a causa final.

A concepção aristotélica da natureza é finalista ou teológica. Na metafísica, Aristóteles admite a necessidade de um motor que esteja em ato. Todo movimento supondo um motor faz a física desemborcar numa teologia: de causa em causa, é preciso parar numa primeira causa, num primeiro motor.

A astronomia aristotélica

Dês dos tempos antigos já houve preocupação com a movimentação dos astros, povos como os babilônios já tinham o conhecimento da astronomia. Porém, foram os gregos que pela primeira vez tentaram explicar racionalmente o movimento dos astros. Para eles o movimento uniforme é considerado perfeito, sempre dando volta entre ele sem ter fim sendo um movimento sem mudança.

O geocentrismo.

O modelo astronômico de Aristóteles baseia-se na cosmologia de Eudoxo ( 400 – 347 a. C.). Conhecido como “modelo das esferas homocêntricas”, e os sete corpos celestes (lua, sol e cinco planetas) cravados na sua própria esfera, para que as intermediárias possam fornecer ligações mecânicas necessárias para a reprodução do movimento, existindo 55 esferas.

Todos os modelos propostos pelos gregos colocavam a Terra no centro do universo sendo geocêntricos. A única exceção foi Aristarco de Samos ( 310 – 230 a.C.), nunca aceitou considerando subversivo.

A hierarquização do cosmos

Aristóteles considerava que a natureza do céu é superior à natureza da Terra. Sendo o universo dividido em:

·1 Mundo supralunar, constituído pelos “Céus”, que incluem na ordem: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter, Saturno e a esfera das estrelas fixas. Corpos constituídos de uma substância denominada Éter, sendo cristalina, inalterável, imperecível, transparente e imponderável, também conhecido como “quinta-essência”. Seu movimento é o circular chamado de “movimento perfeito”.

·2 Mundo sublunar, correspondente à região da Terra, embora imóvel é o local dos corpos em constantes mudanças, por tanto perecíveis, corruptíveis, sujeitos a movimentos retilíneos para baixo e para cima. Seus elementos constitutivos são terra, água, ar e fogo.

3. Algumas considerações sobre Aristóteles.

A astronomia e a física de Aristóteles sofreu uma separação pela hierarquia do cosmo, quando dividiu o mundo. A partir dessa divisão os gregos associam a perfeição ao equilíbrio, ao repouso, é a descrição do cosmo é a de um mundo estável.

A física de Aristóteles é qualitativa, pois, é construída sobre o principio que define as coisas, a partir dos quais deduzem-se as conseqüências. Trata-se da valorização do método dedutivo, cujo modelo de rigor se encontra na matemática. Aristóteles não recorre a experiências. Sua contribuição para biologia foi de fundamental importância, sendo filho de medico, herdou o gosto pela observação.

Capítulo 12
A ciência medieval

Século VI, bizantino, inicio da idade Média, os pintores mostram sempre o poder divino dos reis como centro de tudo, já no século XIV, é introduzido o movimento na expressão de situações em que o drama humano se coloca de maneira mais significativa.

1. Introdução

Com a queda do império Romano (séc. V), os bárbaros são paulatinamente convertidos ao cristianismo, a Igreja transforma-se em soberana, a cultura quase desaparece. Os monges únicos letrados.

Nem todo período foi de obscuridade, houve momentos em que a cultura de tão heterogênea, torna-se difícil reduzir o período chamando-o de pensamento medieval. Seu ideal era tentar conciliar a razão e a fé.

A filosofia patrística

 Regida pelos Padres da Igreja século III, auxilia a exposição racional da doutrina religiosa. Sua principal preocupação era a relação entre a fé e a ciência, a natureza e Deus, alma e a vida moral. Principal figura foi Santo Agostinho, bispo de Hipona, seguindo a tradição platônica, pensa numa iluminação pela qual a verdade é infundida no espírito humano por Deus.

A escolástica

Se desenvolveu do século IX até o Renascimento. È a especulação filosófico-teológica, começaram a surgir às escolas, primeiro com Carlos Magno fundando as escolas monacais e catedrais onde o ensino era voltado para trivim e o quadrivium. A partir do século XI, surgem as universidades tornando-se focos fecundos de reflexão filosófica.
A igreja condena de início o pensamento aristotélico, pois no século XII começam a aparecer às traduções das obras, sendo traduzidos do grego para diversos idiomas assim ficando deformados ao chegarem na Europa. São Tomás de Aquino recupera o seu pensamento original e fax adaptações à visão cristã  escrevendo uma obra chamada Suma teológica, onde as questões de fé são abordadas pela “luz da razão” e a filosofia é o instrumento que auxilia o trabalho teológico.


2. A ciência medieval

Voltada para a discussão racional e continuava desligada da técnica de indagação empírica. Os instrumentos de trabalho são rudimentares: para conhecer os corpos, só se têm os olhos; para avaliar o frio e o quente, só se tem a pele. O desenvolvimento e a valorização só se farão notar com o início da expansão do comercio, a partir do século XIII.

A ciência medieval não é experimental, tampouco se utiliza de matemática, o que ocorrera apenas na Idade Moderna, permanecendo qualitativa.

Embora conhecidos desde o século X, até o Renascimento o uso dos algarismos arábicos não se acha generalizado, de modo que continua sendo costume o recurso aos algarismos romanos, dificultando os cálculos.
 

3. Algumas exceções à tradição medieval

Roger Bacon

Roger Bacon ( séc. XIII), padre franciscano que pertencia à Escola de Oxford, foi perseguido em varias ocasiões devido a aplicar métodos matemáticos à ciência da natureza, fez diversas tentativas para torná-la experimental sobretudo no campo óptico.

A alquimia

De uma tremenda importância para a descoberta de novas substâncias químicas foi revivida no século XIII.

A igreja denunciava o caráter herético de tais praticas, suas descobertas eram guardadas em segredo e documentos difíceis de ler, criavam uma série de superstições e uma aura mística que prejudicava a avaliação objetiva das reais descobertas.

Os árabes

Na idade media estes não tiveram contribuições, conheciam a cultura grega, iniciaram sua divulgação através de traduções e da criação de centros de estudos. Seus pensadores Al  Kindi, Al farabi , Avicena, Averroés. Na ciência transmitiram conhecimentos antigos. Na matemática instrutores dos algarismos arábicos e são criadores da álgebra. Alquimia efetuaram a passagem do ocultismo para o estudo racional. Na astronomia aperfeiçoaram os métodos trigonométricos introduzindo o conceito seno. Na medicina transmitiram obras de Hipócrates e Galeno.


4. Qual o lugar da ciência no mundo medieval?

Há relutância em incorporar as tentativas de experimentação e matematização das ciências da natureza. A preocupação com a vida depois da morte faz prevalecer o interesse pelas discussões religiosas.


5. A decadência da escolástica

Do século XIV em diante, a escolástica sofre um processo de autoritarismo de nefastas influências no pensamento filosófico e científico. Posturas dogmáticas, contrarias a reflexão, obstruem as pesquisas e a livre investigação.


Capítulo 13
A ciência na Idade Moderna

A revolução cientifica do século XVII

Quando se deu a substituição da teoria geocêntrica, aceita durante mais de vinte séculos, a nova teoria Heliocêntrica não retirou apenas a Terra do centro do universo, mas também esfacelou uma construção estética que ordenava os espaços e hierarquizava o mundo superior dos Céus e o mundo inferior e corruptível da Terra. Galileu geometrizou o universo, igualando todos os espaços. Ao descobrir a Via-Láctea, contrapôs, a um mundo fechado e finito, a idéia da infinitude do céu.

Ocorre o surgimento de um novo homem, cujo valor não se encontra mais na família ou linhagem, mas no prestigio resultante do seu esforço e capacidade de trabalho. O modo de produção passo a ser capitalista.

A ciência deixa de ser serva da teologia, não mais um saber contemplativo, forma e finalista, para que, indissoluvelmente ligada à técnica, possa servir à nova classe.
 

1. Características do pensamento moderno

Racionalismo

Desenvolvendo a mentalidade crítica, questiona a autoridade da Igreja e o saber aristotélico. Assume uma atitude polemica perante a tradição. Só a razão é capaz de conhecer.

Antropocentrismo

O homem moderno coloca a si próprio no centro dos interesses e decisões. Dá-se a laicização do saber, da moral, da política, estimulada pela capacidade de livre exame.

Enquanto o pensamento antigo e medieval parte da realidade inquestionada do objeto e da capacidade do homem de conhecer, surge na Idade Moderna à preocupação com a “consciência da consciência”.

Saber ativo

O conhecimento não parte de noções e princípios, mas da própria realidade observada e submetida a experimentações. Da mesma forma, este saber deve retornar ao mundo para transformá-lo. Dá-se a aliança da ciência com a técnica.


2. A física na Idade Moderna

Seu introdutor foi Galileu Galilei responsável pela superação do aristotelismo e advento da moderna concepção de ciência. Contribuiu não apenas na astronomia como também na física, onde empreendeu uma mudança radical.
 

3. A astronomia na Idade Moderna: o heliocentrismo

O universo medieval era geocêntrico, finito, esférico, hierarquizado. O modelo copernicano subverte a ordem hierarquizada do cosmo aristotélico, mas conserva ainda alguns conceitos antigos, como as órbitas circulares e o céu das estrelas fixas, o qual contempla um universo finito.


4. As transformações produzidas pelo sistema heliocêntrico

Secularização da consciência

Significa justamente abandonar a dimensão religiosa que permeia todo saber medieval.

Descentralização do cosmos

O sistema passa a não ser mais a Terra o centro do universo nem o Sol, agora a Terra não passa de um grão de areia perdido no universo, com muitos sistemas, questiona-se o lugar do homem no mundo.

Geometrização do espaço

Galileu geometriza o espaço, o espaço heterogêneo dos lugares naturais se torna homogêneo, é despojado das qualidades e passa a ser quantitativo, mensurável e dessacralizado.

Mecanicismo

A ciência moderna compara a natureza e o próprio homem a uma máquina, um conjunto de mecanismos cujas leis precisam ser descobertas. As explicações passam a ser baseadas em um esquema mecânico cujo modelo preferido é o relógio.


Capítulo 14

O método científico

É a ordem que se segue na investigação da verdade, no estudo feito por uma ciência, ou para alcançar um fim determinado.


1. O método na Idade Moderna

Voltado para as questões de conhecer, Descartes questiona a realidade do mundo seguindo rigorosamente o caminho, o método estabelecido, reconhecer como indubitável o ser do pensamento. Preocupa-se com sujeito cognoscente mias do que com o objeto conhecimento.

Outros filósofos se dedicaram ao assunto, dando diferentes encaminhamentos, como Bacon, Locke, Hume, Spinoza etc. é o próprio Galileu.


2. O método experimental

Há dificuldades na abordagem do assunto, pois nunca ocorre tal como é descrito, e há várias afirmações discutíveis.

Observação

Nela faz-se necessário à rigorosidade, a orientação das explicações dos fatos.

Esses fatos são inúmeras informações caoticamente recebidas, onde selecionamos os mais relevantes para a solução de um problema essa é a observação.

Hipótese

É uma explicação provisória dos fenômenos observados, uma interpretação antecipada que deverá ser ou não confirmada. Propõe uma solução, reorganiza os fatos de acordo com uma ordem e tenta explicá-la provisoriamente. Há várias formas de raciocínio usadas pelos cientistas  para formular a hipótese: a indução, o raciocínio hipotético-dedutivo e a analogia.

Para ser cientifica deve ser passível de verificação.

Experimentação

É o estudo dos fenômenos em condições que foram determinadas pelo experimentador. Trata-se de uma observação provocada para fim de controle da hipótese.

Sua importância é que ela se faz em condições privilegiadas, nem sempre é simples ou viável.

Generalização

Estabelecem relações constantes, o que permite enunciar. Analises dos fenômenos levam a formular leis , que são enunciados que descrevem regularidades ou normas. As leis podem ser de dois tipos:

Generalizações empíricas ou leis particulares são inferidas observações de alguns casos particulares, nem sempre é possível atingir uma regularidade rigorosa, daí existirem leis estatísticas baseadas em probabilidades.

Leis teóricas são mais gerais e abrangentes que reúnem as diversas leis particulares sob uma perspectiva mais ampla.


3. O conceito de modelo

O conceito de modelo não é claramente estabelecido, modelo pode ser de varias coisas que levam a uma teoria ou não, que também pode ter diversos modelos.

Modelo representacional é uma representação física tridimensional de algo.

Modelo teórico é um conjunto de pressupostos sobre um objeto ou um sistema.


4. As ciências após o século XVII

A descoberta do método cientifico no século XVII aumentou no homem a confiança na possibilidade de a ciência conhecer os  segredos da natureza.

A síntese newtoniana

Newton (1642 – 1727) elaborou o primeiro exemplo de teoria cientifica encontrado na ciência moderna: a teoria da gravitação universal. Seu sistema cobre a totalidade de um certo setor da realidade e , portanto, realiza a maior síntese cientifica sobre a natureza do mundo físico.

A química

No século XVII, Boyle deu o primeiro exemplo de um ideal moderno de química, baseado em uma nova concepção da natureza e das leis naturais, mais foi apenas no século XVIII que a química se tornou uma ciência, no sentido moderno da palavra.

A biologia

No século XIX foi o desenvolvimento das ciências biológicas e da medicina. O feito mais notável da biologia foi o estabelecimento e a comprovação da teoria da evolução orgânica. O primeiro a desenvolver uma hipótese sistemática foi Lumarck, suja teoria superada por Darwin com uma hipótese mais cientifica, publicada em 1859 na famosa obra a origem das espécies, onde considera a variação e a seleção natural os fatores principais na origem de novas espécies. A moderna biologia quis calcar seus princípios e métodos naqueles que deram resultado nas ciências da matéria inerte: assim é que a linguagem matemática e sobretudo o determinismo físico-químico foram introduzidos nessa ciência.

As ciência humanas

No século XIX o desenvolvimento das ciências da natureza atinge a discussão os fatos humanas se desliguem do pensamento filosófico. A primeira ciência humana a se desenvolver foi à economia, que até o século XVII tinha sido, com a teoria mercantilista, uma simples constatação da existências de certas relações de troca entre indivíduos e países. No século XVIII, Adam Smith foi o primeiro a explicar o funcionamento de um sistema econômico em termos matemáticos, embora com muitos conceitos ainda obscuros.

Outra ciência humana que surgiu que surgiu no século XIX foi à sociologia, iniciada por Augusto Comte. Designa, por essa palavra, uma ciência positiva: a ciência dos fatos sociais, isto é, das instituições, dos costumes, das crenças coletivas.

Outras ciências humanas que colocaram em questão os seus métodos foram à etnologia, a geografia, a história e a psicologia.


5. A crise da ciência no final do século XIX.

As concepções clássicas da ciência foram rudemente alteradas no final do século XIX, e inicio do século XX, de tal forma o novo pensamento se coloca antiteticamente às posições tradicionais: geometria não-euclidiana, física não-newtoniana.

As geometrias não-euclidiana

No final do século XIX, dois matemáticos, Lobatchevski e Riemann, separadamente, partiram de postulados diferentes dos euclidianos e montaram geometrias igualmente coerentes e rigorosas.

A física não-newtoniana

Na década de 1920, descobertas de De Broglie no campo da física quântica, considerada o elétron um sistema ondulatório, permitiram a Heisenberg a formulação do principio da incerteza, segundo o qual constitui uma impossibilidade a determinação simultânea e com igual precisão da localização e da velocidade de um elétron. O aparecimento desse irracionalismo na ciência foi um duro golpe para a exaltação positiva do século XIX.
 

6. As novas orientações na epistemologia contemporânea

Outros pensadores já tinham posto em duvida os métodos das ciências da natureza: Duhem (1861-1916), Poincaré (1853-1912), Mach (1838-1916). O que ocorre no início do século é uma necessidade de reavaliação do conceito de ciência, dos critérios de certeza, da relação entre ciência e realidade, da realidade dos modelos científicos.

O círculo de Viena

O círculo de Viena surgiu com a intenção de investigar até que ponto as teorias, através de analise da sua estrutura lógica, têm probabilidade de ser verdade.

Refletindo a influencia positiva, os lógicos do círculo de Viena têm a convicção de que a lógica, a matemática e as ciências empíricas esgotam o domínio do conhecimento possível. O principio de verificabilidade, identificando significado e condições empíricas de verdade, excluía a filosofia do domínio do conhecimento do real.

A reação de Popper

Sofreu inicialmente a influência de Carnap e do Círculo de Viena, mas teceu diversas críticas a eles. Para ele o cientista deve estar mais preocupado com o levantamento de possíveis teorias que a refutem, para ele somente a corroboração nos diz qual de nossas teorias descrevem o mundo real.

A posição de Kuhn

Contrapôs sua teoria à de Popper, negando que o desenvolvimento da ciência tenha sido levado a efeito pelo ideal da refutação. Ao contrário, a ciência progride pela tradição intelectual representada pelo paradigma, que é a visão de mundo expressa numa teoria.

Outras posições além do debate Popper-Kuhn

Feyerabend (1924), criticando as posições positivas, defende o pluralismo metodológico: as metodologias normativas não são instrumentos de descoberta. Ele queria dizer que não existe norma de pesquisa que tenha sido violada, e é mesmo preciso que o cientista faça que lhe agrada mais.
 

Capítulo 15
O problema do conhecimento

1. Racionalismo e emperismo

Introdução

O século XVII, representa na história do homem, um momento culminação de um processo em que se subverteu a imagem que ele tinha de si próprio e do mundo. A nova classe burguesa determina a nova realidade cultural, a ciência física que se experimenta matematicamente. A atividade filosofia reinicia um novo trajeto, uma reflexão cujo plano de fundo é a existência dessa ciência.

Procurando evitar o erro surge a questão do método, isso centraliza as reflexões não apenas no conhecimento do ser, mas sobretudo no problema do conhecimento. A filosofia tem uma atitude realista, na idade moderna isso inverte centralizando o sujeito a questão do conhecimento, criando dois pólos o sujeito cognoscente e o objeto conhecido.

Se o pensamento que o sujeito tem do objeto concorda com o objeto dá-se o conhecimento, com isso surge a questão como saber que o pensamento concorda com o objeto? Isso será a teoria do conhecimento que vai propor e solucionar vendo os critérios, as maneiras e os métodos que se pode valer o homem para ver se um conhecimento é ou não verdadeiro, estas soluções dão origem a duas correntes o empirismo e o racionalismo.

O recionalismo cartesiano

René Descartes é considerado o pai da filosofia moderna, sua obra Discurso do método e meditação metafísica expressão as preocupações com o problema do conhecimento, começa dividindo tudo, das afirmações do senso comum, dos argumentos da autoridade, do testemunho dos sentidos, das informações da consciência, das verdades deduzidas pelo raciocínio, da realidade do mundo exterior e da realidade do seu próprio corpo.

O cogito

Se duvido, penso; se penso, existo: “Cogito, ergo sum”, Penso, logo existo. Es ai o ponto de partida onde ele começa a construir todo seu pensamento. A partir disto a existência do ser que pensa, que é indubitável, ele distingue diversos tipos de idéias, percebendo que algumas são confusas e outras claras e distintas.

Deus

O pensamento desse objeto – Deus – é a idéia de um ser perfeito; se um ser é perfeito, deve ter a perfeição da existência, senão lhe faltaria algo para ser perfeito, portando ele  existe.

O mundo

A existência de Deus é garantia de que os objetos pensados por idéias claras e distintas são reais, portanto o mundo tem realidade. O que caracteriza  a natureza do mundo é a matéria e o movimento, em oposição à natureza espiritual do pensamento. Neste relato há tendências fortes e absolutas de valorização da razão, do entendimento, do intelecto. Admitindo idéias inatas, que são idéias da razão, vem de fora formada pela ação dos sentidos e outras formadas pela imaginação, idéias claras e distintas portanto verdadeiras.

Conseqüência do cogito

Caráter originário, auto-evidência do sujeito pensante e o princípio de todas as evidências. 

Caráter absoluto e universal da razão, só com suas próprias forças pode chegar a descobrir todas as verdades possíveis.

Dualismo psicofísico, o homem é um ser duplo composto de uma substância pensante e uma substância extensa.

Estabelecem-se, então, dois domínios diferentes: o corpo, objeto de estudo da ciência, e a mente, objeto apenas de reflexão filosófica.

O Empirismo inglês

Francis Bacon, seu lema “Saber é poder” mostra como ele procura, bem no espírito da nova ciência, não um saber contemplativo e desinteressado, que não tenha um fim em si, mas um saber instrumental, que possibilite a dominação da natureza. Desenvolve um estudo pormenorizado da indução a partir do caráter estéril do silogismo e insiste na necessidade da experiência e da investigação segundo métodos precisos.

Falhou ao não construir um sistema completo, e seus exemplos de indução são menos exatos que os de Galileu, sua física permanece nas qualidades corporais, não recorrendo a matemática.

John Locke, sua reflexão a respeito da teoria do conhecimento parte da leitura da obra de Descartes e consiste em saber “qual é a essência, qual a origem, qual o alcance do conhecimento humano”.

Seguindo a psicologia, distingue duas fontes possíveis para nossas idéias: a sensação e a reflexão. A sensação é o resultado da modificação feita na mente através dos sentidos. A reflexão é a percepção que a alma tem daquilo que nela ocorre.

Idéia simples na mente é ocasionada pela qualidade do objeto, tendo qualidade primária, que são objetivas, pois realmente existem nas coisas, e qualidade secundária que variam de sujeito para sujeito e, como tais, são relativas e subjetivas.

Idéias complexão que vem das idéias simples, são formadas pelo intelecto, não têm validade objetiva, seu valor é prático e não cognitivo.

Locke enfatiza o papel do objeto. É diz que o conhecimento só começa após a experiência sensível.
 

Conclusão

No século XVII, surgem duas correntes opostas: o racionalismo e o empirismo.

O racionalismo é o sistema que consiste em limitar o homem ao âmbito da própria razão, não exclui a experiência sensível, mas esta está sujeita a enganos. Confia na capacidade do homem de atingir as verdades universais, eternas.

O empirismo limita ao âmbito da experiência sensível, que é fundamental, questiona o caráter absoluto da verdade, já que o conhecimento parte de uma realidade transformação constante, tudo relativo ao espaço, ao tempo, ao humano.

Citações

“A natureza é o que tende para um fim, em movimento contínuo, em virtude de um principio imanente.” Pág. 128

“O silêncio desses espaços infinitos me apavora.” (Pascal) Pág. 140.

“A filosofia encontra-se escrita neste grande livro que continuamente se abre perante nossos olhos (isto é, o universo), que não se pode compreender antes de entender a língua e conhecer os caracteres com os quais está escrito. Ele está escrito em língua matemática, os caracteres são triângulos, circunferências e outras figuras geométricas, sem cujos meios é impossível entender humanamente as palavras; sem eles nós vagamos perdidos dentro de um obscuro labirinto” Galileu, pág. 143.

“Á natureza não se vence, senão quando se lhe obedece” (Francis Bacon) Pág. 149.

“Os descobrimentos até agora feitos de tal modo são que, quase só se apóiam nas noções vulgares. Para que se penetre nos estratos mais profundos e distantes da natureza, é necessário que tanto as noções quanto os axiomas sejam abstraídos das coisas por um método mais adequado e seguro, e que o trabalho do intelecto se torno melhor e mais correto” (Francis Bacon) Pág. 149.

“O observador escuta a natureza, o experimentador a interroga e a força a se desvenda.” ( Cuvier) Pág. 153

“Em determinado momento de suas elucubrações juvenis, Newton teve subitamente a idéia de uma forca de atração de todos os corpos no universo, e seu gênio foi capaz de deduzir dessa simples possibilidade as leis da gravitação universal, segundo as quais a foca de atração é proporcional às massas e inversamente proporcional ao quadrado das distâncias. Com essa formulação básica e os postulados da inércia, pôde derivar um novo sistema do universo que encerrou, para o mundo científico, a antiga controvérsia de saber se o sistema de Copérnico era melhor ou mais verdadeiro do que o de Ptolomeu, se Aristóteles tinha mais razão do que Galileu ou se a condenação deste último foi justa ou injusta. As leis do universo podiam ser deduzidas de um punhado de axiomas ou postulados de maneira analógica à geometria de Euclides ou à estática de Arquimedes.” (Rocha e Silva) Pág. 157.

“Primeiramente, considero haver em nós certas noções primitivas, as quais são como originais, sob cujo padrão formamos todos os nossos outros conhecimentos.” (Descartes) Pág. 165.
                    
“De onde apreende todos os materiais da razão e do conhecimento? A isso respondo, numa palavra, da experiência.” (Locke) Pág. 165

“...penso não haver mais dúvida que não há princípios práticos com os quais todos os homens concordam e, portanto, nenhum é inato.” (Locke) Pág. 165.

“Por intuição entendo não o testemunho mutável dos sentidos ou o juízo falaz (enganoso) de uma imaginação que compõe mal o seu objeto; mas a concepção de um espírito puro e atento, tão fácil e distinta, que nenhuma dúvida resta sobre o que compreendemos.” (Descartes) Pág. 166.

“Os ídolos da tribo “estão fundados na própria natureza humana, na própria tribo ou espécie humana. (...) Todas as percepções, tanto dos sentidos como da mente, guardam analogia com a natureza humana e não com o universo”. Isso significa que muitos dos nossos enganos derivam da tendência ao antropomorfismo.

Os ídolos da caverna “são os dos homens enquanto indivíduos. Pois, cada um – além das aberrações próprias da natureza em geral – tem uma caverna ou uma cova que intercepta e corrompe a luz da natureza: seja devido à natureza própria e singular de cada um; seja devido à educação ou conversação com os outros”.

Os ídolos do foro são os provenientes, de certa forma, das relações estabelecidas entre os homens devido ao comércio. “Com efeito, os homens se associam graças ao discurso, e as palavras são cunhadas pelo vulgo. E as palavras, impostas de maneira imprópria e inepta, bloqueiam espantosamente o intelecto. (...) E os homens são, assim, arrastados a inúmeras e inúteis controvérsias e fantasias.”

Os ídolos do teatro são os “ídolos que imigraram para o espírito dos homens por meio das diversas doutrinas filosóficas e também pelas regras viciosas da demonstração. (...) Ademais, não pensamos apenas nos sistemas filosóficos, na sua universalidade, mas também nos numerosos princípios e axiomas das ciências que entraram em vigor, mercê da tradição, da credulidade e da negligência”.” (Bacon) Pág.169.

“A origem de uma idéia, como idéia de esfera, pode ser considerada psicologicamente ou logicamente. Psicologicamente estudaremos as sensações, as percepções que puderam produzir naturalmente, biologicamente, em nós a noção de esfera; por exemplo, ter visto objetos dessa forma, naturais ou artificiais. Mas outro sentido da palavra origem é considerada a esfera como originada pelo movimento de meia circunferência girando ao redor do diâmetro.” (Morente) Pág.170.

Bibliografia

 ARANHA, MARTINS. M. L . A , M. H . P. Filosofando: Introdução a Filosofia. São Paulo, Moderna, 1986. 443 p.    

Autoria: Suelem Cabral Valadão


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