A palavra
filosofia
é grega. É composta por duas outras:
philo
e
sophia.
Philo
deriva-se de
philia,
que significa amizade, amor fraterno, respeito entre os
iguais.
Sophia
quer dizer sabedoria e dela vem à palavra
sophos,
sábio.
Filosofia significa, portanto, amizade pela
sabedoria, amor e respeito pelo saber. Filosofo: o que ama a
sabedoria tem amizade pelo saber, deseja saber. Assim a
filosofia indica um estado de espírito o da pessoa que ama,
isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o
respeita.
Pitágoras de Samos teria afirmado que a
sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os
homens podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos.
“Quem quiser ser filosofo necessitara infantilizar-se,
transformar-se em menino”. (M. Garcia Morente).
Filosofia
Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philia - amor,
amizade + sophia - sabedoria) modernamente é uma
disciplina, ou uma área de estudos, que envolve a
investigação, análise, discussão, formação e reflexão de
idéias (ou visões de mundo) em uma situação geral, abstrata
ou fundamental. Originou-se da inquietação gerada pela
curiosidade humana em compreender e questionar os valores e
as interpretações comumente aceitas sobre a sua própria
realidade. As interpretações comumente aceitas pelo homem
constituem inicialmente o embasamento de todo o
conhecimento.
Estas interpretações foram adquiridas, enriquecidas e
repassadas de geração em geração. Ocorreram inicialmente
através da observação dos fenômenos naturais e sofreram
influência das relações humanas estabelecidas até a formação
da sociedade, isto em conformidade com os padrões de
comportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em
determinada época por uma determinado grupo ou determinada
relação humana.
A partir da Filosofia surge a Ciência, pois o Homem
reorganiza as inquietações que assolam o campo das idéias e
utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria
realidade. Assim a partir da inquietação, o homem através de
instrumentos e procedimentos equaciona o campo das hipóteses
e exercita a razão. São organizados os padrões de
pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao
conhecimento humano. Contudo o conhecimento científico por
sua própria natureza torna-se suscetível às descobertas de
novas ferramentas ou instrumentos que aprimoraram o campo da
sua observação e manipulação, o que em última análise,
implica tanto na ampliação, quanto no questionamento de tais
conhecimentos.
Neste contexto a filosofia surge como "a mãe de todas as
ciências". Didaticamente, a Filosofia divide-se em:
* Lógica:
trata da preservação da verdade e dos modos de se evitar a
inferência e raciocínio inválidos.
* Metafísica
ou ontologia: trata da realidade, do ser e do nada.
* Epistemologia
ou teoria do conhecimento: trata da crença, da
justificação e do conhecimento.
* Ética:
trata do certo e do errado, do bem e do mal.
* Filosofia da Arte ou Estética: trata do
belo.
A Filosofia Grega
A filosofia, entendida como aspiração ao
conhecimento racional, lógico e sistemático da realidade
natural e humana, da origem e causas do mundo e de suas
transformações, da origem e causas das ações humanas e do
próprio pensamento, é um fato tipicamente grego.
Evidentemente, isso não quer dizer, de modo
algum que outros povos, tão antigos quanto os gregos, como
os chineses, o hindus, os japoneses, os árabes, os persas,
os hebreus, os africanos ou os índios da América, não
possuam sabedoria, pois possuíam e possuem. Não quer dizer
que todos esses povos não tivessem desenvolvido o pensar e
as formas de conhecimento da Natureza e dos seres humanos,
pois desenvolveram e desenvolvem.
Os chineses desenvolveram um pensamento
muito profundo sobre a existência de coisas, seres e ações
contrarias ou opostos, que formam a realidade. Deram ás
oposições o nome de dois princípios: Yin e Yang. Yin é o
principio feminino passivo na Natureza, representado pela
escuridão, o frio e a umidade; Yang é o principio masculino
ativo na Natureza, representado pela luz, o calor e o seco.
Os dois princípios se combinam e formam todas as coisas, por
isso, são feitas de contrários ou de oposições. O mundo,
portanto, é feito da atividade masculina e da passividade
feminina.
Já o pensamento grego, por exemplo, o
próprio Pitágoras. Ele diz que a Natureza é feita de um
sistema de relações ou de proporções matemáticas produzidas
a partir da unidade (o numero um e o ponto), da oposição
entre os números pares e impares, e da combinação entre as
superfícies e os volumes (as figuras geométricas), de tal
modo que essas proporções e combinações aparecem para nossos
órgãos dos sentidos sob a forma de qualidades contrarias:
quente-frio, grande-pequeno, seco-úmido, áspero-liso,
claro-escuro, duro-mole, etc. para Pitágoras, o pensamento
alcança a realidade em sua estrutura matemática enquanto
nossos sentidos ou nossa percepção alcançam o modo como à
estrutura matemática da Natureza aparece para nós, Istoé,
sob a forma de qualidades opostas.
A filosofia é um modo de pensar e exprimir
os pensamentos que surgiu especificamente com os gregos e
que, por razoes históricas e políticas, tornou-se, depois, o
modo de pensar e de se exprimir predominante da chamada
cultura européia ocidental, da qual, em decorrência da
colonização portuguesa do Brasil, nós também participamos.
Através da filosofia, os gregos instituíram
para o Ocidente europeu as bases e os princípios
fundamentais do que chamamos de razão, racionalidade,
ciência, ética, política, técnica, arte. Alias, basta
observarmos que palavras como lógica, técnica, ética,
política, monarquia, anarquia, democracia, física,
zoológico, farmácia, entre muitas outras, são palavras
gregas, para percebemos a influencia decisiva e predominante
da filosofia grega sobre a formação do pensamento e das
instituições das sociedades européias ocidentais.
O Legado da Filosofia Grega Para o Ocidente
Europeu.
Por causa da colonização européia das
Américas, nós também fazemos parte – ainda que de modo
inferiorizado e colonizado – do Ocidente europeu e assim
também somos herdeiros do legado que a filosofia grega
deixou para pensamento ocidental europeu.
Desse legado, podemos destacar como
principais contribuições as seguintes:
• A idéia de que a Natureza opera obedecendo
a leis e princípios necessários e universais, isto é, os
mesmos em toda parte e em todos os tempos. A lei da
gravitação afirma que todo corpo, quando sofre a ação de um
outro, produz uma reação igual e contraria que pode ser
calculada usando elementos do calculo a massa do corpo
afetado, a velocidade e o tempo com que à ação e a reação se
deram. Essa lei é necessária, isto é, nenhum corpo do
Universo escapa dela e pode funcionar de outra maneira que
não desta; e esta lei é universal, isto é, é valida por
todos os corpos em todos os tempos e lugares.
• A idéia de que as leis necessárias e
universais da Natureza podem ser plenamente conhecidas pelo
nosso pensamento, isto é, não são conhecimentos misteriosos
e secretos, que precisariam ser revelados por divindades,
mas são conhecimentos que o pensamento humano, por sua
própria força e capacidade, pode alcançar.
• A idéia de que nosso pensamento também
opera obedecendo a leis, regras e normas universais e
necessárias, segundo as quais podemos distinguir o
verdadeiro do falso.
• A idéia de que as praticas humanas, isto é,
a ação moral, a política, as técnicas e as artes dependem da
vontade livre, da deliberação e da discussão, da nossa
escolha passional (ou emocional) ou racional, de nossas
preferências, segundo certos valores e padrões, que foram
estabelecidos pelos próprios seres humanos e não por
imposições misteriosas e incompreensíveis, que lhes teriam
sido feitas por forças secretas, invisíveis, sejam elas
divinas ou naturais, e impossíveis de serem conhecidas.
• A idéia de que os acontecimentos naturais
e humanos são necessários, porque obedecem a leis naturais
ou da natureza humana, mas também podem ser contingentes ou
acidentais, quando dependem das escolhas e deliberações dos
homens, em condições determinadas.
Um dos legados mais importantes da filosofia
grega é, portanto, essa diferença entre o necessário e o
contingente, pois ela nos permite evitar o fatalismo – “tudo
é necessário, temos que nos conformar e nos resignar” –, mas
também evitar a ilusão de que podemos tudo quanto quisermos,
se alguma força extra natural ou sobrenatural nos ajudar,
pois a Natureza segue leis necessárias que podemos conhecer
e nem tudo é possível, por mais que o queiramos.
• A idéia de que os seres humanos, por
Natureza, aspiram ao conhecimento verdadeiro, á felicidade,
á justiça, Istoé, que os seres humanos não vivem nem agem
cegamente, mas criam valores pelos quais dão sentido ás suas
vidas e ás suas ações.
A filosofia surge, portanto, quando alguns
gregos, admirados e espantados com a realidade,
insatisfeitos com as explicações que a tradição lhes dera,
começaram a fazer perguntas e buscar respostas para elas,
demonstrando que o mundo e os seres humanos, os
acontecimentos e as ações humanas podem ser conhecidos pela
razão humana, e que a própria razão é capaz de conhecer-se a
si mesma.
Em suma, a filosofia surge quando se
descobriu que a verdade do mundo e dos humanos não era algo
secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por
divindades a alguns escolhidos, mas que, ao contrario, podia
ser conhecida por todos, através da razão, que é a mesma em
todos; quando se descobriu que tal conhecimento depende do
uso correto da razão ou do pensamento e que, alem de a
verdade poder ser conhecida por todos, podia, pelo mesmo
motivo, ser ensinada ou transmitida.
O Nascimento da Filosofia
Os historiadores da filosofia dizem que ela
possui data e local de nascimento: final do século VII e
inicio do século VI antes de Cristo, nas colônias gregas da
Ásia Menor (particularmente as que formavam uma região
denominada Jônia), na cidade de Mileto. E o primeiro
filosofo foi Tales de Mileto.
Alem de possuir data e local de nascimento e
de possuir seu primeiro autor, a filosofia também possui um
conteúdo preciso ao nascer: é uma cosmologia. A palavra
cosmologia é composta de duas outras, cosmos que significa
mundo ordenado e organizado; e logia que vem da palavra
logos, que significa pensamento racional, discurso racional,
conhecimento. Assim, a filosofia nasce como conhecimento
racional da ordem do mundo ou da Natureza, donde cosmologia.
Os padres da Igreja, por sua vez, queriam
mostrar que os ensinamentos de Jesus eram elevados e
perfeitos, não eram superstição nem primitivos e incultos, e
por isso mostravam que os filósofos gregos estavam filiados
a correntes de pensamento místico e oriental e, dessa
maneira, estariam próximos do cristianismo, que é uma
religião oriental.
No entanto, nem todos aceitaram a tese
chamada “orientalista”. E muitos, sobretudo no século XIX da
nossa era, passaram a falar n filosofia como sendo o
“milagre grego”.
Com a palavra “milagre” queriam dizer varias
coisas:
• Que a filosofia surgiu inesperada e
espantosamente na Grécia, sem que nada anterior a
preparasse;
• Que a filosofia grega foi um acontecimento
espontâneo, único e sem par, como é próprio de um milagre;
• Que os gregos foram um povo excepcional,
sem nenhum outro semelhante a eles, nem antes nem depois
deles, e por isso somente eles poderiam ter sido capazes de
criar a filosofia, como foram os únicos a criar as ciências
de dar ás artes uma elevação que nenhum outro povo
conseguiu, nem antes nem depois deles.
O que perguntavam os primeiros filósofos.
Por que os seres nascem e morrem? Por que os
semelhantes dão origem aos semelhantes, de uma árvore nasce
outra arvore, de um cão nasce outro cão, de uma mulher nasce
uma criança? Por que os diferentes também parecem fazer
surgir os diferentes: o dia parece fazer nascer à noite, o
inverno parece fazer surgir à primavera, um objeto escuro
clareia com o passar do tempo, um objeto claro escurece com
o passar do tempo?
Por que tudo muda? A criança se torna adulta,
amadurece, envelhece e desaparece. A paisagem, cheia de
flores na primavera, vai perdendo o verde e as cores no
outono, até ressecar-se e retorcer-se no inverno.
Por que a doença invade os corpos,
rouba-lhes a cor, a força? Por que o alimento que antes me
agradava, agora, que estou doente, me causa repugnância? Por
que o som da musica que antes me embalava, agora que estou
doente, parece um ruído insuportável?
Por que as coisas se tornam opostas ao que
eram? Á água do copo, tão transparente e de boa temperatura,
torna-se uma barra dura e gelada, deixa de ser liquida e
transparente para tornar-se sólida e acinzentada.
Mas, também, por que tudo parece repetir-se?
Depois do dia, à noite; depois da noite, o dia. Depois do
inverno, a primavera, depois da primavera, o verão, depois
deste, o outono e depois deste, novamente o inverno. De dia,
o sol; à noite, a lua e as estrelas. Na primavera, o mar é
tranqüilo e propicio á navegação; no inverno, tempestuoso e
inimigo dos homens. O calor leva as águas para o céu e as
traz de volta pelas chuvas. Ninguém nasce adulto ou velho,
mas sempre criança, que se torna adulto e velho.
Sem duvida, a religião, as tradições e os
mitos explicavam todas essas coisas, mas suas explicações já
não satisfaziam aos que interrogavam sobre as causas da
mudança, da permanência, da repetição, da desaparição e do
ressurgimento de todos os seres. Haviam perdido força
explicativa, não convenciam nem satisfaziam a quem desejava
conhecer a verdade sobre o mundo.
Pensamento
mítico e pensamento filosófico
Historicamente, a filosofia, tal como a conhecemos, inicia
com Tales de Mileto. Tales foi o primeiro dos filósofos
pré-socráticos, aqueles que buscavam explicar todas as
coisas através de um ou poucos princípios.
Ao apresentarem explicações fundamentadas em princípios para
o comportamento da natureza, os pré-socráticos chegam ao que
pode ser considerado uma importante diferença em relação ao
pensamento mítico. Nas explicações míticas, o explicador é
tão desconhecido quanto a coisa explicada. Por exemplo, se a
causa de uma doença é a ira divina, explicar a doença pela
ira divina não nos ajuda muito a entender porque há doença.
As explicações por princípios definidos e observáveis por
todos os que tem razão (e não apenas por sacerdotes, como
ocorre no pensamento mítico), tais como as apresentadas
pelos pré-socráticos, permitem que apresentemos explicadores
que de fato aumentam a compreensão sobre aquilo que é
explicado.
Talvez seja na diferença em relação ao pensamento mítico que
vejamos como a filosofia de origem européia, na sua meta de
buscar explicadores menos misteriosos do que as coisas
explicadas, tenha levado ao desenvolvimento da ciência
contemporânea. Desde o ínicio, isto é, desde os
pré-socráticos vemos a semente da meta cartesiana de
controlar a natureza.
A Necessidade do Estudo do Mito Para a
Filosofia
Um longo período de tempo medeia entre o
gradual aparecimento do homem na Terra e o gradual
aparecimento do homem utilizador da razão abstracta. Podemos
dar por fixa a data de há 70 000 anos para o definitivo
estabelecimento do Homo-Sapiens nas planícies europeias.
Também podemos dar por fixa a data de há 3000 a 2800 anos
para o estabelecimento definitivo, na civilização grega
clássica, do uso preferencial do discurso racional como
instrumento de conhecimento do homem sobre a realidade.
Entre estas duas datas, o homem aprendeu a
modelar a pedra, o barro, a madeira, o ferro, levantou
diversíssimas casas em função dos materiais que tinha à mão,
estabeleceu regras de casamento e de linhagem familiar,
distinguiu as plantas e os animais bons dos nefastos,
descobriu o fogo, a agricultura, a arte da pesca, da caça
coletiva, etc.
No plano estritamente filosófico,
interessa-nos, sobretudo, a descoberta (ou invenção) de um
instrumento que lhe iria permitir acelerar o desenvolvimento
do processo de conhecimento da realidade por via da
conservação das descobertas transmitidas de geração em
geração: a palavra, a linguagem.
É pela palavra que se vai condensar a
experiência que as mãos e os olhos vão adquirindo ao longo
de gerações. A palavra surge, assim, como dotada de uma
força espiritual (sai de dentro do homem como a respiração,
não se toca, não se vê) que se conserva para além do ciclo
da vida e da morte, capaz de por si própria reevocar
acontecimentos passados, que se estabelecem como modelos de
ação para o presente, e igualmente capaz de prefigurar o
futuro, forçando-o a ser conforme aos desejos humanos.
É assim em torno do uso majestático da
palavra que o homem primitivo (de épocas remotas ou atuais)
vai desenvolver e sintetizar toda a sua capacidade de
apreensão de conhecimentos da realidade que o cerca. Ora, o
que atualmente chamamos Mito Clássico (também existe o mito
moderno) é o repositório de narrativas, longas ou breves,
que as sociedades antigas (anteriores à Grécia clássica) ou
as sociedades primitivas atuais nos deixaram, nelas
condensando a sua secular experiência de vida, o modo como
encaravam a vida e a morte, os ciclos de renascimento da
natureza, o modo como analisavam e escolhia a flora e a
fauna da sua região, como viam e interpretavam os astros no
céu, o processo cíclico do dia e da noite, os actos de
nascimento, de reprodução e de casamento, bem como tudo o
que dizia respeito à sua vida quotidiana e às regras por que
se relacionavam entre si.
Conhecimento Científico e Senso Comum
O
conhecimento científico é uma conquista relativamente
recente da humanidade. A revolução científica do século XVII
marca a autonomia da ciência, a partir do momento que ela
busca seu próprio método desligado da reflexão filosófica.
O exemplo
clássico de procedimento científico das ciências
experimentais nos mostra o seguinte: inicialmente há um
problema que desafia a inteligência humana, o cientista
elabora uma hipótese e estabelece as condições para seu
controle, a fim de confirmá-la ou não, porém nem sempre a
conclusão é imediata sendo necessário repetir as
experiências ou alterar inúmeras vezes às hipóteses. A
conclusão é então generalizada, ou seja, considerada válida
não só para aquela situação, mas para outras similares.
Assim, a ciência, de acordo com o pensamento do senso comum,
busca compreender a realidade de maneira racional,
descobrindo relações universais e necessárias entre os
fenômenos, o que permite prever acontecimentos e,
conseqüentemente também agir sobre a natureza. Para tanto, a
ciência utiliza métodos rigorosos e atinge um tipo de
conhecimento sistemático, preciso e objetivo.
Nos
primórdios da civilização os gregos foram os primeiros a
desenvolver um tipo de conhecimento racional mais desligado
do mito, porém, foi o pensamento laico, não religioso, que
logo se tornou rigoroso e conceitual fazendo nascer a
filosofia no século VI a.C.
Nas
colônias gregas da Jônia e Magna Grécia, surgiu os primeiros
filósofos, e sua principal preocupação era a cosmologia, ou
estudo da natureza. Buscavam o principio explicativo de
todas as coisas (arché), cuja unidade resumiria a extrema
multiplicidade da natureza. As respostas eram as mais
variadas, mas a teoria que permaneceu por mais tempo foi a
de Empédocles, para quem o mundo físico é constituído de
quatro elementos: terra, água, ar e fogo.
Muitos
desses filósofos, tais como Tales e Pitágoras no século VI
a.C. e Euclides no século III a.C. ocupavam-se com
astronomia e geometria, mas, diferentemente dos egípcios e
babilônios, desligavam-se de preocupações religiosas e
práticas, voltando-se para questões mais teóricas.
Alguns
princípios fundamentais da mecânica foram estabelecidos por
Arquimedes no século III a.C. visto por Galileu como único
cientista grego no sentido moderno da palavra devido à
utilização de medidas e enunciação do resultado sob a forma
de lei geral. Dentre os filósofos antigos, Arquimedes
constitui uma exceção, já que a ciência grega era mais
voltada para a especulação racional e desligada da técnica e
das preocupações práticas.
O auge do
pensamento grego se deu nos séculos Vê IV a.C. período em
que viveram Sócrates, Platão e Aristóteles.
Platão
opõe de maneira vigorosa os sentidos e a razão, e considera
que os primeiros levam a opinião (doxa), forma imprecisa,
subjetiva e mutável de conhecer. Por isso é preciso buscar a
ciência (episteme), que consiste no conhecimento racional
das essências, das idéias imutáveis, objetivas e universais.
As ciências como a matemática, a geometria, a astronomia são
passos necessários a serem percorridos pelo pensador, até
atingir as culminâncias da reflexão filosófica.
Aristóteles atenua o idealismo platônico, e seu olhar é sem
duvida mais realista, não desvalorizando tanto os sentidos.
Filho de médico herdou o gosto pela observação e deu grande
contribuição a biologia, mas, como todo grego, Aristóteles
também procura apenas conhecer, estando suas reflexões
desligadas da técnica e das preocupações utilitárias. Além
disso, persiste a concepção estática do mundo, pela quais os
gregos costumam associar a perfeição ao repouso, a ausência
de movimento.
Embora
Aristarco de Samos tenha proposto um modelo heliocêntrico, a
tradição que recebemos dos gregos a partir de Eudoxo,
confirmada por Aristóteles e mais tarde por Ptolomeu,
baseia-se no modelo geocêntrico: a Terra se acha imóvel no
centro do universo e em torno dela giram as esferas onde
estão cravadas a Lua, os cinco planetas e o Sol.
Nesse
sentido, para Aristóteles, a física é a parte da filosofia
que busca compreender a essência das coisas naturais
constituídas pelos quatros elementos e que se encontra em
constante movimento retilíneo em direção ao centro da Terra
ou em sentido contrário a ele. Isso porque os corpos pesados
como a terra e a água tendem para baixo, pois este é o seu
lugar natural. Já os corpos leves como o ar e o fogo tendem
para cima. O movimento então compreendido como a transição
do corpo que busca o estado de repouso, no seu lugar
natural. A física aristotélica parte, portanto, das
definições das essências e da análise das qualidades
intrínsecas dos corpos.
A partir
deste breve esboço, podemos conferir a ciência grega as
seguintes características:
1)Encontra-se ligada à filosofia, cujo método orienta o tipo
de abordagem dos problemas;
2)é
qualitativa, porque a argumentação se baseia na análise das
propriedades intrínsecas dos corpos;
3)não é
experimental, e se acha desligada da técnica;
4)é
contemplativa, porque busca o saber pelo saber, e não a
aplicação prática do conhecimento;
5)baseia-se em uma concepção estática do mundo.
A Idade
Média, período compreendido do século V até o século XV,
recebe a herança grego-latina e mantém a mesma concepção de
ciência. Apesar das diferenças evidentes, é possível
compreender essa continuidade, devido ao fato de o sistema
de servidão também se caracterizar pelo desprezo a técnica e
a qualquer atividade manual.
Fora
algumas exceções – como as experimentações de Roger Bacon e
a fecunda contribuição dos árabes -, a ciência herdada da
tradição grega se vincula aos interesses religiosos e se
subordina aos critérios da revelação, pois, na Idade média,
a razão humana devia se submeter ao testemunho da fé.
A partir
do século XIV, a Escolástica – principal escola filosófica e
teológica medieval – entra em decadência. Esse período foi
muito prejudicial ao desenvolvimento da ciência porque novas
idéias fermentavam nas cidades, mas os guardiões da velha
ordem resistiam às mudanças de forma dogmática.
Esterilizados pelo princípio da autoridade, aferravam-se às
verdades dos velhos livros, fossem eles a Bíblia,
Aristóteles ou Ptolomeu.
Tais
resistências não se restringiam apenas ao campo intelectual,
mas resultavam muitas vezes em processos e perseguições. O
Santo oficio, ou Inquisição, ao controlar toda produção,
fazia a censura prévia das idéias que podiam ser divulgadas
ou não. Giordano Bruno foi queimado vivo no século XVI
porque sua teoria do cosmos infinito era considerada
panteísta, uma vez que a infinitude era atributo exclusivo
de Deus.
O método
científico, como nós o conhecemos hoje, surge na Idade
Moderna, no século XVII. O Renascimento Científico não
constituiu uma simples evolução do pensamento científico,
mas verdadeira ruptura que supõe nova concepção de saber.
É preciso
examinar o contexto histórico onde ocorreram transformações
tão radicais, a fim de perceber que elas não se desligam de
outros acontecimentos igualmente marcantes: emergência da
nova classe dos burgueses, desenvolvimento da economia
capitalista, revolução comercial, renascimento das artes, as
letras e da filosofia. Tudo isso indica o surgimento de um
novo homem, confiante na razão e no poder de transformar o
mundo.
Os novos
tempos foram marcados pelo racionalismo, que se caracterizou
pela valorização da razão enquanto instrumento de
conhecimento que dispensa o critério da autoridade e da
revelação. Chamamos de secularização ou laicizarão do
pensamento a preocupação em se desligar das justificativas
feitas pela religião, que exigem adesão pela crença, para só
aceitar as verdades resultantes da investigação da razão
mediante demonstração. Daí a intensa preocupação com o
método, ponto de partida para a reflexão de inúmeros
pensadores do século XVII: Descartes, Spinoza, Francis
Bacon, Galileu, entre outros.
Outra
característica dos novos tempos é o saber ativo, em oposição
ao saber contemplativo. Não só o saber visa à transformação
da realidade, como também passa ele próprio a ser adquirido
pela experiência, devido à aliança entre a ciência e a
técnica.
Uma
explicação possível para justificar a mudança é que a classe
comerciante, constituída pelos burgueses, se impôs pela
valorização do trabalho, em oposição ao ócio da
aristocracia. Além disso, os inventos e descobertas
tornam-se necessários para o desenvolvimento da indústria e
do comércio.
O novo
método científico mostrou-se fecundo, não cessando de
ampliar sua aplicação. Os resultados obtidos por Galileu na
física e na astronomia, bem como as leis de Kepler e as
conclusões de Tycho-Brahe, possibilitaram a Newton a
elaboração da teoria da gravitação universal. Ao longo desse
processo surgem as academias científicas onde os cientistas
se associam para troca de experiências e publicações.
Aos poucos
o novo método é adaptado a outros campos de pesquisa,
fazendo surgir diversas ciências particulares. No século
XVIII Lavoisier torna a química uma ciência de medidas
precisas; o século XIX foi o do desenvolvimento das ciências
biológicas e da medicina, destacando-se o trabalho de Claude
Bernard com a fisiologia e o de Darwin com a teoria da
evolução das espécies.
O método
científico inicialmente ocorre do seguinte modo: há um
problema que desafia a inteligência; o cientista elabora uma
hipótese estabelece as condições para seu controle, a fim de
confirmá-la ou não. A conclusão é então generalizada, ou
seja, considerada válida não só para aquela situação, mas
para outras similares. Além disso, quase nunca se trata de
um trabalho solitário do cientista, pois, hoje em dia, cada
vez mais as pesquisas são objeto de atenção de grupos
especializados ligados, às universidades, as empresas ou ao
Estado. De qualquer forma, a objetividade da ciência resulta
do julgamento feito pelos membros da comunidade científica
que avaliam criticamente os procedimentos utilizados e as
conclusões, divulgadas em revistas especializadas e
congressos.
Assim,
dentro da visão do senso comum (isto é, um vasto conjunto de
concepções geralmente aceita como verdadeiras num
determinado meio social. Repetidas irrefletidamente no
cotidiano, algumas dessas noções escondem idéias falsas,
parciais ou preconceituosas. É uma falta de fundamentação,
tratando-se de um conhecimento adquirido sem base crítica,
precisa, coerente e sistemática), a ciência busca
compreender a realidade de maneira racional, descobrindo
relações universais e necessárias entre os fenômenos, o que
permite prever os acontecimentos e, conseqüentemente, também
agir sobre a natureza. Para tanto, a ciência utiliza métodos
rigorosos e atinge um tipo de conhecimento sistemático,
preciso e objetivo. Entretanto, apesar do rigor do método,
não é conveniente pensar que a ciência é um conhecimento
certo e definitivo, pois ela avança em contínuo processo de
investigação que supõe alterações à medida que surgem fatos
novos, ou quando são inventados novos instrumentos. Por
exemplo, nos séculos XVIII e XIX, as leis de Newton foram
reformuladas por diversos matemáticos que desenvolveram
técnicas para aplicá-las de maneira mais precisa. No século
XX, a teoria da relatividade de Einstein desmentiu a
concepção clássica que a luz se propaga em linha reta. Isso
serve para mostrar o caráter provisório do conhecimento
científico sem, no entanto, desmerecer a seriedade e o rigor
do método e dos resultados. Ou seja, as leis e as teorias
continuam sendo de fato hipóteses com diversos graus de
confirmação e verifica a habilidade, podendo ser
aperfeiçoadas ou superadas.
A partir
da explanação feita acima será que podemos afirmar que
existe um método universal? Será que os métodos universais
devem ser considerados válidos para situações diversas? E
tendo situações diferentes podemos qualificá-las como
universais? Como descrever relações universais através de
métodos “individuais”? Será que esse tipo de método é
realmente válido universalmente? Será que podemos nomear o
método como sendo universal?
Segundo Alan Chalmers, em sua
obra A Fabricação da ciência, “a generalidade e o grau de
aplicabilidade de leis e teorias estão sujeitos a um
constante aperfeiçoamento”.
[1]A
partir dessa afirmação podemos concluir que o método
universal, na realidade, não é tão genérico assim, ou
melhor, não é tão absoluto, pois está sujeito a uma
substituição constante. Para Chalmers não existe nenhum
método universal ou conjunto de padrão universal,
entretanto, permanecem modelos a - históricos ocasionais
subentendidos nas atividades bem-sucedidas, porém, isso não
significa que vale tudo na área epistemológica.
A questão
da substituição constante das teorias ficou bem explícita na
sucinta explanação da história da ciência realizada
anteriormente, onde tivemos a clara mudança de uma teoria,
método ou hipótese por outra mais coerente dentro de sua
época histórica e/ou científica.
Diante disso tudo que foi visto podemos, pelo menos,
fundamentar que aciência tem por objetivo estabelecer
generalizações aplicáveis ao mundo, poisdesde a época da
revolução estamos em posição de saber que essas
generalizaçõescientíficas não podem ser estabelecidas a
priori; temos que aceitar que aexigência de certeza é mera
utopia. Entretanto, a exigência de que nossoconhecimento
esteja sempre sendo transformado, aperfeiçoado e ampliado é
purarealidade.
Conhecimento Empírico, Conhecimento
Filosófico, Conhecimento Teológico.
Desde a Antiguidade, até os dias de hoje, um
lavrador, mesmo iletrado e/ou desprovido de outros
conhecimentos, sabe o momento certo da semeadura, a época da
colheita, tipo de solo adequado para diferentes culturas.
Todos são exemplos do conhecimento que é acumulado pelo
homem, na sua interação com a natureza.
O Conhecimento faz do ser humano um ser
diverso dos demais, na medida em que lhe possibilita fugir
da submissão à natureza. A ação dos animais na natureza é
biologicamente determinada, por mais sofisticadas que possam
ser, por exemplo, a casa do joão-de-barro ou a organização
de uma colméia, isso leva em conta apenas a sobrevivência da
espécie.
O homem atua na natureza não somente em
relação às necessidades de sobrevivência, (ou apenas de
forma biologicamente determinada) mas se dá principalmente
pela incorporação de experiências e conhecimentos produzidos
e transmitidos de geração a geração, através da educação e
da cultura, isso permite que a nova geração não volte ao
ponto de partida da que a precedeu. Ao atuar o homem imprime
sua marca na natureza, torna-a humanizada. E à medida que a
domina e transforma, também amplia ou desenvolve suas
próprias necessidades. Um dos melhores exemplos desta
atuação são as cidades.
O Conhecimento só é perceptível através da
existência de três elementos: o sujeito cognoscente (que
conhece) o objeto (conhecido) e a imagem. O sujeito é quem
irá deter o conhecimento o objeto é aquilo que será
conhecido, e a imagem é a interpretação do objeto pelo
sujeito. Neste momento, o sujeito apropria-se, de certo modo
do objeto. “O conhecimento apresenta-se como uma
transferência das propriedades do objeto para o sujeito”.
(Ruiz, João. Metodologia científica).
O conhecimento leva o homem a apropriar-se da
realidade e, ao mesmo tempo a penetrar nela, essa posse
confere-nos a grande vantagem de nos tornar mais aptos para
a ação consciente. A ignorância tolhe as possibilidades de
avanço para melhor, mantém-nos prisioneiros das
circunstâncias. O conhecimento tem o poder de transformar a
opacidade da realidade em caminho iluminada, de tal forma
que nos permite agir com certeza, segurança e precisão, com
menos riscos e menos perigos.
Mas a realidade não se deixa revelar
facilmente. Ela é constituída de numerosos níveis e
estruturas, de um mesmo objeto podemos obter conhecimento da
realidade em diversos níveis distintos. Utilizando-se do
exemplo de Cervo & Bervian no livro Metodologia Científica,
“com relação ao homem”, pode-se considerá-lo em seu aspecto
eterno e aparente e dizer uma série de coisas que o bom
senso dita ou a experiência cotidiana ensinou; pode-se,
também, estudá-lo com espírito mais sério, investigando
experimentalmente as relações existentes entre certos órgãos
e suas funções; pode-se, ainda, questioná-lo quanto à sua
origem, sua realidade e destino e, finalmente, investigar o
que dele foi dito por Deus através dos profetas e de seu
Enviado Jesus Cristo.
Em outras palavras, a realidade é tão
complexa que o homem, para apropriar-se dela, teve de
aceitar diferentes tipos de conhecimento.
Tem-se, então, conforme o caso citado:
* Conhecimento Empírico.
* Conhecimento Científico.
* Conhecimento Filosófico.
* Conhecimento Teológico.
Conhecimento Empírico
Popular ou vulgar é o modo comum, corrente e
espontâneo de conhecer, que se adquire no trato direto com
as coisas e os seres humanos, as informações são assimiladas
por tradição, experiências causais, ingênuas, é
caracterizado pela aceitação passiva, sendo mais sujeito ao
erro nas deduções e prognósticos. “é o saber que preenche
nossa vida diária e que se possui sem o haver procurado, sem
aplicação de método e sem se haver refletido sobre algo”(Babini,
1957:21).O homem, ciente de suas ações e do seu contexto,
apropria-se de experiências próprias e alheias acumuladas no
decorrer do tempo, obtendo conclusões sobre a “ razão de ser
das coisas”. É, portanto superficial, sensitivo, subjetivo,
Assis temático e acrítico.
Conhecimento Científico (Já falado anteriormente).