A FILOSOFIA MEDIEVAL
350 - 900 DC.
Agostinho foi a linha de separação entre a especulação
patrística e escolástica. Agostinho o maior de todos os pais
latinos da igreja e não houve igual filosofo, teólogo desde
Paulo até Tomás de aquino. Além dele temos Boethius como um
dos principais filósofos deste período. Jonhn Scotus Erigena
foi precursor do escolasticismo. Entre 800 - 877 DC
Santo Agostinho
(354-430). O cristianismo estava consolidado nessa época:
embora tivesse apenas quatrocentos anos, era considerado a
verdade irrefutável. Apesar disso, Santo Agostinho, que
nasceu no norte da África, numa cidade chamada Tagarte, nem
sempre foi cristão. Fez os primeiros estudos na cidade natal
e ,com a ajuda de um amigo foi para Cartago, aos dezesseis
anos, completar os estudos superiores. Não foi um bom aluno.
Na juventude, detestava estudar grego. Interessa-se pôr
filosofia ao ler uma obra de Cícero. Quando criança era
cristão, mas depois interessou-se pôr outras religiões, como
a dos maniqueus, que formavam uma seita, e dividiam o mundo
entre o bem e o mal, trevas e luz, espírito e matéria. Com o
seu espírito o homem pode transcender a matéria, para os
maniqueístas. O maniqueísmo contém uma visão dualista
radical, bem e mal são tomados como princípios absolutos.
Posteriormente, Agostinho combateu essa doutrina, que foi
criada pôr Manes. De início ele recusava a ler a Bíblia, pôr
considerá-la vulgar. Teve um caso de amor, interessava-se
pôr questões mundanas e nasceu um filho, falecido ainda
adolescente. Com vinte anos, perdeu o pai e ficou sendo o
responsável pelo sustento de duas famílias. Foi professor de
retórica em Cartago, mas depois mudou-se para Roma. Sua mãe
foi contra a mudança e Agostinho teve de enganá-la na hora
da viagem. De Roma foi para Milão, onde foi novamente
professor de retórica. Foi influenciado pelos estóicos, pôr
Platão e o neoplatonismo, também estava entre os adeptos do
ceticismo. Abandonou o maniqueísmo, que critica.
Converteu-se então à fé cristã, depois de conhecer a palavra
do apóstolo Paulo, e batizou-se aos trinta e dois anos de
idade. Desistiu do cargo de professor. Voltou a Tagaste onde
funda uma comunidade monástica, disposto a fundamentar
racionalmente a fé, como foi comum na Idade Média. Mostrou
que sem a fé a razão não é capaz de levar para a felicidade.
A razão, para Agostinho serve de auxiliar da fé,
esclarecendo e tornando inteligível aquilo que intuímos. Ele
tinha tomado contato com o pensamento neoplatônico de que a
natureza humano contém parte da essência divina. Demonstra
que há limites para a racionalidade, receberemos um saber
que está além do natural. Com o cristianismo uma luz inundou
seu coração, sua alma encontrou a paz. Virou vigário aos
trinta e seis anos, praticando a vida ascética.
Santo Agostinho
escreveu Contra os Acadêmicos e expôs a teoria de que os
sentidos dizem algo verdadeiro. O erro provém do juízo que
fazemos das sensações, e não delas próprias. A sensação não
é falsa, o que é falso é querer ver nelas uma verdade
externa ao próprio sujeito. Virou Bispo de Hipona.
Agostinho ficou
conhecido pôr "cristianizar" Platão, fazendo vários
paralelos entre a parte espiritualista dele (que diz existir
um mundo transcendente) e as sagradas escrituras. Faz a
distinção entre o corpo, sujeito à sorte do mundo e a alma,
que é atemporal., com a qual se pode conhecer Deus. Antes de
Deus ter criado o mundo a partir do nada as Idéias eternas
já existiam na sua mente. Deus é bondade pura. Ele já
conhece o que uma pessoa vai viver antes dela viver. Assim
apesar da humanidade ter sido amaldiçoada depois do pecado
original, alguns alcançarão a verdade divina, a salvação.
Isso depende do uso que fazemos do livre arbítrio, a
faculdade que o indivíduo tem de determinar de acordo com a
sua própria consciência a sua conduta, livre da Divina
Providência enquanto está vivo. Seria o ato livre de
decisão, de opção. Durante um diálogo, Agostinho chega a
conclusão que o mal não provém de Deus, mas sim do mau uso
do livre arbítrio. De fato ,para ele não existe mal, apenas
a ausência de Deus. (com isso ele refuta de vez a doutrina
dos maniqueus) Essa teoria encontra-se no livro O livre
arbítrio.
Com uma vida
errada, a alma fica presa ao corpo, porém a relação correta
é a inversa. Os órgãos sensoriais sentem a ação dos
elementos exteriores, a alma não. Deus é a fonte dos
conhecimentos perfeitos e não o homem. A experiência mística
leva à iluminação divina. Assim se chega às verdades
eternas, e o intelecto então é capaz de pensar corretamente
a ordem natural divina. A unidade divina é plena e viva, e
guarda a multiplicidade. O amor de Deus é infinito. A graça
e a liberdade complementam-se.
Na obra a Cidade
de Deus, Agostinho faz oposição entre sensível e
inteligível, alma e corpo, espírito e matéria, bem e mal e
ser e não ser. Acrescenta a história à filosofia,
interpretando a história da humanidade como o conflito entre
a Cidade de Deus, inspirada no amor à Deus e nos valores que
Cristo pregou, presentes na Igreja, e a Cidade humana,
baseada nos valores imediatos e mundanos. Essas cidades
estariam presentes na alma humana, e no final a Cidade de
Deus triunfaria. Outra obra importante são as Confissões,
que é autobiográfica. Essa obra faz dele um precursor de
Descartes, Rousseau e o existencialismo. Acredita na verdade
contida nos números, que fazem parte da natureza.
Santo Anselmo-
(1033-1109) nasceu em Aosta na Itália, filho de um nobre
Gondolfo, e de uma mãe rica, Ermenberga. Seguiu a carreira
religiosa, fez estudos clássicos e escreveu sempre em latim.
Foi eleito prior em 1063, porque tinha muita inteligência e
piedade. Sua biografia nos é contada pelo seu discípulo,
Eadmero. Foi comum na Idade Média os religiosos buscavam o
apoio da fé na razão. Anselmo escreveu uma obra sobre esse
assunto. É considerado um dos iniciadores da tradição
escolástica. Buscava um argumento para provar a existência
de Deus, e sua bondade suprema. Fala que a crença e a fé
correspondem à verdade, e que existe verdadeiramente um ser
do qual não é possível pensar nada maior. Ele não existe
apenas na inteligência, mas também na realidade. Anselmo
desenvolveu uma linha de pensamento sobre essas bases,
chamados de argumento ontológico, que foi retomada por
Descartes e criticada por Kant, e ela estava numa obra
chamada Proslógio. Parte do fato de que o homem encontra no
mundo muitas coisas, algumas boas, que procedem de um bem
absoluto, que é necessariamente existente. Todas as coisas
tem uma causa, menos o ser incriado, que é a causa de si
mesmo e fundamenta todos os outros seres. Esse ser é Deus.
Seus argumentos não foram totalmente aceitos. Anselmo chegou
a arcebispo da Cantuária em 1093. Escreveu outras obras
importantes, Da Gramática e A Verdade, latim. Recebeu
doações de terras para a igreja, mas brigou com Guilherme, o
ruivo, rei da Inglaterra pois não queria fazer comércio com
os bens da Igreja. Isso foi considerado um desrespeito ao
poder Real, e Guilherme impediu Anselmo de Viajar para Roma,
desafiando o poder da Igreja.
Num dos seus
primeiros livros, Monológico, em que apresenta sua visão de
Deus, Anselmo fala que a essência suprema existe em todas as
coisas e tudo depende dela. Reconhece nela onipotência,
onipresença, máxima sabedoria e bondade suprema. Ela criou
tudo a partir do nada. Anselmo procurava desenvolver um
raciocínio evolutivo sobre o que considerava ser a verdade,
que estava contida na Bíblia. Para Anselmo, o pensamento tem
algo de divino, e Deus tem uma razão. Sua palavra é sua
essência, e Ele é pura essência (essa noção não é nova)
infinito, sem começo nem fim, pois nada existiu antes da
essência divina e nada existirá depois. Para ela o presente,
o passado e o futuro são juntos ao tempo, são uma coisa só.
E Ela é imutável, uma substância, embora seja diferente da
substância das outras criaturas. Existe de uma maneira
simples e não pode ser comparado com a consciência das
criaturas, pois é perfeito e maravilhoso e tem todas as
qualidades já citadas. O verbo e o espírito supremo são uma
coisa só, pois este usa o verbo consubstancial para
expressar-se. Mas a maneira intrínseca que o espírito
supremo se expressa e conhece as coisas é incogniscível para
nós. O verbo procede de Deus por nascimento, e o pai passa a
sua essência para o filho. O espírito ama a si mesmo, e
transmite esse amor.
Para Anselmo, a
alma humana é imortal, e as criaturas seriam felizes e
infelizes eternamente. Mas nenhuma alma é privada do bem do
Ser supremo, e deve buscá-lo, através da fé. E Deus é uno.
Para se contemplá-lo devemos nos afastar dos problemas e
preocupações cotidianos e buscá-lo. Ele é onipotente embora
não possa coisas como morrer ou mentir. É piedoso, em parte
por ser impassível, o que não o impede de exercer sua
justiça, pois ele pensa e é vivo. Anselmo fala muito da
crença divina do Pai, do filho e do espírito humano. Grandes
coisas esperam por aquele que aceitar Deus e buscá-lo. Santo
Anselmo influenciou muito o pensamento teológico posterior.
São Tomás de
Aquino- (1227-1274) nasceu em um castelo próximo à cidade de
Aquino, Itália, de uma família nobre. Entrou cedo para a
ordem Dominicana. Não se sabe com precisão os acontecimentos
da sua vida. As universidades surgem no século XII, e elas
começam a ter forte atuação e influência. Cria-se um
ambiente cultural, nas capitais, em que irão atuar Alberto
Magno e seu discípulo, São Tomás de Aquino. Há uma
miscigenação cultural, pois os Sábios da Arábia vem para a
Europa. São Tomás de Aquino entrou para a universidade de
Nápoles, onde estudou filosofia. Sabia, falava e escrevia em
latim fluentemente.
Escreveu um
opúsculo quando ainda era jovem, O ente e a Essência, entre
os anos de 1252 e 1253. Aborda questões metafísicas,
explicando o percurso da consciência humana entre a sensação
e a concepção . Diz, o que cai imediatamente no alcance do
saber humano é composto. O homem se eleva do composto ao
simples, do posterior ao anterior. A essência existe no
intelecto. A substância composta é matéria e forma. A forma
e matéria, quando tomadas em si, ou seja sem o aparato do
entendimento racional considerando-as, é incognoscível, mas
existem caminhos para a investigação das possibilidades. O
intelecto quando está isento da materialidade, desvela que
nada pode ser mais perfeito do que aquilo que confere o ser.
São Tomás é famoso por ter cristianizado Aristóteles, à
semelhança do que fez Agostinho com Platão, ele transformou
o pensamento desse sábio num padrão aceitável pela igreja
católica, Apesar de Aristóteles não ter conhecido a
revelação cristã, como diz Tomás, e de sua obra ser
original, autônoma e independente de dogmas, ele está em
harmonia com o saber contido na Bíblia. E Tomás aplica o
pensamento de Aristóteles na teologia. No Ente e a Essência,
ele comenta obras como a Física e a Metafísica. E as
observações sobre Aristóteles vão permanecer em todas as
suas obras. Além dessa influência podemos citar os padres da
Igreja, o pseudo-dioníseo (mais cultura grega), Boécio e os
árabes e judeus como influência. Tomás de Aquino afirma que
podemos conhecer Deus pelos seus efeitos, ele é o último em
uma escala evolutiva, a causa de todas as coisas. Antes de
Deus vem os anjos, e antes desses, os homens. Ele comenta o
gênero e a espécie, que pertencem à essência, pois o todo
está no indivíduo.
A essência tem
dois modos, um é dela própria, nada é verdadeiramente dela,
senão o que lhe cabe como ela própria. Por exemplo o homem,
por ser homem, será sempre racional. Mas o branco e o preto
não são noções exclusivas da humanidade.
No outro modo,
algo se predica da essência, por acidente daquilo que é
específico, como o homem ser de cor branca. As formas são
inteligidas na medida em que estão separadas da matéria e
suas condições. A diferença da essência da substância
compostas e simples é que a composta é forma e matéria, e a
simples é apenas forma. A inteligência possui potência e
ato.
Santo Tomás de
Aquino é mais um que fala (como o fez mais tarde Espinosa)
que a essência de Deus é o seu próprio ser.
Concluindo, ele
diz que há essência nas substâncias e nos acidentes.
Então virou
professor e foi para Paris, onde escreve comentários sobre a
Bíblia. Nessa cidade passa a vida, foi onde escreveu as duas
Sumas que compõe a sua obra: A Suma contra os gentios e a
Suma teológica, mais diversos opúsculos. São obras
teológicas, com muitos aspectos filosóficos. Santo Tomás
afirma que o homem possui uma capacidade, passada por Deus,
de distinguir naturalmente o certo e o errado. Ele não tinha
uma visão muito positiva da mulher, como Aristóteles, que
dizia ser o homem ativo ,criativo e doador de energia vital
na concepção, enquanto a mulher é receptora e passiva. Ele
achava que isso estava de acordo com a afirmação da Bíblia
que a mulher deriva de uma costela do homem. Na Bíblia está
escrito como viver segundo a vontade de Deus, e daí Tomás
tira seus argumentos sobre a vida moral. Ele demonstra que
não há conflito entre a fé e a razão. O conhecimneto
verdadeiro é uma adição da inteligência para o objeto a ser
inteligido em si. Apesar de Deus ser a causa de tudo, ele
não age diretamente nos fatos de sua criação. Mas a
providência existe e governa o mundo, pois ele é abslouto e
necessário. E a felicidade do homem só pode ser encontrada
na contemplação da verdade.
A obra de São
Aquino é imensa, alguns de seus trabalhos foram escritos por
ele mesmo, outros ditados e outros ainda reportados.
Aristóteles disse, e isso foi comentado por São Tomás, que o
homem tem a sensação em comum com os animais, que sentem de
maneira perfeita. A memória nasce pelo acúmulo de
lembranças, e a lembrança nasce da experiência. Mas o homem
se eleva ao raciocínio e produz a arte. A filosofia é um
conhecimento das causas dos fenômenos. Assim a filosofia
deve considerar o senso comum e tem um aspecto coincidente
com a teologia: seu saber provém da Sabedoria divina. Então,
em menor grau o saber popular também. Mas a sabedoria divina
deve ser procurada através da fé, dizia Tomás, e isso é
comum entre os teólogos.
Ele distingue na
natureza o ser real e o ser da razão (Espinoza nos
Pensamentos metafísicos também o faz, mais uma vez.). O ser
real existe independente de qualquer consideração da razão.
O ser da razão é aquele que apesar de existir em
representação, não pode ser independente do pensamento de
quem o concebe. Assim a lógica humana só existiria no
conceito, e não na realidade. Por outro lado, a alma é
imortal, pois é imaterial, e tudo que é imaterial é imortal.
Esse argumento como outras verdades teológicas pode ser
agora combatido, mas durante séculos ele fundamentou o
pensamento em que a Igreja se apoia.
Para Tomás, o
conhecimento passa por vários graus de abstração cujo
objetivo é conhecer a imaterialidade. O primeiro esforço da
existência abstrativa consiste em considerar as coisas
independentemente dos sentidos e da noção que tiramos dele.
O segundo esforço consiste em considerar as coisas
independentes das qualidades sensíveis. No terceiro esforço
tem que se consideraras coisas independentes do seu valor
material. Assim chega-se ao objeto metafísico, que é
imaterial, espiritual.
Na Suma contra os Gentios faz uma exposição completa da
religião católica, identificando o que há de verdade nela.
Gentios eram os pagãos e os maometanos. Essa suma trata de
Deus e suas obras, da fé no mistério da santíssima trindade,
da encarnação, dos sacramentos e da vida eterna. Deus é a
verdade pura, sem falsidade vontade que existe em si e para
si e neste processo estende sua vontade para o que não é a
sua essência. O que não é sua essência seriam só as coisas
percebidas, pois Deus é tudo. Não tem ódio, não quer o mal,
sua potência indica-se com a sua ação, mas ele não pode
tudo. Santo Tomás de Aquino faz a distinção entre a
filosofia e teologia. E as criaturas não existem desde
sempre. Ele descreve o momento em que se inicia uma vida,
quando mostra como a alma se junta ao corpo. É uma grande
obra, que influenciou e influencia até hoje todos os que se
querem católicos, além de filósofos e outros estudiosos.
O ESCOLASTICISMO
Alguns datam os
primórdios deste movimento no século VII DC. Fazendo o
prolongar-se até o século XV DC. Seja como for, chegou a o
seu ponto culminante nos séculos XII e XIII. Esse nome alude
aos homens de escola os mestres universitários, filhos da
igreja católica romana, que controlavam o sistema
educacional da Europa, durante a idade média. O sistema
estava alicerçado sobre o manuseio filosófico da fé cristã,
destacando se as idéias filosóficas de Platão e Aristóteles
mas, especialmente, a lógica e a metafísica do último deles.
O maior filosofo deste período foi Tomas de Aquino. A
filosofia dele continua sendo uma poderosa força tanto no
seio da igreja católica romana quanto no mundo filosófico.
Os principais
teólogos filosóficos deste período foram.
· Anselmo 1033 - 1109
· Roscelino 1050 - 1122
· Guilherme de Cjampeaux 1070 - 1121
· Pedro Abelardo 1079 - 1142
· Pedro Lombardo + - 1164
· Vernardo de Clairvaux 1091 - 1153
· João de Salisbury 1115 - 1180
· Alexandre de Hales falecido em 1245
· Alberto Magno 1193 - 1280
· Tomás de Aquino 1225 - 1274
· Boaventura 1121 - 1274
· Rogério Bacon 1214 - 1294
· João Duns Scotus 1226 - 1308
Bibliografia
Internet filosofia
Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia
R.N.Chaplin, Ph.D.
J.M.Bentes
Editora Candeia