COMO MUDAR O MUNDO
Corromperà
Induzir a realizar ato contrário ao dever ou à ética;
Impunidadeà
Escapar a punição;
Violênciaà
Ato em que se faz uso se força bruta. Contrário ao direito
ou à justiça.
Essas palavras são
tão usadas no dia-a-dia que ninguém precisa de dicionário
para conceituá-las. Mas é sempre bom reforçar os seus
significados. Assim é mais fácil interligá-las.
Corrupção e
impunidade estão juntas quando se descobre o escândalo e os
autores, mas não se pode (ou não se quer) reaver o bem
corrompido e nem punir os culpados.
Impunidade é
violência na certa. Pessoas que são capazes de praticar a
corrupção, em qualquer sentido da palavra, são capazes de
qualquer atrocidade (quando ficam impunes!). A maioria das
pessoas que entra no mundo do crime não começa com um
assassinato ou coisa parecida. Os maiores bandidos começam
com pequenos atos. Mas num país em que reina a impunidade,
esses pequenos atos nunca são barrados e acabam crescendo
cada vez mais. Assim não demora para que uma criança que
roubou um biscoito no supermercado, cresça e roube numa
residência, e depois se junte com uns “amigos” e assalte um
banco. E depois, comande o tráfico de drogas na cidade. Uma
cidade, por sinal, que não dá o devido valor às suas
criança. Talvez porque o governante “desvia” o dinheiro da
educação para a sua conta bancária! Uma cidade que tem
também, um poder judiciário e uma polícia muito fraca.
Talvez porque os seus policiais fazem parte da gang que
assaltou o banco!
E o que será que aconteceria
se a gang de jovens invadisse a casa do prefeito? Talvez
este ficaria furioso e pediria para que alguns policiais
(que conhecem muito bem os criminosos, apesar de nunca os
terem punido) dessem um “sumiço” nesse grupo de jovenzinhos
arrogantes. De um jeito que a justiça nunca descobrisse (ou
admitisse) quem estava por trás de tudo. E assim acaba um
capítulo da história corrupção, impunidade e violência.
Exagerada? Não. É a mais pura realidade do Brasil. Onde tudo
é movido pelo orgulho e pela ambição.
Agora, vamos
imaginar que essa cidade de que estamos falando fosse bem
organizada. As crianças todas estivessem na escola. Uma
escola bem estruturada, com professores profissionalizados,
com pagamentos em dia... Órgãos governamentais cuidariam da
fiscalização das crianças que não fossem à aula. O prefeito
fosse um “cara” super honesto e humilde. Exigisse
competência e agilidade a polícia, que por sua vez seria
muito bem paga. A legislação bem organizada e a lei a
palavra de ordem. Os habitantes se respeitassem. Fossem
solidários uns com os outros. Ninguém teria arma ilegal em
casa. A família seria a instituição mais valorizada por
todos. Enfim, a cidade dos sonhos. Parece até um conto de
fada! Isso seria o ideal para que todos vivessem bem, mas os
próprios brasileiros desacreditam que isso possa acontecer.
Temos de dar os
parabéns para o Espírito Santo pelo trabalho que tem sido
feito pela Polícia Federal, promotores, procuradores... em
combate ao narcotráfico, uma das maiores causas do crime no
Brasil. Porém muito ainda tem que ser feito. Tanto pelo
governo, quanto por nós que moramos aqui e buscamos um lugar
mais pacífico.
A corrupção, a impunidade e a
violência, principalmente, são fatores que caracterizam a
cultura brasileira desde 1500. Ao menos é isso que pensa a
maior parte da sociedade. Mas pensando bem, esses males não
atingem somente o nosso estado ou o nosso país.
Desconhecemos a realidade social de muitos outros países. É
claro que o Brasil está entre os dez países mais corruptos
do mundo, porém é bom sabermos que ele não é o único com
empresas fraudulentas, políticos corruptos... A diferença
mais visível é a que diz respeito à impunidade, que no nosso
país é a causa do acelerado crescimento do número de
criminosos. Às vezes, o problema se encontra na própria lei.
A maioria dos que fiscalizam e/ou fazem as leis estão
envolvidos nos esquemas de corrupção. Chegamos a um ponto
onde quem é honesto é que se dá mal na vida. Recentemente 2
juízes, famosos pelo combate ao crime organizado, foram
brutalmente assassinados.Por quê? Porque, a lei agora é ser
do crime. Este já é maioria e tem poder suficiente para
aniquilar os vestígios de caráter que ainda restam no país.
O problema é que o
crime organizado (literalmente, quem está no comando
normalmente são pessoas super inteligentes, cultas,
estudadas, mas que não souberam aplicar tal sabedoria!)
lesam o nome do país e a nossa dignidade quando “levantam,
sacodem a poeira e dão a volta por cima”. Ou seja, concluem
suas falcatruas sem nenhuma “puniçãozinha”. Bom, até o nosso
Código Penal (de 07/12/1940!) favorece a isso. Além de que,
as instituições democráticas são fracas, a gestão dos bens
públicos é feita por debaixo do panos e fiscalizada por
órgãos incompetentes...
Toda essa impunidade favorece
ao esquecimento e banalização dos fatos pelos próprios
lesados. Assim a indignação, força motriz, “fica para lá”. E
povo não protesta, não age. Só reclama...
Esses fatos são
bons para questionarmos a democracia. Será que essa forma
social tão exaltada por nós é realmente democrática?
Ultimamente o que se vê é o abuso de poder de uns poucos, na
maioria das vezes corruptos, prejudicando a liberdade e
estabilização de muitos. Muitos esses, que ao serem lesados,
em vez de se indignarem, acabam passando para o outro lado,
pois crêem que lá a vida é melhor e mais “fácil”.
As soluções para
acabar com essas falcatruas no nosso país têm de começar com
a mudança da legislação, ou melhor, com a reforma total no
nosso poder judiciário. E sem medo, punir, de forma radical,
os corruptos (até mesmo se forem grandes autoridades).
Os nossos bens
públicos deviam ser administrados com mais clareza. O povo
tem de ficar sabendo o que acontece com os seus pertences.
Para isso, deveria haver mais informação. Incentivar a
população a denunciar quando sabe de algum crime, sem medo.A
televisão e o rádio deveriam enfatizar sobre esse assusto.
Mas não de forma enjoativa, com um político falando duas
horas sem parar. Talvez através de propagandas criativas,
novelas, sites na internet... Uma mobilização nacional para
discutir as relações Sociedade X Estado. De uma forma que
convidasse o cidadão a participar. Talvez com enquetes,
pesquisas, campanhas nas escolas... questionando as pessoas
comuns se elas têm conhecimento de para onde vão os seus
impostos, ou informando da importância da declaração do
imposto de renda. Falando nisso, essa declaração deveria ser
uma ação muito valorizada e bem acompanhada pela Receita
Federal, pois é nela que sabemos onde está sendo aplicado o
dinheiro desse país. E descobre-se também se o dinheiro
desses corruptos vem somente do salário deles mesmo!
Deve-se também
acabar com alguns privilégios de algumas classes sociais e
transformá-los em direitos. Direitos iguais para todos! Que
lema bonito... pena que, muito distante.
Outra coisa que o
Brasil precisa urgentemente é de uma reforma no sistema
penitenciário. Promovendo um programa ressociliador, para
que os presos não saiam da cadeia piores do que entraram.
Além disso, devem ser construídos mais presídios de
segurança máxima. Onde os presos sejam vigiados, onde não
entre celular, ou qualquer outra possibilidade de
comunicação. Enquanto isso não acontecer, os presos irão
continuar comandando e encomendando mortes de dentro das
celas. E isso nós não podemos admitir.
Como é fácil falar
sobre os problemas do Brasil. Apontar soluções como as
acima, mais fácil ainda. Talvez colocá-las em prática seja o
mais complicado. Diria mais, o complicado é formar
cidadãos que as coloquem em prática. Que, além de melhorar
as leis, a respeitem. Que, acima de tudo, façam por onde
chamar o Brasil de país democrático. Isso sim, é difícil.
A humanidade
chegou a um ponto em que a educação, desde a repassada às
crianças, é feita de forma errada. O Brasil só melhorará
quando as crianças virem honestidade nas atitudes dos pais.
Virem solidariedade e confiança entre as pessoas. Uma
criança formada dessa maneira não entrará, jamais, nessa
onda de corrupção e violência.
Amor ao próximo. È
isso que Jesus sempre pregou, contudo o que menos se vê na
sociedade. Talvez esteja faltando religiosidade e crença nas
pessoas. E esses valores devem ser incentivados a todo
momento. Pois é o maior dever do homem para com Deus.
Por mais que isso
seja duro de aceitar, é a realidade. O homem de hoje não tem
amor. Se seduz fácil. É movido pela ganância. Aprendeu a
sempre querer mais dinheiro. E o pior, aprendeu a passar por
cima das pessoas para atingir seus ideais (se é que isso
pode ser chamado de ideais!). Hoje se traem amigos, desviam
(roubam!) dinheiro e até se assassina por ambição. Como que
uma sociedade onde “os fins justificam os meios” vai se ver
livre de corruptos? É como pensa o filósofo francês
Rousseau: “ninguém nasce mau-caráter, a sociedade é que
corrompe os indivíduos”. O mesmo vele para os corruptos, se
eles existem é porque a própria sociedade os induz a serem
assim.
Somos um povo
muito contraditório. Temos ideais maravilhosos, mas o que
gostamos é de ganho fácil. Votamos em quem nos ajudou ou
pensando em algum benefício (particular!). Reclama-se do
narcotráfico, mas somos consumidores desenfreados de drogas.
Critica-se o
governo, porém o povo reelege políticos corruptos. Por que,
por exemplo, Gratz (político capixaba conhecido em matérias
nacionais e internacionais que envolvem o crime organizado
no Brasil) se reelegeu? Porque parece que o povo gosta de
quem, de alguma forma, lhe ajudou, mesmo que ilegalmente.
Hoje não se pensa mais coletivo. Então, como acabar com
corruptos se sempre temos os corruptores e aqueles que ficam
vendo tudo de boca fechada?
Quando o povo
quiser, tanto a corrupção, quanto a impunidade e a violência
diminuirão, consideravelmente. Não se pode esquecer que,
quem está lá, do lado do crime, não são pessoas de outro
mundo. São pessoas comuns, mas que tiveram uma má formação
de caráter e deixaram o dinheiro falar mais alto.
Então qual seria a
solução definitiva para esses problemas? Implantar um
sistema sócio-econômico socialista em todo o mundo, do jeito
sonhado por Marx e Engels? Nessa altura do campeonato, isso
é utopia. A solução está na educação do povo. Primeiro,
tem de se mudar o homem, para depois mudar o mundo!