A
visão de sociedade
"Embasado numa
concepção biológica, vê a sociedade como um organismo cujas
partes constitutivas são heterogêneas, mas solidárias, pois
se orientam para a conservação do conjunto. como num
organismo, também sociedade é dividida em funções especiais,
onde se nota a presença da espontaneidade, da necessidade,
da imanência e da subordinação de todas as suas partes a um
poder central e superior"(68).
A sociedade evolui e
esta evolução, é incompatível com a evolução violenta. Por
isso a sociedade para Comte deve ser sempre harmônica.
A sociedade se
estrutura de dois modos: dinâmica e estética. O dinâmico,
seria esta evolução da sociedade e o estético a ordem
social, que se preocupa em estudar a consenso
(solidariedade) ou organismo social em suas relações com as
condições de existência, traçando a teoria da ordem. A
dinâmica parte do conjunto para as particularidades, e
determina o progresso geral da humanidade. 4.1.11 - Impacto
e continuidade do Positivismo:
As idéias de Comte
nunca foram aceitas no todo, mesmo por seus seguidores. Os
que utilizaram-se do pensamento o fizeram por parte, como
por exemplo Pierre Lafftti que é um dos mais fiéis
seguidores aceitando inclusive a religião.
Outros como Littré e
Taine, fundaram a escola francesa e os Ingleses Spencer e
Stuart Mill. No Brasil aparece Benjamin Constant que alia os
conceitos, aos ideais republicanos, juntamente com Luiz
Pereira Barreto, Miguel Lemos e Teixeira Mendes.
O que mais perdurou
porém, do positivismo de Comte foi a proposta de uma
filosofia e uma metodologia da ciência.
Taine (1828-1893)
tornou-se conhecido pelas leis da sociologia, segundo as
quais toda vida humana se explica por 3 fatores: a raça, o
meio e o momento. A raça que traz os caracteres
hereditários, o meio onde o indivíduo é submetido a fatores
geográficos e o momento que é a época em que se vive. Ou
seja, o homem não é livre, mas determinado por fatores, aos
quais não pode escapar. Esta teoria se estende ao direito
com Lombroso, que com ela pretendia encontrar o criminoso
nato. Na literatura surge a preocupação de ver o
comportamento humano, sem a possibilidade de transcendência,
como por exemplo Émile Zola, romancista francês, onde se
pretende substituir o homem abstrato e metafísico, pelo
homem natural, submetido as leis físicas-químicas
determinada pelas influências do meio. No Brasil Aluízio
Azevedo enquandra-se nesta linha com as obras: O mulato, o
cortiço e casa de Pensão.
Em nosso século após a
1º guerra houve um ressurgimento do positivismo através do
movimento neopositivista, do círculo de Viena e o
positivismo lógico e perduram até hoje, quando se despreza a
metafísica e se super valoriza a experiência e a prova, a
confiança sem reservas a ciência, o esforço pela forma
científica a fenômenos sociais, com uma sociedade planejada,
organizada, prevista e controlada em todos os seus níveis.
Herbert Spencer um
agnóstico detalha a descrição histórica das instituições
sociais e os princípios do evolucionismo social. Advoga um
individualismo extremo, que ir florescer plenamente na obra
"O homem contra o Estado" (tida como a obra mais positiva).
Classificou Kant como idiota ao saber que este considerava o
tempo e o espaço como percepção dos sentidos. Nega a lei dos
3 estados de Comte, mas afirma o princípio evolutivo.
4.2 O POSITIVISMO NO
BRASIL
4.2.1 Contexto de
Surgimento do Positivismo no Brasil
Os primeiro aspectos do
positivismo no Brasil são de 1850, em teses de doutoramento
da escola de medicina e da escola militar, mas a partir de
1870 a questão positiva tem nuances na política. Surgem as
primeiras divisões especialmente no calend rio
filosófico-religioso, onde um grupo chamado de religiosos ou
ortodoxos, seguidores fiéis da doutrina como um todo, mas
especialmente da Religião da humanidade e crentes no GRANDE
SER, tendo como expoentes Miguel Lemos e Teixeira Mendes
(fundadores da primeira Igreja positiva no Brasil no RJ), e
o heterodoxos ou dissidentes que aceitavam apenas parte da
questão filosófica-cientifíca, representados por:
a) Luís Pereira
Barreto, que é médico. Suas obras que eram para serem em
três tomos (só saiu 2, devido as divergências com os
ortodoxos) são o "documento mais importante do positivismo
brasileiro, por seu sentido filosófico e pela originalidade
de aplicar a lei dos três estados à realidade brasileira,
afirmando que o Brasil havia ultrapassado o estado
teológico, achava-se no metafísico e caminhava para o
positivo" (69).
b) Alberto Sales, Não
chegou a criar uma filosofia, mas foi um dos grandes
ideólogos da República, fundamentando sua ação em Comte e
depois Spencer. Em sua obra aparece pela primeira vez
formulada a idéia de que a Republica exigia uma mudança no
regime de vida do país, como também posicionava-se favor vel
a uma doutrina sobre o homem e a sociedade a fim de que com
isto pudéssemos ter um guia à política para as novas
gerações.
Podemos destacar ainda
como grandes expoentes do positivismo, Benjamin Constant,
Pedro Lessa e Vicente Licínio Cardoso, etc.
O positivismo também
teve erradicações políticas, especialmente no Rio Grande do
Sul, com Júlio de Castilhos, que orientou a ação política de
setores militares e civis da pequena burguesia em outros
pontos do país.
Tiveram os positivista
participação marcante na proclamação da República de 1889 e
na constituição de 1891, além do lema na bandeira brasileira
"ordem e Progresso". O positivismo vinha expor de maneira
sistem tica a confiança da burguesia em seu impulso
transformador da estrutura.
"Na Europa o
positivismo servia para justificar as novas atitudes da
burguesia em sua fé no progresso retilínio da humanidade,
nas Américas se apresenta de maneira diversa daquela como
era compreendido no continente europeu, trazendo em seu bojo
um acentuado car ter político (...) No Brasil preenche as
aspirações revolucion rias da classe média urbana, que
assenta suas bases nas cidades e sobretudo nas academias de
Direito, na pretensão de se criar e definir uma nova
consciência da realidade nacional, frente a ordem política
social dominante" (70).
4.2. 2. A realidade X pensamento
nacional
A realidade nacional,
fez com que os cafeicultores, ou oligarcas rurais,
alcançassem a hegemonia própria acima do Estado.
"O império cumpria sua
missão histórica, mantendo a unidade nacional, assentado no
num romantismo político, cujo fundamento ideológico vinha
das doutrinas políticas do escritor francês Benjamin
Constant (...). (Porém), Constant era partid rio da
soberania popular e considerava a vontade geral superior à
vontade individual do monarca; contudo, repudiava a
autoridade absoluta e ilimitada do povo. Para ele os
ministros constituem poder executivo, e são respons veis
perante o rei, que representa um poder neutro - o poder
moderador, tendo a seu cargo a defesa do equilíbrio
governamental"(71).
O romantismo traduzia
as alterações de uma sociedade em que novos fatores surgiam
e velhos fatores mudavam de sentido e força. Os intelectuais
(pertencentes a aristocracia dominante), ligavam literatura
e política, sem separação das mesmas. No fundo
negligenciavam o real, caraterizando-se por uma atividade
criadora do espírito, numa reação contra a razão iluminista,
impregnando espiritualismo, ontologismo e idealismo todo o
pensamento europeu e brasileiro. Com o findar do século XIX
é abalada esta visão pelo naturalismo cientificista e com
ela todas as instituições baseada sobre este pensamento.
Na década de 1850 o
Brasil sofre uma grande crise provocada pelas restrições as
exportações, gerando uma elevação dos gêneros de 1@
necessidade. A economia nacional sofre um grande abalo até
1864. A mão de obra é escassa e as epidemias de varíola e de
cólera, flagelavam as províncias.
"No ambiente político,
alternavam-se no poder o Partido Liberal e o Conservador,
face ao sistema de governo criado pela constituição imperial
de 1824. Tanto um como outro não tinham nenhuma significação
ideológica, caracterizando-se pela ausência de fixações
doutrin rias. O conservador defendia a ordem constitucional
vigente, o liberal a abolição do poder pessoal e a
descentralização, mas aceitavam ambos a concepção liberal do
Estado, cujo princípio axiom tico era: o mínimo de governo e
o m ximo de iniciativa.(72).
A mentalidade
conservadora convertia todos os problemas políticos em
questões administrativas, obtendo um monopólio em matéria de
decisão. Em concomitância com a realidade política econ"mica
e social, surge o ecletismo que domina o pensamento teórico,
explicando a realidade e empolgando a inteligência
brasileira do segundo reinado. O ambiente histórico era
propício para tal. As idéias de Cousin admitia no
conhecimento percepções sensíveis a concepções racionais.
Reduzindo a quatro todos os sistemas filosóficos:
sensualismo, idealismo, ceticismo e misticismo, acolhendo
destes o que julgou aproveit vel. Os conservadores
encontraram no ecletismo o equilíbrio para a estabilidade
imperial.
"Ao lado desta corrente
dominante, havia um grupo de `reação católica' identificado
no tradicionalismo, Krausismo, romantismo, além de
neotomismo, que traduziam os anseios de uma elite
espiritualistas que se opunha a cultura oficial, então
empirista e liberal, senão mesmo espiritualista, mas de um
espiritualismo racionalista, indiferente ao cristianismo"
(73).
Na década de 1868 à
1878 o romantismo começa a se romper. Surge a ilustração
brasileira que ataca Victor Cousin, tendo como base o
positivismo. O pensamento de Cousin é banido, mas sua
herança eclética permanece.
4.2.2 - O início do positivismo
no Brasil
Por volta de 1870, o
movimento do espírito humano se voltam para a Europa,
especialmente pelo not vel progresso do espírito científico.
Segundo Sílvio Romero, surge um bando de idéias novas. "É a
coexistência de orientação, muitas vezes antag"nicas. Mas o
grande ponto de adesão da intelectualidade é o positivismo
de Comte e o evolucionismo social de Spencer. Todas as
leituras da intelectualidade redundaria numa reflexão sobre
o social, na busca de uma ideologia política adequada as
lutas pelo poder da oligarquia rural. O que se transfere de
imediato são as normas, as instituições e os valores
sociais, que irão orientar o comportamento das classes
dominantes do ajustamento de seus interesses sócio-econ"mico
imediato.
Inicialmente o
positivismo foi trivial criando uma mentalidade científica
generalizadora, alheia as particularidades sul-americanas.
Aos poucos, frutificou como instrumento teórico a ser
utilizados na transformação da realidade concreta.
Antes mesmo da morte de
Comte j existiam positivistas no Brasil, porém, "A primeira
manifestação do positivismo no Brasil verificou-se em 1844,
quando o Dr. Justiniano da Silva Gomes apresentou a
faculdade de medicina na Bahia uma tese; Plano e método de
um curso de filosofia. Com tudo a primeira manifestação
social do positivismo data de 1865, com a publicação da
obras de Francisco Antonio Brandão Junior sobre a escravidão
no Brasil. A escravatura no Brasil. Precedida de um artigo
sobre a agricultura e colonização no Maranhão" (74).
O positivismo
brasileiro, j surge dividido entre o grupo de Pierre
Laffitte, com a ortodoxia dogm tica da religião da
humanidade, mostrando seu papel unificador e o de Paul-Émile
Littré que buscava a emancipação do espírito, considerando o
ateísmo como a única possibilidade que caminha a um
autêntico positivismo, desprezando a religião da humanidade
proposta por Comte.
"Grande pontífice do
positivismo no Rio de Janeiro foi Benjamin Constant Botelho
de Magalhães (formado em ciências físicas e matem tica) na
escola normal da qual é fundador, e na Escola Militar, onde
ensina à juventude as bases do positivismo. Seu prestígio
maior se d entre os jovens oficiais, chegando com estes a
república. "O positivismo dava-lhe a justificativa para
rechaçar a cultura política imperial baseada sobre os
estudos jurídicos e não sobre as novas ciências naturais e
sociais, como também descobriam os instrumentos adequados
para formular as exigências de um novo tipo de autoritarismo
em defesa dos seus interesses corporativos" (75).
Tobias Barreto em
Pernambuco, foi um opositor do positivismo, vindo a resultar
a Escola de Recife, donde surgiram grande expoentes como
Silvio Romero, Clóvis Bevilaqua, Artur Orlando, Martins Jr,
Fausto Cardoso, Tito Livio de Castro.
No Rio de Janeiro Luiz
Pereira Barreto, tenta um ressurgir do positivismo, buscando
seus aspectos morais, um despotismo da sociedade sobre o
indivíduo.
Miguel Lemos e Teixeira
Mendes organizam um positivismo integral com método e
religião, espalhando-se pelas províncias. O grande objetivo
é a insaturação do culto ao GRANDE SER sem se envolverem
politicamente nos movimentos republicanos pois acreditam que
o progresso acontecia fatalmente.
Estes positivistas,
chamados de positivistas de apostolado proclamam que o
governo da república devia ser exclusivamente tempor rio.
Eram adeptos de uma república ditatorial para se efetuar a
"ordem e o progresso" sem perturbações sociais.
O poder deve
concentrar-se nas mãos de uma pessoas só, o ditador ou
presidente da república, onde o sucessor, seria por ele
indicado. O conceito de ditadura é diferente, não é uma
tirania, não é autocracia, pois é república. "Ditadura (...)
significa governo em que se concilia o predomínio político
da força material que desconhece a livre supremacia de uma
autoridade espiritual independente com a preocupação
exclusiva do bem público" (76).
A reação ao
positivismo, gerou o chamado grupo dissidente tendo como
inspirador Littré com seu desprezo as abstrações metafísicas
do subjetivismo centrado sobre o "eu" pessoal, esposando o
evolucionismo liberal de Herbert Spencer, buscando melhor o
ideal de democracia, de evolução sem saltos, de
constitucionalismo.
Para alguns, o
positivismo seria simples rótulo para a conduta ideal de
oposição à monarquia. Esta visão formou-se na "Faculdade de
Direito de São Paulo com acentuado criticismo no plano
lógico e um republicanismo de aspectos nitidamente
revolucion rio no plano das realidade político-sociais (77).
"O positivismo ofereceu
os ingredientes ideológicos à classe média urbana, onde
lavrava maior descontentamento com regimes, e que tinha
meios para a "liberalização" do país para coloc -lo ao nível
do século, mostrando a contradição entre os modelos ideais e
as formas reais de organização social que exprimiu o
conceito de democracia liberal que concretizava também os
ideais políticos da elite dirigente, dentro de um esquema
lógico da evolução liberal-democr tica, segundo o critério
de Spencer" (78).
O positivismo e o
evolucionismo no Brasil, não são simplesmente um gosto pelas
coisas européias, mas um tentativa de adaptar esse idéias ao
pensamento racional, opondo-se ao romantismo, ao idealismo e
ao ecletismo que tem por base o império. Portanto surgem
como uma contribuição para o advento de uma nova concepção
de valores ao lado da remodernização do império. Esta idéias
tem duas conseqüências: Se por um lado representam a
renovação do sistema dando esteio aos intelectuais na
construção da ideologia, por outro, nada contribuíram para o
progressos que pregavam, pois faltava-lhes o respaldo
popular e enfeudamento olig rquico cafeeiro que mantinha o
prestígio e o poder, mantendo o sistema político.
4.3
CIENTIFICISMO OU POSITIVISMO CIENTÍFICO
O positivismo é o
fen"meno mais significativo durante a república, chegando a
ser num primeiro momento quase uma religião. reformou-se o
ensino para adequa-lo a hipótese comtiana de que o real se
esgotaria na série hier rquica das ciências, e como Comte
havia condenado as universidades, não se cuidou da sua
estruturação. Posteriormente os estudiosos contentavam-se em
distinguir, no movimento positivista a corrente ORTODOXA da
vertente dissidente. O modelo era o pensamento francês, mas
não atendia a circunstância brasileira. Os estudos
realizados no pós guerra no Brasil buscavam entende sua
ascensão e não tanto a divisão cl ssica ortodoxos X
dissidentes.
"O sucesso do comtismo
decorre do fato de inserir-se numa tradição da cultura
brasileira que passamos a denominar de cientificismo (...).
Além disto a predominância no ciclo cientificista da
primeira república advém (...) do autoritarismo doutrin rio
representado pelo castilhismo" (79).
Toda a reação
cientificista poderia se colocar nas reformas acontecidas
após a condenação de Galileu, que serviu apenas como
pretexto para este eclodir. Porém à medida que os cientistas
também lutaram pela autonomia e sua institucionalização,
recusando os rumos que tomou ao dissociar-se em dois
momentos a propaganda da ciência e a pr tica científica. A
busca do reconhecimento da ciência pela sociedade, uma vez
atingida, não desaparece de cena para que a ciência ocupe o
seu lugar, mas começa a se contrapor com a própria ciência.
E esse ide rio que se introduziu na cultura brasileira na
segunda metade do século XVIII e não propriamente o
interesse real pela ciência. É este no fundo o grande
movimento pombalino de 1772.
A geração pombalina
evoluiria no sentido de afirmar a competância da ciência em
matéria de reforma social (...) A difusão do cientificismo
no Brasil seria obra do Semin rio de Olinda, organizado em
1800 por Azevedo Coutinha e da Real Academia Militar. Os
padres saídos de Olinda evoluíram para o liberalismo radical
derrotado nas fraticidas que desemcadeou por todo o país na
fase da Independência. A Real Academia Militar teria ação
mais duradoura e maiores conseqüências no curso histórico do
país" (80).
A Real Academia não se
limitava apenas a promover os estudos militares, mas
empreendeu algumas das s bias diretrizes da política
cultural de D. João VI. Sistematizou o estudo da matem tica
e das ciências físicas, acompanhando a evolução que ocorria
na Europa. No fundo logrou manter o espírito da reforma de
1772, elaborada sob a égide da suposição de que o núcleo do
saber encontra-se nas ciências experimentais. É por meio da
real academia que os intelectuais basileiros tomam contato
com o positivismo. O primeiro contato foi com a obra matem
tica de Comte, como também as ciências naturais, com isso
dispondo os espíritos para mais tarde, sob o influxo do
esforço de ilustração também aceitarem sua sociologia.
"O cientificismo
preservado na real academia militar adquire forma acabada em
mãos de Benjamin Constant (1836-1891), que se torna
professor da escola em 1873 e viria a ser o chefe militar do
movimento republicano vitorioso. A partir deste tem lugar o
ciclo de predomínio do positivismo, abrangendo toda a
república velar" (81).
Este movimento
cientificista é de cunho religioso mantido pela Igreja
positiva, tendo como figura centrais Miguel Lemos
(1854-1916) e Teixeira Mendes (1855-1927), sendo este último
um dos principais argumentadores, discutindo horas a fio e
escrito em favor desta doutrina, da qual jurava fidelidade
em muitos casos porém, também abusava da dedução. O
positivismo como ciência possuía dois aspectos: o primeiro a
filosofia como síntese das ciências; o segundo é o
entendimento da própria ciências, que Comte considerava
esgotada com a construção da mecânica celeste, termo de sua
evolução normal. Os positivistas brasileiros deram costas as
ciências, para manter-se fiéis a doutrina de Comte.
A reação a concepção de
ciências não tardou a ocorrer, um dos opositores, foi Otto
de Alencar, que deu-se conta que as contradições de sua
obra, eram refutadas pela evolução da matem tica. Sob a
coordenação de Otto de Alencar, funda-se a academia de
ciências que ser uma grande opositora a concepção comtista.
A vinda de Alberto
Einstein ao Brasil em 1925 (06 de maio), serviu para mostrar
o isolamento do positivismo no mundo científico. E foi pela
ciência que o positivismo adquiriu prestígio. Sua maior
derrota, porém deve-se ao cultivo da ciência e a criação da
universidade na década de 30. A difusão do comtismo em
terras brasileiras, ocorreu por meio da corrente denominada:
positivismo ilustrado que tinha como seus maiores destaques:
Luís Pereira Barreto, Alberto Sales, Pedro Lessa e
contemporaneamente Ivan Lins (1904-1975). Esta corrente
apostou no aspecto pedagógico do comtismo, apostando na
reforma dos espíritos.
A filosofia positiva é
contemporânea do comtismo brasileiros, teve porém adesão da
parcela substancial da elite, no período republicano. Sua
concepção baseava que no advento da política científica
implicava o término do sistema representativo e o começo do
regime dilaterial a ser exercido por quem houvesse
assimilado seu espírito (...) A versão mais importante da
filosofia política de inspiração positiva é o denominado
castilhismo, obra de Julio de Castilhos (1860-1903) e da
liderança rio grandense por ele formada: Borges de Medeiros
(1864-1961), Pinheiro Machado (1851-1915) e Getúlio Vargas
(1883-1954). 4.4 - O CASTILHISMO
"Julio de Castilhos
empolgaria a liderança das facções republicanas riograndense
graças a prolongada guerra civil ocorrida no Estado, em
seguida a proclamação da república. Assumiu o poder em 1893
e pode, então dar início a aplicação da doutrina que havia
inserido na constituição estadual, inspirando-se em Comte.
Segundo esta, não existe poder legislativo aut"nomo. A
assembléia reúne-se apenas para votar o orçamento e aprovar
a prestação de contas do governante. A leis são elaboradas
pelo executivo (...) o poder executivo centraliza-se em
torno da presidência, sendo substituto eventual de sua livre
nomeação. Dispõe da faculdade de intervir nos executivos
municipais. Assegura-se a sua reeleição (...) A constituição
gaúcha nada tinha a ver com a carta Magna de 1891 (...)
Castilho manteve o poder até 1898, transmitindo-o a Borges
de Medeiros que governou até 1928" (82).
O castilhismo só
terminou com a intervenção federal. Getúlio com a revolução
de 1930 o difundiu a nível nacional.
"O castilhismo é, pois,
uma doutrina política, que guiando-se pelos ensinamentos da
Comte, afirma ser o governo questão de competência (...) No
castilhismo a origem do poder esta no saber. Interesse
vigente no império é a base da representação - passa a
condição da imobilidade. Só h um interesse, o bem comum, que
o castilhismo identifica prontamente, prescindindo-se da
política em seu sentido próprio , isto é, como campo da
disputa, da barganha e do compromisso. Essa doutrina
revelou-se de uma consistência inusitada, tendo sido vão os
esforços de Francisco Campos (1891-1968) para dar, sob o
estado novo, uma fundamentação contemporânea a plataforma do
executivo forte" (83).
"Como conclusão, vê-se
que "o positivismo abrange toda a república velha,
caracterizando-se pela: 1) Emergência do autoritarismo
republicano que repudia e abandona a tradição liberal do
império-estribado basicamente na pregação dos partid rios da
Augusto Comte; 2) Sucessivas reformas do ensino prim rio e
secund rio sobre a égide da hipótese comtiana de que o real
se esgota na ciência, a qual também incumbe o
estabelecimento de política e moral científicas; 3)
aceitação pela elite dirigente da interdição positivista à
universidade, para introduzir, no país, a investigação
científica sem objetivos pr ticos, conservando-se o ensino
superior restrito a formação profissional, 4) Adesão do
professorado de ciências ao entendimento comtiano da ciência
como algo de concluso, e, 5) Transferência do magistério
moral, tradicionalmente exercido pelo Igreja católica, para
a Igreja positiva" (84). "Tudo nos leva a crer que o ciclo
positivista esteja esgotado com a república velha(...). "A
exaustão do comtismo não serviu entretanto para erradicar o
cientificismo de nosso panorama cultural, paulatinamente
esse lugar passa a ser ocupado pelos marxistas" (85).
"São estas as
principais teses dessa compreensão do marxismo: 1) a
economia é disciplinada fundamentalmente, porquanto a
atividade produtiva de bens materiais condiciona toda a
elaboração teórica, tanto a filosofia, a história, a
genética (a formação da família) a estética, a arte, a
religião, a moral o direito ( como a política); 2) a
filosofia é apenas a classificação das ciências como queria
Comte; 3) pode-se adquirir conhecimento rigorosamente
científico da sociedade e do curso histórico, inclusive
prevendo-se a evolução dos acontecimentos; 4) os marcos
fundamentais no processo de constituição das ciências
sociais são as obras de Comte e Marx; 5) Existe plena
identidade entre Comte e Marx, inclusive no que respeita a
ditadura do proletariado como culminância da evolução
social" (86).