Acidentes Nucleares
Voltada
para "fins pacíficos", como fazem questão de alardear todos
os governos que detêm tecnologia nuclear, a energia atômica
obtida das usinas nucleares está longe de merecer qualquer
comemoração. Os problemas com os rejeitos radioativos e os
acidentes nucleares registrados até agora demonstram que é
totalmente falho o modo pelo qual esta energia é gerada
atualmente, ou, o que vem a dar no mesmo, demonstram que o
ser humano não passa de um aprendiz nesse assunto, apesar de
evidentemente estar convencido de dominar integralmente todo
o processo.
De acordo com dados do governo
americano de fins da década de 80, encontravam-se
armazenados (apenas nos Estados Unidos), em tanques
especiais de aço, entre 300 e 400 milhões de litros de
resíduos radioativos. O ecologista brasileiro Júlio José
Chiavenato afirma que
"1% desse lixo atômico é
mais poderoso do que todas as emissões liberadas pelas
bombas atômicas detonadas até hoje."
Todo esse lixo atômico precisa ser guardado por pelo menos
mil anos, e os tanques precisam ser substituídos a cada
vinte anos por razões de segurança. De acordo ainda o
ecologista Chiavenato, qualquer animal vivo hoje na Terra
tem traços de estrôncio-90 nos ossos, um composto resultante
dos processos de industrialização nuclear.
Também por
"razões de segurança", quando acontece um acidente nuclear
dificilmente são dadas todas as informações sobre o que
ocorreu. A não ser que o acidente seja de fato muito grave,
como foi o da usina de Three Mile Island nos Estados Unidos
em 1979 e o da usina de Chernobyl, na Rússia, em 1986. Mas
mesmo nesses casos as autoridades tentaram num primeiro
momento minimizar a gravidade da situação. Já no caso de
acidentes nucleares em instalações militares, as informações
que chegam ao público (quando chegam) são muito escassas.
Vamos ver
os principais acidentes nucleares até hoje registrados
(abril de 1998):
Em 1957
escapa radioatividade de uma usina inglesa situada na cidade
de Liverpool. Somente em 1983 o governo britânico
admitiria que pelo menos 39 pessoas morreram de câncer, em
decorrência da radioatividade liberada no acidente.
Documentos secretos recentemente divulgados indicam que pelo
menos quatro acidentes nucleares ocorreram no Reino Unido em
fins da década de 50.
Em
setembro de 1957, um vazamento de radioatividade na
usina russa de Tcheliabinski contamina 270 mil pessoas.
Em
dezembro de 1957, o superaquecimento de um tanque
para resíduos nucleares causa uma explosão que libera
compostos radioativos numa área de 23 mil km2.
Mais de 30 pequenas comunidades, numa área de 1.200 km²,
foram riscadas do mapa na antiga União Soviética e 17.200
pessoas foram evacuadas. Um relatório de 1992
informava que 8.015 pessoas já haviam morrido até aquele ano
em decorrência dos efeitos do acidente.
Em janeiro de 1961,
três operadores de um reator experimental nos Estados Unidos
morrem devido à alta radiação.
Em outubro
de 1966, o mau funcionamento do sistema de
refrigeração de uma usina de Detroit causa o derretimento
parcial do núcleo do reator.
Em janeiro
de 1969, o mau funcionamento do refrigerante
utilizado num reator experimental na Suíça, inunda de
radioatividade a caverna subterrânea em que este se
encontrava. A caverna foi lacrada.
Em março
de 1975, um incêndio atinge uma usina nuclear
americana do Alabama, queimando os controles elétricos e
fazendo baixar o volume de água de resfriamento do reator a
níveis perigosos.
Em março
de 1979, a usina americana de Three Mile Island, na
Pensilvânia, é palco do pior acidente nuclear registrado até
então, quando a perda de refrigerante fez parte do núcleo do
reator derreter.
Em
fevereiro de 1981, oito trabalhadores americanos são
contaminados, quando cerca de 100 mil galões de refrigerante
radioativo vazam de um prédio de armazenamento do produto.
Durante a
Guerra das Malvinas, em maio de 1982, o destróier
britânico Sheffield afundou depois de ser atingido pela
aviação argentina. De acordo com um relatório da Agência
Internacional de Energia Atômica, o navio estava carregado
com armas nucleares, o que põe em risco as águas do Oceano
Atlântico próximas à costa argentina.
Em janeiro
de 1986, um cilindro de material nuclear queima após
ter sido inadvertidamente aquecido numa usina de Oklahoma,
Estados Unidos.
Em abril
de 1986 ocorre o maior acidente nuclear da história
(até agora), quando explode um dos quatro reatores da usina
nuclear soviética de Chernobyl, lançando na atmosfera uma
nuvem radioativa de cem milhões de curies (nível de radiação
6 milhões de vezes maior do que o que escapara da usina de
Three Mile Island), cobrindo todo o centro-sul da Europa.
Metade das substâncias radioativas voláteis que existiam no
núcleo do reator foram lançadas na atmosfera (principalmente
iodo e césio). A Ucrânia, a Bielorússia e o oeste da Rússia
foram atingidas por uma precipitação radioativa de mais de
50 toneladas. As autoridades informaram na época que 31
pessoas morreram, 200 ficaram feridas e 135 mil habitantes
próximos à usina tiveram de abandonar suas casas. Esses
números se mostrariam depois absurdamente distantes da
realidade, como se verá mais adiante.
Em
setembro de 1987, a violação de uma cápsula de
césio-137 por sucateiros da cidade de Goiânia, no Brasil,
mata quatro pessoas e contamina 249. Três outras pessoas
morreriam mais tarde de doenças degenerativas relacionadas à
radiação.
Em junho
de 1996 acontece um vazamento de material radioativo
de uma central nuclear de Córdoba, Argentina, que contamina
o sistema de água potável da usina.
Em
dezembro de 1996, o jornal San Francisco Examiner
informa que uma quantidade não especificada de plutônio
havia vazado de ogivas nucleares a bordo de um submarino
russo, acidentado no Oceano Atlântico em 1986. O
submarino estava carregado com 32 ogivas quando afundou.
Em março
de 1997, uma explosão numa usina de processamento de
combustível nuclear na cidade de Tokai, Japão, contamina 35
empregados com radioatividade.
Em maio de
1997, uma explosão num depósito da Unidade de
Processamento de Plutônio da Reserva Nuclear Hanford, nos
Estados Unidos, libera radioatividade na atmosfera (a bomba
jogada sobre a cidade de Nagasaki na Segunda Guerra mundial
foi construída com o plutônio produzido em Hanford).
Em junho de 1997, um
funcionário é afetado gravemente por um vazamento radioativo
no Centro de Pesquisas de Arzamas, na Rússia, que produz
armas nucleares.
Em julho
de 1997, o reator nuclear de Angra 1, no Brasil, é
desligado por defeito numa válvula. Segundo o físico Luiz
Pinguelli Rosa, foi "um problema semelhante ao ocorrido na
usina de Three Mile Island", nos Estados Unidos, em 1979.
Em outubro
de 1997, o físico Luiz Pinguelli adverte que estava
ocorrendo vazamento na usina de Angra 1, em razão de falhas
nas varetas de combustível. Na época ele declara:
"Está
ocorrendo vazamento há muito tempo. O nível de
radioatividade atual é progressivo e está crítico."