Ampola de Crookes
A "ampola de Crookes" é feita de
vidro ou quartzo e dentro dela se faz o vácuo. Ela contém duas
placas metálicas ligadas a uma fonte de tensão elétrica. A
placa ligada ao pólo negativo é chamada de catodo e a outra,
ligada ao pólo positivo, é o anodo. Quando a tensão entre o
catodo e o anodo fica bem elevada surge um feixe luminoso que
sai do catodo e atravessa o tubo. São os "raios catódicos".
Em 1895, quando Roentgen
descobriu os raios-X, ninguém sabia o que eram esses
misteriosos raios catódicos. Os alemães achavam que eram uma
forma de onda eletromagnética mas seus argumentos não eram
totalmente convincentes. Foi só em 1897 que o inglês J. J.
Thomson mostrou que esses raios são formados por partículas
carregadas negativamente. Hoje, sabemos que essas partículas
são elétrons. Quando os elétrons saem do catodo e atingem o
anodo ou a parede interna do tubo dá-se uma troca de energia.
A energia cinética dos elétrons é convertida, parte em calor e
parte em radiação eletromagnética. E hoje também sabemos que
essa radiação é o que conhecemos como raios-X. Pense na
seguinte analogia: um alvo metálico pesado é atingido por uma
rajada de balas. Boa parte da energia cinética das balas será
dissipada arrebentando e aquecendo o alvo, mas, outra parte é
transformada em ondas sonoras. No caso dos elétrons, as ondas
não são de som. São ondas eletromagnéticas, invisíveis e de
tão alta freqüência que conseguem atravessar o vidro do tubo e
se espalham pelo exterior. Isso acontece inclusive em sua
televisão e em seu monitor. Felizmente, os fabricantes desses
tubos modernos usam materiais diferentes daqueles utilizados
nos antigos tubos de Crookes. Esses novos materiais absorvem
os raios-X produzidos na freada dos elétrons, impedindo que
eles cheguem até você e causem algum dano.
Na última década do século 19 muita gente na Europa estava
investigando as propriedades dos raios catódicos. Nessas
investigações, certamente, estavam produzindo raios-X, mas não
sabiam nem reparavam. O caso é que essa radiação interage
pouco com a matéria, logo, não é tão fácil detectá-la. E foi aí
que entrou a sorte e o talento de nosso Roentgen. Depois dessa
introdução podemos contar como foi que ele descobriu os
raios-X.