Astrofísica
Espectro
eletromagnético
Uma onda eletromagnética é constituída de um
campo elétrico (E) e de um campo magnético (H), cujas
intensidades variam com o tempo. Os dois vetores (campo
elétrico e campo magnético) são mutuamente ortogonais e
perpendiculares à direção de propagação da onda. Seguem
sempre juntos como companheiros inseparáveis. A oscilação de
cada um deles é representada por uma curva – a senóide – que
apresenta, ciclicamente , máximos e mínimos. A distância
entre dois máximos (ou dois mínimos) consecutivos é o
comprimento de onda; o número de máximos (ou de mínimos)
que, durante certo intervalo de tempo, passa por um ponto é
a freqüência da onda.

Uma onda eletromagnética propaga-se no vácuo com a
velocidade da luz, v = 299792458 m/s. ela transporta uma
quantidade de energia proporcional a sua freqüência. Isto é,
as ondas de maior freqüência têm maior energia.
A radiação que recebemos das estrelas é constituída pela
sobreposição de muitas ondas eletromagnéticas de freqüências
diferentes. Obtém-se o espectro eletromagnético, que
compreende todos os comprimentos de onda, por meio de
aparelhos apropriados que decompõe a radiação em seus
elementos fundamentais. Ele começa na região dos raios gama,
passa pela luz visível e se estende até as ondas de rádio.

Mas só as radiações que passam por estreitas "janelas"
podem atravessar sem interferência a atmosfera terrestre e
alcançar nossos instrumentos de observação. Uma delas é a
janela óptica, que vai de 400 nm (violeta) a 1000 nm
(infravermelho); a outra, a janela rádio, vai de 1 mm a 50
m. Os raios X e os ultravioletas, menores que 300 nm, são
absorvidas pelas camadas mais altas da atmosfera. As
radiações maiores que 100 nm, do infravermelho às ondas de
rádio, são absorvidas pelas moléculas da atmosfera. Quanto
às ondas de rádio maiores que 50 m, a ionosfera as reflete
de volta ao espaço externo. Daí a necessidade de se colocar
em órbita, longe da atmosfera, telescópios que possam fazer
observações nas faixas "proibidas".
As radiações eletromagnéticas
James Clerk Maxwell, em 1864, munido das
corretas leis do eletromagnetismo, partiu para a dedução
matemática da teoria sobre a natureza da luz. Esta, segundo
demonstrou, é produzida a partir de movimentos de cargas
elétricas, ficando estabelecido seu caráter de onda
eletromagnética – em outras palavras, dotada de energia
radiante e capaz de produzir fenômenos eletromagnéticos.
A qualquer fenômeno eletromagnético associam-se três
grandezas, vinculadas entre si:
- A freqüência, f (número de oscilações por
unidade de tempo);
- O comprimento de onda, lambda (distância entre duas
cristas de onda consecutivas); e
- A velocidade, c, de propagação da onda.
No caso da luz e demais radiações
eletromagnéticas (ondas de rádio, raios X, raios gama), a
velocidade tem valor constante, equivalendo no vácuo a
c = 299792458 m/s


As três grandezas acham-se relacionadas pela
expressão matemática
comprimento de onda lambda = c / f
Como c é constante, decorre que, para cada
comprimento de onda, corresponde uma única freqüência f, e
vice-versa.
Posteriores estudos de Max Plank e mais tarde, de Albert
Einstein permitiram estabelecer a quantidade de energia (E)
transportada por uma onda. Esse valor depende da freqüência:
E = h.f
A letra h representa a constante de Plank,
que vale:
6,55x10-34 J.s
Unindo as duas expressões, encontra-se a
energia da radiação em função do comprimento de onda, que
pode ser determinada experimentalmente com facilidade:
E=hc X (comprimento de onda)
Descobriram-se também fenômenos em que se
manifestam interações entre a radiação e os corpos
materiais. A condição dessas ocorrências implica a
atribuição de uma dupla natureza à luz; ondulatória e
corpuscular.
O caráter ondulatório diz respeito aos fenômenos de
difração, interferência e polarização. E o aspecto
corpuscular liga-se à sua capacidade de "empurrar" e desviar
as partículas materiais, como ocorre nas colisões entre
corpos; constituem exemplos o efeito fotoelétrico e o efeito
Compton.

Instrumentos ópticos
A observação do céu a olho nu, sem o auxílio
de binóculos, lunetas ou telescópios é muito importante, e
deve ser o primeiro passo a ser dado pelo astrônomo amador,
entretanto esse tipo de observação é muito limitada;
inicialmente foram construídos instrumentos para realização
de medidas angulares entre corpos celestes para que se
pudesse determinar suas posições por meio de coordenadas.
Galileu foi o primeiro a utilizar um instrumento óptico, uma
luneta, para observar o céu; através deste e posteriormente,
de muitos outros instrumentos, foi possível conhecer melhor
o universo.
A luz de distantes corpos celestes chega até a Terra,
carregando "mensagens codificadas" que nos diz o que eles
são e como são feitos. Nós coletamos e deciframos a luz com
nossos telescópios, instrumentos cujo propósito é fazer
astros distantes parecerem mais próximos, maiores e mais
brilhantes. Antigos telescópios utilizavam o princípio da
refração.

Lentes convergentes são peças feitas de vidro cujas
superfícies são formadas por seções de esferas onde as faces
estão distantes uma da outra. O feixe luminoso proveniente
do astro passa pela lente que vai formar uma imagem do astro
no foco dessa lente (figura), essa lente que forma a imagem
é chamada de objetiva; depois do foco fica uma outra lente
convergente, que funciona basicamente como uma lente de
aumento, uma lupa, essa lente é chamada de ocular, que
ampliará a imagem formada pela objetiva. O instrumento
formado por essas duas lentes é chamado de telescópio
refrator (figura).
A característica mais importante de um instrumento óptico é
sua capacidade de separar objetos muito próximos, isso é
chamado de poder de resolução.

Existem também os assim chamados
telescópios refletores (figura), que são construídos com
espelhos no lugar de lentes para formar imagens. Um
telescópio deste tipo utiliza um espelho côncavo, cuja
curvatura pode ter forma esférica ou parabólica, para
formar a imagem, esse espelho é chamado de espelho
primário. O telescópio de Newton ou newtoniano, é
constituído de um espelho primário e um espelho
secundário plano que coloca o foco na lateral do
instrumento; o outro tipo é o telescópio de Cassegrain que
utiliza um espelho secundário convexo que coloca o foco
para trás do espelho primário através de um buraco no
próprio espelho primário.

As lentes e os espelhos côncavos apresentam
alguns efeitos indesejados chamados de aberrações, vamos
falar de duas aberrações (figura) apenas, a aberração
esférica que aparece em espelhos e lentes e a aberração
cromática que aparece apenas nas lentes.
Aberração esférica: nem todos os raios de luz que incidem
sobre uma lente ou espelho serão desviados para o ponto
focal, os raios que atingem as bordas do espelho (ou lente)
são focalizados em um ponto mais próximo do espelho (ou da
lente) que aqueles raios que incidem na região central do
espelho (ou da lente). Nos espelhos isso é corrigido dando
um formato parabólico a sua curvatura.
Aberração cromática: quando um feixe de luz branca atinge o
vidro, este a separa em varias cores que constituem a luz
branca; a cor violeta é mais desviada e será focalizada em
um ponto mais próximo da lente e o vermelho é menos desviado
e será focalizado em um ponto mais distante da lente.
Numa lente as duas aberrações são diminuídas utilizando no
lugar de uma lente simples convergente um dubleto
constituído de duas lentes de forma e constituição (tipo de
vidro) diferentes.
