Eletroscopia
As
leves cócegas que uma pessoa sente ao tocar na tela de um televisor ou a sensação
de eriçamento dos cabelos ao penteá-los têm como causa a eletricidade estática.
Eletroscopia
é a disciplina que estuda os fenômenos eletrostáticos, produzidos por cargas
elétricas em repouso. Os instrumentos empregados para estudá-los são os
eletroscópios.
Eletrização.
O processo de desenvolvimento de cargas elétricas estáticas em determinado
meio, chamado eletrização, é um fenômeno muitas vezes natural, e tem
diversas causas. A própria composição das substâncias, constituídas de átomos
cujos elétrons circulam em redor do núcleo com relativa liberdade de
movimento, motiva a existência de fenômenos elétricos espontâneos.
De
modo geral, os elétrons estão fortemente ligados aos núcleos atômicos. Sob
determinadas condições, no entanto, escapam de sua influência e distribuem-se
no corpo que os contém sem excessivas restrições a seu deslocamento. Se o
meio permite livre e completa circulação de elétrons em seu interior,
trata-se de um condutor; em caso contrário,
é definido como isolante. Enquadram-se no primeiro grupo os materiais
metálicos e o corpo humano, enquanto o âmbar, a seda, a parafina, a borracha,
os plásticos e a porcelana são algumas das substâncias isolantes mais
difundidas.
O
mais antigo procedimento científico para a eletrização dos corpos foi o
atrito, através do qual se produz um desequilíbrio das forças elétricas no
interior do material e uma redistribuição das cargas, as quais, em
determinadas condições, se transmitem de um corpo para outro e provocam
eletrização permanente.
Nesse
sentido, foi experimentalmente comprovada a existência de dois tipos de cargas
elétricas, denominadas, por convenção, positiva e negativa, conforme o meio
em questão possua, respectivamente, um
déficit ou excesso de elétrons, levando-se em conta que o número de prótons
e elétrons em um corpo sem carga elétrica (neutro) deve ser igual. Da mesma
forma, verificou-se que cargas de mesmo sinal se repelem, enquanto que as de
sinais opostos se atraem.
A
magnitude das forças elétricas de atração ou repulsão é determinada pela
lei de Coulomb, proposta no fim do século XVIII pelo físico francês desse
nome. Segundo ela, esse valor seria diretamente proporcional à quantidade de
carga elétrica associada e inversamente proporcional ao quadrado da distância
entre as cargas. Os movimentos de cargas elétricas constituem o resultado de
tais forças e são os responsáveis pelo estabelecimento das correntes elétricas.
Eletroscópio.
O dispositivo mais simples empregado para se verificar se um corpo está ou não
carregado eletricamente denomina-se eletroscópio. Seu modelo clássico consiste
de duas lâminas muito finas e originalmente feitas de ouro, suspensas por um
fio condutor e colocadas dentro de um recipiente protetor de vidro. Quando se
encosta a outra extremidade do fio a um corpo carregado, as duas lâminas
adquirem carga de mesmo sinal e repelem-se.
O
afastamento das folhas varia diretamente conforme a carga e a diferença de
potencial que se estabelece de acordo com uma lei complexa. Por isso um eletrômetro
baseado nesse princípio precisa ser aferido em várias tentativas. Aumentou-se
a sensibilidade do instrumento pela substituição das placas por fios de
quartzo muito finos recobertos de prata ou platina para se tornarem condutores.
Quando descarregados, os fios ficam paralelos; quando carregados, a repulsão
obriga-os a curvar-se. Sua curvatura pode ser observada com uma lupa.
O
eletroscópio pode adquirir eletricidade permanente ao entrar em contato com um
corpo condutor carregado, ao mesmo tempo que esse tipo de eletrização por
condução pode ser eliminada ao conectar-se o sistema à terra, considerada
sempre eletricamente neutra. Um eletroscópio permanentemente carregado serve
para determinar os sinais de corpos portadores de cargas desconhecidas. Os eletrômetros
de precisão baseiam-se nos mesmos princípios que regem o funcionamento dos
eletroscópios e são capazes de avaliar o valor da carga elétrica de um corpo.
Os
eletroscópios condensadores, empregados na detecção de correntes elétricas,
e os meteorológicos, que captam os índices de eletricidade estática do ar,
constituem outras duas importantes variedades de dispositivos baseados em fenômenos
eletrostáticos.
Aplicações.
As técnicas eletroscópicas possuem grande
número de aplicações em estudos científicos, e eletroscópios de alta
sensibilidade são usados para detectar fenômenos radioativos. Também é notável
seu emprego na proteção de instrumentos delicados contra campos elétricos
externos e na eliminação da eletricidade estática nas indústrias têxtil e
de papel, entre outras. Os fundamentos da eletroscopia, além disso, são
empregados na construção de fontes eletrostáticas de alta tensão, em experiências
de física nuclear.