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  Matérias :: Física :: Material didático

  Autoria: Fabrícia Carvalho


 


O que é Energia?

Sem dúvida nenhuma energia é o termo técnico, originário da Física, mais empregado em nossa vida cotidiana.

Energia é um conceito muito abrangente e, por isso mesmo, muito abstrato e difícil de ser definido com poucas palavras de um modo preciso. Usando apenas a experiência do nosso cotidiano, poderíamos conceituar energia como "algo que é capaz de originar mudanças no mundo". A queda de uma folha. A correnteza de um rio. A rachadura em uma parede. O vôo de um inseto. A remoção de uma colina. A construção de uma represa. Em todos esses casos, e em uma infinidade de outros que você pode imaginar, a interveniência da energia é um requisito comum.

Muitos livros definem energia como "capacidade de realizar trabalho". Mas esta é uma definição limitada a uma área restrita: a Mecânica. Um conceito mais completo de energia deve incluir outras áreas (calor, luz, eletricidade, por exemplo). À medida que procuramos abranger áreas da Física no conceito de energia, avolumam-se as dificuldades para se encontrar uma definição concisa e geral.

Mais fácil é descrever aspectos que se relacionam à energia e que, individualmente e como um todo, nos ajudam a ter uma compreensão cada vez melhor do seu significado.

Vejamos, a seguir, alguns aspectos básicos para a compreensão do conceito de energia.

1) A quantidade que chamamos energia pode ocorrer em diversas formas. Energia pode ser transformada, ou convertida, de uma forma em outra (conversão de energia).

Exemplo:

A energia mecânica de uma queda d’água é convertida em energia elétrica a qual, por exemplo, é utilizada para estabilizar a temperatura de um aquário (conversão em calor) aumentando, com isso, a energia interna do sistema em relação à que teria à temperatura ambiente. As moléculas do meio, por sua vez, recebem do aquário energia que causa um aumento em sua energia cinética de rotação e translação.

2) Cada corpo e igualmente cada "sistema" de corpos contém energia. Energia pode ser transferida de um sistema para outro (transferência de energia).

Exemplo:

Um sistema massa/mola é mantido em repouso com a mola distendida. Nestas condições, ele armazena energia potencial. Quando o sistema é solto, ele oscila durante um determinado tempo mas acaba parando. A energia mecânica que o sistema possuía inicialmente acaba transferida para o meio que o circunda (ar) na forma de um aumento da energia cinética de translação e rotação das moléculas do ar.

3) Quando energia é transferida de um sistema para outro, ou quando ela é convertida de uma forma em outra, a quantidade de energia não muda (conservação de energia).

Exemplo:

A energia cinética de um automóvel que pára é igual à soma das diversas formas de energia nas quais ela se converte durante o acionamento do sistema de freios que detém o carro por atrito nas rodas.

4) Na conversão, a energia pode transformar-se em energia de menor qualidade, não aproveitável para o consumo. Por isso, há necessidade de produção de energia apesar da lei de conservação. Dizemos que a energia se degrada (degradação de energia).

Exemplo:

Em nenhum dos três exemplos anteriores, a energia pode "refluir" e assumir sua condição inicial. Nunca se viu automóvel arrancar reutilizando a energia convertida devido ao acionamento dos freios quando parou. Ela se degradou. Daí resulta a necessidade de produção constante (e crescente) de energia.

 

Energia Mecânica

Considerações Gerais

Chamamos de Energia Mecânica a todas as formas de energia relacionadas com o movimento de corpos ou com a capacidade de colocá-los em movimento ou deformá-los.

 

Hidroenergia

A Hidroenergia, aproveitamento das quedas d’água, tem a energia solar como fonte de renovação. O ciclo se dá através da evaporação da água dos rios, lagos, mares e oceanos,  pela radiação solar direta e os ventos. O vapor d’água mistura-se com o ar atmosférico e sobe até formar as nuvens. Boa parte dessas nuvens é transportada pelos ventos até regiões de maior altitude. Através da chuva, a água é devolvida ao solo, passando a alimentar os rios em seus fluxos descendentes. A retenção temporária da água e liberação gradativa pelo solo e vegetação tem papel importante: o de perenização dos rios, funcionando como um regulador natural e garantindo uma certa estabilidade de vazão. Secundariamente, os lagos também contribuem para esse controle.

 .CARACTERÍSTICAS DA HIDROENERGIA

                  A hidroenergia possui vários atrativos. Entre eles, os sistemas de conversão apresentam alto rendimento - segundo Palz1 o rendimento na conversão de água represada em eletricidade pode chegar a valores próximos de 90 %. É facilmente armazenável na forma de energia potencial através de lagos, que podem ser artificiais. O controle da potência de saída é obtido com relativa facilidade e boa eficiência. Apresenta baixo nível der ruído e vibrações e pode ter baixíssimo impacto ambiental, caso das micro-usinas. Esses fatores tornam a hidroenergia uma das mais atrativas e de menor custo, inclusive ambiental. Tornando-a interessante até como forma de armazenamento em sistemas eólicos, para dar-lhes estabilidade e ou autonomia. Sua maior limitação como fonte energética está na disponibilidade, só algumas regiões dispõem de quedas d’água aproveitáveis. 

PRIMEIROS REGISTROS DA UTILIZAÇÃO

                Depois da força muscular e dos ventos, em embarcações, a primeira fonte de energia explorada pelo homem para obter energia mecânica foi seguramente a força das quedas d’água. Segundo Usher2, os primeiros usos da energia hidráulica vieram com a Nora, a roda d’água horizontal com acionamento direto e a roda d’água com engrenagens. Ele considerava que os três mecanismos tinham concepções distintas entre si. Ainda para Usher, apesar de não haver relatos sucintos e seguros o suficiente para se estimar datas, pode-se afirmar que o conhecimento da nora movida à água e do moinho com engrenagens já estava bastante sedimentado no final do primeiro século antes de Cristo. Quanto a roda d’água horizontal, por falta de registros confiáveis, achava apenas provável que já estivesse em uso. No tratado de Filon de Bizâncio, uma mostra aproximada das realizações mecânicas do século III a.C., já figuravam três aplicações de rodas d’água altas em dispositivos pequenos. Sobre as restrições dos registros de utilização de rodas d’água, Usher aponta algumas considerações pelas quais não pode dar um alto grau de certeza da veracidade ou descrição exata da concepção dos dispositivos:  Os documentos na sua maioria são incompletos e, em geral, chegaram aos dias atuais como cópias e traduções sucessivas por diversas gerações e com alternância de diversos idiomas, carregando suspeitas de terem recebido revisões em seu conteúdo. Alguns se perderam, restando apenas referências em obras posteriores, caso do tratado de Ctesibius. A imprecisão nos desenhos e descrições juntamente com os poucos registros arqueológicos, aumentam a dificuldade. Além disso, a roda d’água, assim como o moinho de vento, não teve seu desenvolvimento ou concepção de forma pontual, seja em tempo ou espaço geográfico. 

As referências para sua utilização após o século X na Europa são bem mais fartas. Na Enciclopédia Como Funciona, os autores citam que “... o registro do Domesday Book (cadastro das terras da Inglaterra elaborado por Guilherme, o Conquistador, em 1806) mostra que, para 3000 comunidades, havia no país 5.624 moinhos d’água” 5.

A importância das rodas d’água na revolução industrial e em todo o desenvolvimento tecnológico é destacada por diversos autores. A abundância de rios perenes na Europa, permitindo largo uso da roda d’água, foi fator essencial para o desenvolvimento da indústria, principalmente a siderúrgica, um dos suportes da revolução industrial.

Um outro dispositivo primitivo e bem distinto, com poucas referências em relação a sua origem é o monjolo.  Utilizado para socar milho, arroz, café e amendoim, o monjolo tem seu uso no país desde a época colonial podendo ser encontrado em algumas regiões com disponibilidade de quedas d’água, com boa incidência em São Paulo e Espírito Santo.De dimensões reduzidas, feito a partir de troncos de árvores, o monjolo funciona como um balancim em movimento oscilante, repetido graças variação de equilíbrio dada alternadamente pelo enchimento da cavidade existente em uma de suas extremidades por um filete de água e posterior esvaziamento que ocorre em conseqüência da inclinação da haste, resultante do enchimento..  

SURGIMENTO DAS TURBINAS HIDRÁULICAS 

.

Essa busca por máquinas mais eficientes resultou, por refinamento sucessivo, na turbina hidráulica por Fourneyron, em 1832. Os tipos de roda d’água até então conhecidos - o vertical e o horizontal - tinham como limitações: o aproveitamento parcial do potencial de queda d’água disponível, exigir grandes dimensões por unidade de potência e apresentar baixo rendimento. Em comparação com os modelos primitivos de roda d’água a turbina trouxe novos parâmetros de eficiência energética, tamanho reduzido e maior capacidade de aproveitamento da energia potencial das quedas d’água, chegando a níveis da quase totalidade.

Os três tipos de motores hidráulicos diferenciam-se quanto a forma de aproveitamento da força d’água. Na roda alta o peso da água aprisionada nas cavidades periféricas (cubas), pelo derramamento do fio de água na parte superior, apenas de um lado, é que resulta na força de torção. Por isso esse tipo é também conhecido como motor hidráulico de nível ou por gravidade. 3

A roda baixa aproveita o impacto da corrente de água na sua parte inferior que fica imersa na correnteza provocando o empuxo em suas pás, que acompanham o fluxo rápido das águas.

Na turbina de ação, a água é represada e canalizada até a mesma, podendo ser aproveitado todo o potencial da altura da queda d’água. A pressão da coluna d’água é transformada em energia cinética pelo escoamento através dos dutos. A ação do fluxo da água interagindo com as pás curvas da turbina numa mudança acentuada de direção provoca a força de torque. O melhor rendimento é alcançado quando a energia cinética na jusante, mais precisamente na saída da turbina, é quase nula.  Isto é alcançado quando o deslocamento das pás tem aproximadamente a metade da velocidade do fluxo da água. Aliás, o deslocamento relativo da água em relação às pás é um diferencial do seu funcionamento em relação às rodas d’água, já que naquelas as pás acompanham a velocidade da água.

O desenvolvimento das turbinas de ação trouxe novas possibilidades de exploração da hidroenergia, permitindo se produzir energia em quantidades muitas vezes superiores com instalações bem menores, além de poder explorar potencias antes adversos como as quedas de grande altura e baixa vazão. 

HIDROENERGIA E ELETRICIDADE – CASAMENTO BEM SUCEDIDO 

A turbina hidráulica ampliou em muito os atrativos da hidroenergia, principalmente para a indústria, que passou a dispor de uma fonte barata e com oferta de grandes potências, sem requerer para isso grandes vazões de água, no caso de haver boa altura de queda.  O fato das indústrias necessitarem de serem instaladas junto às quedas d’água continuou sendo um inconveniente. Além disso, em geral só se era aproveitada uma parcela muito pequena do potencial de hidroenergia disponível.

Ainda no século XVIII, com o desenvolvimento do domínio da eletricidade através de descobertas e invenções como o dínamo, o alternador, a lâmpada e do motor elétrico, passou a ser possível se converter energia mecânica em energia elétrica, que por sua vez poderia ser convertida diretamente em diversos outros tipos de energia, atendendo diversas necessidades. Os sistemas comerciais de produção de eletricidade apareceram por volta de 1881, depois do desenvolvimento da lâmpada de Thomas Edison. As primeiras centrais de produção elétrica foram desenvolvidas por Edison. Eram destinadas à iluminação, produziam corrente contínua, acionadas por máquinas a vapor, e ficavam próximo ao ponto de consumo. Mas, em pouco tempo, com o desenvolvimento dos motores,   geradores e sistemas de distribuição, o uso da eletricidade se expandiu para a tração e para indústria. O desenvolvimento de sistemas de transmissão em corrente alternada e alta tensão passaram a permitir o transporte de eletricidade a longas distâncias com perdas reduzidas, favorecendo o uso da hidroeletricidade.

 Já em 1897 entrou em funcionamento a Niágara Falls, hidrelétrica com sistemas de geração e distribuição idealizados por Nikola Tesla e construídos pela Westinghouse, que se tornou o modelo predominante de geração e distribuição até os dias atuais: geração em corrente alternada e transmissão em alta tensão.

As hidrelétricas, sistemas de conversão da hidroenergia em energia elétrica, representam grande rendimento e versatilidade. Nelas, todas as características de: facilidade de armazenamento, alto rendimento nas conversões e baixo custo da hidroenergia se aliam as da eletricidade.

 A eletricidade é um vetor energético - não é uma fonte primária de energia - dos mais versáteis e desejáveis: Permite conversões diretas nos diversos tipos de energia – térmica, luminosa, eletromagnética, química e mecânica - com excelente rendimento. È a energia requerida dos sistemas eletrônicos em geral. Possibilita transporte direto à longa distância com pouca perda. E, os equipamentos para seu uso permitem excelente controle de potência, funcionamento imediato, comando a distância e não apresentam ruído, vibração ou poluição atmosférica.

Informação Genérica - Energia Térmica x Fotovoltaica

 energia solar é uma fonte inesgotável e gratuita de energia sendo, assim, pode representar uma solução para parte dos problemas de escassez de energia que abala o mundo. Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, esta fonte de energia deve ser aproveitada ao máximo. Normalmente esses países apresentam elevadas extensões territoriais e estão situados em zonas tropicais, ou seja, dispõem de alta incidência de radiação, o que torna viável o desenvolvimento de tecnologias capazes de transformar a energia solar em energia térmica, elétrica, química, mecânica etc. Portanto julgam-se prematuras iniciativas que vêem sendo tomadas no sentido de se incrementar no Brasil a utilização de centrais termoelétricas e nucleares, visto que este dispõe de ótimo potencial energético de fontes renováveis, explorado apenas parcialmente, e carece de programas intensivos de conservação de energia. 

As aplicações mais difundidas da tecnologia solar referem-se a conversão da radiação solar em energia térmica, e em energia elétrica. Podemos citar: 

·       Aquecimento de água;

·       Secagem de produtos agrícolas;

·       Geração de vapor;

·       Refrigeração;

·       Conversão fotovoltaica: bombeamentos, iluminação, refrigeração, etc.

O Painel Fotovoltaico

O painel fotovoltaico é um dispositivo constituído por aproximadamente trinta e seis células solares utilizado para converter energia solar em eletricidade. A conversão direta da energia solar em corrente elétrica é realizada nas células solares através do efeito fotovoltaico, que consiste na geração de uma diferença de potencial elétrico através de radiação.

. Em outras palavras, a célula solar trabalha segundo o princípio de que os fótons incidentes, colidindo com os átomos de certos materiais, provocam um deslocamento dos elétrons, carregados negativamente, gerando uma corrente elétrica. Este processo de conversão não depende do calor, pelo contrário, o rendimento da célula solar cai quando sua temperatura aumenta. 

Deste modo, as células solares não só são apropriadas para regiões ensolaradas, mas também parecem promissoras para áreas em que outros tipos de sistemas de energia solar perecem sem perspectivas como as de baixa insolação. As células solares continuam a operar com o mesmo rendimento sob céu nublado, como sob a luz direta do sol. 

As células solares convertem a luz solar em eletricidade, sem a presença de produtos poluentes. Elas são hoje o fundamento da indústria fotovoltaica que, durante as três últimas décadas, vem atendendo um mercado em rápido crescimento. 

A conversão da energia solar em energia elétrica, com o uso de painéis fotovoltaicos já é comercialmente viável para pequenas instalações. Seu uso é particularmente vantajoso em regiões remotas ou em zonas de difícil acesso. Os sistemas de comunicação, e, de modo geral, todos os equipamentos eletrônicos com baixo consumo de potência, podem ser facilmente alimentados por painéis fotovoltaicos. Torna-se especialmente notável a utilização de energia solar na alimentação de dispositivos eletrônicos existentes em foguetes, satélites e astronaves.


Fig.2 - Foto de uma aplicação de painel Fotovoltaico


O Coletor Solar

O coletor solar difere do painel fotovoltaico porque utiliza a energia solar para aquecer um fluido (em geral a água) e não para gerar eletricidade. 

O coletor solar é o coração do sistema de aquecimento solar. Ele é o dispositivo responsável pela absorção e transferência da radiação solar para um fluido sob a forma de energia térmica. São muito utilizados no aquecimento de água de casas ou edifícios, hospitais, piscinas, secagem de grãos, para refrigeração de ambientes e processos industriais de aquecimento. 

De modo geral, o coletor solar funciona recebendo radiação solar e a transfere para a placa absorvedora. O calor é então transferido para o fluido que escoa no interior de tubos que estão em contato com a superfície absorvedora. 

O aspecto externo de um coletor solar é de uma caixa retangular rasa (em geral de alumínio) com uma cobertura de vidro. Dentro desta caixa há uma serpentina (geralmente de cobre devido à sua alta condutividade térmica), por onde o fluido escoa. Em volta desta há uma superfície também de cobre pintada de preto (placa absorvedora), para facilitar a absorção de calor. O calor absorvido pela placa absorvedora é transferido à serpentina. A água fria ao passar pelos canos se aquece.

Ainda é necessário que se tenha um isolamento térmico na parte inferior do coletor para minimizar as perdas de calor para o ambiente. A cobertura de vidro permite a entrada de radiação solar ao passo que evita que parte do calor da placa absorvedora se perca por convecção, pois o vidro impede a ação do vento. Além disso é importante que haja uma vedação eficiente para prevenir que umidade entre no coletor. 

Além dos coletores solares, para um sistema de aquecimento completo, são necessários um reservatório térmico, um sistema de circulação de água e um sistema auxiliar de aquecimento elétrico. Em períodos encobertos prolongados, caso a temperatura da água do reservatório térmico caia muito, a resistência do sistema de aquecimento elétrico auxiliar será acionada por um termostato, de forma a fornecer energia suficiente à água armazenada. De qualquer forma, com um sistema bem dimensionado este não deverá ser um problema.

Energia Eólica

Uma turbina eólica obtém energia convertendo a força do vento em torque (força de rotação), atuando sobre as pás rotatórias. A quantidade de energia que o vento transfere para o rotor depende da densidade do ar, da área do rotor e da velocidade do vento. A equação a seguir descreve a energia eólica disponível:

P(vento) = (massa de ar) x (velocidade do ar)2
P(vento) = 0.5 (densidade do ar x volume) x (velocidade do ar)2
P(vento) = 0.5 (densidade do ar x área) x (velocidade do ar)3

Na prática, é impossível extrair toda a energia disponível no vento, e uma turbina eólica bem planejada é capaz de extrair apenas cerca de 35 a 40 por cento da energia eólica disponível.

A partir da equação acima, fica claro que a produção de uma turbina eólica é proporcional à área da turbina e à velocidade do vento ao cubo.

Conversão direta da energia
(Parte1 - Conversões dinâmica e direta)

 Introdução
Uma pilha de lanterna converte energia sem apresentar partes móveis; converte a energia química de seus componentes diretamente em energia elétrica.
Os primeiros dispositivos de conversão direta de energia, como a pilha de Volta inventada em 1795, abasteceram de 'eletricidade' os cientistas Ampère, Oersted e Faraday para seus fins experimentais. As lições que eles aprenderam sobre a energia elétrica e suas íntimas relações com o magnetismo foram o gérmen dos potentes geradores turboelétricos (turbinas hidrelétricas e de vapor) que hoje abastecem de energia elétrica a civilização moderna.

A pilha de Volta foi aperfeiçoada, derivando disso vários tipos de pilhas e baterias, das quais nos servimos por ser uma fonte pequena e geralmente portátil porém, com o advento da energia nuclear e da exploração espacial, tem-se prestado grande atenção aos novos métodos possíveis de conversão direta da energia.
Para se desfrutar da energia no espaço ultraterrestre, assim como nos lugares remotos e isolados na Terra, necessitamos de fontes de energia seguras, leves e que possam funcionar durante muito tempo sem necessidade de reparos ou manutenções. As centrais nucleares que utilizam técnicas de conversão direta prometem superar as fontes de energia clássicas nesses aspectos. Além disso, o funcionamento silencioso que caracteriza as centrais de conversão direta constitui uma vantagem importante para muitas aplicações militares.
Dentro do programa norte-americano, SNAP (Systems for Nuclear Auxiliary Power - Sistemas auxiliares de Energia Nuclear) da CEA (Comissão de Energia Atômica) já se fabricam geradores de energia, com reatores ou isótopos, que utilizam processos de conversão direta. Alguns desses aparelhos são utilizados na atualidade como fontes de energia de satélites, de estações meteorológicas no Ártico e na Antártica e de bóias para navegação.

Predomínio da  conversão dinâmica
Vivemos num mundo de movimentos. Uma das principais tarefas dos engenheiros consiste em encontrar sistemas melhores e mais eficazes de transformar a energia da irradiação solar ou a de outros combustíveis, como o carbono ou os núcleos de urânio, em energia mecânica. Quase toda a energia disponível no mundo se transforma, atualmente, por meio de máquinas giratórias ou alternantes. A energia liberada na explosão da mistura gasolina/ar, por exemplo, é acoplada às rodas dos automóveis por meio de máquinas alternantes (virabrequim - biela/manivela). O turbogerador de uma central hidrelétrica extrai energia mecânica da água em queda e a converte em energia elétrica. Essas máquinas giratórias ou alternantes recebem o nome de conversores dinâmicos.

Um refinamento: a conversão direta
Há uma revolução em marcha. Já sabemos que podemos obrigar aos elétrons portadores de 'calor' e carga elétrica que integram a matéria a nos entregar sua energia sem a necessidade de recorrer a eixos, manivelas ou pistões. Isso constitui um dos maiores êxitos da tecnologia moderna; a transformação da energia sem a necessidade de partes móveis, que recebe o nome de conversão direta.

Os termoelementos ilustram bem o contraste entre a conversão dinâmica e a direta: esses elementos transformam diretamente o calor em 'eletricidade' sem necessitar de nenhum dos mecanismos intermediários que participam de um turbogerador.

Por que se deseja a conversão direta?
Há locais nos quais as máquinas de transformação de energia devem funcionar durante anos, sem avarias nem manutenção. Do mesmo modo, há situações onde se requerer a máxima segurança possível, como é o caso dos satélites de pesquisa e sobretudo nos vôos interplanetários de veículos tripulados por humanos. Nestes casos, os dispositivos de conversão direta parecem oferecer mais garantias que as máquinas de conversão dinâmica. Devemos salientar, entretanto, que nossa 'fé' na superioridade da conversão direta se deve mais á intuição que a existência de provas. É certo que num conversor direto nunca teremos problemas com a quebra de uma biela ou com a falta de lubrificação mas também é certo que algumas falhas nas fontes de energia dos satélites ocorreram, principalmente devido á degradação das baterias solares sob os bombardeios de prótons provenientes do Sol.

Os diversos aparelhos de conversão direta, como os que descreveremos nesse trabalho, também poderão se danificar por causas ainda desconhecidas até o momento porém, os conhecimentos que delas temos hoje nos permite assegurar que será mais segura e mais garantida que a conversão dinâmica. Já se utilizam hoje dispositivos de conversão direta em pequenos geradores de energia com potência inferior a 500 watts, projetados para funcionar durante muito tempo no espaço extraterrestre e no fundo do oceano. E, não tenho dúvida, chegará o dia em que as grandes centrais elétricas utilizarão a conversão direta para melhorar seu rendimento e sua disponibilidade.

Como se transforma a energia?
Que é energia e como pode ser transformada? A energia é uma idéia fundamental da Ciência que supõe uma capacidade de realizar trabalho. A forma mais evidente de energia é a energia cinética ou de movimento. Sua definição formal é:

Ecin = (1/2)mv2

onde Ecin é a energia cinética expressa em joules, m é a massa do corpo em movimento expressa em quilogramas e v é a velocidade do mesmo expressa em metros por segundo.

A energia também pode encontrar-se armazenada em substâncias químicas, ou nucleares ou ainda nas águas de uma represa. Nesses estados latentes ela se denomina energia potencial.

Se uma substância é rica em energia potencial e está puder ser libertada com facilidade, dita substância recebe o nome de combustível.

Matriz de conversão de energia
As formas de energia são intercambiáveis. Quando se queima gasolina em um motor de automóvel sua energia potencial se transforma em calor. Em continuação, uma parte desse calor, digamos um 20%, se converte em movimento mecânico. O restante do calor se desperdiça e deve ser extraído do motor (caso contrário, cumulativamente, o motor irá se fundir).
Já foram descobertos inúmeros processos e aparelhos para transformar uma forma de energia em outra; muitos deles estão indicados nos casulos da figura abaixo, nossa matriz de conversão de energia.

Para exemplificar como se utiliza essa matriz vamos seguir as transformações energéticas que intervêm em um motor de automóvel. Começamos pela energia transportada pela radiação solar porque todos os depósitos de carvão e de petróleo (combustíveis fósseis) receberam sua carga inicial de energia em forma de luz solar.
Portanto, a primeira conversão consiste na transformação da energia eletromagnética (radiação solar) em energia química mediante fotossíntese nos organismos vivos. Seguimos a transformação descendo a coluna encabeçada com "Eletromagnética" até cruzarmos com a fila horizontal com o título "Química". No casulo da intersecção encontramos a 'fotossíntese'. A conversão seguinte consiste na transformação da energia química em energia térmica, por combustão. Descemos pela coluna da energia "Química" até encontrar a fila da energia "Térmica", em cujo casulo se lê 'combustão'. A terceira e última conversão tem lugar quando a energia térmica se transforma em energia mecânica através do motor de combustão interna: coluna "Térmica" x fila "Cinética" = 'combustão interna' (motor).

 
 

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