O conhecimento das grandezas envolvidas nos movimentos, a relação existente entre elas, a participação da grandeza força nas variações dos estados de repouso ou de movimento dos corpos e as formas de energia envolvidas são as grandes preocupações da Mecânica, palavra de origem grega (mechaniké), cujo significado é "arte de construir máquinas", que trata especificamente do estudo dos movimentos, dos estados e das condições necessárias para o equilíbrio dos corpos, sendo dividida em Cinemática, Estática e Dinâmica.
O objetivo da Cinemática, palavra de origem grega (kimena), que significa "movimento", é o de estudar os movimentos sem se preocupar com suas causas de origem ou variações. Nossa maior preocupação será a análise das relações que envolvem a posição do móvel com o tempo durante o transcorrer de um movimento. Para tanto, precisamos articular alguns conceitos específicos, que serão imprescindíveis para os nossos estudos.
É quando a medida de um corpo não influencia, é desprezível nas medidas a serem obtidas de um fenômeno estudado, mas não podendo ter a sua massa desprezada e não admitindo um movimento de rotação.
Corpo extenso: quando as medidas de um corpo não são mais desprezíveis dentro do fenômeno estudado.
Imagine um casal em viajando de trem, sentados lado a lado e observando a passagem das paisagens estampadas através das janelas. É correto você dizer que o homem está em movimento ou mesmo que está em repouso, pois tais conceitos são relativos, ou seja, dependem do referencial adotado. Em relação à mulher, o homem está em repouso, pois sua posição em relação a ela não muda no decorrer do tempo. Porém, em relação a uma árvore próxima à linha do trem, o namorado está em movimento, já que sua posição em relação a ela muda continuamente com o tempo.
Conseqüentemente, só podemos falar em re-pouso ou movimento em relação a um referencial ou sistema de referência.
É o "caminho" descrito pelo ponto material em relação ao referencial adotado. O estudo do movimento de uma partícula sobre uma trajetória, previamente definida em relação a um referencial, necessita, em primeiro lugar, de que se possa avaliar, de maneira simples e direta, a posição ocupada pela partícula em um certo instante de seu movimento.
Como a trajetória já está definida, é conveniente atribuirmos a ela uma orientação e um ponto de referência denominado de Origem dos Espaços. Tais procedimentos são adotados na prática. Você pode observá-los durante uma viagem por uma rodovia (traje-tória já definida) em que, próximo ao acosta-mento, notam-se placas indicativas com a quilometragem aumentando ou diminuindo, conforme o sentido de seu movimento.
Vamos adotar uma orientação para a trajetória e fixar uma origem O, denominada origem dos espaços ou marco zero da trajetória. Esse ponto adotado como referência permite situar com exatidão onde o corpo se encontra num determinado instante do movimento.
Quando uma partícula realiza um movimento sobre determinada trajetória, sua posição vai se alterando no decorrer do tempo, ou seja, vai mudando a medida algébrica da distância que a separa da origem dos espaços.
É a diferença algébrica entre os espaços relativos às posições final (aonde se chega) e inicial (de onde se sai), medidas em metro, como recomenda o S.I.
Portanto:
Ds = s - so
Ds = Deslocamento escalar
s = Espaço final
so = Espaço inicial
Obs: O sinal positivo ou o negativo que se pode obter para o deslocamento escalar nos dirá se ele foi efetuado a favor ou contra o sentido arbitrado para a trajetória.
Autoria: Emerson Medeiros