Dilatação Térmica
Quando uma pessoa está com
febre, sua temperatura corporal é mais elevada do que o
normal. Isso pode ser comprovado com o auxílio do termômetro
clínico. Após retirarmos o termômetro do enfermo, constatamos
que o filete de mercúrio se dilatou dentro do cubo. Isso
porque as dimensões dos corpos sofrem dilatação quando estes
são aquecidos, e contração quando resfriados.
Muitas vezes, a dilatação só
pode ser comprovada por meio de instrumentos. Mas ela pode
também ser entendida pelo movimento das moléculas. Assim
quando um corpo é aquecido, suas moléculas vibram mais
intensamente. Por isso, elas necessitam de maior espaço. É o
que acontece quando muitas pessoas dançam num salão. Se a
dança exigir passos mais amplos, será necessário maior espaço
para executá-los.
Todos os corpos (sólidos,
líquidos ou gasosos) estão sujeitos à dilatação térmica. Vamos
estudá-la então em cada um desses tipos de corpos.
Dilatação dos sólidos
Os sólidos que melhor se dilatam
são os metais, principalmente o alumínio e o cobre. Temos um
bom exemplo disso num vidro de conserva com a tampa metálica
emperrada. Para abri-lo, basta mergulhar a tampa na água
quente; como o metal se dilata mais que o vidro, a tampa logo
fica frouxa.
O aquecimento leva os sólidos a
se dilatarem em todas as direções; no entanto, às vezes, a
dilatação predomina, ou pe mais notada, numa direção – é a
dilatação linear. Quando duas direções são
predominantes, temos a dilatação superficial e,
quando ela é importante em todas as direções, considera-se a
dilatação volumétrica.
Dilatação
Linear — Essa dilatação corresponde ao aumento do
comprimento dos corpos quando aquecidos. Se você puder
observar uma ferrovia antiga vai notar que, ao longo do mesmo
trilho, há um pequeno intervalo, de espaços a espaços (fotos A
e B). Isso é necessário para evitar que a dilatação térmica
deformasse os trilhos. Nas ferrovias mais modernas, assim como
nos trilhos dos metrôs das grandes cidades, não existe esse
intervalo, pois atualmente são utilizadas técnicas de
engenharia capazes de impedir que os efeitos dessa dilatação
se manifestem. Uma delas é a fixação rígida dos trilhos no
solo, utilizando-se dormentes de concreto.


Os trilhos da estrada de ferro
(foto B) entortaram porque o intervalo entre eles (foto A) não
foi suficiente para compensar a dilatação.
A dilatação linear pode ser
comprovada e medida por meio de um aparelho chamado pirômetro
de quadrante (foto acima).
Dilatação Superficial — Refere-se à área do sólido
dilatado, como, por exemplo, sua largura e seu comprimento.
Uma experiência bem simples pode comprovar a dilatação
superficial dos sólidos, como mostra a figura abaixo.

Dilatação Superficial: a moeda
aquecida não passa pelo aro,
pois sua superfície aumentou.
Dilatação Volumétrica —
Refere-se ao aumento do volume do sólido, isto é, de seu
comprimento, de sua altura e largura. O instrumento usado para
comprovar a dilatação volumétrica de um corpo é chamado de
anel de Gravezande (figura abaixo).
Dilatação Volumétrica: o volume
da esfera aumenta
com o aquecimento.
Dilatação dos líquidos
Assim como os sólidos, os
líquidos também sofrem dilatação com a variação de
temperatura. Como os líquidos não têm forma própria, só se
leva em consideração a dilatação volumétrica. Em geral, os
líquidos aumentam de volume quando aquecidos e diminuem quando
esfriados.
Mas, com a água, o processo de
dilatação é um pouco diferente. Ao ser esfriada, ela diminui
de volume como os outros líquidos, mas só até 4 °C. Se a
temperatura continuar caindo, para baixo de 4°C, o volume da
água começa a aumentar. Inversamente, se for aquecida de 0°C a
4°C, a água diminui de volume, mas, a partir de 4°C, ela
começa a se dilatar.
É por essa razão que uma garrafa
cheia de água e fechada estoura no congelador: de 4°C até 0°C,
a água tem seu volume aumentado, enquanto a garrafa de vidro
ou plástico diminui de volume.
Dilatação dos gases
A dilatação dos gases, que é
mais acentuada que a dos líquidos, pode ser comprovada por uma
experiência bem simples.
Num balão de vidro, com ar em
seu interior, introduz-se um canudo dentro do qual há uma gota
de óleo (figura abaixo).

Segurando o balão de vidro como
indicado na figura, o calor fornecido pelas mãos é suficiente
para aumentar o volume de ar e deslocar a gota de óleo.