Os movimentos horizontais ou transladativos, são os deslocamentos definitivos ou temporários dos habitantes de uma lugar para outro. É o caso do nomadismo, das migrações, da transumância e do êxodo rural.
O nomadismo é o movimento constante praticado pelos povos sem residência fixa. É o caso dos ciganos.
As migrações são movimentos de pessoas de uma região para outra. São internas quando ocorrem dentro de uma mesmo país e externas quando se dão de um país para outro, daí o fato de existir:
emigração: a saída da população de um lugar;
imigração: a entrada ou chegada de estrangeiros num lugar.
Os estrangeiros que se encontram morando no Brasil foram emigrantes de seus países – Portugal, Espanha, Itália, Japão – e, quando aqui chegaram, tornaram-se imigrantes.
Os países de antiga colonização e de elevada densidade demográfica são, quase sempre, países de emigração, como Portugal, Espanha, Itália, Japão, China, Coréia do Sul, Alemanha, Holanda e muitos outros.
Os países de colonização recente e de baixa densidade demográfica são países de imigração, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália, Venezuela e outros mais.
A emigração de um país pode ser causada por vários fatores, como crises econômicas, doenças epidêmicas. Perseguições políticas e religiosas. Os preconceitos raciais também provocam emigração.
A imigração no Brasil foi autorizada em 1808, com a vinda da Família Real. No entanto, só em 1818 chegaram os primeiros imigrantes. Eram suíços-alemães que se estabeleceram no atual Estado do Rio de janeiro, onde fundaram a cidade de Nova Friburgo.
Mas, somente com a necessidade de mão-de-obra para a cultura cafeeira, após 1850, é que se intensificaram as correntes imigratórias.
No governo Getúlio Vargas foi adotada a quota de imigração (1934), limitando a entrada de imigrantes em nosso país.
O Brasil recebe imigrantes das mais variadas origens, principalmente da:
Europa: portugueses e italianos;
América Latina: uruguaios, argentinos e chilenos;
Ásia: chineses e coreanos;
América do Norte: estadunidenses.
O órgão do governo que cuida da imigração no Brasil é o Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
É comum no Brasil, a dedicação de certos imigrantes a determinadas atividades econômicas. É por essa razão que relacionamos:
portugueses com padarias e bares;
espanhóis com restaurantes, ferro-velho, indústrias gráficas, de mecânica e de metalurgia;
japoneses com mercearias ou quitandas, tinturarias ou lavanderias, fotografias e eletrônica;
turcos (árabes e sírio-libaneses) com comércio de tecidos e de roupas;
chineses com pastelarias e restaurante.
As Migrações Internas
As migrações internas estão intimamente ligadas ao processo de mudança da economia brasileira e à criação de novos pólos de desenvolvimento.
As atividades econômicas que atraíram as migrações internas no Brasil foram:
Atualmente, a construção de estradas, de hidrelétricas e de obras urbanas determinam novas frentes de migração para o Norte do país.
Resumindo, podemos concluir que a região:
Transumância
A transumância é um movimento periódico e reversivo, causado por fatores climáticos, com a mudança das estações ou secas temporárias.
O pastor nômade das regiões montanhosas é um transumante. Ele vive com seu rebanho:
No Brasil, a transumância ocorre entre o Sertão e a Zona da Mata do Nordeste.
Pequenos proprietários plantam suas roças na época das chuvas – o verão. Na época das secas – o inverno -, eles mudam-se para a Zona da Mata, onde trabalham como empregados nas plantações de cana-de-açúcar.
As famílias ficam no sertão, aguardando as colheitas e o retorno dos entes queridos. A volta para o sertão dá-se com o reinício das chuvas, quando iniciam novas plantações.
Esse movimento ficou conhecido em todo Brasil através da letra da música “Asa branca”, cantada por Luiz Gonzaga:
“Hoje longe muitas léguas
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo,
Pra mim voltar pro meu sertão”.
Êxodo Rural
O êxodo rural é o abandono do campo em busca das cidades. Tem sido muito comum no Brasil, após nosso grande surto industrial. As cidades em fase de crescimento e de industrialização oferecem melhores condições de trabalho e de vida. Em busca dessas condições, milhares de retirantes abandonam o "sossego" dos sítios e das fazendas e se aventuram pelas nossas cidades.
O sucesso esperado não ocorre com todos esses trabalhadores, quase sempre carregados de família. Em muitos casos, a situação piora muito.
O êxodo rural tem muitas conseqüências e todas elas são bastante negativas.
Para o campo, as conseqüências do êxodo rural são:
As conseqüências do êxodo rural mais desastrosas ocorrem nas cidades. São elas:
As cidades brasileiras que mais sofrem as conseqüências do êxodo rural são as capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza e outras mais.
O aparecimento do bóia-fria é, também, conseqüência do êxodo rural.
Os bóias-frias são trabalhadores rurais que moram nas periferias das cidades.
Os deslocamentos desses trabalhadores entre a cidade e o campo são feitos, muitas vezes, de maneira arriscada, em veículos sem nenhuma segurança.
A explosão demográfica
Explosão demográfica é o grande aumento da população da Terra, ocorrido principalmente no século XX.
É, na verdade, com se fosse uma bomba de pavio aceso prestes a explodir, daí a comparação da explosão com a população.
Até o século XIX, a mortalidade era extremamente elevada, pois a humanidade não tinha recursos suficientes para combater grande parte das doenças.
As grandes descobertas do nosso século, como a penicilina, as vacinas e os antibióticos. Diminuíram bruscamente o índice de mortalidade. Como a natalidade não foi reduzida, o resultado foi o aumento do crescimento vegetativo.
|
População brasileira no conjunto global |
|||
|
Ano |
Efetivos em 1 000 hab. |
% efetivo global no Brasil |
|
|
Globo |
Brasil |
||
|
1800 |
906.000 |
3.600 |
0,397 |
|
1950 |
2.517.000 |
51.944 |
2,063 |
Autoria: Emanuel Corrêa