Objetivo é atingir índice de 32% fixado pela Cúpula Mundial em Defesa da Criança
BRASÍLIA - O Brasil ainda não acabou com a mortalidade infantil, mas caminha a passos largos para atingir a meta fixada pela Cúpula Mundial em Defesa da Criança, em 1990, de diminuir sua incidência em um terço até o ano 2000, o que equivaleria a chegar ao índice de 32%.
Segundo informações do IBGE, no ano passado a taxa de mortalidade infantil foi de 36,7%. As projeções indicam que, este ano, fechará em 36%. Em 1997, menos crianças morreram antes de completar o primeiro ano de vida: foi evitada a morte de 173,5 mil bebês, quase cinco vezes mais que em 1996.
O controle da mortalidade materna também mostra algum avanço. Embora não existam estatísticas oficiais, o Ministério da Saúde estima que, hoje, de cada 100 mil gestantes, 100 morrem em decorrência do parto. Os dados do IBGE e do ministério desmentem frontalmente os índices do documento Estado da População Mundial, do Fundo de População nas Nações Unidas (FNUAP). A edição deste ano tomou por referência uma base de informações defasada, do ano de 1996.
Se fossem atuais, os indicadores usados para essa versão do estudo poriam o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso em uma situação vergonhosa. O documento informa que o índice de crianças mortas até completar o primeiro ano de vida continua o mesmo desde 1997: 42 bebês mortos para cada 1.000 nascidos.
Também ignora os avanços no controle da mortalidade materna, aqueles óbitos em decorrência ou durante o parto, e diz que, ainda hoje, de cada 100 mil brasileiras que vão dar à luz, 220 morrem sem ver os seus filhos crescerem.
É o mesmo número registrado no ano de 1996, quando o índice brasileiro de mortalidade materna sofreu um salto com relação a 1995, ano em que a relação era de 140 gestantes a cada 100 mil. "No geral, o Brasil melhorou, mas ainda há muito o que fazer", afrmou Kátia Amorim, oficial de programas do FNUAP, que admite a defasagem das informações. "Realmente observa-se melhoras importantes no atendimento neonatal e às gestantes", frisou.
O desencontro dos indicadores, explica, resulta da demora para a troca de informações, o que muitas vezes obriga a entidade a usar bancos de dados mais remotos. "Eu estranho o uso de índices tão defasados", reagiu a coordenadora do programa de saúde da criança do Ministério da Saúde, Gorete Kalumi Maranhão.
Segundo ela, "ainda há muito a fazer" no combate à mortalidade infantil, "mas os avanços são bastante importantes". Ao longo dos últimos anos, ela informa, o governo ampliou os programas voltados à reidratação e imunização infantil, os programas de aleitamento materno e as ações para democratizar o acesso ao atendimento nas áreas em que é maior a incidência de óbitos.
A meta de redução de mortes por diarréia, uma das mais importantes causas da mortalidade infantil, ela conta, já foi atingida. O Brasil reduziu em 50% a incidência do problema entre recém-nascidos e agora intensificará as ações de controle e erradicação de mortalidade por afecções perinatais - baixo peso, prematuridade, pneumonia, etc. -, outra importante razão de óbito entre bebês. Hoje, 9% das crianças brasileiras nascem com peso inferior a 2,5 quilos, considerado abaixo do normal.
No Brasil, a principal causa da mortalidade materna ainda é a hipertensão. Além dessa doença, em maior ou menor grau, figuram os casos de hemorragia ( durante a gestação ou após o parto), as várias infecções (principalmente nos partos cirúrgicos) e as complicações decorrentes de abortos provocados. Segundo estimativas do Ministério da Saúde, de cada dez crianças nascidas, uma é abortada no Sistema Único de Saúde (SUS). (D.O.)
Autoria: Messias Rocha de Lira