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Sertão Nordestino

 A região nordestina dos sertões calcinados pelo Sol, onde pessoas e animais morrem de sede, fica no interior Região Nordeste, vale médio do rio São Francisco e norte de Minas – é o chamado Polígono das Secas.

Características

a) Estrutura Geológica e Relevo: o sertão do Nordeste é a área dos planaltos cristalinos de superfície arrasada – bastante aplainados -, das depressões entre chapadas – planal­tos sedimentares de topo plano – como as do Araripe (Ceará-Pernambuco) e do Apodi (Ceará-Rio Grande do Norte). No alto e nas encostas das chapadas encontram-se os “brejos”, áreas que se destacam por apresentar maior umidade dentro do sertão. De maneira geral, os solos são de areias quartzosas – rasos e pedregosos, im­permeáveis à água da chuva – numa paisagem de relevo ondulado.

b) Clima: domínio do clima Tro­pical Semiárido quente e seco, com chuvas irregulares – mal distribuídas durante o ano -, ocasionando estiagens prolongadas que podem, por sua vez, originar secas de 7 a 8 me­ses. A região apresenta os menores índices pluviométricos do país, me­nos de 1 000 mm anuais, e tempera­turas médias entre 24 °C e 27 °C.

c) Hidrografia: a maior parte dos cursos de água que atravessam o Ser­tão são intermitentes, isto é, não cor­rem o ano todo, secando com as estiagens prolongadas. Os maiores rios do Sertão, como o Jaguaribe e o Mossoró, são considerados “semi-intermitentes” por ficarem com o volu­me de água bastante reduzido, mas nem sempre chegam a secar. O único rio perene – que corre o ano todo – que atravessa grande área do Sertão é o São Francisco, apelidado por isso de “Nilo brasileiro”.

d) Vegetação: a formação vege­tal típica adaptada ao clima quente e seco do Sertão é a caatinga. O domínio da caatinga constitui um conjunto vegetal formado por pe­quenas árvores esparsas, que per­dem as folhas durante o período da seca (marmeleiro, juazeiro), ar­bustos espinhosos com plantas xerófilas – adaptadas à escassez de água, a qual armazenam – como as cactáceas mandacaru, facheiro, xique-xique; e vegetação rasteira, tufos de gramíneas esparsas que secam totalmente nas estiagens. Nos vales de alguns rios do Sertão, encontram-se carnaubais nativos (formação de palmeiras de carnaúba), baraúnas (árvores que atin­gem até 12 m de altura, com folhas aromáticas, ramos espinhosos e flores brancas muito pequenas, cuja madeira, duríssima, serve para dormentes), maniçoba (arvoreta da qual se extraiu, no passado, o látex de “segunda classe” para produzir borracha).

A economia do Sertão Nordestino

Mapa do sertão nordestinoTradicionalmente, a pecuária extensiva – gado bovino e caprino – destaca-se como atividade econômica mais difundida, junto com seus subprodutos, no domínio da caatinga. A lavoura comercial dominante é a do algodão.

A alimentação da maioria da população sertaneja provém de uma precária agricultura de subsistência ao longo dos rios intermitentes – possibilitando o uso da terra em suas largas calhas – e de seus parcos excedentes comercializa­dos em feiras. Trata-se principalmente de feijão, mandio­ca, milho – base alimentar – e produtos do pequeno co­mércio. As estiagens prolongadas e as consequentes secas afetam de maneira decisiva essa lavoura e determinam a oferta de alimentos.

No Sertão ainda subsistem produtos extrativistas e de cultivo localizados, como caroá, piaçava e sisal para produtos de fibras; maniçoba e mangabeira para produ­tos de goma; oiticica para produtos de óleo e carnaúba para a produção de cera. A fruticultura mais importante no Sertão é o caju, sobretudo no Ceará e Rio Grande do Norte.

No sertão baiano, nas terras que se estendem à mar­gem esquerda do rio São Francisco, encontram-se gran­des extensões de terras no cerrado que vêm sendo, nos últimos anos, ocupadas pelo cultivo da soja.

Mas no vale do rio São Francisco, muito aproveitado com a construção de barragens e usinas hidrelétricas do Centro-Sul ao Nordeste, a maior parte das várzeas ainda continua mal aproveitada. Nas últimas décadas, vêm sendo implantados, com sucesso, alguns projetos agropecuários que estão se destacando pela fruticultura irrigada, com produção intensiva de melões, mamões, cítricos e uvas, entre outros. Esses projetos são ainda exceção num vale marcado, no geral, pela estagnação econômica, pela miséria e abandono da maior parte da população.

Como em quase todo o Sertão, predominaram no vale do São Francisco muitos projetos de irrigação e desenvolvimento incompletos, inúteis e abandonados. Talvez em nenhuma região do Brasil o desperdício, a má utilização e o desvio de recursos públicos têm sido tão escandalosos e os responsáveis por isso, tão impunes.

Essa situação caracteriza a chamada “Indústria da Seca” – termo político usado para designar investimentos que são feitos para resolver os problemas das secas no Nordeste, desviados para gastos eleitoreiros, obras pessoais, etc…, sem relação com a seca propriamente dita. A seca passou a ser uma grande produtora de divisas – ela caracteriza recursos financeiros para a Região Nordeste.

A SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste – criada em 1959, dentro da política desenvolvimentista do Presidente Juscelino Kubitschek – tem sido, desde então, o órgão governamental coordenador dos projetos e da liberação de recursos para o Nordeste.

Em mais de 40 anos de atuação da SUDENE, as condições socioeconômicas do Nordeste pouco melhoraram: apesar de um crescimento industrial, baseado sobretudo nos incentivos e isenções fiscais, a agricultura e a pecuá­ria continuam enfrentando dificuldades, com quedas su­cessivas no PIB do setor, em razão dos longos períodos de estiagens.

Por: Renan Bardine

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