Acre
A incorporação do Acre ao Brasil foi um fato
singular na história do país: deveu-se às populações do
Nordeste, que povoaram o território e o tornaram produtivo,
repetindo proeza dos bandeirantes dos séculos XVI e XVII.
A ocupação da região começou na segunda
metade do século XIX, quando nordestinos flagelados pelas secas
acorreram para lá em busca da riqueza natural dos seringais. No
entanto, a incorporação definitiva do Acre ao Brasil se deu no
começo do século XX, após décadas de conflitos armados e
disputas diplomáticas com a Bolívia e o Peru.
O estado do Acre situa-se no sudoeste da
Amazônia brasileira, na região Norte, onde ocupa uma área de
153.150km2. Limita-se com o estado do Amazonas, ao norte; o Peru,
ao sul; a Bolívia, a sudeste; e o estado de Rondônia, a leste.
Sua capital é Rio Branco.
Geografia física. Praticamente todo o relevo do
estado do Acre se integra no baixo platô arenítico, ou terra
firme, unidade morfológica que domina a maior parte da Amazônia
brasileira. Esses terrenos se inclinam, no Acre, de sudoeste para
nordeste, com topografia, em geral, tabular. No extremo oeste se
encontra a serra da Contamana ou do Divisor, ao longo da
fronteira ocidental, com as maiores altitudes do estado (609m).
Cerca de 63% da superfície estadual fica entre 200 e 300m de
altitude; 16% entre 300 e 609; e 21% entre 200 e 135.
O clima é quente e muito úmido, do tipo Am de
Köppen, e as temperaturas médias mensais variam entre 24 e 27o
C. As chuvas atingem o total anual de 2.100mm, com uma nítida
estação seca nos meses de junho, julho e agosto. A floresta
amazônica recobre todo o território estadual. Muito rica em
seringueiras da espécie mais valiosa (Hevea brasiliensis), a
floresta garante ao Acre o lugar de primeiro produtor nacional de
borracha. Os principais rios do Acre, navegáveis apenas nas
cheias (Juruá, Tarauacá, Embira, Purus, Iaco e Acre),
atravessam o estado com cursos quase paralelos e só vão
confluir fora de seu território.
População. É escassa a população do estado.
Mais da metade concentra-se em dois municípios, Rio Branco e
Cruzeiro do Sul. A distribuição geográfica da população,
dispersa ao longo dos rios, reflete a dependência da navegação
fluvial para as comunicações. Pouco mais da metade dos
habitantes vive na zona rural, e cerca de sessenta por cento da
população ativa ocupa-se de atividades extrativas. Povoações
distantes entre si por dias de caminhada pela floresta e que por
vezes, no período das chuvas, ficam completamente isoladas,
dificultam a irradiação da saúde pública. Dos municípios,
apenas Rio Branco tem abastecimento de água encanada, mas não
possui serviço de esgoto, o que impede o controle da disenteria
amebiana endêmica. A malária é a maior causa de mortalidade
infantil.
Economia. A economia acriana repousa na
exploração de recursos naturais. O mais importante é a
borracha, produto no qual se baseou o povoamento da região. A
extração da borracha se faz ao longo dos rios, pois a
seringueira é árvore de mata de igapó. Os tipos produzidos
são caucho, cernambi caucho, cernambi rama e cernambi seringa. A
maior parte da produção estadual cabe à bacia do rio Purus.
Nessa região destaca-se o vale do rio Acre, que, além de
possuir o maior número de seringueiras, é também região rica
em castanheiras. A floresta acriana é também objeto de
exploração madeireira, e a caça nela praticada parece
contribuir de forma substancial para a alimentação local.
A agricultura reduz-se a pequenas culturas de
mandioca, feijão, cana-de-açúcar e arroz. A indústria de
transformação compreende pouco mais que algumas serrarias e
pequenas fábricas de rapadura e de farinha de mandioca.
Como os rios mantêm no estado cursos
aproximadamente paralelos, as comunicações entre os diversos
vales se fazem pelas confluências, o que envolve longos
percursos. Com a conclusão das estradas que integram a ligação
Rio Branco-Porto Velho-Cuiabá-Limeira, o Acre passou a contar
com transporte rodoviário para o Sudeste do país.