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  Matérias :: Geografia :: Geral

  Autoria: Ana Flávia da Cruz S. Silva


 


 

A ÁGUA NA HISTÓRIA DO HOMEM
 

 O Homem primitivo

 

    O ser humano não consegue viver longe da água que bebe e dos resíduos que produz. Essa parece ser uma preocupação que acompanha as civilizações desde as épocas mais remotas.

    Embora, com o passar dos tempos, a humanidade tenha aperfeiçoado muitas técnicas para coletar água e afastar os detritos, o problema permanece até os dias de hoje.

    Os povos primitivos utilizavam métodos simples para recolher as águas das chuvas, dos rios e dos lagos.

    Na sua fase nômade, em que mudava constantemente de lugar, o homem deixava restos de alimentos e dejetos acumulando-se dentro da própria habitação.

 

Lixo 

 

    É evidente que a quantidade de detritos produzida era insuficiente para causar alterações ambientais. Os hábitos da população primitiva eram extremamente simples e consumia-se apenas o essencial para a sobrevivência. Além disso, as populações da época eram constituídas de poucas pessoas.

    A partir do momento em que o homem passou a desenvolver o desmatamento e a agricultura tiveram início os processos de modificação dos recursos naturais como o solo e a água. A produção de lixo, esgotos e outros detritos começou a formar grandes acúmulos que favoreceram a proliferação de ratos e insetos e a poluição dos rios.

 

 

As civilizações antigas

 

    Com o decorrer do tempo, as necessidades humanas e o crescimento da população passaram a exigir quantidades cada vez maiores de água e facilidade de acesso ás fontes existentes . Ao mesmo tempo, eram procuradas novas fontes de suprimento, inclusive no subsolo.

    Na América, os incas e mesmo as civilizações mais antigas já construíam numerosos sistemas de canalização de águas para irrigação, principalmente nas terras áridas da costa do Peru.

    Os egípcios dominavam técnicas sofisticadas de irrigação do solo na agricultura e métodos de armazenamento de líquido, pois dependiam das enchentes do Rio Nilo.

 

agricultura

Agricultura na região do Nilo 

 

    As construções destinadas ao transporte de água, chamadas de aquedutos, eram grandiosas, principalmente entre os romanos. Essas obras abasteciam dezenas de termas ( ou banhos públicos ), muito apreciadas pela população da época. Além disso , os aquedutos supriam as cidades com a água dos lagos em fontes artificiais. Os romanos também se destacaram na construção de redes de esgotos e de canalizações para escoamento das águas de chuvas na cidade.

colocar figura     Por volta do ano 300 d.C., existiam em Roma mais de 300 banhos públicos. Consumiam-se cerca de 3 milhões de litros de água por dia. As termas eram construções sofisticadas, com piscinas de água quente, morna ou fira, ao lado de salas para a prática de esportes e massagem.

    Para outras civilizaçoes, as residências construídas na Antiguidade, inclusive as pertencentes á nobreza, não possuíam sanitários. Nas cidades e no campo era comum as pessoas evacuarem diretamente no solo. A camada mais rica da população usava recipientes para fazer suas necessidades e em seguida descarregava o conteúdo em local próximo ás moradias. Quando chovia, as fezes eram levadas pelas enxurradas até os rios, contaminando a águas e disseminando doenças.

    Naquela época, alguns povos já aravam o solo para o plantio da lavoura, sem adotar medidas que evitassem o transporte de terra pelas enxurradas, tornando as águas mais sujas de barro.

     Para tornar a água limpa antes de ser utilizada nas atividade domésticas, certos povos, principalmente os egípcios e japoneses, filtravam o líquido em vasos de porcelana.

 

 

Da Idade Média á sociedade industrial

 

    Durante a Idade Média, os hábitos dos camponeses e senhores eram semelhantes aqueles praticados pelas civilizações passadas. A situação se agravou com o início do desenvolvimento industrial, em meados do século XVIII, quando as fábricas de tecidos levaram os artesãos em massa para os grandes centros urbanos.

    As áreas industriais cresciam rapidamente e os serviços de saneamento básico, como suprimento de água e limpeza de ruas, não acompanhavam essa expansão. Em consequência, o período foi marcado pela volta de graves epidemias, sobretudo do cólera e da febre tifóide, transmitidos pela água contaminada, que fizeram milhares de vítimas.

    Inicialmente a Inglaterra e em seguida outros países europeus realizaram uma grande reforma sanitária. Foram instaladas as descargas líquidas, semelhantes as utilizadas atualmente, transportando os detritos para as canalizações de águas pluviais.

    O Brasil foi um dos primeiros paises do mundo a implantar redes de coleta para escoamento das águas das chuvas. Porém esse sistema foi instalado somente no Rio de Janeiro e atendia a área da cidade onde estava instalada a aristocracia. 

 

    Atualmente, o desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitiu que fontes contaminadas se tornassem potáveis após tratamento. Hoje existem métodos diversificados para que o esgoto e o lixo não afetem a saúde e o meio ambiente. Porém, em toda a história da humanidade, a deterioração dos recursos naturais nunca atingiu tamanha proporção como nos dias atuais.

 

 

Uso da água nos séculos 20 e 21

 

    No século 20, a população mundial triplicou, o que significa mais fábricas, mais desperdício, mais irrigação nas lavouras, etc. O consumo de água aumentou cerca de seis vezes e mais de um bilhão de pessoas atualmente vivem sem acesso a fontes de água de qualidade, de acordo com dados da ONU. Segundo a mesma fonte, cerca de dois bilhões e meio de pessoas vivem sem saneamento básico.

    No Brasil, o uso dos recursos hídricos começa a ficar p r e o c u p a n t e : falta água na maioria das bacias do Nordeste, na Grande São Paulo, certas regiões de Minas Gerais, Bahia e em algumas áreas do Rio Grande do Sul. Possuímos 16% de água doce do planeta,  d i s t r i b u ida de modo irregular. Cerca de 68% de nossos recursos hídricos estão no Norte, onde tem menos gente; apenas 3% estão no Nordeste e 6% no Sudeste, onde a população é maior.

    Para evitar a crise da água, seriam necessários: evitar desperdício, interromper processos poluidores e criar novas maneiras de captação, controle e distribuição da água. Em alguns países, como EUA e Japão, há cidades onde a água do esgoto é tratada e vai para as torneiras.

    Neste nosso projeto sobre a água, faremos a princípio, uma análise da água com suas propriedades, usos e ocorrência na Natureza, seguida da avaliação da poluição, da escassez Toda a água de abastecimento de Ribeirão Preto vem de um imenso reservatório de águas subterrâneas chamado Aqüífero Guarani, de onde é extraída pelo Daerp através de poços tubulares profundos.

O Aqüífero Guarani se estende pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além da Argentina, Paraguai e Uruguai. Ocupa uma área de 1,2 milhões de km2, dos quais 70% encontram-se no Brasil. É um dos maiores reservatórios subterrâneos de água do mundo. Foi batizado de Guarani em homenagem à nação indígena do mesmo nome que habitava a região.

 

 

A FORMAÇÃO DO AQUÍFERO

 

Há cerca de 150 milhões de anos, nossa região era um enorme deserto. Um intenso vulcanismo provocou o derramamento de lavas, cobrindo a maior parte de suas areias. Ao se resfriarem, as lavas se solidificaram formando uma rocha dura chamada basalto. 

O peso do basalto compactou e agregou as areias do antigo deserto até formar uma rocha porosa chamada arenito. O arenito ficou comprimido debaixo do basalto, restando apenas algumas bordas descobertas, denominadas áreas de afloramento ou de recarga. Por ali, as águas das chuvas passaram a penetrar lentamente no antigo deserto ao longo de milhões de anos, formando o reservatório de águas subterrâneas chamado Aqüífero Guarani.

Ao contrário do que muitos pensam, a água do aqüífero não corre como um rio no subsolo. Ela está embebida em uma camada de arenito, que funciona como uma esponja, absorvendo as águas da chuva que se infiltram. O reservatório subterrâneo é constituído pelos espaços vazios ou poros das rochas, onde a água é armazenada e circula muito lentamente. 

O aqüífero é continuamente abastecido pela infiltração das águas da chuva na área de afloramento. Por isso, esta área é a mais vulnerável e deve ser especialmente protegida para evitar a contaminação dos depósitos subterrâneos.

 

 

A PRESERVAÇÃO DO AQÜÍFERO     

 

O Aqüífero Guarani é uma reserva estratégica vital para as futuras gerações, por isso precisa ser preservado. Ele é a principal fonte de abastecimento público para milhões de pessoas e a sua exploração tem aumentado muito nos últimos 30 anos. 

Os impactos da atividade humana na superfície do aqüífero são uma ameaça a sua integridade. Depósitos irregulares de lixo, agrotóxicos, fossas sépticas, vazamento em oleodutos, poços abandonados ou construídos sem tecnologia adequada, etc. podem provocar a contaminação do aqüífero. Outro fator de risco é o consumo excessivo, que já está provocando o rebaixamento do nível das águas subterrâneas em algumas regiões.

A superexploração do aqüífero e sua deterioração em conseqüência da poluição podem causar danos irreversíveis, comprometendo o abastecimento e colocando em risco a qualidade de vida da população e o meio ambiente de uma vasta região. 

As análises diárias para controle da qualidade da água realizadas no laboratório do Daerp têm demonstrado a ausência de qualquer tipo de contaminação na água de abastecimento de Ribeirão Preto. Para evitar o comprometimento do aqüífero, o Daerp utiliza tecnologias de ponta na construção dos novos poços e lacra com concreto os poços desativados.

Pensando na preservação das reservas, o Daerp tem um programa de controle de perdas e realiza campanhas de conscientização da população para evitar o desperdício de água.e do saneamento básico necessários.