A ÁGUA
NA HISTÓRIA DO HOMEM
O Homem primitivo
O ser humano não consegue
viver longe da água que bebe e dos resíduos que produz. Essa
parece ser uma preocupação que acompanha as civilizações
desde as épocas mais remotas.
Embora, com o passar dos
tempos, a humanidade tenha aperfeiçoado muitas técnicas para
coletar água e afastar os detritos, o problema permanece até
os dias de hoje.
Os povos primitivos
utilizavam métodos simples para recolher as águas das
chuvas, dos rios e dos lagos.
Na sua fase nômade, em que
mudava constantemente de lugar, o homem deixava restos de
alimentos e dejetos acumulando-se dentro da própria
habitação.
Lixo
É evidente que a
quantidade de detritos produzida era insuficiente para
causar alterações ambientais. Os hábitos da população
primitiva eram extremamente simples e consumia-se apenas o
essencial para a sobrevivência. Além disso, as populações da
época eram constituídas de poucas pessoas.
A partir do momento em que
o homem passou a desenvolver o desmatamento e a agricultura
tiveram início os processos de modificação dos recursos
naturais como o solo e a água. A produção de lixo, esgotos e
outros detritos começou a formar grandes acúmulos que
favoreceram a proliferação de ratos e insetos e a poluição
dos rios.
As civilizações antigas
Com o decorrer do tempo,
as necessidades humanas e o crescimento da população
passaram a exigir quantidades cada vez maiores de água e
facilidade de acesso ás fontes existentes . Ao mesmo tempo,
eram procuradas novas fontes de suprimento, inclusive no
subsolo.
Na América, os incas e
mesmo as civilizações mais antigas já construíam numerosos
sistemas de canalização de águas para irrigação,
principalmente nas terras áridas da costa do Peru.
Os egípcios dominavam
técnicas sofisticadas de irrigação do solo na agricultura e
métodos de armazenamento de líquido, pois dependiam das
enchentes do Rio Nilo.
agricultura
Agricultura na região do Nilo
As construções destinadas
ao transporte de água, chamadas de aquedutos, eram
grandiosas, principalmente entre os romanos. Essas obras
abasteciam dezenas de termas ( ou banhos públicos ), muito
apreciadas pela população da época. Além disso , os
aquedutos supriam as cidades com a água dos lagos em fontes
artificiais. Os romanos também se destacaram na construção
de redes de esgotos e de canalizações para escoamento das
águas de chuvas na cidade.
colocar figura Por volta
do ano 300 d.C., existiam em Roma mais de 300 banhos
públicos. Consumiam-se cerca de 3 milhões de litros de água
por dia. As termas eram construções sofisticadas, com
piscinas de água quente, morna ou fira, ao lado de salas
para a prática de esportes e massagem.
Para outras civilizaçoes,
as residências construídas na Antiguidade, inclusive as
pertencentes á nobreza, não possuíam sanitários. Nas cidades
e no campo era comum as pessoas evacuarem diretamente no
solo. A camada mais rica da população usava recipientes para
fazer suas necessidades e em seguida descarregava o conteúdo
em local próximo ás moradias. Quando chovia, as fezes eram
levadas pelas enxurradas até os rios, contaminando a águas e
disseminando doenças.
Naquela época, alguns
povos já aravam o solo para o plantio da lavoura, sem adotar
medidas que evitassem o transporte de terra pelas
enxurradas, tornando as águas mais sujas de barro.
Para tornar a água limpa
antes de ser utilizada nas atividade domésticas, certos
povos, principalmente os egípcios e japoneses, filtravam o
líquido em vasos de porcelana.
Da Idade Média á sociedade
industrial
Durante a Idade Média, os
hábitos dos camponeses e senhores eram semelhantes aqueles
praticados pelas civilizações passadas. A situação se
agravou com o início do desenvolvimento industrial, em
meados do século XVIII, quando as fábricas de tecidos
levaram os artesãos em massa para os grandes centros
urbanos.
As áreas industriais
cresciam rapidamente e os serviços de saneamento básico,
como suprimento de água e limpeza de ruas, não acompanhavam
essa expansão. Em consequência, o período foi marcado pela
volta de graves epidemias, sobretudo do cólera e da febre
tifóide, transmitidos pela água contaminada, que fizeram
milhares de vítimas.
Inicialmente a Inglaterra
e em seguida outros países europeus realizaram uma grande
reforma sanitária. Foram instaladas as descargas líquidas,
semelhantes as utilizadas atualmente, transportando os
detritos para as canalizações de águas pluviais.
O Brasil foi um dos
primeiros paises do mundo a implantar redes de coleta para
escoamento das águas das chuvas. Porém esse sistema foi
instalado somente no Rio de Janeiro e atendia a área da
cidade onde estava instalada a aristocracia.
Atualmente, o
desenvolvimento da ciência e da tecnologia permitiu que
fontes contaminadas se tornassem potáveis após tratamento.
Hoje existem métodos diversificados para que o esgoto e o
lixo não afetem a saúde e o meio ambiente. Porém, em toda a
história da humanidade, a deterioração dos recursos naturais
nunca atingiu tamanha proporção como nos dias atuais.
Uso da água nos séculos 20 e
21
No século 20, a população
mundial triplicou, o que significa mais fábricas, mais
desperdício, mais irrigação nas lavouras, etc. O consumo de
água aumentou cerca de seis vezes e mais de um bilhão de
pessoas atualmente vivem sem acesso a fontes de água de
qualidade, de acordo com dados da ONU. Segundo a mesma
fonte, cerca de dois bilhões e meio de pessoas vivem sem
saneamento básico.
No Brasil, o uso dos
recursos hídricos começa a ficar p r e o c u p a n t e :
falta água na maioria das bacias do Nordeste, na Grande São
Paulo, certas regiões de Minas Gerais, Bahia e em algumas
áreas do Rio Grande do Sul. Possuímos 16% de água doce do
planeta, d i s t r i b u ida de modo irregular. Cerca de
68% de nossos recursos hídricos estão no Norte, onde tem
menos gente; apenas 3% estão no Nordeste e 6% no Sudeste,
onde a população é maior.
Para evitar a crise da
água, seriam necessários: evitar desperdício, interromper
processos poluidores e criar novas maneiras de captação,
controle e distribuição da água. Em alguns países, como EUA
e Japão, há cidades onde a água do esgoto é tratada e vai
para as torneiras.
Neste nosso projeto sobre
a água, faremos a princípio, uma análise da água com suas
propriedades, usos e ocorrência na Natureza, seguida da
avaliação da poluição, da escassez Toda a água de
abastecimento de Ribeirão Preto vem de um imenso
reservatório de águas subterrâneas chamado Aqüífero Guarani,
de onde é extraída pelo Daerp através de poços tubulares
profundos.
O Aqüífero Guarani se estende
pelos Estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul,
Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande
do Sul, além da Argentina, Paraguai e Uruguai. Ocupa uma
área de 1,2 milhões de km2, dos quais 70% encontram-se no
Brasil. É um dos maiores reservatórios subterrâneos de água
do mundo. Foi batizado de Guarani em homenagem à nação
indígena do mesmo nome que habitava a região.
A FORMAÇÃO DO AQUÍFERO
Há cerca de 150 milhões de
anos, nossa região era um enorme deserto. Um intenso
vulcanismo provocou o derramamento de lavas, cobrindo a
maior parte de suas areias. Ao se resfriarem, as lavas se
solidificaram formando uma rocha dura chamada basalto.
O peso do basalto compactou e
agregou as areias do antigo deserto até formar uma rocha
porosa chamada arenito. O arenito ficou comprimido debaixo
do basalto, restando apenas algumas bordas descobertas,
denominadas áreas de afloramento ou de recarga. Por ali, as
águas das chuvas passaram a penetrar lentamente no antigo
deserto ao longo de milhões de anos, formando o reservatório
de águas subterrâneas chamado Aqüífero Guarani.
Ao contrário do que muitos
pensam, a água do aqüífero não corre como um rio no subsolo.
Ela está embebida em uma camada de arenito, que funciona
como uma esponja, absorvendo as águas da chuva que se
infiltram. O reservatório subterrâneo é constituído pelos
espaços vazios ou poros das rochas, onde a água é armazenada
e circula muito lentamente.
O aqüífero é continuamente
abastecido pela infiltração das águas da chuva na área de
afloramento. Por isso, esta área é a mais vulnerável e deve
ser especialmente protegida para evitar a contaminação dos
depósitos subterrâneos.
A PRESERVAÇÃO DO AQÜÍFERO
O Aqüífero Guarani é uma
reserva estratégica vital para as futuras gerações, por isso
precisa ser preservado. Ele é a principal fonte de
abastecimento público para milhões de pessoas e a sua
exploração tem aumentado muito nos últimos 30 anos.
Os impactos da atividade
humana na superfície do aqüífero são uma ameaça a sua
integridade. Depósitos irregulares de lixo, agrotóxicos,
fossas sépticas, vazamento em oleodutos, poços abandonados
ou construídos sem tecnologia adequada, etc. podem provocar
a contaminação do aqüífero. Outro fator de risco é o consumo
excessivo, que já está provocando o rebaixamento do nível
das águas subterrâneas em algumas regiões.
A superexploração do aqüífero
e sua deterioração em conseqüência da poluição podem causar
danos irreversíveis, comprometendo o abastecimento e
colocando em risco a qualidade de vida da população e o meio
ambiente de uma vasta região.
As análises diárias para
controle da qualidade da água realizadas no laboratório do
Daerp têm demonstrado a ausência de qualquer tipo de
contaminação na água de abastecimento de Ribeirão Preto.
Para evitar o comprometimento do aqüífero, o Daerp utiliza
tecnologias de ponta na construção dos novos poços e lacra
com concreto os poços desativados.
Pensando na preservação das
reservas, o Daerp tem um programa de controle de perdas e
realiza campanhas de conscientização da população para
evitar o desperdício de água.e do saneamento básico
necessários.