Amapá
Situado no extremo norte do litoral brasileiro e
separado da Guiana Francesa pelo rio Oiapoque, o Amapá passou à
condição de estado em 1988, tendo como sustentáculo econômico
a extração de manganês, de que é o maior produtor nacional.
Com uma área de 143.454km2, o estado do Amapá
situa-se na região Norte e se limita a leste com o oceano
Atlântico, ao norte com a Guiana Francesa e o Suriname, e ao sul
com o estado do Pará. A capital é Macapá.
Geografia física. Cerca de 95% do território
do Amapá encontra-se abaixo de 300m de altitude, e 72%, abaixo
de 200m. Quatro unidades morfológicas podem ser identificadas: a
planície litorânea, formada por terrenos baixos e alagadiços;
as planícies aluviais, nos baixos e médios cursos de rios
(várzeas); o baixo platô arenítico, estreita faixa de terrenos
tabulares situada a oeste da planície litorânea; e o planalto
cristalino, na porção central e ocidental do estado, com
grandes extensões de colinas e morros, dominados por cristas
montanhosas (serra do Tumuncumaque, com cerca de 540m).
O Amapá está sujeito a um clima quente
superúmido (do tipo Aw, de Köpen). As temperaturas médias
mensais oscilam entre 25 e 26oC e os totais anuais de chuva
ultrapassam 2.500mm. A precariedade da ocupação humana tem
permitido manter quase inalterada a floresta amazônica, que
cobre a maior parte do estado. Na porção oriental aparecem
campos limpos, que alternam com as florestas nas várzeas de rios
e na planície litorânea; campos cerrados, no baixo platô
arenítico; e manguezais, na fímbria litorânea. Os rios mais
extensos do Amapá são o Oiapoque, na fronteira com a Guiana
Francesa, e o Araguari; ambos correm diretamente para o oceano
Atlântico. Dos tributários do Amazonas, o principal é o Jari,
na divisa com o Pará.
População. O Amapá é uma das unidades da
federação de povoamento mais rarefeito, com menos de dois
habitantes por quilômetro quadrado no início da década de
1990. Quase toda a população se encontra na porção oriental
(planície litorânea e baixo platô arenítico). Apenas duas
pequenas áreas do planalto cristalino foram efetivamente
ocupadas: a região das nascentes do rio Caciporé (antigas minas
de São Lourenço) e a região da serra do Navio (jazidas de
manganês). Pouco mais de metade dos habitantes vive nas zonas
urbanas. (Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)
Economia. O Amapá é o maior produtor nacional
de manganês, minério que o estado explora desde 1957. As
jazidas da serra do Navio foram arrendadas pela Icomi (Indústria
e Comércio de Minérios S.A.), empresa fundada em Belo Horizonte
em 1942, à qual se associou, na qualidade de acionista
minoritária, a Bethlehem Steel Corporation, norte-americana. A
Icomi paga ao governo do estado royalties de quatro a cinco por
cento por tonelada de minério exportada. O porto de escoamento
é o de Santana, em Macapá, ligado à serra do Navio por 194km
de ferrovia eletrificada. Há também uma usina de pelotização.
Antes da exploração industrial do manganês,
praticava-se apenas o extrativismo primitivo e a pecuária
extensiva. A Icomi possui modernas instalações, construiu uma
estrada de ferro com capacidade para 700.000t de minério e
200.000t de outros produtos e um porto a que podem ter acesso
navios de até 45.000t.
Na mesma área da serra do Navio exploram-se,
também, pequenas jazidas de cassiterita, columbita e tantalita.
No município de Mazagão exploram-se a borracha e a
castanha-do-pará.
A agricultura se dispersa na planície
litorânea, margens do baixo platô arenítico e várzeas dos
rios. Alcança certa concentração nas proximidades das cidades
de Macapá e Mazagão. O principal produto agrícola é a
mandioca, a que se seguem o arroz, o feijão, o milho e a
cana-de-açúcar. A criação ocupa principalmente os campos
alagadiços da planície litorânea, em especial os dos
municípios do Amapá e Calçoene. A cultura da pimenta-do-reino
foi introduzida recentemente.
Cultura e turismo.
Em Macapá localiza-se o Museu Histórico e
Científico Joaquim Caetano da Silva, onde se pode ver amostras
de minérios, madeiras e plantas medicinais da Amazônia. Para
banhos no rio Amazonas, há duas praias perto da capital: do
Araxá e da Fazendinha. Nesta merece ser visitado também o
Bosque Florestal. Em Porto de Santana, a trinta quilômetros da
capital, pode-se fazer um passeio de barco pelo rio Amazonas e
igarapés vizinhos. A oito quilômetros fica Curiaú, vila
fundada por africanos. Pode-se conhecer também a mina e a
extração de manganês na serra do Navio. Perto de Mazagão fica
o marco zero da linha do equador.
Em Mazagão Velho, de 6 a 10 de janeiro,
realiza-se a festa de são Gonçalo, com procissão, festejos,
ladainha e folias; e em 16 de julho, tem lugar a festa de são
Tiago, com cavalhada, procissão e baile de máscaras. Na
capital, destacam-se a festa do Marabaixo (folclore africano),
quarenta dias após a Semana Santa; o batuque do igarapé do
Lago, de 24 de junho a 2 de julho; e o Boi-Bumbá, também no
mês de junho.