Amazonas
O nome Amazonas, que se transmitiu do rio à
região e, depois, ao maior estado do Brasil, deve-se ao espanhol
Francisco de Orellana, que em 1541 afirmou ter combatido uma
tribo de mulheres aguerridas. Comparou-as às amazonas,
guerreiras lendárias que amputavam o seio direito para melhor
manejarem o arco.
Cortado pela linha do equador em sua porção
setentrional, o estado do Amazonas limita-se a leste com o Pará,
ao norte com Roraima e a Venezuela, a oeste com a Colômbia e o
Peru, e ao sul com Acre, Rondônia e Mato Grosso. É o mais
extenso dos estados brasileiros, com uma área de 1.577.820km2, o
que representa quase um quinto do território nacional. A capital
é Manaus.
Geografia física
Relevo. Cerca de 61% da superfície do Amazonas
se situam abaixo de cem metros, 32% entre 100 e 200 metros e
somente sete por cento acima dos 200m de altitude. No entanto, é
no estado que se encontra o ponto culminante do Brasil, o pico da
Neblina, com 3.014m, na serra Imeri, junto da fronteira com a
Venezuela, no planalto cristalino.
Quatro unidades compõem o quadro morfológico
geral. O baixo platô arenítico, localmente chamado terra firme,
por estar fora das maiores cheias, recobre, com sua vasta
superfície tabular, grande parte do estado. Nele, o rio Amazonas
e afluentes abriram grandes calhas, que preencheram parcialmente
com seus aluviões, dando origem à segunda unidade morfológica,
a planície aluvial ou várzea. Ao norte, estende-se o planalto
cristalino, com uma superfície ondulada, dominada por
alinhamentos montanhosos junto à fronteira venezuelana. Na maior
parte, o Amazonas é constituído por terrenos sedimentares
recentes (do período quaternário).
Climas e solos. O clima é quente e chuvoso, do
tipo Af de Köppen. A temperatura média anual eleva-se a cerca
de 26o C e os totais pluviométricos a 2.500mm. Com exceção da
região oriental, onde se faz sentir uma nítida estação seca
nos meses de julho e agosto (clima Am), o estado recebe chuvas
durante todo o transcorrer do ano. Em virtude de serem
intensamente lavados pelas chuvas, os solos de terra-firme são
em geral pobres em nutrientes minerais. Já os solos de várzea,
sujeitos a inundações, renovam-se periodicamente pela
deposição de aluviões, mantendo-se férteis.
Vegetação e hidrografia. A floresta
equatorial, que reveste todo o território do estado,
diferencia-se em dois tipos: a mata de terra-firme, onde se
destaca a castanheira, e a mata de várzea, onde se destaca a
seringueira. Registram-se ainda pequenas ocorrências de campos
limpos, nas várzeas, e campos cerrados, nas terras firmes.
A rede de drenagem é comandada pelo Amazonas,
que, juntamente com os principais afluentes, mantém curso
francamente navegável até os limites do estado. Ao longo dos
rios observam-se numerosos lagos, entre os quais se destacam os
de Coari, Badajós, Piorini e Canaçari.
População
A população do Amazonas é uma das mais
rarefeitas do país, com densidade demográfica inferior a 1,4
hab./km2 no início da década de 1990. A distribuição
geográfica da população ao longo dos rios revela dependência
do transporte fluvial e preferência pelos solos de várzea.
Cerca de dois quintos da população do estado vivem na zona
rural. Essa população rural é quase inteiramente constituída
de "caboclos". Há grande número de nordestinos e seus
descendentes, atraídos pelo apogeu da borracha. Portugueses,
japoneses, sírio-libaneses e espanhóis formam um contingente de
estrangeiros pequeno, mas economicamente ativo. No estado,
encontram-se 33 grupos indígenas, cuja população é cada vez
menor, destruída por doenças, choques com civilizados e falta
de elementos econômicos de sobrevivência.
A principal cidade do estado é Manaus, que em
1980 concentrava quase metade da população amazonense. Além de
capital político-administrativa, porto internacional e centro
industrial, Manaus desempenha, também, em relação ao comércio
e aos serviços, as funções de capital regional para uma vasta
área, que inclui, além do estado do Amazonas, o Acre e Roraima.
A segunda cidade do estado é Parintins, situada na margem
direita do Amazonas, próximo à divisão com o Pará; a terceira
é Manacapuru; a quarta, Itacoatiara, na margem esquerda do rio e
ligada a Manaus por 286km de estrada de rodagem. Todas com pouco
mais de cinqüenta mil habitantes em inícios da década de 1990.
(Para dados demográficos, ver DATAPÉDIA.)
Economia
Atividades extrativas e agropastoris. A
exploração de recursos florestais assume grande importância no
Amazonas, embora o valor global dos produtos da coleta não
chegue a ultrapassar o dos agropastoris. O principal produto
extrativo é a borracha, explorada principalmente nas margens dos
afluentes meridionais do Amazonas (Madeira, Purus e Juruá).
Seguem-se a castanha-do-pará, as gomas não elásticas e a
piaçava.
Entre os recursos naturais, os de origem vegetal
são os mais importantes do estado e permitem a extração de
borracha, castanha, madeira, sementes oleaginosas e fibras, ainda
exploradas segundo métodos primários e de maneira insuficiente.
As possibilidades de extração mineral vêm-se ampliando (ferro,
manganês, linhita, cassiterita, petróleo, gás). Há
referências à existência de argila plástica, feldspatos e
calcários, no baixo Amazonas. Os rios e lagos amazônicos são
bastante piscosos, e suas florestas abrigam variada fauna, o que
garante uma importante atividade no setor da caça.
As atividades agrícolas desenvolvem-se nos
solos de várzea, sobretudo no trecho situado a jusante da
embocadura do Purus. A juta, o guaraná e a mandioca são os
principais produtos. Em valor de produção, as três culturas
juntas superam a borracha. Em menor escala cultivam-se também a
banana, a cana-de-açúcar, o feijão e a laranja. Nos campos de
várzea criam-se bovinos.
Indústria e recursos minerais. Praticamente
todas as atividades fabris do estado concentram-se na cidade de
Manaus, que conta com estabelecimentos de beneficiamento de
borracha, castanha-do-pará e madeira, moinho de trigo e
tecelagem de juta, além da refinaria de petróleo de Manaus.
A Zona Franca de Manaus, que começou a ser
implantada em 1967, ganhou maior expressão como centro
industrial autônomo a partir de 1972. O empreendimento
contribuiu, em especial, para o progresso de Manaus.
Entre as riquezas minerais do estado incluem-se
ferro, manganês, linhita, cassiterita, petróleo e gás natural
(bacias do médio e baixo Amazonas, respectivamente com 300.000 e
100.000km2).
Transportes. O Amazonas não possui ferrovias. A
rede rodoviária, da qual pouco mais de um terço é pavimentado,
compreende a BR-319, que liga Manaus a Porto Velho RO e
intercepta, em Humaitá, a Transamazônica (BR-230), que
atravessa o sul do estado; a BR-174, que liga Manaus a Boa Vista
RR; e uma estrada estadual ligando Manaus a Itacoatiara. A maior
parte do transporte é, entretanto, realizada por meio dos rios,
que oferecem boas condições de navegabilidade. Nesse
particular, destaca-se o rio Amazonas, que, além de grande
volume de água, possui um declive muito suave, pois desde
Benjamin Constant, na fronteira com o Peru, até a sua foz, desce
apenas 65m. Essa circunstância permite ao porto de Manaus
receber navios de grande calado.
Cultura e turismo
As mais importantes entidades culturais do
estado são o Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, o
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, a Academia
Amazonense de Letras e a Associação Comercial do Amazonas,
todas na capital. A Universidade Federal do Amazonas foi fundada
em 1965.
Das bibliotecas registradas no estado, as mais
importantes, além das pertencentes às entidades acima, são a
Biblioteca Pública do Amazonas e a Biblioteca Central da
Universidade do Amazonas. Vários municípios, agências do IBGE
e missões religiosas mantêm pequenas bibliotecas públicas.
Entre os museus, cabe destacar o do Homem do Norte, o do Índio e
o de Ciências Naturais.
O único centro de atração turística do
estado é a cidade de Manaus. Destacam-se na cidade, além do
Teatro Amazonas, construído na época áurea da borracha em
estilo renascentista italiano, os seguintes monumentos: o
palácio Rio Negro, sede do governo estadual; o palácio Rio
Branco, onde se encontra uma excelente coleção de numismática;
o palácio da Justiça e do Comércio; o Hotel Amazonas; o
edifício da Alfândega; a catedral de Nossa Senhora da
Conceição.
Outra atração turística consiste em passeios
de barco pelos rios Negro e Amazonas, sobretudo na área onde se
verifica o encontro das águas dos dois rios, de cores
diferentes. Outros pontos de interesse são as piscinas naturais
de Flores, Turumãzinho e Bosques; as praias fluviais de Ponta
Negra e Cacau Pirera; e a cachoeira de Turumã Grande. A melhor
época para pesca é o período de setembro a novembro.
Folclore
Entre as festas populares, as mais importantes
são a folia de são Benedito, a festa de são Roque (16 de
agosto), a festa do Divino (domingo de Pentecostes), a
Alumiação (2 de novembro). Cabe mencionar ainda o Boi de Reis;
o Boi-Bumbá (variante do bumba-meu-boi do Nordeste), que se
realiza durante os festejos de são João; e a Meia-Lua,
procissão fluvial no rio Amazonas.
Região de folclore riquíssimo, existe no
Amazonas toda uma série de entidades lendárias de origem
indígena, entre os quais há que destacar o urutau, símbolo da
quietude; o maguapari, monstro das florestas; o boto, ser
encantado em peixe; o uirapuru, pássaro encantado; o
muiraquitã, talismã de pedras verdes; a boiúna, a quem são
atribuídos os acontecimentos mais inverossímeis; o curupira,
demônio da floresta, representado por um anão de cabeleira
rubra e pés ao inverso; o mapinguari, animal fabuloso,
semelhante ao homem, mas todo cabeludo; o poronominare, herói de
um ciclo de aventuras; e o uiauara, duende assombrador.
A culinária típica do Amazonas também é
bastante diversificada. Os pratos mais famosos são o abunã ou
arabu, pirão de ovos de tartaruga ou outro quelônio, com
farinha e açúcar; a farofa do casco, servida com prato de
tartaruga; a maniçoba, pirão de farinha de mandioca, que se
come com cozido; o pacicá, quitute preparado com os miúdos da
tartaruga, temperados e cozidos no próprio casco; o peito de
forno, um picado de tartaruga, temperado com limão, sal e
pimenta; o tacacá, papa de goma que se junta ao tucupi, que é
por sua vez, um dos molhos tradicionais da Amazônia.