A
Internacionalização da Amazônia
O texto abaixo, falará sobre a internacionalização da Amazônia, que é um fato
que vem sendo discutido a partir dos meados da década de 80, quando alguns políticos
de países de primeiro mundo, discutindo sobre o pagamento da dívida externa do
Brasil, pensaram no pagamento com reservas naturais, indústrias, etc. Foi mais
fortemente discutida ultimamente, no final dos anos 90, inclusive pelo atual
presidente do EUA, que falou sobre a Internacionalização da Amazônia em
alguns de seus discursos para presidência. Estamos passando por um caso que
muitos acham incorreto, como brasileiros, mas outros têm uma opinião contrária,
de que a Amazônia seja um patrimônio de todo mundo, que deveria comandá-la.
Na medida em que
a Amazônia ia sendo revelada ao Brasil através dos inúmeros inventários e
levantamentos de seus recursos naturais, minerais e energéticos, a década de
80 e 90 assistia à entrada em operação de inúmeros projetos de impacto, no
setor de mineração e eletricidade. O projeto Trombetas, pela Companhia Vale do
Rio Doce, para exploração da bauxita; da Grande Carajás, para exploração do
minério de ferro; da Albrás-Alunorte, em Vila do Conde, para produção de
alumina e alumínio metálico; de Tucuruí, no rio Tocantins, para produção de
cerca de 4 milhões de quilowatts; e o das hidrelétricas de Balbina, no rio
Uatumã, e de Samuel, no rio Jamari.
Esse panorama que
contribuiu para a expansão demográfica e da fronteira agrícola, pecuária,
mineral e industrial, deu origem, também, às tensões sociais, conflitos de
terras, disputas de posse e invasões de áreas indígenas.
A situação
engendrou também, pelo atraso de uma política nacional de preservação, o
quadro atual caracterizado pela atuação de madeireiras predatórias, poluição
fluvial, garimpeiros clandestinos, falsos missionários, contrabando das
riquezas da biodiversidade florestal e pelo narcotráfico, favorecido pelos 1600
km de fronteira de uma linha imaginária, com insignificante presença civil ou
militar - a fronteira aberta à guerrilha, ao narcotráfico, ao contrabando de
armas e à biopirataria.
Esse último tema
foi assunto na recente Conferência Ministerial de Defesa das Américas que se
encerrou com uma declaração de apoio ao combate às drogas ilícitas e
atividades criminosas transfronteiriças. Apesar de não ter sido incluído na
pauta do encontro, o polêmico Plano Colômbia de combate ao narcotráfico, com
o apoio dos Estados Unidos, foi discutido quando abordados questões de ameaças
internacionais à segurança dos países participantes.
A segurança da Amazônia brasileira se encontra na pauta de prioridades do
governo brasileiro. Com o agravamento da crise entre o governo e a
internacionalização da guerra civil na Colômbia, associada ao narcotráfico,
o Brasil intenciona investir até US$ 10 bilhões de dólares na modernização
das Forças Armadas, buscando garantir a integridade da Amazônia.
Os efetivos
militares no Rio de Janeiro são superiores a 44 mil homens; na continental região
amazônica, que se espalha por dois terços do nosso território, apenas 22 mil.
A proporção está invertida. De Manaus a Tabatinga são três horas e meia em
vôo direto em Boeing. Sete estados do Sul e do Nordeste cabem no Amazonas.
Em março deste
ano, uma rede eletrônica de mensagens compartilhadas por um grupo da Internet
retratou-se, no meio virtual, por ter veiculado o que depois seria comprovado
como boato completamente sem fundamento. O boato versava sobre a existência de
mapas escolares norte americanos nos quais a Amazônia brasileira seria mostrada
como "área de preservação internacional" e destacada do território
brasileiro.
No entanto, o
governo federal construiu uma possibilidade de internacionalização indireta,
sob concessão de gerência ambiental de áreas do território nacional, quando
promulgou a Lei 9.985, em 19 de julho deste ano. Por tal lei seriam constituídas
Unidades de Conservação Ambiental, de Proteção Integral ou de Uso Sustentado
- por decreto lei.
Nas Unidades de
Uso Sustentável são fixadas categorias de dimensões continentais: são as
chamadas "Áreas de Proteção Ambiental", que de acordo com a própria
lei, em seu artigo 15, "área em geral extensa, com um certo grau de ocupação
humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais,
especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações
humanas", com o objetivo de "proteger a diversidade biológica,
disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos
recursos naturais".
Mas a lei, em seu
artigo 30, estabelecendo que "as Unidades de Conservação podem vir a ser
geridas por organizações da sociedade civil de interesse público com
objetivos afins aos da unidade, mediante instrumento a ser firmado com o órgão
responsável por sua gestão", abre, segundo Dr. Luiz Augusto Germani,
diretor-jurídico da Sociedade Rural Brasileira, uma condição inconstitucional
que possibilita a materialização da até então fantasiosa internacionalização:
a de que o poder público possa transferir a uma organização não-governamental,
nacional ou internacional, funções exclusivas suas que são sustentáculos da
própria soberania sobre tal área.
* O
Planalto se Rende e Entrega a Amazônia
BRASÍLIA –
Feito jibóia em bezerro novo, a sanha privatizante começou esta semana a
enrolar-se sobre Furnas, prenunciando o que acontecerá ao que restou do sistema
hidrelétrico nacional. Já se foram os monopólios do petróleo, do gás
canalizado, das telecomunicações e da navegação de cabotagem, como se
privatizou o subsolo, a telefonia, os satélites,a petroquímica, a siderurgia,
o sistema financeiro. Tudo para abater a dívida externa, que se multiplicou, e
para melhorar os serviços, que pioraram. Faltam a Petrobras, já retalhada em
unidades estanques, deglutidas feito mingau quente, pelas bordas; o Banco do
Brasil e a Caixa Econômica, que segundo empresas estrangeiras de assessoria darão
prejuízo a partir de 2003. Depois, será a vez da Amazônia. Depois? Cobiçam a
região como mulher alheia.
Vale começar do começo:
"Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas, que
vendam suas riquezas, seus territórios e suas fábricas".(Margaret
Thatcher, Primeira-Ministra da Inglaterra, Londres, 1983.);
"Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles, mas
de todos nós".(Al Gore, Vice-Presidente dos Estados Unidos, Washington,
1989.);
"O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia".
(François Mitterrand, presidente da França, Paris, 1989.);
"O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos
organismos internacionais competentes".(Mikhail Gorbachev, chefe do governo
soviético, Moscou,1992.);
"As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum
a todos no mundo. As campanhas ecológicas internacionais que visam à limitação
das soberanias nacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase
propagandistica para dar início à fase operativa, que pode definitivamente
ensejar intervenções militares diretas sobre a região". (John Major,
Primeiro-Ministro da Inglaterra, Londres, 1992.);
"A liderança dos Estados Unidos exige que apoiemos a diplomacia com a ameaça
da força". (Warren Cristopher, Secretário de Defesa dos Estados Unidos,
Washington, 1995.);
"Os países em desenvolvimento com imensas dívidas externas devem pagá-las
em terras, em riquezas. Vendam suas florestas tropicais". (George W. Bush,
candidato à presidência dos Estados Unidos, em debate com Al Gore, Washington,
2000).
"A Amazônia deve ser intocável, pois constitui-se no banco de reservas
florestais da humanidade." (Congresso de ecologistas alemães, Berlim,
1990.);
"Só a internacionalização pode salvar a Amazônia". (Grupo dos Cem,
cidade do México, 1989.);
"A Amazônia é patrimônio da humanidade. A posse desse imenso território
pelo Brasil, Venezuela, Colombia, Peru e Equador é meramente
circunstancial". (Conselho Mundial das Igrejas Cristãs, Genebra, 1992.);
Há comerciais
institucionais transmitidos pela televisão do primeiro mundo, inclusive a CNN,
onde a repórter Marina Mirabella mostra as maravilhas da fauna e da flora amazônicas
para, em seguida, apresentar cenas de devastação, sujeira e imundície, e
concluir: "São os brasileiros que estão fazendo isso! Até quando? A Amazônia
pertence à humanidade e o Brasil não tem competência para preservá-la!"
O pior é quando essas investidas partem de nós. As deputadas Vanessa
Grazziotin e Socorro Gomes solicitaram do general-chefe da Secretaria de Segurança
Institucional informações sobre o Programa Nacional de Florestas, obra do
ironicamente amazônico Ministro do Meio Ambiente, Zequinha Sarney.
Para quê? Para
transformá-las em propriedades privadas, "de modo a disponibilizar matéria-prima
para as indústrias (as madeireiras internacionais) de forma permanente, contínua,
regular e balanceada, em função das exigências do mercado". Mas não era
para manter a Amazônia intocada?
Opiniões
* Cristóvam
Buarque
De fato, como
brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio,
ele é nosso.
Como humanista,
sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar
a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância
para a Humanidade.
Se a Amazônia,
sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também
as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o
bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os
donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de
petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o
capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia
é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela
vontade de um dono, ou de um pais. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o
desemprego provocado pelas decisões arbitrarias dos especuladores globais. Não
podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros
na volúpia da especulação.
Antes mesmo da
Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus
do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é
guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode
deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja
manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um pais.
Não faz muito,
um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre.
Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este
encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns
presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos
na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações
Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a
toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,
Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua historia do mundo, deveria
pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem
internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros,
internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já
demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição
milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do
Brasil.
Nos seus debates,
os atuais candidatos a presidência dos EUA tem defendido a idéia de
internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da divida. Comecemos
usando essa divida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade
de ir a escola. internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não
importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo
inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia.
Quando os
dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da
Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que
morram quando deveriam viver.
Como humanista,
aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me
tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.
* George W.
Bush – Presidente do EUA
"O que isso
nos concede - nossa riqueza, nossa boa economia, nosso poder trazem com isso
obrigações especiais para com o resto do mundo?!. Sim. Tome, por exemplo, a dívida
do Terceiro Mundo. Eu penso que nós devemos perdoar esta dívida sob certas
condições. Eu penso, por exemplo, se nós estamos certos que o país do
Terceiro Mundo que adquire um grande endividamento se reformaria, que o dinheiro
não pararia na mão de poucos, mas ajudaria pessoas, então eu acho que faz
sentido para nós usar nossa riqueza desta forma".
"Ou você
troca dívida por regiões valiosas de floresta tropical? Isso faz algum
sentido. Sim, nós temos uma obrigação com o mundo, mas nós não podemos ser
tudo para todos. Nós podemos apoiar unificações, mas nós não podemos pôr
nossas tropas por todo o mundo. Nós podemos emprestar dinheiro, mas nós temos
conseguido fazer isso sabiamente. Nós não deveríamos emprestar dinheiro para
funcionários públicos corruptos. Então, nós conseguimos estar protegidos em
nossa generosidade.."
Conclusão
Vimos, nesse
trabalho que esse fato de que a Amazônia é de todos têm muitas opiniões, não
sabemos que seria correto distribuir um patrimônio florestal internacional
situado no Brasil. Ao início, falam de um salvamento da Amazônia e da economia
brasileira. À outro lado, o caso de a Amazônia ser internacionalizada poderá
ocorrer uma imensa destruição ambiental, pois muitos desses países procuram
apenas a exploração da Amazônia, como os Portugueses fizeram com toda a
riqueza ambiental brasileira na época da colonização.
Esse ainda é um
fato a muito ser discutido, mas certamente, praticamente todos os brasileiros
devem ter uma opinião negativa à esse caso.