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Principais bacias hidrográficas
brasileiras
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil - 1992 - FIBGE
Para uma caracterização mais detalhada, selecione a bacia de
interesse na legenda ou no mapa.
O Brasil é dotado de uma vasta e densa rede
hidrográfica, sendo que muitos de seus rios destacam-se pela extensão, largura
e profundidade. Em decorrência da natureza do relevo, predominam os rios de
planalto que apresentam em seu leito rupturas de declive, vales encaixados,
entre outras características, que lhes conferem um alto potencial para a geração
de energia elétrica. Quanto à navegabilidade, esses rios, dado o seu perfil não
regularizado, ficam um tanto prejudicados. Dentre os grandes rios nacionais,
apenas o Amazonas e o Paraguai são predominantemente de planície e largamente
utilizados para a navegação. Os rios São Francisco e Paraná são os
principais rios de planalto.
De maneira geral, os rios têm origem em regiões não muito elevadas, exceto
o rio Amazonas e alguns de seus afluentes que nascem na cordilheira andina.
Em termos gerais, como mostra o mapa acima, pode-se dividir a rede hidrográfica
brasileira em sete principais bacias, a saber: a bacia do rio Amazonas; a do
Tocantins - Araguaia; a bacia do Atlântico Sul - trechos norte e nordeste; a do
rio São Francisco; a do Atlântico Sul - trecho leste; a bacia Platina,
composta pelas sub-bacias dos rios Paraná e Uruguai; e a do Atlântico Sul -
trechos sudeste e sul.
Bacia do rio
Amazonas
Em 1541, o explorador espanhol Francisco de Orellana percorreu, desde as suas
nascentes nos Andes peruanos, distante cerca de 160 km do Oceano Pacífico, até
atingir o Oceano Atlântico, o rio que batizou de Amazonas, em função da visão,
ou imaginação da existência, de mulheres guerreiras, as Amazonas da mitologia
grega.
Este rio, com uma extensão de aproximadamente 6.500 km, ou superior conforme
recentes descobertas, disputa com o rio Nilo o título de mais extenso no
planeta. Porém, em todas as possíveis outras avaliações é, disparado, o
maior.
Sua área de drenagem total, superior a 5,8 milhões de km2, dos
quais 3,9 milhões no Brasil, representa a maior bacia hidrográfica mundial. O
restante de sua área dividi-se entre o Peru, Bolívia, Colômbia, Equador,
Guiana e Venezuela. Tal área poderia abranger integralmente o continente
europeu, a exceção da antiga União Soviética.
O volume de água do rio Amazonas é extremamente elevado, descarregando no
Oceano Atlântico aproximadamente 20% do total que chega aos oceanos em todo o
planeta. Sua vazão é superior a soma das vazões dos seis próximos maiores
rios, sendo mais de quatro vezes maior que o rio Congo, o segundo maior em
volume, e dez vezes o rio Mississipi. Por exemplo, em Óbidos, distante 960 km
da foz do rio Amazonas, tem-se uma vazão média anual da ordem de 180.000 m3/s.
Tal volume d'água é o resultado do clima tropical úmido característico da
bacia, que alimenta a maior floresta tropical do mundo.
Na Amazônia os canais mais difusos e de maior penetrabilidade são
utilizados tradicionalmente como hidrovias. Navios oceânicos de grande porte
podem navegar até Manaus, capital do estado do Amazonas, enquanto embarcações
menores, de até 6 metros de calado, podem alcançar a cidade de Iquitos, no
Peru, distante 3.700 km da sua foz.
O rio Amazonas se apresenta como um rio de planície, possuindo baixa
declividade. Sua largura média é de 4 a 5 km, chegando em alguns trechos a
mais de 50 km. Por ser atravessado pela linha do Equador, esse rio apresenta
afluentes nos dois hemisférios do planeta. Entre seus principais afluentes,
destacam-se os rios Iça, Japurá, Negro e Trombetas, na margem esquerda, e os
rios Juruá, Purus, Madeira, Tapajós e Xingu, na margem direita.
Bacia do rio
Tocantins - Araguaia
A bacia do rio Tocantins - Araguaia com uma área superior a 800.000 km2,
se constitui na maior bacia hidrográfica inteiramente situada em território
brasileiro. Seu principal rio formador é o Tocantins, cuja nascente localiza-se
no estado de Goiás, ao norte da cidade de Brasília. Dentre os principais
afluentes da bacia Tocantins - Araguaia, destacam-se os rios do Sono, Palma e
Melo Alves, todos localizados na margem direita do rio Araguaia.
O rio Tocantins desemboca no delta amazônico e embora possua, ao longo do
seu curso, vários rápidos e cascatas, também permite alguma navegação
fluvial no seu trecho desde a cidade de Belém, capital do estado do Pará, até
a localidade de Peine, em Goiás, por cerca de 1.900 km, em épocas de vazões
altas. Todavia, considerando-se os perigosos obstáculos oriundos das
corredeiras e bancos de areia durante as secas, só pode ser considerado utilizável,
por todo o ano, de Miracema do Norte (Tocantins) para jusante.
O rio Araguaia nasce na serra das Araras, no estado de Mato Grosso, possui
cerca de 2.600 km, e desemboca no rio Tocantins na localidade de São João do
Araguaia, logo antes de Marabá. No extremo nordeste do estado de Mato Grosso, o
rio dividi-se em dois braços, rio Araguaia, pela margem esquerda, e rio Javaés,
pela margem direita, por aproximadamente 320 km, formando assim a ilha de
Bananal, a maior ilha fluvial do mundo. O rio Araguaia, é navegável cerca de
1.160 km, entre São João do Araguaia e Beleza, porém não possui neste trecho
qualquer centro urbano de grande destaque.
Bacia do Atlântico
Sul - trechos norte e nordeste
Vários rios de grande porte e significado regional podem ser citados como
componentes dessa bacia, a saber: rio Acaraú, Jaguaribe, Piranhas, Potengi,
Capibaribe, Una, Pajeú, Turiaçu, Pindaré, Grajaú, Itapecuru, Mearim e Parnaíba.
Em especial, o rio Parnaíba é o formador da fronteira dos estados do Piauí
e Maranhão, por seus 970 km de extensão, desde suas nascentes na serra da
Tabatinga até o oceano Atlântico, além de representar uma importante hidrovia
para o transporte dos produtos agrícolas da região.
Bacia do rio
São Francisco
A bacia do rio São Francisco, nasce em Minas Gerais, na serra da Canastra, e
atravessa os estados da 88Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O rio São
Francisco possui uma área de drenagem superior a 630.000 km2 e uma
extensão de 3.160 km, tendo como principais afluentes os rios Paracatu,
Carinhanha e Grande, pela margem esquerda, e os rios Salitre, das Velhas e Verde
Grande, pela margem direita.
De grande importância política, econômica e social, principalmente para a
região nordeste do país, é navegável por cerca de 1.800 km, desde Pirapora,
em Minas Gerais, até a cachoeira de Paulo Afonso, em função da construção
de hidrelétricas com grandes lagos e eclusas, como é o caso de Sobradinho e
Itaparica.
Bacia do Atlântico
Sul - trecho leste
Da mesma forma que no seu trecho norte e nordeste, a bacia do Atlântico Sul no
seu trecho leste possui diversos cursos d'água de grande porte e importância
regional. Podem ser citados, entre outros, os rios Pardo, Jequitinhonha, Paraíba
do Sul, Vaza-Barris, Itapicuru, das Contas e Paraguaçu.
Por exemplo, o rio Paraíba do Sul está localizado entre os estados de São
Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, os de maior significado econômico no país,
possui ao longo do seu curso diversos aproveitamentos hidrelétricos, cidades
ribeirinhas de porte, como Campos, Volta Redonda e São José dos Campos, bem
com industrias importantes como a Companhia Siderúrgica Nacional.
Bacia Platina,
ou dos rios Paraná e Uruguai
A bacia platina, ou do rio da Prata, é constituída pelas sub-bacias dos rios
Paraná, Paraguai e Uruguai, drenando áreas do Brasil, Bolívia, Paraguai,
Argentina e Uruguai.
O rio Paraná possui cerca de 4.900 km de extensão, sendo o segundo em
comprimento da América do Sul. É formado pela junção dos rios Grande e
Paranaíba. Possui como principais tributários os rios Paraguai, Tietê,
Paranapanema e Iguaçu. Representa trecho da fronteira entre Brasil e Paraguai,
onde foi implantado o aproveitamento hidrelétrico binacional de Itaipu, com
12.700 MW, maior usina hidrelétrica em operação do mundo. Posteriormente, faz
fronteira entre o Paraguai e a Argentina. Em função das suas diversas quedas,
o rio Paraná somente possui navegação de porte até a cidade argentina de Rosário.
O rio Paraguai, por sua vez, possui um comprimento total de 2.550 km, ao
longo dos territórios brasileiro e paraguaio e tem como principais afluentes os
rios Miranda, Taquari, Apa e São Lourenço. Nasce próximo à cidade de
Diamantino, no estado de Mato Grosso, e drena áreas de importância como o
Pantanal mato-grossense. No seu trecho de jusante banha a cidade de Assunción,
capital do Paraguai, e forma a fronteira entre este país e a Argentina, até
desembocar no rio Paraná, ao norte da cidade de Corrientes.
O rio Uruguai, por fim, possui uma extensão da ordem de 1.600 km, drenando
uma área em torno de 307.000 km2. Possui dois principais formadores,
os rios Pelotas e Canoas, nascendo a cerca de 65 km a oeste da costa do Atlântico.
Fazem parte da sua bacia os rios Peixe, Chapecó, Peperiguaçu, Ibicuí, Turvo,
Ijuí e Piratini.
O rio Uruguai forma a fronteira entre a Argentina e Brasil e, mais ao sul, a
fronteira entre Argentina e Uruguai, sendo navegável desde sua foz até a
cidade de Salto, cerca de 305 km a montante.
Bacia do Atlântico
Sul - trechos sudeste e sul
A bacia do Atlântico Sul, nos seus trechos sudeste e sul, é composta por rios
da importância do Jacuí, Itajaí e Ribeira do Iguape, entre outros. Os mesmos
possuem importância regional, pela participação em atividades como transporte
hidroviário, abastecimento d'água e geração de energia elétrica.
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