Blocos Econômicos
Associação
Latino-Americana de Integração - ALADI
A Associação
Latino-Americana de Integração (ALADI) foi estabelecida em 1980, quando da
assinatura do Tratado de Montevidéu, e é integrada por treze membros: os países
do MERCOSUL (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) e da Comunidade Andina (Bolívia,
Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), além do Chile, México e Cuba. A ALADI
atua com a perspectiva de criação de uma zona de livre comércio entre seus
membros até 2005.
A relação de
produtos que gozam de referências tarifárias no âmbito da ALADI e seus
respectivos códigos constam de tabela existente no SISCOMEX.
Acordo de Livre-Comércio da América do Norte - NAFTA
O acordo de livre
comércio da América do Norte, foi assinado pelos líderes de: Canadá. México
e EUA em 7 de outubro de 1992, porem somente entrou em vigor no dia 1 de janeiro
de 1994 depois de um conturbado processo de ratificação nos EUA.
O NAFTA criou uma
zona de livre comércio na qual tarifas e certas outras barreiras ao comércio
de bens e serviços e recursos financeiros serão gradualmente eliminadas em um
período de 15 anos mas espera-se que a maior parte das liberalizações ocorra
nos primeiros cinco ano.
O objetivo claro
e, algumas vezes até confesso, da estratégia comercial dos EUA é a obtenção
da hegemonia na competitividade global. Isto se mostrou impossível de obter na
área multilateral pelos motivos já apontados, como a perda da competitividade
relativa, guerra de subsídios, etc, apesar da política comercial agressiva que
tornou esse pais no maior violador das normas do GA7T e do direito
internacional.
União Européia - UE
A União Européia
nasceu no dia 1º de novembro de 1993, cujos tratados de fundação remontam a
1957 (ano da assinatura do Tratado de Roma), conta hoje com quinze Estados
membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França,
Grécia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal, Reino Unido e
Suécia.
Os tratados de
1957 foram submetidos a três revisões: em 1987 (Ato Único, que estabeleceu as
bases para a criação do mercado único europeu a partir de 1992), em 1992
(Tratado de Maastricht, que prevê a união econômica e monetária dos Estados
membros) e em 1997 (Tratado de Amsterdã, especialmente voltado para temas
sociais e de direitos humanos). Os principais objetivos da União Européia para
os próximos anos inscrevem-se nos seguintes domínios:
Incrementar a
integração econômica e a reforçar a cooperação entre seus estados-membros.
O Tratado de Maastricht firmado em 1992 pelos 12 chefes de governos da União
Européia. Estabeleceu uma política exterior e monetária comuns e projetou a
criação de um banco central para o ano de 1999; iniciou também políticas
comuns de defesa, de cidadania e de proteção do meio-ambiente
Mercado Comum do
Sul - MERCOSUL
O Mercado Comum
do Sul é formado pelo Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, com Chile e Bolívia
como associados. Foi criado em 1991 através do Tratado de Assunção, com o
objetivo de eliminar as tarifas alfandegárias entre seus membros,
possibilitando um livre comercio entre os mesmos.
Com a assinatura
do Protocolo de Ouro Preto, em dezembro de 1994, o MERCOSUL ganhou personalidade
jurídica de direito internacional: o Protocolo reconhece ao bloco competência
para negociar, em nome próprio, acordos com terceiros países, grupos de países
e organismos internacionais. Cabe mencionar, nesse contexto, o Acordo-Quadro
Inter-regional de Cooperação Econômica, firmado em dezembro de 1995, entre o
MERCOSUL e a União Européia.
Em seu processo
de harmonização tributária, o MERCOSUL contempla a eliminação de tarifas
aduaneiras e restrições não-tarifárias à circulação de mercadorias entre
os países membros, tendo por horizonte garantir, no futuro, a livre circulação
de bens, serviços e fatores produtivos em um mercado comum. A criação de uma
Tarifa Externa Comum - TEC (que caracteriza uma união aduaneira), implementada
em grande parte desde primeiro de janeiro de 1995, e a adoção de políticas
comerciais comuns em relação a terceiros países representam avanços
significativos no processo de integração. Assinale-se ainda que, para atender
ao cumprimento de políticas econômicas internas, peculiares aos países
membros, foi criada lista de exceções tributárias para determinados produtos,
cujas alíquotas devem convergir para a TEC até 2006.
Comunidade Andina
- CAN
O Pacto Andino
foi estabelecido em 1969, tornando-se a Comunidade Andina em 1996.
Compreende os países
Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, com uma população de 101 milhões
de habitantes e um PNB de 260 milhões de dólares.
Formou uma região
de mercado comum e, a partir de 1995 (com a exceção do Peru), adotou uma TEC
(Tarifa Externa Comum).
Em 1997,
constituiu um acordo comercial com o MERCOSUL. Desse modo, prevê-se a união
deste bloco com o MERCOSUL, devido à força expressiva deste último, a fim de
fortalecer a América Latina nas discussões da ALCA.
Sistema Geral de Preferências - SGP
O Sistema Geral
de Preferências (SGP), criado em 1970, no âmbito da Conferência das Nações
Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD), permite aos países
desenvolvidos conceder isenção ou redução do imposto de importação sobre
determinados produtos procedentes de países em desenvolvimento, entre os quais
o Brasil. (O SGP é uma concessão unilateral de países desenvolvidos a países
em desenvolvimento).
Segundo dados da SECEX, do total de US$ 10,8 bilhões de exportações brasileiras para os EUA,
em 1999, US$ 2,2 bilhões (ou seja, 20,3 por cento) corresponderam a vendas com
tratamento preferencial no âmbito do SGP. No caso da União Européia, de um
total de US$ 13,7 bilhões, US$ 6,4 bilhões (46,6 por cento) beneficiaram-se do
SGP, em 1999. Para o Japão, beneficiaram-se do SGP, no ano passado, US$ 382,9
milhões (17,47 por cento), de um total de US$ 2,1 bilhões. Quanto ao Canadá,
de um total de US$ 513,1 milhões de exportações brasileiras, US$ 255 milhões
(49,7 por cento) corresponderam a vendas beneficiadas pelo SGP.
Asean
Associação das
Nações do Sudeste Asiático (Asean), integrada por Indonésia, Malásia,
Filipinas, Cingapura, Tailândia e Brunei. A rede do secretariado geral fica em
Jacarta, na Indonésia. Surge em 1967 com o objetivo de acelerar o progresso
econômico e aumentar a estabilidade regional. Em 1988 é criado o Fundo Asean,
com capital de US$ 150 milhões, para financiar a indústria da região. A
organização incentiva a produção de bens complementares (de autopeças, por
exemplo), que têm os países-membros como compradores preferenciais. Em 1992,
é assinado acordo para acabar em 2008 com as barreiras econômicas e alfandegárias
entre esses países. A Asean também prevê a cooperação nas áreas de
transporte, comunicação, segurança, relações externas, indústria, finanças,
agricultura, energia, transporte, tecnologia, educação, turismo e cultura. Em
julho de 1993, a Asean decide se inserir como um movimento dentro da Apec
(Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico).
Associação
Européia de Livre-Comércio - EFTA
A EFTA, criada em
1960, conta hoje apenas com a Suíça, Islândia, Liechtenstein e Noruega como
países membros.
Apec
A Cooperação
Econômica da Ásia e do Pacífico (Apec) é um bloco econômico que integra
Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Coréia
do Sul, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Filipinas,
Cingapura, Formosa (Taiwan), Tailândia e Estados Unidos. Surge em 1989, na
Austrália, como um fórum de conversações informais entre os países membros
da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Prevê a cooperação
nas áreas de comércio e investimentos. Adquire contornos de bloco econômico
em 1993, com a Conferência de Seattle, nos EUA. Em 1994, é estabelecido que as
negociações para a eliminação das barreiras comerciais tenham início no ano
2000 e sejam completadas num período de dez anos nos países desenvolvidos, em
15 anos nas economias recém-industrializadas e em 20 anos nas nações em
desenvolvimento. A partir de sua consolidação, será o maior bloco econômico
do mundo, totalizando 50% da produção mundial e envolvendo 46% do comércio
global.
Mercado Comum
Centro Americano - MCCA
O MCCA foi criado
em 1960 e implementado em 1963, com os países Guatemala, El Salvador, Honduras,
Costa Rica e Nicarágua. Eles adotaram uma TEC (Tarifa Externa Comum) e
atualmente participam ativamente no processo de implementação da ALCA.
Caricom
O Mercado Comum
da Comunidade do Caribe (Caricom) é um bloco de cooperação econômica
estabelecido pelo Tratado de Chaguaramas em 4 de julho de 1973. É integrado por
12 países e três territórios: Antígua e Barbuda, Bahamas, Barbados, Belize,
Dominica, Granada, Guiana, Jamaica, Santa Lúcia, São Cristóvão e Névis, São
Vicente e Granadinas, Trinidad e Tobago, Ilhas Virgens Britânicas, Ilhas Turks
e Caicos e Montserrat. O Caricom substitui a Associação do Livre-Comércio do
Caribe (Carifta), criada em 1967.
Organização
Mundial do Comércio O M C.
Antecedentes: A OMC foi estabelecida em 1 de janeiro de 1995 e criada nas
negociações da rodada do Uruguai (1986-94). A organização internacional que
procedeu a OMC foi o GATT, apesar que hoje os acordos do GATT continuam sendo
parte dos acordos da OMC. O GATT foi substituído pela OMC, pois nâo tinha
nenhuma base legal e além disso só lidava com o comércio de mercadoria. Na
rodada do Uruguai as regras foram estendidas para serviços, mercadorias e
propriedade intelectual (patente). Assim foi criada a OMC que teria uma base
legal mais forte e que acobertasse todas as faces do comércio.
Sede: A sede da
OMC fica em Genebra/Suíça com 132 países membros.
Propósitos: A
OMC regulariza e organiza o comércio internacional, resolvendo diferenças
comerciais entre os países, ajudando a facilitar o comércio.
SADC
Southern African
Development Community
A SADC (Comunidade da África Austral) teve início em agosto de 1992. Apresenta
uma população total de 137 milhões de habitantes e um PIB total de US$ 146
milhões.
Atualmente, discute-se a cooperação econômica, sendo estes os países
participantes: Angola, República Democrática do Congo, Malawi, Moçambique,
Seychelles, Swaziland, Zimbabwe, Botswana, Lesotho, Mauritus, Namíbia, África
do Sul e Tanzânia.
As Fases da
Integração Econômica
Cinco são as
fases de integração econômica entre países:
a. zona de livre
comércio: as barreiras ao comércio de bens entre países membros são
eliminadas, mas estes mantêm autonomia na administração de sua política
comercial;
b. união
aduaneira: a circulação interna de bens e serviços é livre, a política
comercial é uniformizada e os países membros utilizam uma tarifa externa
comum;
c. mercado comum:
superada a fase de união aduaneira, atinge-se uma forma mais elevada de integração
econômica, em que são abolidas não apenas as restrições sobre os produtos
negociados, mas também as restrições aos fatores produtivos (trabalho e
capital);
d. união econômica:
essa fase associa a supressão de restrições sobre investimentos de
mercadorias e fatores com um certo grau de harmonização das políticas econômicas
nacionais, de forma a abolir as discriminações resultantes de disparidades
existentes entre essas políticas, tornando-as o mais semelhante possível;
e. integração
econômica total: passa-se a adotar uma política monetária, fiscal, social e
anticíclica uniforme, bem como se delega a uma autoridade supranacional poderes
para elaborar e aplicar essas políticas. As decisões dessa autoridade devem
ser acatadas por todos os estados membros.
MERCOSUL
O
QUE É O MERCOSUL?
Desde
1º de janeiro de 1995, Argentina, Brasil Paraguai e Uruguai, os países membros
do Mercosul (Mercado Comum do Sul), passam a cobrar tarifas idênticas nas suas
importações. A TEC (Tarifa Externa Comum) abrange 85% dos produtos negociados.
Os
15% restantes terão um prazo maior de adaptação (variando de 2001 a 2006). Em
1995, estes países formaram uma união aduaneira com quase 190 milhões de
consumidores potenciais e um PIB (Produto Interno Bruto) total de mais de meio
trilhão de dólares d terão 12 anos para dar o passo seguinte: construir um
mercado comum e, ao mesmo tempo, conquistar a estabilidade econômica e superar
o subdesenvolvimento social. Ao contrário das experiências anteriores, desta
vez a integração deixou os gabinetes e consolidou-se com negócios. Mais de
300 empresas brasileiras estão investindo na Argentina e o comércio regional
deu um salto de 34% ao ano desde 1990. O Mercosul pode mudar o mapa da América
do Sul. Seus países são:
|
BRASIL
Nome Oficial: República
Federativa do Brasil
Capital:
Brasília
Área:8.511.965
Km2
População:149,2
milhões
Língua:
Português
Divisão
administrativa:26 estados e o distrito federal
Renda per
capta: US$2.770
Moeda:
Real
Regime de
governo: Presidencialista
|
ARGENTINA
Nome Oficial:
República Argentina
Capital:
Buenos Aires
Área:2.766.889
Km2
População:33,1
milhões
Língua:
Espanhol
Divisão
administrativa:22 províncias, 1 distrito e o território da terra do fogo
Renda per
capta: US$6.050
Moeda:
Peso
Regime de
governo: Presidencialista
|
URUGUAI
Nome Oficial:
República Oriental do Uruguai
Capital:
Montevidéu
Área:176.224
Km2
População:3,1
milhões
Língua:
Espanhol
Divisão
administrativa:19 departamentos
Renda per
capta: US$3.340
Moeda:
Peso Uruguaio
Regime de
governo: Presidencialista
|
PARAGUAI
Nome Oficial:
República do Paraguai
Capital:
Assunção
Área:406.752
Km2
População:4,5
milhões
Língua:
Espanhol e Guarani
Divisão
administrativa:19 departamentos e um distrito federal
Renda per
capta: US$1.380
Moeda:
Guarani
Regime de
governo: Presidencialista
|
A
função da união entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai - o Mercosul tem
como objetivo melhorar as economias dos mesmos com uma aliança. Alem de poderem
contar com o apoio destes países o intercâmbio de produtos, culturas e raças
esta sendo muito importante para suas independências, pois ainda são colônias
de si mesmas. Apesar de todos as diferenças entre estes países o Mercosul como
a globalização ele está em pleno vigor.
Quadro
geral do Mercosul:
Exportações
e importações do Brasil para os países do Mercosul
|
Países
|
Exportações
|
Importações
|
|
Argentina
|
2.700
|
1900
|
|
Uruguai
|
479
|
316
|
|
Paraguai
|
649
|
180
|
Em
milhões de dólares (US$)
Fonte: Folha de
S.Paulo - 18 de dezembro de 1994, caderno MERCOSUL
Índices
Gerais da economia dos países do Mercosul
|
Índices
|
PIB
(US$ bi)
|
Desemprego
(% - mês)
|
Inflação
(% - mês)
|
Divida
Externa (US$ bi)
|
Juros
(% - mês)
|
Reservas
Internacionais (US$ bi)
|
|
Argentina
|
200,2
|
9,3
|
0,3
|
67,5
|
0,9
|
15,5
|
|
Brasil
|
426,3
|
4,5
|
2,47
|
121,1
|
4,7
|
43,5
|
|
Paraguai
|
0,9
|
2,1
|
0,9
|
1,7
|
1,3
|
0,9
|
|
Uruguai
|
1,3
|
9,4
|
3,5
|
5,2
|
5,6
|
1,3
|
Fonte:
Folha de S.Paulo - 18 de dezembro de 1994, caderno MERCOSUL
A
crise da Argentina
A atual crise na
Argentina começou com escândalo de suborno no Senado:
A crise
Denúncia de corrupção no Senado foi a primeira crise política enfrentada
pelo governo de Fernando de la Rúa.
A reforma
trabalhista
Aprovada no primeiro semestre, flexibilizou o mercado de trabalho, facilitando a
contratação e a demissão de funcionários.
O suborno
Senadores da oposição e da situação teriam dividido US$ 10 milhões para
aprovar a reforma trabalhista, de interesse do governo e da iniciativa privada.
A investigação
A Justiça convocou senadores para depor e uma Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) foi criada pelo Senado para se auto-investigar.
O delator
Antônio Cafiero, senador do Partido Justicialista (PJ, oposição) teria
entregue à Justiça os nomes de três senadores que receberam US$ 50 mil para
votar a favor da reforma.
A defesa
Alvarez, na época vice-presidente da República e líder do Senado, pediu à
Justiça que investigasse o caso a fundo para esclarecer todas as suspeitas.
Queria provar a inocência do governo ou pelo menos mostrar transparência.
O articulador
Alberto Flamarique, ministro do Trabalho, foi responsável por negociar a aprovação
da reforma. Ele também renunciou ontem.
Bolsa
e governo tentam resgatar mercado argentino
Terça, 05 de
dezembro de 2000, 12h52min
A Bolsa de
Valores de Buenos Aires, o Instituto Argentino de Mercado de Capitais e o
governo argentino iniciaram uma verdadeira operação de resgate para evitar que
o mercado de capitais do país caia de vez no abismo. A Comissão Nacional de
Valores (a CVM argentina) reconhece que, apesar de rentável, o mercado
argentino desaparecerá se não for feita alguma operação para desviá-lo do
rumo que está tomando. Nos últimos dez anos, por exemplo, 109 companhias de
capital aberto deixaram de ser listadas na Bolsa de Buenos Aires e, das 650
empresas que negociavam suas ações no início da década de 90, restam apenas
124.
As empresas
recentemente privatizadas, que no início da década de 90 sustentava a
principal bolsa argentina, praticamente desapareceram e os investidores optaram
por mercados com maior liquidez, como os de Nova York, Frankfurt e Tóquio. Em
menos de um ano, o índice Merval da Bolsa de Buenos Aires perdeu papéis da YPF
(quando se transformou em Repsol-YPF) do Banco Rio (hoje em mãos do Banco
Santader Central Hispano), da Telefónica Argentina (agora sob controle total do
Grupo Telefónica) e da argentina Pérez Companc. Os papéis dessas companhias são
hoje negociados em Madri ou em Wall Street.
No ano passado, o
volume negociado na Bolsa de Buenos Aires somou apenas US$ 691 milhões,
enquanto que em ADRs os negócios alcançaram US$ 1,49 bilhão. De acordo com a
CNV, os investidores estão pouco interessados onde operar ou onde são
negociadas as ações das companhias. O que todos buscam é pagar a menor comissão
possível. O custo para operar com ADRs na Argentina, por exemplo, é de US$
0,38, já em Nova York não passa de US$ 0,05. Além disso, as empresas listadas
em Wall Street têm financiamentos com custos bem menores. Um informe do Banco
Mundial (Bird) mostra que, entre 1989 e 1999, 122 empresas da Argentina, Brasil
e México abriram seu capital em Wall Street. Hoje, cerca de 104 empresas da
região tem ADRs negociadas na Bolsa de Nova York e 254 na Nasdaq.
Mas o cenário
negro no mercado de capitais do país não termina aí. Na Argentina, apenas 26%
das empresas que faturam mais de US$ 500 milhões são cotadas em bolsa. Das
companhias que faturam entre US$ 50 milhões e US$ 500 milhões, apenas 10% tem
suas ações no mercado de capitais. De acordo com dados da McKinsey, o
porcentual de capitalização na Argentina em relação ao PIB não passa de 28%
(US$ 84 bilhões, considerando um PIB de US$ 300 bilhões), enquanto que no
Brasil e no México essa capitalização oscila entre 42% e 44% do PIB.
Porcentuais que perdem de longe para Londres (234%) e Nova York (210%).
O processo parece
irreversível, mas o governo argentino, a Bolsa de Buenos Aires e Instituto de
Mercado de Capitais acreditam o contrário e estão dispostos a tirar o mercado
argentino do buraco. Há mais de um mês, o secretário de Finanças Daniel
Marx, vem elaborando um plano que permita transformar a Bolsa argentina em um
mercado mais competitivo, que permita atrair maiores volumes de negócios. Neste
período de crise política e econômica, por exemplo, o volume negociado na
Bolsa de Buenos Aires tem oscilado entre US$ 10 milhões e US$ 20 milhões por
dia.
Marx quer
concluir o projeto de reestruturação do mercado até o final do primeiro
trimestre de 2001. Entre as medias estão o estabelecimento de novos mecanismos
de liquidação e compensação de títulos. Devem ser colocadas em prática
também iniciativas que permitam promover a difusão do mercado de capitais e a
participação dos minoritários. Para isso, já foi lançado o site (poupar em
espanhol). Marx quer também a integração da principal bolsa Argentina com as
bolsas dos mercados do Interior. Espera-se também a criação de uma rede de
liquidação internacional.
O secretário
acredita que é necessário dar maior segurança jurídica aos investidores e
melhor infra-estrutura ao mercado de capitais, além de uma maior transparência.
"Os movimentos de capitais são cada vez maiores, têm menos barreiras e
custam menos. Por isso, muitos dos que usam o mercado conseguem, algumas vezes,
satisfazer as suas necessidades, tanto vendendo como comprando títulos fora da
Argentina", analisa Marx.
O secretário
acredita que a Argentina precisa de um modelo de mercado eficiente, barato e com
boa relação custo/benefício para os investidores. "O que estamos
buscando é montar um sistema que nos conecte ao mundo", diz.
Dia 4, durante um
longo seminário sobre mercado de capitais realizado na Embaixada do Brasil, os
argentinos elogiaram muito o modelo adotado no País e a legislação
brasileira.