Brasília
Brasília, a capital do País inaugurada
em 1960, teve a sua construção definida em 1956 pelo presidente da República,
Juscelino Kubitschek, e é hoje tombada pela Unesco como Patrimônio da
Humanidade. Para a decisão acerca do plano da cidade foi instituído um
concurso nacional de projetos, sendo o júri composto pelo inglês William
Holford, o francês André Sive, o grego Stamo Papadaki e os brasileiros Paulo
Antunes Ribeiro, Horta Barbosa, Israel Pinheiro (presidente) e Oscar
Niemeyer, arquiteto que assina as principais obras arquitetônicas da
cidade.
Lucio
Costa foi proclamado vencedor em 16 de março de 1957, e os outros projetos
classificados foram os das equipes formadas por B. Milman, J. H. Rocha e Ney Gonçalves
(2º lugar), Rino Levi e associados e M. M. M. Roberto (ambos em 3º lugar). O
projeto da equipe de jovens arquitetos paulistas, da qual fazia parte Joaquim
Guedes, continha idéias e formas semelhantes às do projeto vencedor,
comprovando a importância dos eixos viários e da estrutura linear para a
definição do urbanismo
contemporâneo.
O plano piloto de Lucio Costa possui a
forma de um avião ou de uma cruz; as asas (sul e norte) são constituídas por
um eixo rodoviário e eixos laterais (leste e oeste) integrados e margeados por
superquadras habitacionais multifamiliares, compostas por blocos longitudinais
de seis e três pavimentos, delimitadas transversalmente por ruas para o comércio
e equipamentos de ensino e recreação. Ao conjunto de quatro superquadras,
definidas com elementos suficientes para a escala residencial e cotidiana, dá-se
o nome de Unidade de Vizinhança.
No eixo monumental, braço menor da cruz
ou das asas do avião, os edifícios do governo local e federal estão dispostos
ora alinhados em seqüência ritmada, compondo a Esplanada dos Ministérios, ora
agrupados em torno de espaços localizados nos pólos, criando a Praça dos Três
Poderes, do governo federal, e o Paço Municipal, na Praça do Buriti. A
Catedral de Brasília, cuja inusitada estrutura é adornada internamente com
imaginária religiosa concebida pelo escultor Alfredo Ceschiatti, impõe um
ponto de inflexão na Esplanada, que tem como pano de fundo as monumentais cúpulas
do Congresso Nacional.
Nessa imensa via, onde o sinal da cruz
se expressa de maneira diretamente simbólica e onde se toma posse da terra,
segundo os preceitos determinados por Lucio Costa na Memória Explicativa que
acompanhou o seu esboço inicial, os edifícios das diferentes esferas de
governo são entremeados por setores de negócios, lazer e transporte coletivo.
As áreas destinadas a essa mescla de funções se encontram em pontos de
interseção e abrigam teatros, shoppings, bancos e rodoviária.
As áreas onde se localizam as
embaixadas e a Universidade de Brasília configuram excelente mostra da
arquitetura nacional internacional e abrigam centros de pesquisa avançada em
diversos campos do conhecimento. Voltadas para o imenso lago artificial que abraça
a cidade ao leste, essas áreas são complementadas por clubes e parques, além
de residências. A recente ocupação do lago por sofisticados equipamentos para
compras e recreação pretende tornar Brasília uma cidade turística,
complementando a sua vocação político-institucional e ampliando as
possibilidades do desenvolvimento do Centro-oeste, de acordo com as metas do então
presidente Kubitschek.