Cartografia
Ciência
da representação gráfica das formas e proporções da
superfície terrestre, tendo os mapas geográficos, de maneira
geral, como resultado do trabalho cartográfico. Várias são as
técnicas de projeções gráficas da superfície terrestre,
todas elas desenvolvidas durante toda a história da cartografia
(V. Projeções dos Mapas). A cartografia surgiu na história do
homem desde os tempos mais remotos, quando o homem percebeu sua
necessidade de conhecimento preciso sobre o modo como se organiza
e se apresenta o espaço geográfico onde vive. Já foram
encontrados registros cartográficos remontados à Antiguidade,
como um mapa babilônico, gravado em pedra argilosa, cujo ano de
origem é estimado em 2.500 a.C. Provavelmente este mapa servia
às necessidades administrativas, utilizado para a
regionalização na cobrança de taxas. Os primeiros mapas-múndi
de que se tem noticia foram elaborados também na Antiguidade,
por volta de 600 a.C. Tais mapas constituíam apenas uma
representação do mundo tal e qual este era imaginado, pois
tanto as bases de observação quanto as terras conhecidas na
época destes rudimentares cartógrafos eram bastante limitadas.
Um exemplar destes mapas é o do filósofo grego Anaximandro, que
representava as terras conhecidas ao redor do Mar Egeu. Um
primitivo Atlas geográfico teria sido desenvolvido por Cláudio
Ptolomeu em cerca de 150 a.C., que reuniu uma infinidade de mapas
por ele criados em sua obra denominada Geografia. Na Idade
Média, os mapas eram elaborados por eclesiásticos. Estes,
isolados do mundo exterior, incorriam em grandes equívocos do
ponto de vista cartográfico, geralmente realizando
representações cartográficas por demais imprecisas em
relação às reais características geográficas das regiões
representadas, embora apresentassem conteúdo estético precioso
e fantasioso. Neste período houve grande interrupção evolutiva
da Cartografia no mundo ocidental, enquanto os árabes, em pleno
desenvolvimento comercial e marítimo, empreendiam avanços nesta
área. O Ocidente só tornaria a ver a evolução desta ciência
através dos movimentos de expansão comercial e marítima
europeus. Na Idade Moderna, são grandiosos os avanços na
cartografia, como por exemplo em Portugal, que então passou a
exercer domínio com suas grandes expedições marítimas e
avanços na técnica de navegação. Na Academia de Navegação
de Sagres foi instituído um grande centro da cartografia
mundial, reunindo ainda estudiosos de geografia e astronomia. No
século XV surgiram os primeiros mapas impressos pelo processo de
gravação em relevo em placas de cobre. Estas placas recebiam
tintas e eram colocadas em contato com os materiais de
impressão, resultando em grande produtividade com relação à
quantidade de mapas que poderiam ser produzido a partir de uma
mesma matriz. No século XVI o domínio dos mares é dividido com
os holandeses, que também passam a realizar grandes avanços na
ciência. Até este período, a Cartografia não só se tratava
de uma ciência: vários exemplares de mapas desta época são
ornados com uma série de elementos decorativos artísticos, como
representações de anjos que sopram ventos favoráveis à
navegação e diversos outros elementos figurativos. Ao mesmo
tempo, conseguia-se maior precisão conforme a expansão
marítima européia tinha seu desenvolvimento. A cartografia
exata e voltada apenas para os elementos científicos somente
teve lugar com a Idade Contemporânea quando, com o advento dos
veículos aéreos e, posteriormente, dos veículos espaciais,
passaram a se alargar as possibilidades de observação
geográfica e topográfica e, assim, a precisão geométrica na
representação de mapas passou a adquirir grande precisão.