O Ciclo Hidrológico
Devido às diferentes e particulares condições climáticas,
em nosso planeta a água pode ser encontrada, em seus vários estados: sólido,
líquido e gasoso.
Chamamos de ciclo hidrológico, ou ciclo da água, à
constante mudança de estado da água na natureza. O grande motor deste ciclo é
o calor irradiado pelo sol.
A permanente mudança de estado físico da água, isto é, o
ciclo hidrológico, é a base da existência da erosão da superfície
terrestre. Não fossem as forças tectônicas, que agem no sentido de criar
montanhas, hoje a Terra seria um planeta uniformemente recoberto por uma camada
de 3km de água salgada.
Em seu incessante movimento na atmosfera e nas camadas mais
superficiais da crosta, a água pode percorrer desde o mais simples até o mais
complexo dos caminhos.
Quando uma chuva cai, uma parte da água se infiltra através
dos espaços que encontra no solo e nas rochas. Pela ação da força da
gravidade esta água vai se infiltrando até não encontrar mais espaços, começando
então a se movimentar horizontalmente em direção às áreas de baixa pressão.
A única força que se opõe a este movimento é a força de
adesão das moléculas d’água às superfícies dos grãos ou das rochas por
onde penetra.
A água da chuva que não se infiltra, escorre sobre a superfície
em direção às áreas mais baixas, indo alimentar diretamente os riachos,
rios, mares, oceanos e lagos.
Em regiões suficientemente frias, como nas grandes altitudes
e baixas latitudes (calotas polares), esta água pode se acumular na forma de
gelo, onde poderá ficar imobilizada por milhões de anos.
O caminho subterrâneo das águas é o mais lento de todos. A
água de uma chuva que não se infiltrou levará poucos dias para percorrer
muitos e muitos quilômetros. Já a água subterrânea poderá levar dias para
percorrer poucos metros. Havendo oportunidade esta água poderá voltar à
superfície, através das fontes, indo se somar às águas superficiais, ou então,
voltar a se infiltrar novamente.
A vegetação tem um papel importante neste ciclo, pois uma
parte da água que cai é absorvida pelas raízes e acaba voltando à atmosfera
pela transpiração ou pela simples e direta evaporação (evapotranspiração).
Distribuição da água na Terra
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Tipo
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Ocorrência
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Volumes (km3)
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Água doce superficial
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Rios
Lagos
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1.250
125.000
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Água doce subterrânea
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Umidade do solo
Até 800 metros
Abaixo de 800 metros
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67.000
4.164.000
4.164.000
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Água doce sólida (gelo)
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Geleiras e Glaciais
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29.200.000
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Água salgada
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Oceanos
Lagos e mares salinos
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1.320.000.000
105.000
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Vapor de água
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Atmosfera
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12.900
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Total
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1.360.000.000
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Observa-se no quadro acima que, de toda a água existente no
planeta Terra, somente 2,7% é água doce. Pode-se também verificar que de toda
a água doce disponível para uso da humanidade, cerca de 98% está na forma de
água subterrânea.
Da água que se precipita sobre as áreas continentais,
calcula-se que a maior parte (60 a 70% ) se infiltra. Vê-se, portanto, que a
parcela que escoa diretamente para os riachos e rios é pequena (30 a 40%). É
esta água que se infiltra, que mantém os rios fluindo o ano todo, mesmo quando
fica muito tempo sem chover. Quando diminui a infiltração, necessariamente
aumenta o escoamento superficial das águas das chuvas.
A infiltração é importante, portanto, para regularizar a
vazão dos rios, distribuindo-a ao longo de todo o ano, evitando, assim, os
fluxos repentinos, que provocam inundações.
Não adianta culpar a natureza. Esta relação, entre a
quantidade de água que se precipita na forma de chuva, a quantidade que se
infiltra, a que tem escoamento superficial imediato, e a que volta para a
atmosfera, na forma de vapor, constitui uma verdade da qual não podemos
escapar. As cidades são aglomerados, onde grande parte do solo é
impermeabilizado, e a conseqüência lógica disto é o aumento de água que
escoa, provocando inundações das áreas baixas. Se estiver correta as previsões
de que está havendo um aquecimento global, e de que este levará ao
aumento das chuvas, é de se esperar um agravamento do problema de inundações
nos países tropicais.