Os complexos regionais
Existe outra forma de
regionalizar o Brasil, de uma maneira que capta melhor a
situação sócio-econômica e as relações entre sociedade e o
espaço natural. Trata-se da divisão do país em três grandes
complexos regionais: o Centro-Sul, o Nordeste e a Amazônia.
Ao contrário da divisão regional
oficial, esta regionalização não foi feita pelo IBGE. Ela
surgiu com o geógrafo brasileiro Pedro Pinchas Geiger no final
da década de 60, nela o autor levou em consideração o processo
histórico de formação do território brasileiro em especial a
industrialização, associado aos aspectos naturais.
A divisão em complexos regionais
não respeita o limite entre os estados. O Norte de Minas
Gerais encontra-se no Nordeste, enquanto o restante do
território mineiro encontra-se no Centro-Sul. O leste do
Maranhão encontra-se no Nordeste, enquanto o oeste encontra-se
na Amazônia. O sul de Tocantins e do Mato Grosso encontra-se
no Centro-Sul, mas a maior parte desses estados pertencem ao
complexo da Amazônia. Como as estatísticas econômicas e
populacionais são produzidas por estados, essa forma de
regionalizar não é útil sob certos aspectos, mas é muito útil
para a geografia, porque ajuda a contar a história da produção
do espaço brasileiro.
O Nordeste foi o pólo econômico
mais rico da América portuguesa, com base na monocultura da
cana de açúcar, usando trabalho escravo. Tornou-se, no século
XX, uma região economicamente problemática, com forte
excedente populacional. As migrações de nordestinos para
outras regiões atestam essa situação de pobreza.
O Centro-Sul é na atualidade o
núcleo econômico do país. Ele concentra a economia moderna,
tanto no setor industrial como no setor agrícola, além da
melhor estrutura de serviços. Nele se também a capital
política do país.
A Amazônia brasileira é o espaço
de povoamento mais recente, ainda em estágio inicial de
ocupação humana. A área está coberta por uma densa floresta,
com clima equatorial, que dificulta o povoamento. Os
movimentos migratórios na direção desse complexo regional
partem tanto do Centro-Sul como do Nordeste, sendo que hoje a
região mais recebe população.
Essa é uma visão superficial da
organização do espaço geográfico brasileiro. Ela resume as
principais características naturais e humanas de cada uma
dessas regiões. Por serem vastas áreas, verdadeiros complexos
regionais, o Nordeste, o Centro-Sul e a Amazônia registram
profundas desigualdades naturais, sociais e econômicas. As
regiões apresentam diferenças entre si e variedade interna de
paisagens geográficas.
Em meio à pobreza tradicional, o
Nordeste abriga imensos recursos econômicos e humanos, que
apontam caminhos para a superação de uma crise que já se
prolongou demais. As transformações introduzidas nas zonas
irrigadas do Vale do São Francisco e a criação de zonas
industriais na área litorânea comprovam essa possibilidade.
A geração de riquezas no
Centro-Sul tornou essa região a mais rica do país,
estabelecendo um pólo de atração populacional que, no século
XX, originou as maiores metrópoles nacionais. O ritmo
acelerado desse crescimento criou disparidades sociais
gravíssimas, como desemprego, favelamento, e problemas
ambientais de difícil solução.
Áreas significativas da Amazônia
já foram ocupadas, especialmente aquelas situadas na parte
oriental da região ou nas margens dos rios. Hoje esse
povoamento se acelerou muito, a tal ponto que os conflitos
pela posse da terra se tornaram tristemente comuns.
Formaram-se também grandes cidades, caracterizadas pelo
crescimento explosivo e por profundos desequilíbrios sociais e
econômicos.
O
NORDESTE
a) A zona da mata
É a faixa litorânea de planícies
que se estende do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia. As
chuvas são intensas e há duas estações bem definidas: o verão
seco e o inverno chuvoso.
Na época colonial, instalou-se
nesse área o empreendimento açucareiro escravista. As
condições ecológicas são ideais para o cultivo da cana. Os
solos, férteis e escuros, conhecidos como massapê, cobrem os
vales dos rios, que ficaram conhecidos como "rios do açúcar".
Vários desses rios são temporários, pois suas nascentes
localizam-se no interior do semi-árido.
No início da colonização, a Zona
da Mata não era dominada completamente pelas plantações de
cana. A população das cidades e das fazendas necessitava de
alimentos. Por isso, uma parte das terras ficava reservada
para culturas de milho, mandioca, feijão e frutas. Também
existiam pastagens para a criação de gado. Essas terras eram
os tabuleiros, áreas um pouco mais elevadas situadas entre os
vales de dois rios.
Como os solos dos tabuleiros são
menos úmidos e mais pobres que o massapê, não eram usados para
o plantio da cana. Assim, inicialmente, toda a produção
agrícola e até a pecuária localizavam-se na faixa úmida do
litoral, onde se instalaram sítios familiares produtores de
alimentos e fazendas de gado.
Mas a produção de cana, crescia,
à medida que aumentavam as exportações de açúcar para a
Europa. As sesmarias se dividiam entre os herdeiros dos
primeiros proprietários. Cada um deles criava novos engenhos,
que necessitavam de mais cana. Depois, os sítios foram
comprados pelos fazendeiros e as culturas de alimentos foram
substituídas por novas plantações de cana.
Muita coisa mudou na Zona da
Mata desde a época colonial. A escravidão deu lugar ao
trabalho assalariado dos bóias frias. Os antigos engenhos
foram substituídos por usinas de açúcar e álcool. Mas a cana
permaneceu como produto principal da faixa litorânea do
Nordeste.
O principal motivo dessa
permanência esta na força política dos proprietários de usinas
e fazendas. Durante o século XX, a produção de cana, açúcar e
álcool do Centro-Sul evoluiu tecnicamente, superando a
produção da Zona da Mata. Mas os usineiros sempre conseguiram
ajuda do governo federal ou dos governos estaduais, sob a
forma de empréstimos, perdão de dívidas ou garantia de preços
mínimos. Dessa forma, impediram a diversificação da
agricultura do litoral nordestino.
Isso não significa que a cana
seja a única cultura da Zona da Mata. No litoral da Bahia,
principalmente na área do Recôncavo Baiano, nas proximidades
de Salvador, aparecem importantes culturas de tabaco. No sul
da Bahia, na área das cidades de Ilhéus e Itabuna,
concentram-se as fazendas de cacau.
Além disso, a produção de frutas
vem adquirindo importância na Zona da Mata. Há várias frutas
nativas do Nordeste - como o caju, o cajá, a mangaba e a
pitanga - que servem para fazer deliciosos sucos e doces.
Outras frutas, provenientes das áreas tropicais do Oriente -
como a graviola, a jaca e a manga - adaptaram-se muito bem aos
climas e solos nordestinos.
b) O Agreste
É uma faixa de transição
ecológica entre a Zona da Mata e o Sertão nordestino. De
largura aproximadamente igual a da Zona da Mata, corre
paralelamente a ela, do Rio Grande do Norte ao sul da Bahia.
Embora, como no Sertão, predomine o clima semi-árido, as secas
do Agreste raramente são tão duradouras e os índices
pluviométricos são maiores que os registrados no Sertão.
Na verdade, grande parte do
Agreste corresponde ao planalto da Borborema, voltada para o
oceano Atlântico, recebe ventos carregados de umidade que, em
contato com o ar mais frio, provocam chuvas de relevo. Na
encosta oeste do planalto, as secas são freqüentes e a
paisagem desolada do Sertão se torna dominante.
O povoamento do Agreste foi
conseqüência da expansão das plantações de cana da Zona da
Mata. Expulsos do litoral, os sitiantes e criadores de gado
instalaram-se nas terras do interior, antes ocupadas por
indígenas. Dessa forma, o Agreste transformou-se em área
produtora de alimentos. O Agreste abastecia a Zona da Mata de
alimentos e esta por sua vez a Europa exportando açúcar.
Após o fim da escravidão, as
plantações canavieiras passaram a utilizar trabalhadores
temporários, empregados durante a época da colheita. O Agreste
passou a fornecer esses trabalhadores: sitiantes e camponeses
pobres que deixam a sua terra nos meses de safra
(transumância). Enquanto os homens ganham algum dinheiro na
colheita, as mulheres e os filhos permanecem cuidando da
lavoura doméstica.
Enquanto a Zona da Mata é uma
área policultora, o Agreste é uma área policultora, já que
seus sítios cultivam diversos alimentos e criam gado para a
produção do leite, queijo e manteiga. Por isso mesmo, uma
sub-região depende da outra, estabelecendo uma forte
interdependência. Assim, a Zona da Mata precisa dos alimentos
e dos trabalhadores do Agreste e este precisa dos mercados
consumidores e dos empregos da Zona da Mata.
As diferenças entre as duas
sub-regiões não estão apenas naquilo que produzem, mas em como
produzem.
Na Zona da Mata, as sesmarias
açucareiras da época colonial foram se dividindo e deram
origem a centenas de engenhos. Alguns nem faziam açúcar,
apenas rapadura e aguardente. Mesmo assim, as fazendas
resultantes não se tornaram pequenas propriedades, uma vez que
os proprietários precisavam manter uma área suficiente para
abastecer os engenhos.
No Agreste, ao contrário, as
propriedades foram se subdividindo cada vez mais, já que não
cultivavam cana nem tinham engenhos.
Com a sucessão de diversas
gerações, as propriedades do Agreste atingiram um tamanho
mínimo, suficiente apenas para a produção dos alimentos
necessários para a família, ou seja, para a prática da
agricultura de subsistência.
A pobreza do Nordeste está
associada a esse contraste do mundo rural. De um lado, as
usinas e fazendas açucareiras da Zona da Mata concentram a
riqueza nas mãos de uma pequena parcela de proprietários. De
outro, os minifúndios do Agreste mantém na pobreza as famílias
camponesas, que não tem terras e técnicas suficientes para
praticar uma agricultura empresarial.
Nos últimos anos vem se dando um
processo de concentração de terras no Agreste, em virtude
principalmente, da expansão de propriedades de criação de gado
para corte.
c) O Sertão
Mais de metade do complexo
regional nordestino corresponde ao Sertão semi-árido. A
caatinga, palavra de origem indígena que significa "mato
branco", é a cobertura dominante e quase exclusiva na imensa
área do Sertão.
A ocupação do Sertão, ainda na
época colonial, se deu pela expansão das áreas de criação de
gado. A pecuária extensiva representa, até hoje, a principal
atividade das grandes propriedades do semi-árido.
No século XVIII, a Revolução
Industrial estava em marcha na Inglaterra. As fábricas de
tecidos produziam cada vez mais, obtendo lucros fabulosos e
exigindo quantidades crescentes de matérias-primas. Por essa
época, começou a aumentar o plantio de algodão no Sertão
nordestino. Vender algodão para os industriais ingleses tinha
se tornado um ótimo negócio.
No século XIX, a Guerra Civil
entre nortistas e sulistas nos EUA desorganizou as exportações
de algodão estadunidense. No Nordeste, os pecuaristas do
Sertão passaram a cultivar o algodão em uma parte das suas
terras e o Brasil tomou mercados antes controlados pelos EUA.
Os plantadores de algodão do Sertão tornaram-se ricos
fazendeiros, que disputavam o poder e a influência com os
usineiros da Zona da Mata.
No interior do Sertão definiu-se
uma zona na qual as precipitações pluviométricas são mais
baixas, denominada "Polígono das secas". Porém não é verdade
que as secas se limitem ao Polígono: muitas vezes, elas
atingem todo o Sertão e até mesmo o Agreste. Também não é
verdade que todos os anos existem secas no Polígono.
No Sertão existiram secas
históricas que duraram vários anos, provocaram grandes
tragédias sociais até hoje lembradas.
As grandes secas ocorreram após
vários anos de chuvas irregulares. A primeira grande seca
historicamente documentada ocorreu no período de 1721 a 1727.
Um historiador, Tomás Pompeu de Assis Brasil, escreveu que
"1722 foi o ano da grande seca, em que não só morreram
numerosas tribos indígenas, como o gado e até as feras e aves
se encontravam mortas por toda a parte."
O jornalista pernambucano Carlos
Garcia explica o mecanismo das secas: " A grande seca de 1932
começou realmente em 1926, quando as chuvas foram irregulares,
irregularidade que se acentuou a cada ano seguinte. Em 1932,
caíram chuvas finas em janeiro, mas cessaram totalmente em
março. A estiagem de 1958 também foi uma grande seca, o que
indica a ocorrência de um ciclo de anos secos a cada 26 anos,
aproximadamente. Essa periodicidade é que leva os sertanejos a
afirmar que cada homem tem de enfrentar uma grande seca em sua
vida." (O que é nordeste brasileiro? São Paulo,
Brasiliense, 1984, p.64.)
Além das grandes secas, ocorrem
também secas localizadas, que atingem pequenos trechos de um
ou outro estado nordestino mas causam muitos estragos.
Geralmente elas são provocadas pela falta de boas chuvas nas
semanas seguintes ao plantio do milho, do feijão e do algodão.
O plantio é feito logo depois
das primeiras chuvas do verão. A germinação e o crescimento
das plantinhas dependem da continuidade das chuvas, na
quantidade exata. Se as chuvas se reduzem, o calor e a
insolação matam as lavouras que acabaram de germinar. Quando
volta a chover, o camponês faz novas plantações. Mas, se as
chuvas cessam novamente começa a tragédia.
A essa altura, o camponês não
tem mais dinheiro ou crédito nos bancos. Não consegue, por
isso, recomeçar o plantio. O milho e o feijão guardados do ano
anterior são consumidos. Sem dinheiro e sem alimentos, resta
esperar a ajuda do governo ou então tomar rumo das cidades.
Assim, o sertanejo vira retirante.
d) O Meio-norte
Abrange os estados do Piauí e o
Maranhão. Do ponto de vista natural, é uma sub-região entre o
Sertão semi-árido e a Amazônia equatorial.
Essa sub-região apresenta clima
tropical, com chuvas intensas no verão. No sul do Piauí e do
Maranhão, aparecem vastas extensões de cerrado. No interior do
Piauí existem manchas de caatinga. No oeste do Maranhão,
começa a floresta equatorial. Por isso, nem todo o Meio-Norte
encontra-se no complexo regional nordestino: a parte oeste do
Maranhão encontra-se na Amazônia.
O Meio-Norte exibe três áreas
diferentes, tanto pela ocupação como pela paisagem e pelas
atividades econômicas.
O sul e o centro do Piauí,
dominados pela caatinga, parecem uma continuação do Sertão.
Essa área foi ocupada pela expansão das fazendas de gado, que
vinham do interior de Pernambuco e do Ceará. A atividade
pecuarista foi a responsável pela fundação de Teresina, a
única capital estadual do Nordeste que não se localiza no
litoral.
O Vale do Parnaíba é uma área
especial. Recoberto pela Mata dos Cocais, tornou-se espaço de
extrativismo vegetal do óleo do babaçu e da cera da carnaúba.
Essas palmeiras não são cultivadas. A exploração dos seus
produtos consiste apenas no corte das folhas da carnaúba e em
recolher os cocos do babaçu que despencam da árvore.
Nas áreas úmidas do norte do
Maranhão, situada já nos limites da Amazônia, formaram-se
fazendas policultoras que cultivam o arroz como principal
produto. As chuvas fortes e as áreas semi alagadas das várzeas
dos rios Mearim e Pindaré apresentam condições ideais para a
cultura do arroz.
O Centro-Sul
O Centro-Sul Sul, se
estende de Minas Gerais
até o Rio Grande do Sul,
englobando também o Mato Grosso do Sul, Goiás e o
Distrito Federal.
Trata-se de uma área do
território brasileiro onde o processo de industrializa
ção, acelerado a partir de
meados do século XX, se deu com maior intensidade.
Isso levou à sua
diferenciação em relação ao restante do país.
O Centro-Sul é a área de
maior capacidade produtiva. Nessa região ocorrem,
com maior intensidade, os
fluxos de circulação de mercadorias, pessoas, capitais
e informações. Nela se
encontram os mais importantes centros de decisões
econômicas e políticas do
país.
A diferenciação do
Centro-Sul se dá por meio de alguns aspectos relevantes.
Uma primeira
característica seria a grande concentração industrial, com
destaque
para cinco grandes áreas
industriais mais ou menos diversificadas:
ÁREAS
GEOECONÔMICAS DO BRASIL
·
a área
industrial que tem seu centro em São Paulo e se estende até o
Rio de
Janeiro;
·
a zona
metalúrgica em torno de Belo Horizonte;
·
a área
industrial de Curitiba;
·
o nordeste
de Santa Catarina, no vale do Itajaí;
·
a área
industrial que vai de Porto Alegre até Caxias do Sul.
O Centro-Sul é o principal
cinturão agroindustrial do país. Nele encontramos
áreas nas quais ocorreu
uma verdadeira industrialização da agricultura,
com uso de máquinas,
adubos e fertilizantes, além de especialização da produção nas
chamadas empresas rurais.
O Centro-Sul também possui
a melhor infra-estrutura viária do país. A
intensa circulação de
produtos e de pessoas, feita por meio de uma densa rede
rodoviária e de ferrovias,
revela a forte integração e o dinamismo de sua área
interna. Assim como sua
articulação com as demais regiões do país.
Devido ao seu maior
desenvolvimento econômico, é no Centro-Sul que
ocorrem os mais elevados
níveis de renda do país. Há um forte contraste entre
a renda média de um
habitante do Centro-Sul e a de um habitante do Nordeste
ou da Amazônia.
No entanto, se existem
zonas com níveis de modernização e de vida elevados
-
caso de
algumas cidades no interior de São Paulo, no Vale do Itajaí,
em Santa
Catarina, ou no norte do Paraná
-,
existem também verdadeiros “bolsões” de
pobreza. É o caso do Vale
do Ribeira de Iguape, das cidades-satélites de Brasília
e, principalmente, da
periferia dos grandes centros urbanos. Mesmo nas áreas
mais ricas o contraste
entre “lugares de ricos” e “lugares de pobres” é nítido,
marcante, e quase sempre
assustador.
A Amazônia
A Amazônia compreende o
território dos Estados de Rondônia, Acre,
Amazonas, Roraima, Pará e
Amapá e Tocantins, entrando pelo Maranhão e
o Mato Grosso. É a área
que, a partir da década de 1970, integra-se ao
mercado nacional como uma
grande fronteira de recursos recursos, isto é, como área
de fornecimento de
matérias-primas que provêm da agropecuária e da
mineração.
A ocupação do território
amazônico ainda está se processando. Essa
ocupação busca integrar
definitivamente a área à economia do Centro-Sul e
mesmo à economia
internacional, graças aos grandes investimentos de capital
em projetos de mineração,
agropecuários e industriais.
A Amazônia passa a ser,
deste modo, uma fronteira que vai sendo expandida,
e uma reserva de recursos
que passa a ser utilizada.
Entre as principais
medidas adotadas para tornar possível essa integração,
destacamos a construção de
rodovias, forma mais visível dessa integração. Até
a década de 50, a economia
da Amazônia convergia para Belém, que atuava
como o grande pólo
regional por meio de uma rede hidrográfica natural.
A construção das rodovias
Belém-Brasília, Brasília-Acre, Cuiabá-Santarém
e Porto Velho-Manaus
penetraram a região, acelerando a integração da Amazônia ao
Centro-Sul.
Os capitais públicos e
privados investidos na construção de hidrelétricas
como Tucuruí, na
instalação de núcleos de mineração como Carajás, e de pólos
industriais como a Zona
Franca de Manaus, procuram integrar a região à
economia do país de forma mais efetiva
-
como fornecedora de produtos
semiprocessados ou
processados para os grandes mercados consumidores
internos ou externos, e
também como mercado consumidor dos produtos do
Centro-Sul.
Os incentivos fiscais da
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam)
permitiram que as grandes empresas nacionais e transnacionais
adquirissem enormes
propriedades de terra, cujo aproveitamento de recursos
naturais
-
os
minérios, a madeira e a própria terra
-
tem
provocado graves
danos ambientais.
A fronteira amazônica tem
atraído, nas últimas décadas, importantes
fluxos de migrantes. Duas
correntes são identificadas: os que procedem do
Centro-Sul, devido à
modernização da agricultura, e que vão para Mato
Grosso, Rondônia e mesmo
para o Acre; e os que procedem do Nordeste, que
se dirigem ao Pará e
Tocantins, e que formam a Amazônia Oriental.
A ocupação da nova
fronteira, em grande medida desordenada, provoca
graves conflitos sociais.
Os diferentes contendores lutam principalmente pela
posse da terra e pelo uso
da floresta.
Pouco a pouco, vai
ganhando a opinião pública o movimento que propõe
a necessidade de se ocupar
a Amazônia de forma mais racional, preservando
o equilíbrio ecológico com
ações eficientes de manutenção da qualidade
ambiental.
O que se propõe é uma
ocupação mais cuidadosa, visando um desenvolvimento
eqüitativo e sustentável
para a maior floresta pluvial do planeta.
Referencias bibliográficas
http://www.bibvirt.futuro.usp.br