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Conflitos Armados e Terrorismo

IRA

Vingança

O ataque à bomba de dissidentes republicanos ao estúdio da BBC pode ter sido vingança por um episódio do programa Panorama, sobre o bombardeio de Omagh, ocorrido em 1998, afirmou um policial antiterrorista da Scotland Yard, em 4 de março.

A polícia disse que o programa, exibido no ano passado, pressionou grupos dissidentes da Irlanda, incluindo o Real IRA, responsabilizado pelo atentado de Omagh, que custou 29 vidas. Panorama, segundo reportagem de Stewart Tendler [The London Times, 5/3/01], citou uma série de suspeitos. Alan Fry, comissário-assistente da Scotland Yard e chefe do Setor Antiterrorista, disse que a última explosão, ocorrida nas redondezas da central da BBC em Wood Lane, zona oeste de Londres, era parte de uma campanha de "ataques homicidas" do Real IRA.

A BBC, segundo Dry, era vista como instituição britânica e parte da infra-estrutura do país. "Não podemos ignorar o fato de ter sido a BBC a responsável por levar ao ar o Panorama, o que sem dúvida agitou os terroristas", afirmou Fry. Na semana passada, o programa ganhou três prêmios nacionais de jornalismo televisivo. A última vez em que a BBC foi alvo de atentados na Grã-Bretanha foi em março de 1973, quando o IRA Provisório realizou quatro ataques em um único dia.

Em Barcelona

No dia 5 de março, o grupo de mídia sueco Metro International anunciou o lançamento de seu diário gratuito, Metro, em Barcelona. A cidade espanhola é a 18a no mundo a receber o jornal, disponível em estações de ônibus e metrôs, com tiragem de 200 mil cópias.

Contando com a região suburbana, Barcelona tem população de mais de 5 milhões de pessoas e mercado anual de anúncios de mais de US$ 380 milhões, disse a Metro. Na semana retrasada, uma edição em francês de Metro foi lançada em Montreal, no Canadá.

ETA

A história

O ETA defende a criação de um Estado que abrangeria a Província do País Basco, parte de Navarra e a região norte da França, chamada pelo grupo de Euskadi (pátria basca) Norte.
Historicamente, a região tem ideais separatistas desde o século passado. O principal grupo nacionalista é o PNV, criado em 1895 por Sabín Arana Goiri.

Após a Guerra Civil Espanhola (1936-39), o país passa pela ditadura de Francisco Franco, que se caracteriza por forte centralismo do Estado e proibição de autonomias regionais.

Nos anos 50, os primeiros militantes do ETA estavam ligados ao PNV. Mas os nacionalistas passaram a defender uma posição mais moderada em relação à separação do País Basco.

Em 1959, dissidentes do PNV fundam o ETA, que, sete anos depois, optam pela luta armada para protestar contra a ditadura franquista e defender a autonomia para a região basca.

Em 1975, com a morte do ditador Franco, a questão basca passa a ser discutida mais livremente.
Quatro anos depois, a Constituição espanhola declara a região uma Província Autônoma, com Parlamento, polícia e governo próprios. Em quase 30 anos de conflitos, cerca de 800 pessoas foram mortas durante distúrbios e atentados terroristas.

CAXEMIRA

Fracassam negociações de paz entre o governo da Índia e separatistas muçulmanos da Caxemira em julho de 2000. Os combates recomeçam, assim como as ações terroristas nos territórios do Paquistão e da Índia.
Localizada no norte do Subcontinente Indiano, a Caxemira é disputada pelos dois países desde o fim da colonização britânica. As tensões na região têm início com a guerra de independência, em 1947, que resulta no nascimento dos dois Estados - a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, muçulmano. A Caxemira é incorporada à Índia, o que contraria as pretensões do Paquistão e da população local - de maioria muçulmana - e leva à guerra de 1947 a 1948.

O conflito termina com a divisão da Caxemira: cerca de um terço fica com o Paquistão (Azad Caxemira e Territórios do Norte) e o restante com a Índia (Jammu e Caxemira)
Em 1962, a China conquista um trecho de Jammu e Caxemira (Aksai Chin); no ano seguinte, o Paquistão cede aos chineses uma faixa dos Territórios do Norte. Um novo conflito, em 1965, não traz modificações territoriais.
Nos anos 80, guerrilheiros separatistas passam a atuar na Caxemira indiana. Mais de 25 mil pessoas morrem desde então. A Índia acusa o governo paquistanês de apoiar os guerrilheiros - favoráveis à unificação com o Paquistão - e intensifica a repressão.

Explosões nucleares - O conflito serve como justificativa para a militarização da fronteira e para a corrida armamentista. Índia e Paquistão realizam testes nucleares em 1998 e, em abril de 1999, experimentam mísseis balísticos capazes de levar ogivas atômicas, rompendo acordo assinado meses antes. Os dois países chegam à beira da guerra total. O primeiro-ministro ultranacionalista da Índia, Atal Vajpayee, ordena um pesado contra-ataque, que expulsa os separatistas em julho. A derrota paquistanesa leva a um golpe militar, liderado pelo general Pervaiz Musharraf, que depõe o primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif. Índia e Paquistão travam na Caxemira, em 1999, um confronto com um saldo de 1,2 mil mortos.

Terrorismo - Uma onda de explosões mata dezenas de civis nas maiores cidades paquistanesas, entre o final de 1999 e o primeiro semestre de 2000. Em agosto, o Hizbul Mujahidine, principal grupo separatista muçulmano na Caxemira, anuncia uma trégua unilateral. A Índia suspende operações militares na Caxemira, pela primeira vez em 11 anos. As negociações fracassam diante da recusa da Índia em admitir o Paquistão na negociação de paz.

JUDEUS E PALESTINOS

Origens do conflito

"Ele julgará entre muitos povos e corrigirá entre nações poderosas e longínquas; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra" (Miquéias 4:3)

O dilema não é novo. Na história e no presente do Oriente Médio, os conflitos já são características natas. Segundo o historiador José Volphi, o conflito entre judeus e palestinos preocupa o mundo todo: "De um lado os palestinos, que querem fazer de Jerusalém – A Terra Santa – sua capital; de outro, os autênticos judeus, que não admitem isso." Para Israel, os palestinos teriam expandido suas terras além do demarcado em um contrato mediado pela Organização das Nações Unidas.

Desde o início dos recentes conflitos, no mês de outubro, já são mais de 150 mortos e a paz ainda está longe. Volphi ressalta que, se o conflito não for contido a tempo, podem ocorrer atos terroristas pelo mundo. "Os conflitos são difíceis de serem resolvidos naquela região, pois suas raízes são religiosas. Trata-se, então, não apenas de uma disputa pela terra, e sim de uma guerra cultural", analisa.

Por que existe conflito?

Judeus e palestinos estão em confronto há centenas de anos. O desentendimento perdura desde a diáspora, quando os judeus foram expulsos pelos romanos de sua terra natal: a Palestina, que aos poucos foi sendo ocupada por tribos árabes. Sem um destino certo, os judeus passaram a viver de forma nômade em vários países.

O desejo judeu de retornar à antiga pátria sempre permaneceu. Durante a Segunda Guerra Mundial os judeus foram cruelmente perseguidos e mortos pelos nazistas. Aproximadamente 6 milhões deles morreram no Holocausto. Com o fim da guerra, a ONU e os Estados Unidos criaram o Estado de Israel, no antigo território da palestina, que na época era colônia inglesa. Neste mesmo acordo, ficou decido a criação de um Estado Palestino, o que na realidade nunca ocorreu.

Embora resolvido o problema político do povo judeu, criou-se um novo problema: o cultural. De volta a região da Palestina (Estado de Israel), o povo árabe que ali vivia – e por ocuparem aquela região eram chamados de palestinos – foi sendo lentamente expulso.

No ano de 1973, depois de mais um confronto, os árabes abalaram a economia capitalista, pois aumentaram, de um só vez, o preço do barril de petróleo de U$ 3 para U$ 12. A crise atingiu todos os países importadores de petróleo do Oriente Médio, inclusive o Brasil. Com todos os confrontos vencidos por Israel, os palestinos se sentem sem saída e partem para o terrorismo. Os judeus, com o apoio militar e financeiro americano, perseguem os guerrilheiros palestinos. A resolução no 181 da ONU defende, na Palestina, a criação de um Estado judeu e outro palestino.

Raízes históricas

Os palestinos, através de uma estratégia política, protestam com manifestações e pedradas as investidas do exército judeu.Em 1993 foi possível um acordo entre palestinos e judeus, em Washington (EUA), quando Yitzhak Rabin (Israel), Yasser Araft (Palestino) e Bill Clinton (EUA) definiram os pontos que trariam a paz para a região. Os palestinos reconheceram a existência de Israel como Estado judeu e os judeus cederam a região de Gaza e Cisjordânia que, lentamente, passaram para o controle político da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), criando o que se chamou de Autoridade Palestina. O sonho do povo palestino realizou-se: a criação de um Estado livre e independente. Yasser Araft e Yitzhak Rabim, receberam o prêmio Nobel da Paz.

Mais uma vez, o acordo não obteve os resultados esperados. As facções mais radicais do movimento palestino, como o Hamas, não aceitam a existência de Israel e insistem em uma revolução para conquistar seus territórios. Por outro lado, os fundamentalistas judeus não concordam com as decisões tomadas pelos atuais governantes e se negam a qualquer diálogo com os palestinos. Yitzhak Rabin (do partido trabalhista), primeiro ministro israelense, sempre teve muitas dificuldades de convencer o partido de Lukud, o mais conservador, da necessidade da paz. O seu assassinato por fundamentalistas judeus, reflete a complicada situação política de Israel e o fez mártir dessa luta milenar entre os dois povos inimigos. O substituo de Rabin pertence também ao partido trabalhista, Shimon Peres.

Os problemas religiosos são de grande destaque. Os judeus professam o judaísmo e os palestinos, o islamismo. Jerusalém é uma cidade santa para as duas religiões, por isso é tão disputada.Os confrontos atuais tem como principal motivo, a decisão de reabrir sorrateiramente um túnel arqueológico que passa perto das duas mesquitas veneradas pelos muçulmanos, na parte antiga de Jerusalém (bairros árabes). Só neste conflito, houve mais de 60 mortos e de mil feridos.

Autoria: Sérgio José Ribeiro Mattos

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