As Correntes
Marinhas
Freqüentemente, estudando geografia verificamos
curiosos fenômenos, para os quais, à primeira vista, não se encontra explicação;
depois, um conhecimento aprofundado explica claramente o problema. Por exemplo,
a Noruega e o Labrador estão na mesma latitude, mas a primeira possui um clima
relativamente ameno, ao passo que o segundo é gélido e desabitado. Nova York e
Portugal, ambos às margens do Atlântico, apresentam características bem
diversas, sendo o clima americano bem mais rígido que o europeu. Para estes
exemplos, a explicação é simplíssima: Noruega e Portugal sofre os efeitos benéficos
da Corrente do Golfo.
Mas, que são e quais as causas provocadas pelas
correntes marinhas?
São rios de água salgada, com temperatura
diferente daquelas circunstantes, que correm no mar, segundo uma direção bem
precisa. Uma enorme massa de água baixa dos pólos, fria, pesada, ao fundo do
oceano, rumo ao equador. Este deslocamento chama à superfície a água aquecida
pelos raios do sol, que é mais leve.
Tem-se, assim, um ciclo contínuo: dos pólos ao
equador, fria e pesada, do equador aos pólos, quente e superficial.
As correntes marinhas são devidas, além das
diferenças de temperatura e de salinidade, e por isso de densidade, sobretudo
aos ventos de estação, constantes ou a longo período, como os alíseos e as
monções.
A Corrente do Golfo, no Atlântico, é, sem dúvida,
a mais conhecida e a mais estudada. Ela nasce da corrente equatorial, que se
forma, no Atlântico, ao norte do equador: esta se divide em vários ramos, que vão
tocar as costas americanas, por isso sai do Golfo do México (de que recebe o
nome) e se dirige para leste passando perto do Banco de Terra Nova e
atravessando o Atlântico. Divide-se depois, em mais dois ramos: um desce para as
Canárias, costeando a Península Ibérica, enquanto o outro rua para a Escócia
e a Irlanda, prosseguindo, ao longo da Noruega, até alcançar o porto russo de
Arcângel que, apesar de sua latitude, permanece repleto de geleiras durante seis
meses.
Além de ter influência sobre o clima, a
Corrente do Golfo determina toda uma série desinteressantes fenômenos. Ao sul
dos Bancos de Terra Nova, ela se encontra com a gélida corrente do Labrador,
que desce para o Sul. Deste encontro e da brusca mudança de condições
ambientais
que disso deriva para os peixes, aparece a grande psicosidade da zona. A
ocidente das Canárias, em pleno Oceano Atlântico, existe uma zona cuja fama
assustadora fazia tremer os ousados navegantes a vela: trata-se do terrível Mar
dos Sargaços . Esta zona do Oceano,
lambida pelas últimas águas da Corrente, é completamente despida decorrentes
marinhas. Ali crescem, assim, de maneira exuberante, os sargaços, algas
flutuantes, que constituem um grave empecilho para a navegação. No hemisfério
sul, há, também, um alternar de correntes frias e quentes. As costas africanas
ocidentais são tocadas pela Corrente fria do Bengala, e fria é também
acorrente do Peru, que banha as costas americanas.