CRIAÇÃO DO MERCOSUL
INTRODUÇÃO
A integração é fenômeno comum no mundo deste final de
século. Quase todas as grandes economias mundiais
encontram-se, de alguma forma, envolvidas em processos de
integração econômica. Estados Unidos (NAFTA), Europa (União
Européia), América latina (Pacto Andino e MERCOSUL), Ásia (Cer,)
e África (Sadec) - a integração está por toda a parte.
Os processos de integração econômica são conjuntos de
medidas de caráter econômico e comercial que têm por
objetivo promover a aproximação e, eventualmente, a união
entre as economias de dois ou mais países. Essas medidas
concentram-se, em um primeiro momento, na diminuição ou
mesmo eliminação de Barreiras Tarifárias e Não Tarifárias
que constrangem o comércio de bens entre esses países. Uma
etapa mais adiantada de integração exigirá esforço
adicional, podendo envolver a definição de uma Tarifa
Externa Comum, ou seja, uma tarifa a ser aplicada por todos
os sócios ao comércio de bens com terceiros mercados.
Associado a esse exercício, impõe-se o estabelecimento de um
Regime de Origem, mecanismo pelo qual se determina se um
produto é originário da região (fazendo jus às vantagens
comerciais próprias a um esquema de integração) ou não.
Avançando ainda mais, chegamos a arranjos adiantados de
integração que admitem a liberalização do comércio de
serviços e a livre circulação dos !
fatores de produção (capital e trabalho), e exigem a
Coordenação de Políticas Macroeconômicas e até mesmo a
coordenação de políticas fiscais e cambiais. Em grau
extremo, a integração econômica pode levar, inclusive, à
adoção de uma moeda única.
Como quer que se desenhem, os modelos de integração
baseiam-se, fundamentalmente, na vontade dos Estados de
obter, através de sua adoção, vantagens econômicas que se
definirão, entre outros aspectos, em termos de: (1) aumento
geral da produção, através de um melhor aproveitamento de
economias de escala; (2) aumento da produtividade, através
da exploração de vantagens comparativas entre sócios de um
mesmo bloco econômico, e; (3) estímulo à eficiência, através
do aumento da concorrência interna.
De acordo com a teoria do comércio internacional,
consideram-se quatro as situações clássicas de integração
econômica: Zona de Preferências Tarifárias, Zona de Livre
Comércio, União Aduaneira, Mercado Comum. Um quinto modelo,
inédito até recentemente, é constituído pela União Econômica
e Monetária.
Nome: Mercado Comum do Sul(Mercado Comun del Sur – Mercosur)
Criação: Em 26.3.1991, em Assunção (Paraguai), foi assinado
o Tratado de Assunção.
Integrantes: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
Associados: Bolívia e Chile.
Sede: Montevidéu (Uruguai).
Objetivos: Criar um mercado comum com livre circulação de
bens, serviços e fatores produtivos; adotar uma política
externa comum; coordenar posições conjuntas em foros
internacionais; coordenar políticas macroeconômicas e
setoriais; e harmonizar legislações nacionais, com vistas a
uma maior integração. Ampliar as possibilidades para que os
países aumentem sua produtividade, Na linguagem econômica,
isso se chama de "economia de escala". Ela permite que se
conquiste maior competitividade no comércio internacional
pelo aumento da produção de bens;
Dados Estatísticos:
População: 213,6 milhões
PIB: US$ 842,3 bilhões
Exportações: US$ 92,5 bilhões
Importações: US$ 101,5 bilhões
Organização:
O Mercosul possui uma estrutura orgânica intergovernamental
(não há órgãos supranacionais), havendo, contudo, uma
Presidência Pro Tempore, exercida por sistema de rodízio
semestral. As decisões do Mercosul são sempre tomadas por
consenso e sua organização compreende: A criação do
Mercosul, bloco econômico em vigor desde 1o de janeiro de
1995, institui uma zona de livre-comércio entre Brasil,
Argentina, Uruguai e Paraguai e posterior inclusão de Chile
e Bolívia. O acordo não representa uma ação diplomática
isolada, mas o resultado de um longo processo de aproximação
entre os países-membros.
HISTÓRICO
A criação do MERCOSUL, objetivo definido pelo Tratado de
Assunção, de 26/03/91, e reafirmado pelo Protocolo de Ouro
Preto, de 17/12/94, não apresenta uma ação diplomática
isolada, mas sim o resultado de um longo processo de
aproximação entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
Durante a década de 1970, obstáculos de natureza política e
econômica inviabilizaram o aprofundamento do processo de
integração na América Latina. O diferença relativa ao
aproveitamento dos recursos hídricos da Bacia do Prata, por
exemplo, opôs os dois maiores países da região -Brasil e
Argentina- durante anos, e somente foi superado no final da
década de 70.
Na década de 40 foi criada a CEPAL - Comissão Econômica para
a América Latina, mas foi na década de 60 que ocorreu a
primeira tentativa da criação de um Mercado Comum
Latino-Americano, com a assinatura do Tratado de Montevidéu,
quando surgiu a ALALC (Associação Latino Americana de Livre
Comércio). O Tratado que instituiu a ALALC, porém, ficou
superado, pois faltavam instrumentos adequados para
concretizar a integração.
Foi a criação da ALADI, em substituição à ALALC (Associação
Latino-Americana de Livre Comércio), em 1980, que gerou as
condições necessárias à promoção, em bases mais realistas,
do aprofundamento do processo de integração
latino-americana. A extinção da "cláusula de nação mais
favorecida regional", adotada pela ALALC, permitiu a outorga
de preferências tarifárias entre dois ou mais países da
ALADI, sem a extensão automática das mesmas a todos os
membros da Associação, o que viabilizou o surgimento de
esquemas sub-regionais de integração, como o MERCOSUL.
A integração Brasil-Argentina, antecedente imediato do
MERCOSUL, foi impulsionada por três fatores principais:
a) a superação das divergências geopolíticas bilaterais;
b) o retorno à plenitude do regime democrático nos dois
países; e
c) a crise do sistema econômico internacional.
Primeiro de uma série de acordos bilaterais que precederiam
o MERCOSUL, a "Declaração de Iguaçu", firmada pelos
Presidentes Sarney e Alfonsin em 30/11/85, buscava acelerar
a integração dos dois países em diversas áreas (técnica,
econômica, financeira, comercial, etc.) e estabelecia as
bases para a cooperação no campo do uso pacífico da energia
nuclear.
Em 20 de julho de 1986, foi assinada a "Ata de Integração
Brasileiro-Argentina", que estabeleceu os princípios
fundamentais do "Programa de Integração e Cooperação
Econômica" - PICE. O objetivo do PICE foi o de propiciar a
formação de um espaço econômico comum por meio da abertura
seletiva dos mercados brasileiro e argentino. O processo de
integração brasileiro-argentino evoluiu, em 1988, para a
assinatura do "Tratado de Integração, Cooperação e
Desenvolvimento", cujo objetivo era constituir, no prazo
máximo de dez anos, um espaço econômico comum por meio da
liberalização integral do comércio recíproco. O Tratado
previa a eliminação de todos os obstáculos tarifários e
não-tarifários ao comércio de bens e serviços. Foram
assinados 24 Protocolos em diversas áreas, sendo que os de
natureza comercial foram posteriormente consolidados em um
único instrumento: o Acordo de Complementação Econômica nº
14, da ALADI.
Nesse contexto, circunstâncias de natureza política,
econômica, comercial e tecnológica, decorrentes das grandes
transformações da ordem econômica internacional, exerceram
papel relevante no aprofundamento ainda maior da integração
brasileiro-argentina:
1. o fenômeno da globalização da economia, com o surgimento
de uma nova estrutura de produção e o advento de um novo
padrão industrial e tecnológico;
b. a formação dos megablocos econômicos e a tendência à
regionalização do comércio, com influência no direcionamento
dos fluxos de capital, bens e serviços;
2. os impasses do multilateralismo econômico, prevalecentes
em certas fases do processo de negociação da Rodada Uruguai
do GATT;
3. o protecionismo e o quadro recessivo em muitas economias
desenvolvidas, responsáveis pela absorção de cerca de 65%
das exportações latino-americanas;
4. o esgotamento do modelo de desenvolvimento baseado na
substituição de importações;
5. a tomada de consciência da necessidade de aprofundar o
processo de integração como forma de aproveitar o entorno
geográfico;
6. a convergência na adoção de novas políticas econômicas
que privilegiavam a abertura do mercado interno, a busca de
competitividade, a maximização das vantagens comparativas e
a reforma do papel do Estado - mais democrático e menos
intervencionista.
Diante de um panorama de crescente marginalização econômica,
política e estratégica, causada sobretudo pelas mudanças na
estrutura e no funcionamento do sistema econômico mundial, e
em face de uma evidente perda de espaço comercial, de
redução do fluxo de investimentos e de dificuldades de
acesso a tecnologias de ponta, Brasil e Argentina viram-se
diante da necessidade de redefinirem sua inserção
internacional e regional. Dentro dessa nova estratégia, a
integração passa a ter papel importante na criação de
comércio, na obtenção de maior eficiência com vista à
competição no mercado internacional e na própria
transformação dos sistemas produtivos nacionais.
Em 06 de julho de 1990, Brasil e Argentina firmam a "Ata de
Buenos Aires", mediante a qual fixam a data de 31/12/94 para
a conformação definitiva de um Mercado Comum entre os dois
países. Em agosto de 1990, Paraguai e Uruguai são convidados
a incorporar-se ao processo integracionista, tendo em vista
a densidade dos laços econômicos e políticos que os unem a
Brasil e Argentina. Como conseqüência, é assinado, em 26 de
março de 1991, o "Tratado de Assunção para Constituição do
Mercado Comum do Sul".
TRATADO DE ASSUNÇÃO
O Tratado de Assunção, ato fundacional do MERCOSUL,
constitui, juntamente com o Protocolo de Brasília, de 1991 e
o Protocolo de Ouro Preto, de 1994, os principais
instrumentos jurídicos do processo de integração.
O Tratado de Assunção constitui, na realidade, um
Acordo-Quadro, na medida em que não se esgota em si mesmo,
mas é continuamente complementado por instrumentos
adicionais, negociados pelos quatro Estados Partes em função
do avanço da integração. O Tratado estabelece,
fundamentalmente, as condições para se alcançar, até
31/12/94, a União Aduaneira entre os Quatro, etapa anterior
ao Mercado Comum. Nesse sentido, ele determina, entre outros
aspectos:
1. o estabelecimento de um programa de liberalização
comercial, que consiste de reduções tarifárias progressivas,
lineares e automáticas acompanhadas da eliminação das
barreiras não tarifárias;
2. a coordenação de políticas macro-econômicas;
3. o estabelecimento de uma Tarifa Externa Comum (TEC);
4. o estabelecimento de listas de exceções ao programa de
liberalização para produtos considerados "sensíveis";
5. a constituição de um regime geral de origem e de um
sistema de solução de controvérsias.
O Tratado estabelece também uma estrutura institucional
transitória para o MERCOSUL, que permanecerá inalterada até
dezembro de 1994, quando o Protocolo de Ouro Preto definirá
a sua estrutura institucional definitiva.
Com a assinatura do tratado de Assunção, inaugura-se o que
ficou conhecido como "Período de Transição", que duraria até
janeiro de 1995. As principais características do período,
no que se refere à execução dos compromissos do Tratado,
foram:
(1) a colocação em marcha do programa automático de
liberalização comercial, ou de "desgravação tarifária", que
correspondia à redução semestral de 7% em todas as tarifas
incidentes sobre produtos comercializados entre os quatro
países, em um processo que já partiria de uma redução
inicial linear de 47%;
(2) a aprovação do Protocolo de Brasília, assinado em
dezembro de 1991, que estabelece o sistema de solução e
controvérsias do MERCOSUL;
(3) a aprovação e cumprimento parcial do chamado "Cronograma
de Las Leñas" (nome da cidade argentina onde foi negociado),
instrumento que sistematizava todas as tarefas que deveriam
ser cumpridas para a plena realização dos objetivos do
Tratado, e;
(4) a definição, sobretudo a partir de 1993, da Tarifa
Externa Comum para a grande maioria dos bens produzidos na
região.
O MERCOSUL GEOGRÁFICO
O MERCOSUL é hoje uma realidade econômica de dimensões
continentais: uma área total de mais de 11 milhões de
quilômetros quadrados; um mercado de 200 milhões de
habitantes; um PIB acumulado de mais de 1 Trilhão de
dólares, o que o coloca entre as quatro maiores economias do
mundo, logo após o NAFTA, a União Européia e o Japão.
A região é um dos principais pólos de atração de
investimentos do mundo. São muitas as razões do sucesso do
Mercosul: ter a quarta economia mundial e a principal
reserva de recursos naturais do planeta. As reservas
energéticas são gigantescas, a rede de comunicações é
moderna e desenvolvida.
O potencial agrícola do bloco é outro de seus grandes
trunfos. Esta entre os maiores produtores de trigo, café,
cacau, cítricos, arroz, soja, leite, gado bovino, etc.
Este potencial econômico depende, no entanto, para seu pleno
desenvolvimento, de maiores investimentos na área de
infraestrutura física. Atentos a isto, os países membros do
bloco vêm se dedicando à execução de grandes projetos no
campo da integração energética, rodoviária, ferroviária e
até mesmo hidroviária.
O MERCOSUL POLÍTICO
O Mercosul configura-se, hoje, como espaço político de
grande importância no continente. Tendo sido criado como
projeto de natureza econômica, ele corresponde, de fato, a
uma iniciativa político-estratégica que teve na
redemocratização de seus países membros um pilar
fundamental.
OS OBJETIVOS ECONÔMICOS DO MERCOSUL
Em primeiro de janeiro de 2006 todos os bens produzidos no
Mercosul circularão livremente no espaço econômico integrado
por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O Mercosul será
um enorme mercado de mais de 250 milhões de habitantes. Uma
mesma e única Tarifa Externa Comum (TEC)vigorará para o
comércio de produtos entre o Mercosul e o resto do mundo.
O Mercosul será um território aduaneiro único, não haverá
barreiras alfandegárias ao fluxo comercial interno e os
controles que ainda persistirem serão feitos de forma
conjunta por autoridades de países vizinhos. O conceito de
fronteira praticamente deixará de existir do ponto de vista
econômico. As exceções estabelecidas à TEC não mais
existirão. Regulamentos e normas técnicas estarão
harmonizados, os produtos respeitarão os mesmos critérios e
especificações na hora de sua produção e serão vendidos a
consumidores que terão garantidos direitos equivalentes,
independentemente de seu país de origem. A liberalização do
comércio de serviços estará avançada e seus efeitos já se
farão sentir nos quatro países: profissionais de várias
áreas começarão a ver expandir os horizontes de seu mercado
de trabalho.
Os Ministérios de Economia e os Bancos Centrais dos quatro
países, tendo atingido suas primeiras metas fiscais comuns,
avançarão no processo de coordenação macroeconômica. O
Mercosul estará inserido, por outro lado, em uma rede de
acordos de liberalização comercial que abarcarão todo o
continente, e se espalharão por outros horizontes
PAÍSES INTEGRANTES
BRASIL
Com um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e
161 milhões de habitantes, possui a maior economia dentre os
membros do MERCOSUL; seu Produto Interno Bruto, em 1998, foi
de aproximadamente US$ 804 bilhões. O Brasil possui uma
renda per capita de aproximadamente US$ 5.029,00.
ARGENTINA
segundo maior país do MERCOSUL, tem um território de 2,8
milhões de quilômetros quadrados. A economia Argentina está
entre as que mais cresceram nos últimos anos, registrando
uma média de 7,5% ao ano desde 1991. Em 1998 a taxa de
crescimento foi de 4,9%. Seu Produto Interno Bruto em 1999
foi de US$ 279,5 bilhões, distribuído para uma população de
aproximadamente 36,6 milhões de habitantes. A renda per
capita argentina é de US$ 7.642,00, a maior dentre seus
parceiros no mercado comum. Sendo que hoje a Argentina está
vivenciando o processo de empobrecimento mais rápido de uma
sociedade ocidental em tempos de paz registrado no mundo no
pós-guerra. Seu PIB caiu 4% em 1999, 1% em 2000, 5% em 2001
e deve cair mais de 10% este ano. Trata-se da pior recessão
desde 1914, mais grave que a dos anos 30. É uma queda da
renda per capita de mais de 20% em 4 anos. O desemprego
beira os 25%.
PARAGUAI
Ocupa uma área de 406 mil quilômetros quadrados, tem uma
população de aproximadamente 5,5 milhões de habitantes e, em
1999, apresentou um Produto Interno Bruto de US$ 8,6
bilhões. A renda per capita é de US$ 1.585,00.
URUGUAI
Por sua vez, possui a menor população, calculada em 3
milhões de habitantes, e o menor território dentre os
membros do mercado comum, 177 mil quilômetros quadrados.
Trata-se de importante centro financeiro internacional, com
um Produto Interno Bruto, em 1999, de aproximadamente US$
20,8 bilhões. A renda per capita é de aproximadamente US$
6.260,00.
MERCOSUL-CHILE
Em 25 de junho de 1996, foi assinado o Acordo de
Complementação Econômica nr. 35 (ACE-35), que prevê o
estabelecimento de área de livre comércio entre Mercosul e
Chile para a maior parte do comércio bilateral até 1/1/2004,
quando estaria concluído o programa de desgravação tarifária
aplicável aos produtos originários das Partes Signatárias.
Além das disciplinas comerciais, o acordo contém regras
sobre integração física, bem como sobre complementação e
cooperação econômica, científica e tecnológica.
Em 1999, foram registrados avanços na definição da
arquitetura do ACE-35, com a aprovação dos regimes de
Salvaguardas e de Solução de Controvérsias.
A administração e a avaliação do ACE 35 estão a cargo de uma
Comissão Administradora (CA), integrada pelo Grupo Mercado
Comum, pelo lado do MERCOSUL, e pelo Ministério das Relações
Exteriores, pelo lado do Chile. A Comissão Administradora
tem, entre outras, as seguintes atribuições:
velar pelo cumprimento das disposições do Acordo;
avaliar periodicamente os avanços do programa de
liberalização comercial;
acompanhar a aplicação das disciplinas comerciais acordadas
entre as Partes e contribuir para a solução de
controvérsias.
Após a assinatura do ACE 35, o Chile passou a ser
considerado Membro Associado do Mercosul e participa das
reuniões de cúpula, com representação em níveis Presidencial
e Ministerial. Além disso, representantes daquele país
participam de algumas reuniões de Ministros e, de acordo com
a Resolução 12/97 do CMC, podem igualmente participar dos
seguintes foros técnicos do Mercosul: SGTs 1(Comunicações),
2 (Mineração), 3 (Regulamentos Técnicos), 5 (Transportes e
Infraestrutura), 6 (Meio Ambiente), 7 (Indústria), 8
(Agricultura), 9 (Energia) e 11 (Saúde). Além desses, o
Chile pode enviar representantes aos Grupos Ad Hoc de
Serviços e Relações Externas, bem como a Reuniões
Especializadas de Ciência e Tecnologia e Turismo.
MERCOSUL-BOLÍVIA
Em 17 dezembro de 1996 foi assinado, sob o marco jurídico do
Tratado de Montevidéu 1980, o Acordo de Complementação
Econômica n.º 36 (ACE-36), que prevê o estabelecimento de
área de livre comércio entre Mercosul e Bolívia para parte
substancial do comércio até 1/1/2006, quando estará
concluído o programa de desgravação tarifária geral,
aplicável aos produtos originários das Partes.
O Acordo regula as relações comerciais e é constituído de um
programa de liberalização comercial e de disciplinas
comerciais específicas, tais como regime de origem; regime
de salvaguardas; práticas desleais de comércio - dumping e
subídios; investimentos e dupla tributação.
O acordo abrange também aspectos de integração física;
complementação e intercâmbio de setores produtivos; promoção
comercial e cooperação científica e tecnológica.
Após a assinatura do ACE-36, a Bolívia passou a ser
considerada Membro Associado do Mercosul e participa de suas
reuniões de Cúpula, com representação em níveis Presidencial
e Ministerial.
A administração e avaliação do ACE-36 está a cargo de uma
Comissão Administradora (CA), integrada pelo Grupo Mercado
Comum do MERCOSUL, por um lado, e pelo Ministério das
Relações Exteriores e Culto da Bolívia, por outro. A
Comissão Administradora tem, entre outras, as seguintes
atribuições:
- velar pelo cumprimento das disposições do Acordo;
- avaliar periodicamente os avanços do programa de
liberalização comercial;
- acompanhar a aplicação das disciplinas comerciais
acordadas entre as Partes e contribuir para a solução de
controvérsias.
PROTOCOLO DE EXPANSÃO COMERCIAL URUGUAI/BRASIL (PEC)
Assinado em 1975, tem por objetivo a Complementação
econômica entre os dois países, compreendendo produtos a
serem comercializados livres do imposto de importação.
Periodicamente os dois países realizam negociações para
incluir, modificar ou retirar produtos do programa de
desgravação.
TRATADO DE MONTEVIDÉU Assinado em 12/08/80 institui a
Associação Latina Americana de Integração, substituindo a
ALALC. Tem por objetivo dar seguimento ao processo de
integração e promover o desenvolvimento econômico e social
entre os países da América Latina.
“DECLARACIÓN DE IGUAZU” Assinada em 30/11/89, manifesta o
interesse de Brasil e Argentina em promoverem a integração.
ATA PARA A INTEGRAÇÃO BRASIL-ARGENTINA Assinada em 29/07/86
, cria o Programa de Integração e Cooperação Econômica
Brasil-Argetina - PICE - com 12 Protocolos sobre relações
bilaterais em setores específicos , sendo eles : Bens de
Capital; Trigo ; Complementação do Abastecimento Alimentar ;
Expansão do Comércio, Empresas Binacionais ; Assuntos
Financeiros ; Fundo de Investimentos ; Energia ;
Biotecnologia ; Estudos Econômicos ; Informação e
Assistência em Acidentes Nucleares e Cooperação Aeronáutica.
ATA DA AMIZADE BRASILEIRO ARGENTINA, DEMOCRACIA, PAZ E
DESENVOLVIMENTO Assinada em 10/12/86. Sobe para 17 o número
de Protocolos nesta data, e, em ocasiões posteriores, em
1987 e 1988, são assinados os protocolos ate o número 22. Os
05 Protocolos assinados nesta data são: Siderurgia;
Transporte Terrestre; Transporte Marítimo, Comunicações,
Cooperação Nuclear.
Os firmados posteriormente são: Cultural, Administração
Pública; Moeda Comum; Indústria Automobilística e o de
número 22 - Indústria Alimentícia .
TRATADO DE INTEGRAÇÃO ,COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO Assinado
em 29/11/88 - Ratificado pelos Legislativos do Brasil e
Argentina em 1989, estabelece o prazo para formação de um
Mercado Comum entre estes países. Assinado o protocolo 23 -
Regional Fronteiriço.
ENCONTRO PRESIDENCIAL EM URUGUAIANA Assinado em agosto de
1989. Instalação dos Comitês de Fronteira Brasil-Argentina e
assinatura do Protocolo 24 - Planejamento Econômico e
Social.
COMUNICADO CONJUNTO SOBRE O PROCESSO DE INTEGRAÇÃO Assinado
em 16/03/94.
ATA DE BUENOS AIRES Assinada em 06/07/94 - Determina a
formação de um Mercado Comum entre os dois países até 31 de
dezembro de 1994 e a constituição de um Grupo de Trabalho
(Grupo Mercado Comum) para dar forma a Integração.
TRATADO PARA O ESTABELECIMENTO DE UM ESTATUTO DAS EMPRESAS
BINACIONAIS BRASILEIRO / ARGENTINA Assinado em 06/07/90 -
Estabelece condições para tratar como empresas brasileiras
de capital nacional as binacionais formadas dentro do
Mercado Comun. Publicado no D.O.U. 29/07/94 - Decreto 619.
ACORDO DE COMPLEMENTACAO ECONÔMICA 14 FIRMADO NO ÂMBITO DA
ALADI ENTRE BRASIL E ARGENTINA Assinado em 20/12/90, tem por
objetivo facilitar a criação de um Mercado Comum entre
Brasil e Argentina. Engloba os Protocolos já assinados
anteriormente e prevê reduções gradativas nas alíquotas de
importação dos produtos produzidos nos dois países.
Publicado no Diário Oficial da União em 18/03/91 - Decreto
60.
· TRATADO DE ASSUNÇÃO Assinado entre Brasil e Argentina,
Uruguai e Paraguai, em 26/03/91. Prevê a formação do
Mercosul - Mercado Comum do Sul a partir de janeiro de 1995.
Em seus anexos especifica prazos para a formação deste
Mercado Comum, para a livre circulação de bens e serviços
entre os países; estabelece uma política comercial comum em
relação aos terceiros países, além de resguardar, em listas
de exceções os produtos que não terão imediatamente suas
tarifas reduzidas, a pedido dos própios países
participantes. Publicado no Diário Oficial da União de
22/11/91- Decreto 350.
ACORDO DE COMPLEMENTAÇÃO ECONÔMICA 18 - FIRMADO NO ÂMBITO DA
ALADI ENTRE BRASIL , ARGENTINA, PARAGUAI E URUGUAI. Assinado
em 29/11/91. É o mesmo texto do Tratado de assunção , no
âmbito da ALADI.
PROTOCOLO DE BRASÍLIA PARA SOLUÇÃO DE CONTROVÉRSIAS Assinado
em 91, define meios para que as partes possam ter como
solucionar divergências que possam vir a ocorrer entre os
participantes do MERCOSUL.
ACORDO MERCOSUL - EUA (4+1) SOBRE COMÉRCIO E INVESTIMENTOS
Assinado em 19/06/91, incrementa as relações de comércio
internacional entre Brasil, Argentina, Uruguai Paraguai e
EUA . Prevê o estabelecimento de um Conselho Consultivo
sobre Comércio e Investimento, composto por representantes
das Partes.
ACORDO DE COOPERAÇÃO INTER-INSTITUCIONAL ENTRE AS
COMUNIDADES EUROPÉIAS E O MERCOSUL Assinado em 25/05/92. A
Comissão das Comunidades Européias e o Mercosul instituem
entre eles a cooperação mais estreita possível, através de
intercâmbio de informações, formação de pessoal, assistência
técnica e apoio institucional.
· PROTOCOLO DE OURO PRETO Assinado em 17 /12/94. Define a
estrutura institucional do Mercosul, que contara com os
seguintes órgãos: Conselho do Mercado Comum , Grupo Mercado
Comum , Comissão de Comércio , Comissão Parlamentar Conjunta
, Foro Consultivo Econômico- Social , Secretaria
Administrativa do Mercosul
RESULTADOS DAS REUNIÕES DO CONSELHO DO MERCADO COMUM E DO
GRUPO MERCADO COMUN - OURO PRETO , 12 A 17 DE DEZEMBRO /1994
Nas Reuniões ocorridas em Ouro Preto, com a presença dos
Presidentes dos países do Mercosul, foram adotadas uma série
de decisões que estabelecem a nova estrutura institucional
do Mercosul; que determinam a adoção de uma Tarifa Externa
Comum (TEC) que irá vigorar a partir de janeiro de 1995,
além de criar normas para a operacionalização aduaneira
desses instrumentos. Na área institucional, foi criada a
nova estrutura institucional do Mercosul, composta por :
Conselho Mercado Comun., órgão máximo da estrutura,
integrado pelos Ministros das Relações Exteriores e da
Fazenda; Grupo Mercado Comum; Comissão de Comercio; Comissão
Parlamentar Conjunta; Foro Econômico e Social (que permitirá
aos diversos setores da sociedade encaminhar suas aspirações
e propostas aos órgãos decisórios). Na área econômica, o
principal aspecto e a adoção de uma Tarifa Externa Comun. A
!
TEC comporta exceções temporárias para un conjunto de
produtos. Já estão definidas as pautas de convergência das
tarifas, que farão com que até o ano de 2006 os itens se
aproximem da TEC. Quanto ao comércio intra- Mercosul,
aprovou-se a lista de produtos que estão sujeitos ao chamado
Regime de Adequação, que , no caso do Brasil , são somente
29 produtos. Ressalvados os itens do Regime de Adequação e
os setores automotriz e açucareiro, todos os produtos
estarão isentos de tarifas e de outras restrições comercias
no intercâmbio intra- Mercosul a partir de 01/01/95.
CONCLUSÃO
O MERCOSUL é hoje uma marca de sucesso. Prova disso é a sua
extensa agenda externa, que demonstra o interesse que o
bloco tem despertado em países e agrupamentos regionais em
todo o mundo.
Como entidade dotada de personalidade jurídica,
reconhecimento no Protocolo de Ouro Preto, o MERCOSUL está
apto a negociar acordos com terceiros países, grupos de
países ou organismos internacionais. O êxito
econômico-comercial da integração e o status de entidade
dotada de personalidade jurídica garantem ao MERCOSUL a
condição de parceiro atrativo para os principais atores
econômicos mundiais. O Tratado de Assunção estabeleceu a
possibilidade de que outros países membros da ALADI venham a
integrar o MERCOSUL.
Nos últimos anos o Mercosul tem buscado, intensamente, sua
expansão horizontal, por meio da celebração de acordos de
livre comércio com todos os países latino-americanos membros
da ALADI. Com isso tem ampliado as dimensões dos mercados
nacionais; aproveita vantagens comparativas em âmbito
regional; restaura condições de competitividade em mercados
da região que participam de outros esquemas de integração e
consolida laços políticos com os vizinhos no continente,
interesse sobretudo do Brasil, dada a sua dupla condição de
país platino e amazônico.
No plano extra-hemisférico, o Mercosul confere especial
relevância e prioridade aos entendimentos com a União
Européia, seu principal parceiro comercial. Em 15 de
dezembro de 1995, o Mercosul e a União Européia assinaram,
em Madri, o "Acordo-Quadro Inter-Regional de Cooperação
Econômica e Comercial". O Acordo contempla objetivos de
aproximação e cooperação nas mais variadas áreas, como
comércio, meio-ambiente, transportes, ciência e tecnologia e
combate ao narcotráfico. Institui, igualmente, mecanismo de
diálogo político entre os dois agrupamentos.
Ao contrário das experiências anteriores, desta vez a
integração deixou os gabinetes e consolidou-se com negócios.
Mais de 300 empresas brasileiras estão investindo na
argentina e o comércio regional deu um salto de 34% ao ano
desde 1990.
Os blocos econômicos ampliam as possibilidades para que os
países aumentem sua produtividade, na linguagem econômica,
isso se chama de "economia de escala" permite que se
conquiste maior competitividade no comércio internacional
pelo aumento da produção de bens.
O ganho de musculatura do mercosul, aliás, interessa não
apenas pelos seus impactos sobre a própria economia
regional, um mercosul fortalecido mostra-se estratégico para
os países da região enfrentarem os grandes blocos.
Dessa forma, fica cada vez mais clara a necessidade dos
países assinarem acordos internacionais que os obriguem
praticar a "boa política econômica.
BIBLIOGRAFIA
FMI - International Financial Statistics - ed.
Dezembro/2001.
FONTES: BIRD - www.worldbank.org
Associação Latino-americana de Integração - ALADI (www.aladi.org).
FONTES: Bacen/Depec
Ministério do Comércio Exterior
www.mercosul.gov.br
Banco Estatístico do mercosul:
http://www.cedep.ifch.ufrgs.br/bem/
www.redmercosur.org.uy/portugues/
Ministério das Relações Exteriores – Divisão do Mercado
Comum do Sul.