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  Matérias :: Geografia :: Brasil

  Autoria: Murilo Araujo


 


Curitiba

Curitiba tornou-se objeto de atenção mundial pelo alto nível da qualidade de vida conquistada por seus habitantes a partir da década de 1970. Com um programa que serviu de modelo para todo o país, o qual incluiu a racionalização dos transportes e a criação de ruas de pedestres e áreas de lazer, a cidade tornou-se pioneira no que passou a ser chamado de "humanização urbana".

Capital do estado do Paraná, Curitiba localiza-se numa altitude de 907m sobre o chamado platô curitibano, que se limita a leste com a serra do Mar. Situada na borda oriental da bacia sedimentar plistocênica, a cidade apresenta uma topografia constituída de vales largos e algumas colinas pouco elevadas. O clima é subtropical, com médias térmicas anuais de 17o C e chuvas pouco abundantes (1.077mm anuais, em média), regularmente distribuídas. O pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), isolado ou em formações mais ou menos compactas, domina a paisagem nos arredores da cidade.

Origem e evolução. Em 1646, a descoberta de ouro em Paranaguá pelo bandeirante paulista Gabriel de Lara despertou a atenção dos desbravadores para o sul do país. Com a instalação do ciclo do ouro e das pedras preciosas, vários arraiais surgiram sucessivamente no século XVII e se impôs a necessidade de uma administração organizada. Nomeado administrador das minas dos distritos do sul, Eleodoro Ébanos Pereira chegou aos campos de Curitiba em 1649. O povoado de Nossa Senhora da Luz e Bom Jesus dos Pinhais, futuro distrito de Curitiba, foi fundado em 1654 e elevado à categoria de vila em 1693.

A partir do século XVIII, a criação e o comércio de gado foram fatores decisivos para o povoamento, pois exigiram maior sedentarismo. A exploração de madeiras e da erva-mate também repercutiram no crescimento da vila, que em 29 de agosto de 1853, com a criação da província do Paraná, passou à categoria de cidade e capital com o nome de Curitiba.

O processo de crescimento populacional da cidade e do município relacionou-se intimamente à imigração européia: alemã a partir de 1833; italiana, em 1871; e, por fim, polonesa e ucraniana. Em 1876 existiam vinte colônias agrícolas compostas de vários grupos étnicos, as quais abrigavam, além de agricultores, outros profissionais. A valorização do norte do Paraná como importante zona produtora de café, após a segunda guerra mundial, foi outro fato que se refletiu de modo notável na expansão da cidade.

Fisionomia urbana. O núcleo inicial desenvolveu-se em torno do lugar onde atualmente se ergue a catedral metropolitana, situada na praça Tiradentes, que constitui o centro urbano, juntamente com a rua XV de Novembro. Aí estão os bancos, casas comerciais, hotéis de categoria, repartições públicas e principais edifícios. A partir desse ponto, expandem-se em todas as direções dezenas de bairros, muitos dos quais resultaram da transformação de áreas coloniais agrícolas, como é o caso de Pilarzinho, Portão, Santa Felicidade, Boqueirão e Xaxim.

Além das funções político-administrativas que lhe são próprias, Curitiba é o mais importante centro de difusão cultural e distribuição de bens e serviços do Paraná, em conseqüência de seu crescimento demográfico, do surto industrial e, principalmente, do desenvolvimento do sistema viário. Ligada por rodovia e ferrovia à baixada atlântica, constitui uma conurbação com a cidade-porto de Paranaguá. Encontra-se também em contato rodo-ferroviário com a parte central (região de Ponta Grossa) e com o norte do estado, onde Londrina é o pólo regional.

O parque industrial curitibano é o de maior envergadura do Paraná e se caracteriza pela diversificação, com fábricas de produtos químicos, farmacêuticos e alimentícios, bebidas, artefatos de couro e móveis

 
 

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