O
Desenvolvimento Humano no Brasil
Desde 1990,
o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento publica o
Relatório sobre o Desenvolvimento Humano no mundo, no qual
procura avaliar, em cada país, esse estágio de
desenvolvimento. Para isso, procura confrontar com os
indicadores que costumam avaliar o desenvolvimento econômico
(principalmente renda) outros indicadores capazes de mensurar
alguns aspectos do desenvolvimento social - principalmente nas
áreas de educação e saúde, que se traduzem em indicadores de
escolaridade e de esperança de vida ao nascer. Juntos, esses
três indicadores - renda, escolaridade e esperança de vida ao
nascer - compõem o Índice de Desenvolvimento Humano.
Este ano,
pela primeira vez, está sendo divulgado o Relatório sobre o
Desenvolvimento Humano no Brasil, iniciativa do PNUD que teve
a coordenação do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada e a participação de especialistas em muitas áreas.
Ele mede o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) por unidade
da Federação e a situação em cada uma delas nas três variáveis
que compõem o IDH. E apresenta uma série de tabelas, gráficos
e boxes que permitem verificar a situação em muitos dos
componentes que influem nas três variáveis.
Por esses
critérios, o Brasil chegou em 1991 a um Índice de
Desenvolvimento Humano de 0,797 (o máximo seria 1, o mínimo
0), que o situa entre os países de nível intermediário de
desenvolvimento humano, mas próximo do patamar mínimo dos
países de alto desenvolvimento humano (0,800). Um índice
comparável, por exemplo, ao de alguns países do Leste europeu,
segundo a classificação do último RDH internacional. Neste
relatório, os países de alto IDH tiveram, em 1992, um índice
médio de 0,888; os de médio desenvolvimento humano, 0,632; os
de baixo índice de desenvolvimento humano, 0,403.
Segundo o
relatório que agora se divulga, o Rio Grande do Sul é a
unidade da Federação brasileira com mais alto IDH:0,871,
índice equivalente ao da República Tcheca. A seguir,
colocam-se o Distrito Federal (0,858), São Paulo (0,850),
Santa Catarina (0,842) e Rio de Janeiro (0,838). As unidades
com menor índice foram Paraíba (0,466), Alagoas (0,500), Piauí
(0,502), Ceará (0,506) e Maranhão (0,512).
Avaliado por
macrorregiões do país, o IDH ficou assim: Sul, 0,844; Sudeste,
0,838; Centro-Oeste, 0,826; Norte, 0,706; e Nordeste, 0,548.
Esses índices permitem comparação com os apontados pelo RDH
internacional: países industrializados, 0,916; conjunto dos
países em desenvolvimento, 0,570; países menos desenvolvidos,
0,337.O índice mundial médio foi de 0,759.
O RDH
brasileiro mostra que o país na verdade é composto por três
subpaíses. No primeiro, estão oito unidades da Federação com o
IDH mais alto: RS, DF, SP, SC, RJ, PR, MS e ES (pela ordem de
classificação). No segundo, 7 unidades de médio
desenvolvimento: AM, AP, MG, MT, GO, RR e RO. No terceiro, 11
Estados: PA, AC, SE, BA, PE, RN, MA ,CE, PI, AL e PB. Os nove
índices mais baixos são de Estados nordestinos. O Tocantins
não foi classificado por falta de estatísticas.
O Relatório
permite também classificar as unidades da Federação segundo
cada um dos três indicadores que compõem o IDH. Melhores
índices:
Esperança
de vida ao nascer (anos):
RR (75,8), RS (74,6), AP (73,0), ES (71,4) e SC (70,8).
Educação:
SP (0,86), RS (0,84), DF (0,83), RJ (0,83) e SC (0,82).
Renda
per capita (convertida em dólar pela paridade do poder de
compra):
DF (10.209), SP (8.896), RJ (6.746), RS (5.693) e PR (5.205).
Pode-se
observar:
1. Embora
não seja o primeiro colocado em nenhum dos indicadores, o Rio
Grande do Sul é a unidade da Federação com indicadores mais
equilibrados - 2º lugar em esperança de vida ao nascer e
educação e 4º lugar em renda per capita.
2. O
Distrito Federal é o primeiro em renda per capita e 3º
em educação, mas o 6º em esperança de vida ao nascer .
3. São Paulo
é o 2º em renda e 1º em educação, mas seu IDH também é afetado
pelo índice de esperança de vida ao nascer, que é o 11º. Não é
diferente o caso do Rio de Janeiro, 4º em educação e 3º em
renda per capita, mas 12º em esperança de vida ao
nascer.
4. O alto
índice de esperança de vida ao nascer em Roraima (75,8 anos,
1º lugar) e Amapá (73 anos, 3º lugar) é atribuído em parte à
distribuição espacial de sua população (em boa parte ainda
ribeirinha, com consumo elevado de proteínas - peixe - e
carboidratos - mandioca) e às razoáveis condições de
saneamento, pela reduzida densidade populacional em cada área
e condição de escoar efluentes na própria rede fluvial.