Economia Colonial
INTRODUÇÃO
“Essa sociedade herdou
concepções clássicas e medievais de organização e hierarquia,
mas acrescentou-lhes sistemas de graduação que se originaram
da diferenciação das ocupações, raça, cor e condição social,
diferenciação esta resultante da realidade vivida na América.”
Stuart B. Schwartz,
Segredos Internos.
O colonialismo consiste num
sistema bipolar: o pólo colonizador (a Metrópole) e o pólo
colonizado (a Colônia). As origens, as estruturas econômicas,
sociais, políticas e ideológicas e o significado das formações
coloniais são condicionados pelos interesses e ações de suas
Metrópoles. A importância metodológica desse conceito é que
nunca podemos iniciar o estudo da história de uma colônia a
partir dela própria, pois, em primeiro lugar, faz-se
necessária a compreensão das razões pelas quais certas nações
precisaram colonizar áreas periféricas.
Diversos países europeus
buscavam acumular metais, bem como acumular produtos em busca
de obter uma balança comercial favorável. Ocorreu que a
política mercantilista de um país entrava diretamente em
choque com a de outro país igualmente mercantilista.
Em outras palavras, os objetivos mercantilistas de um eram
anulados pelos esforços do outro.
Percebendo o problema, os
condutores do mercantilismo concluíram que a solução seria
cada país mercantilista dominar áreas determinadas, dentro das
quais pudesse ter vantagens econômicas declaradas. Surgiram,
então, com grande força, as idéias colonialistas. Seu objetivo
básico era a criação de um mercado e de uma área de produção
colonial inteiramente controladas pela metrópole.
1. O Sistema de
Exploração Colonial
Até o século XVI, os
europeus preocupavam-se essencialmente com o comércio de
especiarias da Ásia a da África _regiões onde já existia uma
produção organizada_ limitando-se à compra e venda das
mercadorias. A partir daquele século, houve um declínio nesse
tipo de comércio. As monarquias européias e os mercadores
passaram a participar diretamente da organização da produção
nas colônias americanas, formando o sistema colonial.
As colônias eram vistas
como instrumento do poder das metrópoles. A organização da
produção colonial se fez de acordo com a política econômica do
mercantilismo, tendo como objetivos o fortalecimento do Estado
nacional e a acumulação de riquezas monetárias nas mãos das
burguesias européias. Cada metrópole européia preocupava-se
fundamentalmente em manter a posse de suas colônias.
Toda administração
colonial tinha como centro a própria metrópole, sendo sua
finalidade básica garantir a produção, a preços baixos, dos
artigos não produzidos por ela (matérias-primas e gêneros
tropicais) e servir como mercado consumidor dos manufaturados
metropolitanos a preços mais altos.
O papel dessas colônias
era servir como instrumentos geradores de riquezas para as
metrópoles. Não se permitia às colônias ter objetivos internos
ou projetos de desenvolvimento próprios. Eram os interesses
econômicos da metrópole que condicionavam os rumos da vida
colonial, sendo autorizadas na colônia apenas atividades que
permitissem a exploração de suas riquezas.
1.1. Características
Essenciais
1.1.2. Complementaridade
A produção colonial foi
organizada com a função de complementar ou satisfazer os
interesses dos países metropolitanos europeus. No caso do
Brasil, por exemplo, foi organizada uma produção a fim de
fornecer açúcar e tabaco, mais tarde ouro e diamantes, depois
algodão e, em seguida, café, para o comércio europeu. Não se
objetivava, de modo algum, desenvolver na colônia qualquer
atividade voltada para seus interesses internos.
1.1.3. Monopólio
comercial
Era o instrumento básico
utilizado para amarrar a vida econômica da colônia à da
metrópole. Através do monopólio comercial, a colônia
tornava-se um mercado exclusivo da burguesia metropolitana.
Essa burguesia ficava com o direito de comprar, com
exclusividade, os produtos coloniais, fazendo-o ao menor preço
possível. De posse desses produtos, os comerciantes da
metrópole os revendiam, no mercado europeu, aos mais altos
preços admissíveis. Também era privilégio exclusivo da
burguesia metropolitana vender produtos europeus para a
população da colônia.
2. Colônias de Exploração
e de Povoamento
Mesmo as formas de
exploração das colônias eram organizadas de acordo com as
necessidades metropolitanas.
2.1. Colônias de
Exploração
Eram colônias que seguiam
mais as linhas gerais do pacto colonial. No Brasil-colônia,
por exemplo, foi introduzida a escravidão, a fim de se obter
uma produção agrícola em larga escala, necessária à economia
européia. Essas colônias de áreas tropicais, que produziam
para o mercado externo, eram chamadas de colônias de
exploração e tinham sua economia baseada na grande
propriedade, na monocultura e no trabalho compulsório.
Tinham as seguintes
características:
•
produção agrícola baseada
na grande propriedade (enormes extensões de terra);
• ênfase na produção
destinada ao mercado externo (produtos agrícolas e metais
preciosos);
• grande utilização do
trabalho escravo de índios e negros.
2.2. Colônias de
Povoamento
Houve, porém, um tipo de
colônia que ficou relativamente fora dos quadros do sistema
colonial mercantilista: as colônias de povoamento.Na América
temperada, que não produzia ouro e cujos produtos agrícolas
eram os mesmos da metrópole, o Estado absolutista não tinha
interesse em colonizar. Essas regiões foram colonizadas por
perseguidos religiosos da Inglaterra _ os calvinistas
puritanos _, que criaram as colônias de povoamento. Elas
apresentavam as seguintes características:
•
produção agrícola baseada
na pequena propriedade;
• desenvolvimento de
produção manufatureira voltada para o mercado interno;
• utilização do trabalho
livre.
Essas colônias não
enriqueciam as metrópoles e nunca atuaram como integrantes do
processo de acumulação capitalista europeu. Seus colonos
viviam a serviço de seu próprio desenvolvimento da nova terra.
3. O Brasil e o Sistema
Colonial Mercantilista
3.1. Causas
da Expansão e da Colonização do Brasil
Vasco da Gama explorou
as costas do
oceano Índico, abrindo
as portas do
oriente à colonização
portuguesa. Com o
objetivo de obter a hegemonia comercial nesta região, os
portugueses entraram em luta com os mercadores
árabes, conseguindo
infligir-lhes sérias derrotas.
Calecute,
Egito e
Veneza uniram-se contra
Portugal, porém esta aliança foi derrotada em
1509.
Em
1510
Afonso de Albuquerque
conquistou
Goa, na
Índia, que logo se
transformou na principal possessão portuguesa na Índia. O
controle português das rotas marítimas entre o oceano Índico e
o
mar Mediterrâneo foi
assegurado com a tomada da
ilha de Socota e do
estreito de Ormuz.
Ao
Sião e às ilhas de
Sumatra e
Java foi posteriormente
imposto o protetorado português com o domínio na região de
Malaca na
península da
Malásia. Com este
domínio, os exploradores portugueses puderam chegar às ilhas
de
Sonda, à
China e ao
Japão. Portugal passou a
ter um controle tão grande do oceano Índico que passou a ser
necessário a quem quisesse atravessá-lo solicitar um
salvo-conduto às
autoridades. Estas conquistas no oriente, somadas à existência
dos entrepostos comerciais da
África possibilitaram o
surgimento do primeiro grande
império colonial da
Europa moderna que se
estendia por 20.000 Km de costas, do
cabo Bojador, no
oceano Atlântico, até às
ilhas Molucas, no
oceano Pacífico.
O que
se revelou ineficaz foi a forma como o monopólio da exploração
deste império era garantida. Em lugar de povoar os territórios
Portugal se impunha militarmente e para manter a logística
dispendia boa parte do que se lucrava. Como se isso não
bastasse, a concorrência começou a crescer com a entrada no
comércio dos
espanhóis,
franceses,
ingleses e
holandeses; que
começaram a interferir nestes domínios coloniais. Desta forma,
por volta de 1550 já se encontravam em decadência as
estruturas coloniais portuguesas na África e na Ásia. Com isto
o interesse de Portugal voltou-se para o Brasil.
A colonização somente se efetiva
cerca de 30 anos depois de Cabral, com a chegada de Martim
Afonso de Souza. Sua expedição pode ser considerada um divisor
de águas em nossa história, determinando a passagem do período
pré-colonial para o período colonial.
Nossa historiografia convencionou dividir a história do
Brasil em três períodos: colônia, império e república. Contudo
nos 30 primeiros anos do século XVI não existiu colonização.
Esta fase, chamada pré-colonial, foi marcada pelo extrativismo
vegetal do pau-brasil, com mão-de-obra indígena baseada no
escambo, pela criação de algumas feitorias e envio de algumas
expedições exploradoras e guarda-costeiras.
Nesse momento, Estado e
burguesia portugueses estavam mais interessados na África e na
Ásia, porque aí os lucros eram imediatos com o comércio das
especiarias asiáticas e dos produtos africanos, como o ouro, o
marfim além do escravo negro. Os lucros conseguidos com a
extração do pau-brasil eram insignificantes se comparados com
os afro-asiáticos.
Porém, as coisas mudaram um
pouco e no final da década de 1520, Portugal via uma dupla
necessidade de iniciar a colonização no Brasil. Por um lado, o
reino passava por sérios problemas financeiros com a perda do
monopólio do comércio das especiarias asiáticas. Por outro
lado, a crescente presença estrangeira, notadamente francesa,
no nosso litoral, ameaçava a posse portuguesa no novo mundo.
Nesse sentido, o governo português enviou ao Brasil em 1530, a
primeira expedição colonizadora, sob comando de Martim Afonso
de Sousa. Essa expedição visava povoar a terra, defendê-la,
organizar sua administração e sistematizar a exploração
econômica; enfim, colonizá-la.
Martim Afonso de Sousa, também
se destacou em nossa história ter trazido as primeiras mudas
de cana-de-açúcar na região de são Vicente (SP) - produto que
representará o primeiro grande momento da economia colonial -
promovendo a instalação do primeiro engenho do Brasil (Engenho
do Governador) e dando condições para fundação em 1532 de São
Vicente, primeiro núcleo populacional do Brasil.
Pode-se ainda avaliar a importância de sua expedição,
sabendo que foram principalmente os seus resultados o que
provavelmente levou o rei de Portugal D. João III ao plano de
subdividir o Brasil em capitanias hereditárias, primeiro passo
para sua colonização regular. Essas capitanias hereditárias
representam o primeiro projeto político-administrativo para
colonização do Brasil, reproduzindo, com algumas diferenças, o
sistema já experimentado pelo governo português em suas ilhas
no Atlântico africano.
3.2. Sociedade Colonial
Nos dois primeiros séculos de
colonização, a população brasileira é formada por colonos
brancos, escravos negros, índios aculturados e mestiços.
Aumentando lentamente, ela povoa uma estreita faixa litorânea,
onde se concentram as grandes áreas produtoras de açúcar,
algodão e tabaco. Com o desenvolvimento da mineração de ouro e
diamante, a partir do século XVIII, a população se expande nas
regiões das minas em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso e
avança pelo interior, nas regiões da pecuária.
Baseada na agricultura voltada para o comércio externo,
na grande propriedade e no trabalho escravo, a sociedade
colonial é agrária, escravista e patriarcal. Em quase toda
colônia, é em torno da grande propriedade rural que se
desenvolve a vida econômica e social. Os povoados e as vilas
têm papel secundário, limitado a funções administrativas e
religiosas. Somente a partir da expansão das atividades de
mineração é que a sociedade urbana se desenvolve na colônia,
com algumas características tradicionais, como a escravidão, e
características novas, como o maior número de funcionários,
comerciantes, pequenos proprietários, artesãos e homens livres
pobres.
A sede das grandes fazendas, ou
do engenho, é o maior símbolo do poderio absoluto dos senhores
de terras. A família da casa-grande é numerosa: são muitos
filhos, tanto legítimos como ilegítimos, parentes, agregados,
escravos e libertos. Todos respeitam a autoridade doméstica e
pública do senhor, ao mesmo tempo pai, patriarca e chefe
político. Essa é a estrutura familiar das regiões da
monocultura tropical, escravista e exportadora. Com ela
convive a chamada família nuclear, bem menor, formada quase
sempre pelo casal e por poucos filhos, quando não apenas por
um dos pais e as crianças. Típica das regiões de produção
pouco importante para o mercado externo, essa organização
familiar predomina em São Paulo e áreas adjacentes à
mineração.
A sociedade colonial apresenta outra característica,
importante desde o início, mas que se intensifica com o tempo:
a miscigenação. Misturando raças e culturas na convivência
forçada pelo trabalho escravo dos índios e dos negros
africanos, a sociedade colonial adquire um perfil mestiço,
personificado pelo mulato (branco europeu e negro africano) e
pelo caboclo (branco e índio). Essa miscigenação condiciona as
relações sociais e culturais entre colonizadores e
colonizados, gerando um modelo de sociedade original na
colônia, heterogêneo e multirracial, aparentemente harmônico,
sem segregação interna. Na verdade, porém, ela não disfarça as
desigualdades estruturais entre brancos e negros, escravos e
livres, livres ricos e livres pobres, que não acabam nem mesmo
com a abolição da escravatura, no final do século XIX.
3.3. A Base Econômica da
Colonização
O açúcar era a base da economia.
Ao contrário dos espanhóis, os portugueses não tiveram a sorte
de topar, logo de inicio, com minas de metais preciosos. Por
isso, a fim de não perderem a posse da terra, foram forçados a
optar pela colonização de base agrícola. E nisso Pernambuco
foi um importante modelo.
Os portugueses não eram
propriamente inexperientes na cultura açucareira pois já a
praticavam nas ilhas do Atlântico (Açores e Cabo Verde).
O açúcar é de origem indiana. Na
época das Cruzadas ele foi introduzido na Europa e chegou a
ser produzido, embora em escala modesta, na Sicília (sul da
Itália). Trazido da Índia, o açúcar es distribuído por Veneza.
Devido á sua raridade e ao seu elevado preço, o açúcar era
comprado e consumido em pequenas quantidades.
A grande revolução no mercado
açucareiro ocorreu com a produção das ilhas do Atlântico, cuja
distribuição na Europa foi dada à Holanda, que, assim, quebrou
o monopólio veneziano. É nesse contexto que irá se dar a
produção brasileira.
O engenho não era apenas o local
de fabrico do açúcar. Por esse termo entendia-se a grande
lavoura, que era uma unidade produtora típica da colônia, em
que se produzia não apenas o açúcar, mas tudo mais de que se
necessitava.
De acordo com Antonil – jesuíta
do inicio do século XVIII –, havia dois tipos de engenho: os
engenhos reais, movidos á água, e os trapiches, que utilizavam
tração animal (cavalos e bois).
O engenho era composto por
casa-grande, senzala, casa do engenho e capela. A casa-grande
era a residência do senhor de engenho. A senzala era a
habitação dos escravos. Um engenho de porte médio contava com
cinqüenta escravos; nos grandes, a cifra subia para algumas
centenas. Muitos engenhos possuíam destilarias: local de
produção de aguardente usada no escambo de escravos na África.
Alguns existiam exclusivamente para esse fim: as engenhocas ou
molinetes, de proporções menores e menos dispendiosas.
As terras do engenho eram
formadas por canaviais, pastagens e áreas dedicadas ao cultivo
de alimentos. A parte destinada ao cultivo da cana era
dividida em partidos, explorados ou não pelo proprietário. No
segundo caso, as terras eram cedidas aos lavradores, que eram
obrigados a moer sua produção no engenho do proprietário. Eram
as chamadas fazendas obrigadas, nas quais o lavrador recebia
apenas a metade da sua produção em açúcar e ainda pagava o
aluguel pela utilização da terra.
Existiam também os lavradores
livres, proprietários de suas próprias terras, que moíam a sua
cana em qualquer engenho, mas ao preço de deixar nas mãos do
senhor de engenho a metade do açúcar produzido. Os lavradores
livres e de fazendas obrigadas não eram camponeses, mas
senhores de terras e escravos e, como tais, pertenciam à
camada dominante da sociedade.
3.4. A Crise do Antigo
Sistema Colonial
O declínio da mineração no
Brasil coincide, no plano internacional, com a crise do Antigo
Regime. Fazendo um balanço de toda a exploração colonial do
Brasil, chegamos à melancólica conclusão de que Portugal não
foi o principal beneficiário da exploração colonial.
Os benefícios da colonização
haviam se transferido para outros centros europeus em
ascensão: França e, em especial, Inglaterra. De fato, o século
XVIII teve a Inglaterra como centro da política internacional
e pivô das mudanças estruturais que começavam a afetar
profundamente o Antigo Regime. Como nação vitoriosa na esfera
econômica, a Inglaterra estava prestes a desencadear a
Revolução Industrial, convertendo-se na mais avançada nação
burguesa do planeta.
A visível transformação
econômica foi acompanhada, na segunda metade do século XVIII,
por uma ebulição no nível das idéias. Surgiu o Iluminismo e,
com essa filosofia, uma nova visão do homem e do mundo. Por
trás de todo esse movimento, encontrava-se a burguesia,
comandando a crítica ao Antigo Regime e, portanto, à nobreza e
ao absolutismo.
4. A descolonização
Descolonização é o processo
pelo qual uma ou várias
colónias adquirem ou
recuperam a sua
independência,
geralmente por acordo entre a potência colonial e um
partido político (ou
coligação) ou movimento
de libertação.
Este
processo é geralmente antecedido por um conflito entre as
“forças vivas” da colónia e a administração colonial, que pode
tomar a forma duma
guerra de libertação
(como foi o caso de algumas
colónias portuguesas e
da
Argélia), um
golpe de estado, em que
as organizações na colónia substituem a administração
colonial, como aconteceu na formação dos
Estados Unidos da América,
ou ainda por um processo mais pacífico, em que o partido ou
movimento de libertação exerce pressão sobre o governo
colonial, seja por petições legais, seja pela organização de
manifestações, normalmente com o apoio de grupos de pressão
dentro do país colonizador.
No
entanto, houve casos em que a potência colonial, quer por
pressões internas ou internacionais, quer por verificar que a
manutenção de colónias lhe traz mais prejuízos que benefícios,
decide por sua iniciativa conceder a independência às suas
colónias, como aconteceu com várias das ex-colónias
francesas e
britânicas. Nestes
casos, foi frequente o estabelecimento de acordos em que a
potência colonial tem privilégios no
comércio e noutros
aspectos da
economia e
política com a
ex-colónia, podendo esta nova relação tomar a forma de
neocolonialismo.
O
crescimento populacional e económico em vários países da
Europa e da
Ásia (os
mongóis e os
japoneses) levou a um
tipo de
colonização, com o
carácter de dominação (e, por vezes,
extermínio) de
povos que ocupavam
territórios longínquos e dos seus recursos naturais, criando
grandes impérios coloniais. Um dos aspectos mais importantes
desta colonização foi a
escravatura, com a
“exportação” de uma grande parte da população
africana para as
Américas, com
consequências nefastas, tanto para o Continente Negro, como
para os descendentes dos escravos, que perduram até hoje.
Esta
foi a primeira forma de
imperialismo, em que
vários países europeus, principalmente Portugal,
Espanha,
França, a
Holanda e a
Inglaterra (mais tarde o
Reino da Grã-Bretanha), constituiram grandes impérios
coloniais abrangendo praticamente todo o mundo. A exploração
desenfreada dos recursos dos territórios ocupados, levou a
movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua
independência, num processo denominado descolonização,
terminando estes impérios coloniais em meados do
século XX.
4.1. A Descolonização das Américas
Nas
Américas, em que a
colonização tinha tido o carácter de quase extermínio da
população
autóctone, foram os
próprios colonos que, a certa altura, decidiram que deviam
separar-se da potência colonial e declarar unilateralmente a
independência dos vários países. Os
Estados Unidos da América
foram constituídos a partir das primeiras colónias a declarar
a sua independência em
1776, mas só a viram
reconhecida sete anos depois, como resultado da
Guerra pela Independência dos
Estados Unidos da América, que terminou com o
Tratado de Paris de 1783.
No início do
século XIX, com o
conhecimento desta independência e ainda como efeitos da
Revolução Francesa,
apareceram movimentos independentistas em praticamente todas
as colónias espanholas da América, que resultaram nas
independências dos actuais países de
língua espanhola.
A
Independência do Brasil,
declarada por Dom
Pedro I do Brasil a
7 de Setembro de
1822, foi provocada pela
retirada da regência do Brasil àquele soberano, na sequência
da luta entre
absolutistas e
constitucionalistas e
dos movimentos independentistas naquela colónia.
Já o
Canadá iniciou o seu
processo de autonomização com a declaração da
Confederação Canadense,
em
1867, como forma de se
defenderem dos Estados Unidos que os tinham invadido. A
dependência do Canadá com os
ingleses foi diminuida
em
1931, pelo Estatuto de
Westminster.
As
colónias
neerlandesas e algumas
francesas do
Caribe decidiram,
geralmente por
referendo, manter-se
ligadas à potência colonial, mas com autonomia interna, tendo
os seus habitantes
cidadania total, estando
representados nos
parlamentos dos
países-“pais”. Entre estas, contam-se
Guadeloupe e
Martinica, que são
dependências de França, as
Antilhas Holandesas e a
Bermuda, dependente do
Reino Unido. O
Suriname tornou-se um
território dependente, mas com autonomia interna, em
1954, tendo acedido à
independência em
1975, por negociação
entre um dos partidos políticos e o governo dos
Países Baixos.
CONCLUSÃO
A
exploração desenfreada dos recursos dos territórios ocupados –
incluindo a sua população, quase totalmente aniquilada, como
aconteceu nas
Américas, ou
transformada em
escravos que espalharam
pelo resto do mundo, como na
África – levou a
movimentos de resistência dos povos locais e, finalmente à sua
independência, num processo denominado
descolonização,
terminando estes impérios coloniais em meados do
século XX.
Desde a nossa infância, sempre
nos foi inculcada uma imagem heróica dos nossos "bravos"
bandeirantes, dos inconfidentes, dos navegadores portugueses,
que "descobriram" nossa terra, e esforçaram-se por trazer a
civilização, o progresso, e a fé cristã para os "selvagens,
que andavam nus, e adoravam os demônios das florestas".
É tempo de entendermos, que os
nossos "heróis" do passado, tem muito a ver com os nossos
grandes personagens da classe dominante da atualidade, agem
sempre visando o interesse econômico pessoal, ou de classes
dominantes, com as quais estão comprometidos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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