Floresta
Atlântica
A Floresta Atlântica é o segundo
conjunto de matas especialmente expressivas na América do Sul, perdendo apenas
para a Floresta Amazônica, a maior do planeta.
Denominada de Floresta Pluvial Atlântica, está localizada na Serra do Mar, que
faz parte do Domínio Florestal Tropical Atlântico. Este Domínio Florestal
estende-se por uma faixa relativamente paralela à costa brasileira, desde o Rio
Grande do Norte até o Rio Grande do Sul, e constitui-se por "mares de
morros" e "chapadões florestados", com solos profundos de
drenagem perene.
O clima, na região compreendida pelas
florestas pluviais atlânticas, tem duas estações, definidas principalmente
pelo regime de chuvas, embora seja latitudinalmente bastante variável. Enquanto
no Nordeste brasileiro as temperaturas médias anuais variam em torno de 24ºC,
nas regiões Sudeste e Sul as médias anuais são mais baixas e a temperatura
pode ocasionalmente chegar a -6ºC.
A Serra do Mar, representada por uma
cadeia de montanhas costeiras, apresenta uma série de interrupções, onde o
cinturão das matas pluviais também se interrompe. A altitude média nesta
cadeia de montanhas é de 800 a 900 metros, com picos emergentes com cerca de
1.400 metros e escarpas de até 2 mil metros. Nos topos das montanhas ocorrem
campos de afloramentos rochosos e, excepcionalmente, acima de 1.700 metros, a
floresta dá lugar a campos de altitude.
A Floresta Atlântica estende-se ao longo
das montanhas e das encostas voltadas para o mar, bem como na planície
costeira. Ela deve sua existência à elevada umidade atmosférica trazida pelos
ventos marítimos. O vento úmido se condensa na costa, sob a forma de chuvas,
ao subir para as camadas frias de maior altitude.
Além da alta pluviosidade, nos topos dos
morros há condensação de água em forma de neblina. Isto ocorre até mesmo
durante os meses de primavera e verão, nas horas quentes do dia.
Nem toda a costa oriental do Brasil, porém,
apresenta condições climáticas idênticas e índices pluviométricos compatíveis
com a existência de matas pluviais. Por esta razão, também ocorrem interrupções
naturais das florestas, ao longo da Serra do Mar.
Atualmente, as florestas atlânticas
brasileiras encontram-se quase completamente devastadas, restando apenas cerca
de 5% de matas preservadas de sua extensão original, da época do descobrimento
do Brasil. A parcela mais representativa do que restou encontra-se nas regiões
Sul e Sudeste, onde o relevo de escarpas íngremes dificulta o acesso e a
devastação.
A pujante Floresta Atlântica, com vegetação
arbórea em torno de 30 metros e árvores que ultrapassam o dossel, atingindo 40
metros de altura, apresenta intensa vegetação arbustiva no estrato inferior.
É uma floresta de grande diversidade vegetal, com muitas samambaias, inclusive
as arborescentes, além de orquídeas terrestres e palmeiras, entre as quais se
encontra a Euterpes edulis, com cerca de 10 metros de altura e de cujo
tronco se extrai o palmito. Além dos tapetes de musgos e inúmeros fungos, a
Floresta Atlântica é muito rica em lianas e epífitas, entre as quais as
samambaias, orquídeas e bromélias. Estas últimas, com suas folhas dispostas
em roseta, retêm sempre uma certa quantidade de água, condicionando um habitat
propício ao desenvolvimento de uma fauna particular, como por exemplo a de
larvas e adultos de várias espécies de artrópodes e de sapos.
De um modo geral, a fauna nesta floresta
é predominantemente ombrófila, isto é, adaptada à sombra e pouco tolerante
às variações de umidade, temperatura e insolação. Como conseqüência
direta ou indireta da derrubada das matas, muitas espécies têm sido atingidas.
Além da fauna terrestre, a Mata Atlântica
tem também uma rica fauna de peixes que habitam os pequenos riachos que
permeiam as áreas florestadas. Muitos destes peixes orientam-se pela visão
para localizar alimento ou parceiros reprodutivos, bem como para seus
comportamentos sociais, e são incapazes de sobreviver em águas turvas ou
claras, sujeitas à luminosidade intensa, quando ocorre a remoção da floresta.
Além disso, a manutenção de temperaturas amenas nos riachos e no solo só é
possível graças à intensa cobertura vegetal.
Além da riqueza em invertebrados,
principalmente artrópodes, a Floresta Atlântica possui uma importante fauna de
vertebrados. No entanto, muitas espécies ainda são desconhecidas pela ciência
e correm o risco de nem serem descobertas se o processo de destruição das
matas tiver prosseguimento.
Uma das principais características da
fauna que vive na Floresta Atlântica, assim como em outras florestas tropicais
do mundo, é o fato de ser diversificada e marcada pela presença de muitas espécies
endêmicas. Várias destas espécies possuem baixas densidades populacionais, o
que caracteriza um grande número de espécies raras.
A preservação das espécies endêmicas
da Floresta Atlântica é extremamente preocupante, face à situação atual de
devastação. Mesmo as espécies endêmicas que ainda não possuem suas populações
reduzidas a um número crítico merecem atenção especial para sobreviverem.
Como exemplo pode-se mencionar que há um grande número de espécies endêmicas
na avifauna, que têm como centro evolutivo a Serra do Mar e que, com distribuição
geográfica extremamente restrita, encontram-se em situação de
vulnerabilidade. Este é o caso do pintor-verdadeiro (Tangara fastuosa),
nas florestas dos Estados de Pernambuco e Alagoas.
Entre os primatas brasileiros estão
relacionadas cerca de 25 espécies ameaçadas de extinção e alguns deles são
endêmicos da Floresta Atlântica. Esta é, por exemplo, a situação de quatro
espécies de mico-leões (Leontopithecus spp) e do muriqui (Brachyteles
aracnoides), o maior dos macacos neotropicais.
As áreas mais prejudicadas da Floresta
Atlântica são justamente as mais importantes do ponto de vista
conservacionista. São as remanescentes das matas do sul da Bahia e do Espírito
Santo, que abrigam os últimos exemplares de gêneros e espécies de plantas e
animais ameaçados de extinção. Na região Sudeste, onde se desenvolveram
grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro em áreas outrora de
Floresta Atlântica, ainda existem trechos relativamente grandes onde
recentemente foram criadas áreas de proteção ambiental e transformados,
inclusive, na Reserva
da Biosfera da Mata Atlântica.
Nelas estão os últimos refúgios de um dos ecossistemas mais ricos do mundo.