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Injustiça Social
Introdução
Nos meios de comunicação temos
colhido informações que nos falam de crianças carentes
passando fome e frio, de famílias sem-teto, de
desempregados, de má distribuição da renda, etc.,
deixando-nos aturdidos com tanta “Injustiça Social”.
Na verdade, Injustiça Social
nada mais é do que o fato de existir na sociedade situações
que favoreçam apenas uma porcentagem (geralmente menor) da
população enquanto outra parte fica sem acesso aos meios,
essenciais ou não, para o homem.
Ao fazermos a pesquisa, vimos
o quanto é abrangente o assunto que nos ficou encarregado.
Por isso, no decorrer do trabalho, citaremos alguns dos
pontos que faz parte da Injustiça Social.
Entre as calamidades que,
periodicamente, assolam a Terra, destaca-se a fome como
remanescente do primarismo evolutivo na área social em que
se encontra a criatura humana.
Em uma sociedade civilizada,
na qual alguém morre pela fome, o respeito à vida e à
dignidade humana desapareceram por completo.
A fome sempre desempenhou
papel principal na cultura dos povos, tornando-se célebres
por sua hediondez os períodos em que se manifestou no Egito
e na Idade Média, várias vezes durante as guerras,
particularmente a dos Cem Anos, e que se vem repetindo nos
países pobres da África, da Ásia e das Américas, nos tempos
modernos.
Numa sociedade justa não
poderia manifestar-se com a rudeza destruidora o fantasma da
fome, porque o mínimo direito que tem o cidadão é o de
alimentar-se.
Mais cruel ainda se apresenta
o fenômeno da fome, quando se a pode prever, e, naturalmente
evitar, ou, pelo menos, tomarem-se medidas que lhe diminuam
a gravidade, atenuando as conseqüências terríveis do rastro
de destruição que deixa.
Não apenas é hedionda a morte
pela fome, como também são os efeitos lamentáveis dela
decorrentes, quais a carência de nutrição do organismo,
expressando-se através de problema mental, emocional e
orgânico.
O indivíduo com fome torna-se
violento e agride, qual ocorre com o animal que sai,
esfaimado, à caça, sendo pior naquele que vê a família em
estertor agônico, entre a alucinação e o crime, por absoluta
falta de pão.
São diversos os fatores que
respondem pela fome no mundo, entre os quais: a superfície
arável do planeta, que é insuficiente para atender as
necessidades humanas; o poder aquisitivo diminuto ou quase
nulo do povo; o aumento demográfico sempre surpreendente; o
pequeno rendimento de produção por hectare; a dificuldade de
transporte para os alimentos; as variações climáticas; os
hábitos irregulares e de má formação para a alimentação; e,
sobretudo, a avareza humana, o desinteresse dos governos
quando insensíveis e gananciosos.
Demonstração de impiedade
incomum é a presença da fome na Terra, porquanto o excesso
que é desperdiçado daria para minimizar o fantasma do
desespero de milhões de criaturas relegadas ao abandono e à
morte.
As providências de emergência
são úteis, sem dúvida, tendo, porém, um caráter mais de
libertação de consciência de culpa, do que mesmo de socorro
às multidões desorientadas, cujas fácies desfiguradas
assustam os que dormem dementados pelo poder e dissociados
da responsabilidade de cumprir com os deveres para com
aqueles que os elegeram para as altas funções
administrativas, nesse momento temendo que os famintos os
derrubem da posição que desfrutam...
Com exceção dos ditadores, que
sempre governaram com a criminosa adaga da discriminação,
reservando celeiros abastecidos para os soldados que os
preservam no comando, tornando-se execráveis, os Chefes de
Estados Democráticos têm o dever de evitar a fome ou de
recorrer a métodos e técnicas que lhe diminuam os efeitos
danosos.
Uma sociedade justa é aquela
que vela pelos seus membros mais necessitados, contribuindo
com os recursos para elevar os seus cidadãos,
oferecendo-lhes as condições a que fazem jus, desde a
conquista dos direitos humanos após a Revolução Francesa de
1789, quando a hediondez e a perversidade governamental
cederam lugar à liberdade, à fraternidade e à igualdade.
Permanecem, no entanto, ainda
hoje, várias condições equivalentes àquelas que os filósofos
da Revolução tentaram reverter, e para cujo desiderato
alguns deles deram o sangue e a vida, sonhando com o dia em
que todos os seres humanos pudessem usufruir, pelo menos,
alimentos, habitação, educação, trabalho, saúde, recreação,
que ainda lhes são negados.
Em uma sociedade livre e
competitiva, não se deve apenas dar alimentos durante as
situações calamitosas, mas sim, criar condições para que
eles existam e sejam conquistados dignamente, ao invés de
oferecidos como esmolas ou ações caridosas, em cujas
oportunidades as mesmas se transformam em bandeiras
políticas ou estribilhos de exaltação religiosa, exibindo os
miseráveis à compaixão social, quando todos merecem, em vez
disso, respeito e oportunidade.
A indústria da fome, por outro
lado, tem sido mantida para auxiliar indivíduos ignóbeis,
que dela se utilizam para ilusórias promessas eleitoreiras
periódicas, quando se afirma que será prontamente eliminada.
Conseguidos os fins almejados,
porém, a máquina do desinteresse pelo povo continua
mantendo-a, a fim de estar ultrajante e mais grave em
próxima oportunidade.
Paradoxalmente, os arsenais
bélicos dos países desenvolvidos acumulam armas de alto
poder destrutivo, que consomem bilhões de dólares
anualmente, objetivando a destruição e a morte, quando esse
dinheiro poderia ser utilizado para a preservação e o
enobrecimento de milhões de vidas, eliminando a fome e as
doenças que as espreitam.
Por outro lado, armazéns e
silos espalhados pelo mundo inteiro estão abarrotados de
grãos, aguardando a aceleração e alta de preços, muitos
deles produzindo elevadas despesas, enquanto parte das suas
reservas apodrecem ou são devoradas pelas pragas,
estimulando as multidões esfaimadas a apelarem para o saque,
para a desordem, para a violência alucinada. Em algumas
circunstâncias e lugares, são estimuladas por outros
interesses, igualmente sórdidos, face à ultrajante medida
dos governantes que não tomam providências preventivas nem
organizam frentes de trabalho, com a abertura de poços e
açudes para reverter a situação na primeira oportunidade,
pagando condignamente o esforço rude dos trabalhadores com
salários justos e através desses alimentos esquecidos.
Os dados sobre a desigualdade
no mercado de trabalho brasileiro confirmam a persistência
de velha chaga social. Segundo levantamento do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
divulgado na terça-feira, negros e pardos têm menos
oportunidades que os brancos.
Os dados sobre a desigualdade
no mercado de trabalho brasileiro confirmam a persistência
de velha chaga social. Segundo levantamento do Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos
(Dieese) divulgado na terça-feira, negros e pardos têm menos
oportunidades que os brancos. As atividades por eles
exercidas exigem menor qualificação. Em conseqüência, os
salários são mais baixos. Os números mostram retrato de
corpo inteiro da enorme injustiça existente no país. Os
negros e pardos somam quase metade da população. Nada menos
que 46%. Mas o rendimento médio dos que encontram Sudeste.
Na região mais desenvolvida do Brasil, os brancos receberam
a média mensal de 4,5 salários mínimos em 2001; os negros,
2,3; os pardos, 2,2.
A pesquisa apresenta dado
capaz de explicar a disparidade da remuneração. O grupo
étnico menos privilegiado encontra ocupação na agricultura,
construção civil e prestação de serviços, sobretudo
domésticos. São atividades que requerem limitada
escolaridade e pouca qualificação.
Forma-se um círculo vicioso.
Os não-brancos ganham menos porque trabalham em atividades
que remuneram mal. Eles trabalham em atividades que
remuneram mal porque lhes faltam condições de disputar
empregos que pagam salários mais altos. Sem renda
suficiente, ficam impossibilitados de buscar melhor
qualificação e, com isso, ascender socialmente. O desnível
decorre muito mais da pobreza que da cor.Eis, aí, sem
dúvida, o nó que precisa ser desatado para diminuir a
injustiça reinante na sociedade brasileira há 500 anos.
Políticas compensatórias são bem-vindas no curto prazo. Elas
mantêm as crianças nas salas de aula e evitam a entrada
precoce de jovens no mercado de trabalho. Mas não constituem
a resposta definitiva para o problema. Impõe-se oferecer as
condições que permitam à população negra e parda disputar
com a branca melhores postos no mercado de trabalho.
O desafio passa
necessariamente pela excelência da escola pública. Só com
acesso ao ensino de alto nível, à tecnologia de ponta, à
leitura diversificada, é possível tornar democrática a
disputa pelos bons empregos. Em suma: fortalecendo o elo
fraco da corrente, abre-se a possibilidade de diminuir o
fosso que separa pobres e ricos.
A má distribuição de terra no
Brasil tem razões históricas, e a luta pela reforma agrária
envolve aspectos econômicos, políticos e sociais. A questão
fundiária atinge os interesses de um quarto da população
brasileira que tira seu sustento do campo, entre grandes e
pequenos agricultores, pecuaristas, trabalhadores rurais e
os sem-terra. Montar uma nova estrutura fundiária que seja
socialmente justa e economicamente viável é dos maiores
desafios do Brasil. Na opinião de alguns estudiosos, a
questão agrária está para a República assim como a
escravidão estava para a Monarquia. De certa forma, o país
se libertou quando tornou livre os escravos. Quando não
precisar mais discutir a propriedade da terra, terá
alcançado nova libertação.
Com seu privilégio
territorial, o Brasil jamais deveria ter o campo
conflagrado. Existem mais de 371 milhões de hectares prontos
para a agricultura no país, uma área enorme, que equivale
aos territórios de Argentina, França, Alemanha e Uruguai
somados. Mas só uma porção relativamente pequena dessa terra
tem algum tipo de plantação. Cerca da metade destina-se à
criação de gado. O que sobra é o que os especialistas chamam
de terra ociosa. Nela não se produz 1 litro de leite, uma
saca de soja, 1 quilo de batata ou um cacho de uva. Por trás
de tanta terra à toa esconde-se outro problema agrário
brasileiro. Até a década passada, quase metade da terra
cultivável ainda estava nas mãos de 1% dos fazendeiros,
enquanto uma parcela ínfima, menos de 3%, pertencia a 3,1
milhões de produtores rurais.
"O problema agrário no país
está na concentração de terra, uma das mais altas do mundo,
e no latifúndio que nada produz", afirma o professor José
Vicente Tavares dos Santos, pró-reitor da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul. Em comparação com os vizinhos
latino-americanos, o Brasil é um campeão em concentração de
terra. Não sai da liderança nem se comparado com países onde
a questão é explosiva, como Índia ou Paquistão. Juntando
tanta terra na mão de poucos e vastas extensões
improdutivas, o Brasil montou o cenário próprio para atear
fogo ao campo. É aí que nascem os conflitos, que nos últimos
vinte anos fizeram centenas de mortos.
O problema agrário brasileiro
começou em 1850, quando acabou o tráfico de escravos e o
Império, sob pressão dos fazendeiros, resolveu mudar o
regime de propriedade. Até então, ocupava-se a terra e
pedia-se ao imperador um título de posse. Dali em diante,
com a ameaça de os escravos virarem proprietários rurais,
deixando de se constituir num quintal de mão-de-obra quase
gratuita, o regime passou a ser o da compra, e não mais de
posse."Enquanto o trabalho era escravo, a terra era livre.
Quando o trabalho ficou livre, a terra virou escrava", diz o
professor José de Souza Martins, da Universidade de São
Paulo. Na época, os Estados Unidos também discutiam a
propriedade da terra. Só que fizeram exatamente o inverso.
Em vez de impedir o acesso à terra, abriram o oeste do país
para quem quisesse ocupá-lo - só ficavam excluídos os
senhores de escravos do sul. Assim, criou-se uma potência
agrícola, um mercado consumidor e uma cultura mais
democrática, pois fundada numa sociedade de milhões de
proprietários.
Ainda que os pequenos
proprietários não conseguissem produzir para o mercado, mas
apenas o suficiente para seu sustento, já seria uma saída
pelo menos para a miséria urbana. "Até ser um Jeca Tatu é
melhor do que viver na favela", diz o professor Martins.
Além disso, os assentamentos podem ser uma solução para a
tremenda migração que existe no país. Qualquer fluxo
migratório tem, por trás, um problema agrário. Há os mais
evidentes, como os gaúchos que foram para Rondônia na década
de 70 ou os nordestinos que buscam emprego em São Paulo. Há
os mais invisíveis, como no interior paulista, na região de
Ribeirão Preto, a chamada Califórnia brasileira, onde 50.000
bóias-frias trabalham no corte de cana das usinas de álcool
e açúcar durante nove meses. Nos outros três meses, voltam
para a sua região de origem - a maioria vem do paupérrimo
Vale do Jequitinhonha, no norte de Minas Gerais.
A política de assentamento não
é uma alternativa barata. O governo gasta até 30.000 reais
com cada família que ganha um pedaço de terra. A criação de
um emprego no comércio custa 40.000 reais. Na indústria,
80.000. Só que esses gastos são da iniciativa privada,
enquanto, no campo, teriam de vir do governo. É investimento
estatal puro, mesmo que o retorno, no caso, seja alto. De
cada 30.000 reais investidos, estima-se que 23.000 voltem a
seus cofres após alguns anos, na forma de impostos e mesmo
de pagamentos de empréstimos adiantados. Para promover a
reforma agrária em larga escala, é preciso dinheiro que não
acaba mais. Seria errado, contudo, em nome da
impossibilidade de fazer o máximo, recusar-se a fazer até o
mínimo. O preço dessa recusa está aí, à vista de todos: a
urbanização selvagem, a criminalidade em alta, a degradação
das grandes cidades.
Todos nós sabemos que a
justiça é feita pelos homens e por isso mesmo, ela ainda
está repleta de interesses parciais e de visões do que se
entende hoje por certo ou errado. Digo hoje porque se
compararmos nossas leis com as da Idade Média, concluiremos
serem essas últimas, bárbaras e monstruosas, mas naquela
época eram consideradas justas e naturais. Por mais que
tentássemos deixá-las isentas das nossas paixões, nossas
Leis ainda estariam imperfeitas porque o homem não pode
compreender toda a Justiça e ainda assim teríamos os
excluídos, os que ela não conseguiria acabar, os
“injustiçados”.
Ao contrário da Lei humana,
existe a deixada por Jesus, que se encaixa em qualquer
condição do entendimento humano, em qualquer tempo ou lugar,
pois fundamenta-se na consciência de cada pessoa, naquilo
que cada um que de melhor, “desejar aos outros o que nós
desejaríamos para nós mesmos”. Nesta acepção de Justiça,
some o caráter coletivo e prevalece o caráter individual,
pois ficamos cada um de nós responsáveis por aplicá-la no
nosso cotidiano. Ainda não a conseguimos porque somos seres
extremamente egoístas, pensando somente em nós, desejando o
melhor para nós e os outros que cuidem de si mesmos,
relembrando o jargão popular do “cada um por si”.
Se verificarmos que a
responsabilidade é individual e que o conjunto dos pequenos
é que faz o grande, reconheceremos que não existe “Injustiça
Social”, mas sim o nosso “Imenso Egoísmo”.
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http://www.espirito.com.br/portal/artigos/mundo-espirita/injustica-social-e-fome.html
-
www.abt-br.org.br/modules.php?name=News&file=article&sid=262
-
http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/reforma_agraria/
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