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  Matérias :: Geografia :: Geral

  Autoria: Cintia


 


América
 

A América latina reúne as nações derivadas do latim, a América do Norte é formada por três países: Canadá, EUA e México. A Groenlândia é território autônomo sob soberania dinamarquesa e América Central e do Sul.

 

Realidades diferentes

O México forma um único bloco com os outros dois países somente do ponto de vista fisiográfico, porque, na verdade, suas realidades são muito diferentes. Paralelamente, foram desenvolvidos projetos de integração supranacionais como o Nafta, que estabeleceu uma zona de livre comércio entre os Estados Unidos, o Canadá e o México.
Existem ainda dois principais problemas geopolíticos: o movimento separatista pacífico da Província de Quebec, no Canadá, e a revolta do Exército Zapatista de Libertação Nacional, no Estado de Chiapas, no México.

 

A CRISE NA AMÉRICA LATINA

 

 México

O México tem sofrido com a retração da economia norte-americana, O PIB do país encolheu 2% no primeiro trimestre. A indústria sofreu a maior queda, produzindo 4,4% menos no período.

As exportações do país para o Canadá, outro importante parceiro econômico do México, despencaram 2,3% somente em abril.

 Argentina

Desde o início do ano, após declarar a moratória, o governo argentino tenta de forma infrutífera fechar um acordo com o FMI.

As reservas do país evaporaram neste ano, caindo para baixo dos US$ 10 bilhões. A perda das reservas foi causada pela tentativa de conter a forte desvalorização e no socorro ao sistema financeiro que está em colapso.

  Uruguai

Governo foi obrigado a deixar a moeda do país flutuar livremente por não conseguir mais manter o câmbio administrado.

Perdas nas vendas ao exterior, provocadas principalmente pelo colapso argentino e pela estagnação brasileira que tem castigado o país. No primeiro trimestre, as exportações ao Mercosul despencaram 41%.

 Venezuela

País sofre com a instabilidade política. Apesar de Hugo Chávez ter voltado ao poder após o fracassado golpe sofrido em abril, seu governo carece de apoio. A queda nos preços internacionais do petróleo castiga o país, que tem no produto importante fonte de recurso. A queda projetada para o PIB venezuelano neste ano é de 4%.

 Brasil

País enfrenta problemas com a volta da escalada do dólar.

Risco país também segue em forte trajetória de alta há dias.Pressionado pelo mercado, governo tem sido obrigado a encurtar os prazos de vencimento da dívida pública.

 

América Central

América Central, região do continente americano, é constituída por um istmo longo e estreito entre a América do Norte e a América do Sul. Tem a extensão de 523.000 km2 e compreende os seguintes países: Guatemala, Belize, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa Rica,Panamá,Cuba,Porto Rico,Jamaica e Republica Dominicana

AMBIENTE NATURAL

A América Central vai desde o istmo de Tehuantepec, no sul do México, até o vale do rio Atrato, na Colômbia. É uma região montanhosa e uma das zonas do continente americano com maior número de vulcões ativos. O relevo sobe abruptamente da estreita região costeira do oceano Pacífico para as cristas das montanhas e desce gradualmente para uma vasta região que se estende ao longo do mar do Caribe. Existe uma passagem interoceânica no Panamá, o canal do Panamá. Os rios de maior curso da América Central desembocam no Caribe, enquanto os menores deságuam no Pacífico. Há três grandes lagos: Nicarágua, Manágua e Gatún. Distinguem-se três zonas climáticas principais: a chamada terra quente, que engloba regiões do nível do mar até a altitude de 910 m; a terra temperada, que abrange regiões de 915 m a 1.830 m; a terra fria, que abrange regiões de até 3.050 m aproximadamente. As terras baixas da floresta tropical das costas caribenhas e do Pacífico assemelham-se às selvas ou florestas tropicais da América do Sul. A vegetação apresenta semelhanças com a da América do Norte com altitudes entre 1.000 m e 1.600 m, com florestas de pinheiros e carvalhos. Na Costa Rica, a 3.100 m, crescem arbustos parecidos com os da cordilheira dos Andes. Já a fauna é mais parecida com a da América do Sul do que com a da América do Norte.

POPULAÇÃO

A maioria da população é indígena ou mestiça com 65,5 milhões de habitantes. A densidade demográfica chega a mais de 385 hab/km2 em algumas partes do planalto central da Costa Rica, mas fica abaixo dos 4 hab/km2 em extensas zonas do oriente hondurenho e nicaragüense. O espanhol é o idioma oficial de todos os países, exceto de Belize onde fala-se inglês. Muitas das populações indígenas utilizam o seu próprio idioma. A religião católica é a predominante.

ECONOMIA

No início da década de 1990, os países da América Central tinham uma economia subdesenvolvida, em que a agricultura era a atividade econômica mais importante. A indústria manufatureira dedicava-se ao tratamento de matérias-primas exportáveis e a renda per capita anual era muito baixa. A agricultura é a base do desenvolvimento econômico. As culturas mais importantes para exportação são café, banana, cana-de-açúcar, cacau, borracha e mandioca. Esses produtos são cultivados extensivamente, enquanto os alimentos para o consumo interno provêm de pequenas propriedades agrícolas tradicionais. Nas regiões secas do ocidente centro-americano, pratica-se a agropecuária em grandes fazendas. A pesca e a exploração florestal são atividades menores na economia. A exportação de minerais é pequena. El Salvador, Honduras e Nicarágua produzem ouro, prata, chumbo, cobre e antimônio em quantidades limitadas. A Guatemala exporta também pequenas quantidades de petróleo bruto.

HISTÓRIA

A região compreendida entre o México e a Colômbia tem uma rica história de civilizações pré-colombianas. A mais importante foi a maia. Essa civilização indígena entrou em decadência por volta do ano 900 e seu povo foi conquistado pelos toltecas. Em 1502, Cristóvão Colombo tomou posse da América Central em nome da coroa espanhola. Em 1510, Vasco Nunes de Balboa fundou em Darién a primeira colônia produtiva da América. Pedro Alvarado consolidou o controle de todo o istmo. Os indígenas foram escravizados ou reduzidos à servidão pelos espanhóis, que implantaram uma sociedade agrícola baseada em instituições importadas da península Ibérica. Apesar de tudo, os costumes e as tradições indígenas se mantiveram. A América Central colonial foi dividida em duas jurisdições. O reino da Guatemala, que se estendia de Chiapas (atualmente estado do México) até a Costa Rica, era parte do Vice-reinado da Nova Espanha. O restante do território foi agregado à Nova Granada (atual Colômbia), inicialmente dependente do Vice-reinado do Peru. Em 1821, a classe crioula da Guatemala, imitando a do México, rompeu sua vassalagem com a Espanha. A zona passou a integrar o Império mexicano de Agustín de Iturbide até 1823, quando tornou-se independente do México e formou as Províncias Unidas da América Central. Chiapas continuou pertencendo ao México, enquanto o Panamá fazia parte da Grande Colômbia de Simón Bolívar. As Províncias Unidas embarcaram em um programa ambicioso, mas pouco realista, de reformas políticas e desenvolvimento econômico. A guerra civil foi o resultado do regionalismo exacerbado. Em 1838, com a revolta iniciada pelo líder guatemalteco Rafael Carrera, a federação começou a desintegrar-se e surgiram como repúblicas independentes a Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica. Nessa época, a Grã-Bretanha começava a substituir a Espanha como força dominante na região. O assentamento britânico de Belize tornou-se o principal centro de comércio de toda a América Central com o exterior. Em 1862, Belize tornou-se oficialmente colônia inglesa, com o nome de Honduras Britânica. Em 1903, movidos por seu interesse particular na construção do canal, os Estados Unidos pressionaram o Panamá para que obtivesse a independência, desmembrando-se do território colombiano.

 

América do Norte

América do Norte, subcontinente que compreende o Canadá, os Estados Unidos e o México. Inclui também a Groenlândia, o departamento francês de ultramar de Saint Pierre e Miquelon e a colônia britânica de Bermudas. A América do Norte tem mais de 395 milhões de habitantes (segundo estimativas para 1997).

AMBIENTE NATURAL

Limita-se ao norte com o oceano Ártico, ao leste com o oceano Atlântico, ao sul com o golfo do México e o istmo de Tehuantepec e a oeste com o oceano Pacífico. A superfície do continente é de aproximadamente 23,5 milhões de km2. A América do Norte pode ser dividida em cinco importantes regiões fisiográficas. A metade oriental do Canadá, a maior parte da Groenlândia e porções de Minnesota, Wisconsin, Michigan e Nova York nos Estados Unidos fazem parte do Escudo Canadense. A segunda região faz parte de uma planície costeira, que ocupa a maior parte do leste dos Estados Unidos e do México. Nos Estados Unidos, a planície costeira é limitada a oeste por uma terceira região, que compreende a cordilheira formada principalmente pelos montes Apalaches. A quarta região abrange a parte central do continente, que vai do Canadá meridional até o sudoeste do Texas e compreende uma extensa planície. A quinta região, que é também a mais ocidental e engloba grande parte do México, é uma área de orogenia ativa, formada por grandes cordilheiras (montanhas Rochosas e sierra Madre), planaltos (planaltos do Colorado e o planalto Mexicano) e bacias profundas (a Great Basin). Dois importantes sistemas de drenagem — o sistema dos Grandes Lagos e o rio São Lourenço e o sistema dos rios Mississippi e Missouri— dominam a hidrografia da América do Norte oriental e central. Do Canadá ocidental o rio Mackenzie flui para o oceano Glacial Ártico. Em direção ao golfo do México e ao mar das Antilhas correm os rios Bravo e Pánuco. No Pacífico deságuam os rios Colorado, Sonora, Yaqui, Balsas, Colúmbia, Fraser e Yukón. Embora a América do Norte possua uma considerável variedade de climas, é possível identificar cinco importantes regiões climáticas. Os dois-terços setentrionais do Canadá e do Alasca, da mesma forma que toda a Groenlândia, têm climas subártico e ártico. Uma segunda região climática abrange os dois-terços orientais dos Estados Unidos e do Canadá meridional. Essa região carateriza-se por um clima úmido em que as quatro estações são muito diferenciadas. A terceira região inclui o interior do oeste dos Estados Unidos e grande parte do norte do México. A maior parte dessa zona é desértica e montanhosa. A quarta região climática engloba uma estreita região ao longo do oceano Pacífico que vai desde o Alasca meridional até a Califórnia meridional. Tem invernos relativamente temperados, mas úmidos, e verões quase secos. A maior parte do sul do México possui clima tropical. A floresta mais notável é a taiga, ou floresta boreal, uma enorme extensão de árvores, em sua maioria coníferas, que cobre boa parte do Canadá meridional e central e se estende até o Alasca. No leste dos Estados Unidos, as florestas são mistas, dominadas por árvores caducifólias. Na parte ocidental do continente, as florestas estão associadas principalmente às cordilheiras montanhosas e nelas predominam as coníferas. Na Califórnia, a sequóia de madeira vermelha e a sequóia gigante são as espécies mais importantes. As florestas tropicais do México caraterizam-se por uma grande variedade de espécies. Destacam-se os grandes mamíferos, como os ursos, o carneiro canadense, o urso formigueiro, a jaguatirica, o veado, o bisão (que era característico da fauna do norte do México e dos Estados Unidos, e atualmente só se encontra em rebanhos protegidos), o caribu, o alce americano, o boi almiscarado e o wapiti. Entre os grandes carnívoros estão o puma, o jaguar (nas regiões mais meridionais), o lobo e seu parente menor, o coiote, e, no extremo norte, o urso polar. Os numerosos répteis, como a cobra coral, as víboras, o monstro de Gila e o lagarto de contas, habitam o sudoeste dos Estados Unidos e do México. A América do Norte possui enormes jazidas de grande variedade de minerais, entre os quais se destacam os seguintes: o petróleo e o gás natural no Alasca meridional, no Canadá ocidental e no sul e oeste dos Estados Unidos e do México oriental; grandes leitos de carvão no leste e no oeste do Canadá e dos Estados Unidos; e as grandes jazidas de minério de ferro do leste do Canadá, do norte de Estados Unidos e do centro do México.

POPULAÇÃO

Com exceção da zona central do México, os povos indígenas do subcontinente viviam dispersos geograficamente. Os europeus dizimaram-os e deslocaram-os. A maioria da população atual da América do Norte é de ascendência européia. Pelo menos 35% dos habitantes do Canadá são de ascendência britânica e cerca de 4% são de origem francesa. A população dos Estados Unidos de ascendência britânica ou irlandesa chega a 29% dos habitantes. Os negros constituem cerca de 12%, os alemães 23%, os hispanos 9% e os habitantes de origem asiática 2,9%. Os povos indígenas americanos e os inuit (esquimós) representam um contigente de cerca de 1,8 milhão nos Estados Unidos e de 400 mil no Canadá. Cerca de 55% da população mexicana é formada por mestiços. Da população restante, 30% são de origem indígena americana e 15% de origem européia. Em 1997, os Estados Unidos tinham 271,6 milhões de habitantes, o México 94,3 milhões de habitantes, o Canadá 29,9 milhões de habitantes e a Groenlândia (estimativas para 1995) 55.700 habitantes. A maior parte da população concentra-se na metade oriental dos Estados Unidos e nas adjacências de Ontário e Quebec, na costa do Pacífico dos Estados Unidos e no planalto central do México. No geral, a densidade populacional da América do Norte é moderada. No México é de 43 hab/km2, nos Estados Unidos de 27,2 hab/km2 e de 2,6 hab/km2 no Canadá. O inglês é a língua mais utilizada. A população hispânica dos Estados Unidos fala espanhol. O francês é falado por um-quarto da população canadense. Muitos dos povos indígenas dos Estados Unidos, do Canadá e da Groenlândia utilizam suas línguas tradicionais. O espanhol é a língua dominante no México. Porém mais de cinco milhões de mexicanos falam línguas indígenas.

ECONOMIA

A agricultura tem uma importância maior no México do que nos demais países da América do Norte e proporciona emprego a cerca de 25% da população ativa. A agricultura de subsistência ainda existe, principalmente no sul. A agricultura comercial desenvolveu-se, sobretudo, na planície central e no norte do país. Nos Estados Unidos e no Canadá, a agricultura é dominada por fazendas mecanizadas, que produzem imensas quantidades de produtos vegetais e animais. As Grandes Planícies do centro dos Estados Unidos e as províncias da pradaria canadense (Alberta, Manitoba, Saskatchewan) são importantes centros produtores mundiais de cereais, sementes oleaginosas e gado. A agricultura da Califórnia produz grande quantidade de culturas de irrigação. A silvicultura é um dos setores básicos da economia canadense. Importantes indústrias de produtos florestais prosperam também nos estados do oeste e do sudeste dos Estados Unidos. A pesca é a principal atividade econômica da Groenlândia. Há muito que a indústria vem sendo o principal setor econômico dos Estados Unidos. A maior concentração de fábricas ocorre no cinturão industrial que se estende de Boston a Chicago. Essa atividade econômica também é importante no Canadá e concentra-se nas cidades de Ontário, Quebec, Colúmbia Britânica e Alberta e atualmente é uma atividade em franco desenvolvimento na economia mexicana. Os Estados Unidos, o Canadá e o México são parceiros comerciais graças ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que entrou em vigor em 1994, determinando a eliminação das barreiras comerciais entre esses três países.

HISTÓRIA

A ocupação humana da América do Norte começou no período quaternário, talvez há cerca de 50.000 anos. Provavelmente, povos de raça mongolóide alcançaram o subcontinente a partir da Ásia. Eric, o Vermelho, explorou e colonizou a Groenlândia. Depois, Leif Eriksson desembarcou em algum lugar situado entre Labrador e Nova Inglaterra. As explorações européias da América do Norte adquiriram importância com a viagem realizada em 1492 por Cristóvão Colombo. Em 1497, Giovanni Caboto, navegante a serviço da Inglaterra, percorreu as costas de Labrador, Terra Nova e Nova Inglaterra. Em 1519, Hernán Cortés chegou ao México e conquistou a região. O êxito surpreendente da ocupação deveu-se, em grande parte, às lutas que dividiam os povos indígenas. A divisão interna era especialmente grave no império asteca, que dominava com mão de ferro as outras etnias do centro do México. Os maias, outro grande povo mexicano, não foram capazes de oferecer uma resistência efetiva aos espanhóis, que os encontraram já em plena decadência. As colônias criadas pelos espanhóis na área do México agruparam-se no Vice-reinado da Nova Espanha. As autoridades espanholas completaram a conquista do México e ocuparam grandes áreas agora situadas ao sul dos Estados Unidos. A França explorou e colonizou o continente desde o Canadá até o sul. Em 1524, Giovanni da Verrazano, a serviço da França, percorreu a costa norte-americana desde o cabo Fear até o cabo Breton. O explorador francês Jacques Cartier explorou o rio São Lourenço. Em 1682, Robert Cavalier e Henri de Tonty navegaram pelo Mississippi e reclamaram a posse de todos os territórios banhados por esse rio. A coroa inglesa reivindicou os seus direitos sobre América do Norte com base na viagem de Cabot, mas durante quase um século não fez qualquer tentativa de colonização. Depois de 1607, os ingleses colonizaram progressivamente todo o litoral Atlântico entre a colônia francesa da Acádia e a espanhola da Flórida. Os principais assentamentos franceses fixaram-se no Canadá e próximo da desembocadura do Mississippi. As possessões inglesas consistiam em 13 colônias que se estendiam ao longo do litoral Atlântico. Como conseqüência de suas tentativas de expansão para o oeste, os ingleses acabaram entrando em conflito com os franceses. Em 1689, as duas potências começaram uma luta pela supremacia militar e colonial. Depois de quatro guerras, os franceses capitularam e cederam à Grã-Bretanha todas as suas possessões no Canadá e também a parte da Louisiana ao leste do Mississippi. A Guerra da Independência Norte-americana (1776-1783) fez nascer os Estados Unidos da América. O êxito das Treze Colônias em sua independência da Inglaterra teve repercussões nas colônias espanholas da América. O México tornou-se independente em 1821. No final do século XIX e início do XX, o Canadá também obteve total autonomia da Grã-Bretanha. A expansão territorial dos Estados Unidos foi marcada por uma guerra impiedosa contra os povos indígenas, que resistiram à invasão de suas terras. Não foram somente os conflitos armados que dominaram esses povos, mas também a assimilação pela força e a expropriação de suas terras. Nos Estados Unidos e no Canadá, a maioria dos povos indígenas americanos continuam vivendo em reservas. Além da compra de territórios contíguos, os Estados Unidos obtiveram outras regiões das Américas do Norte e Central: o Alasca, Porto Rico, a zona do Canal de Panamá e as ilhas Virgens norte-americanas. A hegemonia que os Estados Unidos exercem no subcontinente começou em 1823 com a Doutrina Monroe (“América para os americanos”), ainda que na prática ela não se aplicasse a América do Sul até depois da I Guerra Mundial. O único conflito sério depois da independência foi a Guerra México-Estados Unidos, na qual o primeiro perdeu metade do seu território. Durante o século XX, a tendência à hegemonia norte-americana, sob a forma de amizade mútua entre as nações americanas, tomou forma em 1910 com o estabelecimento da União Pan-americana. Em 1948 nasceu a Organização dos Estados Americanos, para executar o tratado do Rio de Janeiro e como sistema de segurança coletivo. As relações entre os Estados Unidos e o Canadá têm sido amistosas e cooperativas, desde a Guerra de 1812.

 

América do Sul

INTRODUÇÃO

América do Sul, subcontinente americano cuja extensão é de 17.819.100 km2, abrangendo 12% da superfície terrestre. Tem uma extensão de 7.400 km. Em 1990, a América do Sul tinha aproximadamente 304 milhões de habitantes. Ela é composta pelos seguintes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (departamento sob a jurisdição da França). Existem ilhas no oceano Pacífico que se localizam a grande distância do continente, como o arquipélago de Juan Fernández e a ilha de Páscoa, que pertencem ao Chile; e o arquipélago de Galápagos, pertencente ao Equador. Perto da costa atlântica está o arquipélago de Fernando de Noronha, que pertence ao Brasil, e muito mais ao sul as ilhas Malvinas, também conhecidas como Falkland, sob domínio britânico e que são reclamadas pela Argentina. A linha costeira da América do Sul é bastante regular exceto no extremo sul, onde se fragmenta em inúmeros fiordos e ilhas.

AMBIENTE NATURAL

A América do Sul tem sete grandes áreas geográficas: quatro regiões altas, que se estendem da costa até o interior, e entre elas, três regiões baixas. A faixa ocidental está marcada pelos Andes, a segunda em altitude das cadeias montanhosas do mundo. Grande parte da costa norte e oriental está margeada pelos extensos maciços das Guianas, o maciço brasileiro e os planaltos da Patagônia. A região mais extensa de terras baixas encontra-se na enorme bacia amazônica, na zona equatorial do continente, que é banhada pelo rio Amazonas. No norte, uma porção menor de terras baixas é drenada pelo rio Orinoco; ao sul localiza-se a bacia Paraguai-Paraná. O ponto mais baixo da América do Sul, 4 m abaixo do nível do mar, está no Pantanal Mato-grossense e o ponto mais alto é o Aconcágua. Os Andes se estendem desde a Venezuela, ao norte, até o Chile e a Argentina, no sul; na parte central, o sistema se abre em duas ou três cordilheiras ou cadeias paralelas. Na parte ocidental da Bolívia encontram-se os característicos planaltos de grande altura, ou punas. No noroeste das Guianas e no centro do Brasil, os maciços também apresentam extensos planaltos, de menor altura. No relevo do Brasil se destacam as montanhas que se encontram ao longo da costa (ver Serra Geral; Serra do Mar). Ao sul do continente, localiza-se o planalto da Patagônia. No extremo norte do continente se encontra a bacia do Orinoco, que compreende as vastas planícies dos Llanos. Ao sul da bacia amazônica encontra-se outra região de vales e planícies, formada pelo Grande Chaco e, mais ao sul, os Pampas que caracterizam grande parte da Argentina, o Uruguai e metade do Rio Grande do Sul, no Brasil. Grande parte das águas da América do Sul desemboca no oceano Atlântico através de três cursos fluviais: o Orinoco, o Amazonas e os rios Paraguai-Paraná. O rio Magdalena desemboca no mar do Caribe. Cerca de vinte rios andinos de menor extensão, que correm para o Pacífico como o Guayas, o Santa e o Bio-Bio, permitiram manter a atividade agrícola durante séculos nas regiões andinas. Os rios dos Andes, os das Guianas e os do maciço brasileiro possuem um considerável potencial hidrelétrico. O subcontinente tem também importantes lagos, dos quais os principais são o Titicaca e o Nahuel Huapí. Predominam regimes climáticos relativamente temperados. A América do Sul é atravessada pela linha equatorial e possui uma grande faixa tropical úmida, que muda gradativamente no norte e no sul, diminuindo a duração das chuvas. Essas zonas têm verões úmidos e invernos sem chuvas, com prolongadas secas. As regiões chuvosas e de clima úmido tropical, estendem-se ao longo da costa da Colômbia e do Equador sobre o Pacífico, com uma drástica transição no Peru e no norte do Chile, cujas costas são áridas. As áreas de clima temperado, ao sul do trópico de Capricórnio, apresentam grandes diferenças entre os litorais leste e oeste; o sul do Chile recebe intensas precipitações por causa das tormentas ciclônicas que vêm do Pacífico, que vão se reduzindo à medida que diminuem as latitudes, trazendo como resultado uma região de clima mediterrâneo. Essa região serve de transição para os desertos que se estendem ao longo da costa, como o de Atacama, um dos lugares mais áridos do mundo. No litoral atlântico não existem esses contrastes, e a transição entre a fria Patagônia e o Brasil tropical é gradual. Na parte ocidental da América do Sul, os Andes constituem a única região de clima frio do continente, além do extremo sul. Os tipos de vegetação estão estreitamente relacionados com as regiões climáticas. A área de clima tropical e úmido está coberta por florestas com uma densa vegetação; se estende desde a costa brasileira até o sopé dos Andes orientais, abrigando todo tipo de árvores de madeiras duras, samambaias arborescentes, bambus, uma grande variedade de palmeiras e cipós. No sul do Brasil as florestas se abrem para dar passagem às pradarias. Os Pampas, a leste da região central da Argentina, constituem as maiores extensões de pastagens da América do Sul. No centro, a transição é feita com o cerrado, enquanto ao norte da floresta amazônica os lavrados de Roraima continuam nos Llanos ou savanas venezuelanos. A América do Sul, a América Central, as terras baixas do México e as Antilhas podem ser consideradas como uma só região zoogeográfica, que se conhece como região neo-tropical. Encontram-se ali famílias de mamíferos que não existem em nenhuma outra região do mundo, como por exemplo as lhamas. Outros animais característicos do continente são: a vicunha, a alpaca, a onça ou jaguar, o caititu ou pecari, o tamanduá e o quati. A variedade de pássaros é ainda maior por causa do isolamento e singularidade. São conhecidas aproximadamente 23 famílias e 600 espécies de pássaros exclusivamente neo-tropicais, como os colibris ou beija-flores. A América do Sul tem diversos recursos minerais que ainda não foram explorados totalmente, embora alguns já fossem conhecidos pelas civilizações pré-colombianas. As jazidas estão distribuídas por todo o subcontinente, mas algumas zonas são particularmente famosas por suas riquezas, como as jazidas de ouro e cobre dos Andes. Na cordilheira central do Peru e na do sul da Bolívia é importante a produção de prata e mercúrio. O leste da região central do Brasil é especialmente rico em ouro e diamantes. Mesmo que a América do Sul continue sendo o maior produtor de chumbo, zinco, manganês e estanho, as grandes reservas de mineral de ferro de alto teor e as de bauxita são mais importantes para o emergente poder industrial do continente. No entanto, não dispõe de grandes reservas de carvão, que se encontram dispersas em pequenas jazidas nos Andes e no sul do Brasil. O petróleo, ao contrário, está muito bem distribuído. A maioria das reservas do combustível e de gás natural pode ser encontrada nas bacias estruturais que se encontram ao longo do sopé dos Andes, desde a Venezuela até a Terra do Fogo, e na plataforma continental atlântica, do Brasil às Malvinas.

POPULAÇÃO

O subcontinente tem mais de 300 milhões de habitantes. Com 12% da superfície terrestre, tem menos de 6% da população do mundo. No entanto, essa população tem aumentado gradativamente, registrando-se um alto índice de crescimento na população urbana. Desde 1930 a concentração demográfica dá-se na periferia das cidades, enquanto as regiões do interior vão ficando despovoadas. Embora existam distintas heranças étnicas, os principais elementos são constituídos pelos indígenas, os descendentes dos espanhóis, dos portugueses e dos negros africanos. O que mais caracteriza a América do Sul são os mestiços (mistura de população hispana e portuguesa com a ascendência indígena), sendo menos numerosos os mulatos (descendentes de hispanos e portugueses com população negra). A população dobrou entre 1960 e 1990. Quase a metade da população do continente mora no Brasil. O espanhol é a língua oficial de nove dos treze países do continente. No Brasil o português é o idioma oficial; na Guiana, o inglês; no Suriname, o holandês; e na Guiana Francesa, o francês. Os três idiomas indígenas principais são o quíchua, o aimará e o guarani, que são falados por um grande número de pessoas. Além disso, existem inúmeras línguas e dialetos próprios da Amazônia e no extremo sul do Chile e a Argentina. Quase 90% da população da América do Sul pratica a religião católica. Dos 11 milhões de protestantes, a maioria se encontra no Chile e no Brasil.

ECONOMIA

A América do Sul experimentou, a partir de 1930, um notável crescimento e diversificação na maioria dos setores econômicos. Grande parte dos produtos agrícolas e pecuários é destinada ao consumo local e ao mercado interno. No entanto, a exportação de produtos agrícolas é fundamental para o equilíbrio da balança comercial da maioria dos países. Os principais cultivos agrários são justamente os de exportação, como a soja e o trigo. A produção de alimentos básicos como as hortaliças, o milho ou o feijão é grande, mas voltada para o consumo interno. A criação de gado destinada à exportação de carne é importante na Argentina, no Paraguai, no Uruguai e na Colômbia. Nas regiões tropicais os cultivos mais importantes são o café, o cacau e as bananas, principalmente no Brasil, na Colômbia e no Equador. Por tradição, os países produtores de açúcar para a exportação são: Peru, Guiana e Suriname, sendo que no Brasil, a cana-de-açúcar também é utilizada para a fabricação de álcool combustível. Na costa do Peru, noroeste e sul do Brasil cultiva-se o algodão. Cinqüenta por cento da superfície sul-americana está coberta por florestas, mas as indústrias madeireiras são pequenas e direcionadas para os mercados internos. Nos últimos anos, no entanto, empresas transnacionais vêm se instalando na Amazônia para explorar madeiras nobres destinadas à exportação. As águas costeiras do Pacífico da América do Sul, são as mais importantes para a pesca comercial. A captura de anchova chega a milhares de toneladas, e também é abundante o atum, do qual o Peru é um grande exportador. A captura de crustáceos é notável, particularmente no nordeste do Brasil e no Chile. A industrialização e o processamento de alimentos é uma das atividades mais importantes do setor secundário. Outras indústrias se localizam nas proximidades das grandes cidades, como as refinarias de petróleo, as siderúrgicas de ferro e aço, cimento, manufaturas e fábricas de bens de consumo tais como tecidos, bebidas, carros, eletrodomésticos, equipamentos mecânicos e elétricos e plásticos. O comércio intercontinental da América do Sul se realiza prioritariamente com os Estados Unidos, a Europa Ocidental e o Japão. O petróleo e seus derivados constituíram um componente importante desse comércio internacional, mas nos últimos anos se desenvolveu a tendência ao auto-abastecimento, com o Brasil reduzindo suas compras no Oriente Médio e transformando-se no principal comprador desse combustível da Argentina e Venezuela. O comércio dentro do subcontinente foi promovido, a partir de 1960, por instituições regionais de integração, dentre as quais as mais importantes são a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), o Bloco Andino, e em especial o Mercosul, formado inicialmente por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, ao qual aderiram depois o Chile e a Bolívia.

HISTÓRIA

Os primeiros homens chegaram à América do Sul há pelo menos 13.000 anos, ainda que alguns pesquisadores sustentem que essa chegada se produziu em época tão recuada como 40.000 anos antes da nossa era. Recentes descobertas no Chile, no entanto, comprovam que os primeiros americanos já tinham chegado ao extremo sul do continente em torno de 12.000 anos atrás. São inúmeras as culturas locais desenvolvidas pelos índios, que atingiram a fase das civilizações urbanas em torno do ano 200 d.C. As mais importantes foram a de Tiahuanaco (a mais antiga, desenvolvida às margens do lago Titicaca), a Chibcha (na Colômbia) e a dos Incas, que chegou ao seu máximo esplendor poucos anos antes da chegada dos conquistadores europeus (ver Araucanos; Arqueologia; Peru; Arte e arquitetura pré-colombianas; Tupi-guarani). Depois da descoberta do Brasil, Espanha e Portugal se viram envolvidos na controvérsia relacionada com os direitos sobre as terras do Novo Mundo. A disputa foi resolvida pelo papa Alexandre VI, que deu a Portugal todos os novos territórios ao leste de uma linha, de norte a sul, situada a 300 léguas marítimas a oeste das ilhas de Cabo Verde. À Espanha foram atribuídos os territórios a oeste da divisa. A posição da linha divisória foi modificada depois pelo Tratado de Tordesilhas (1494) e ficou conhecida por esse nome. Em 1519, Fernão de Magalhães explorou o estuário do Prata, descobriu a passagem entre os oceanos Atlântico e Pacífico e morreu num combate nas Filipinas. Seu lugar-tenente, o espanhol Juan Sebastián Elcano, conseguiu voltar a Espanha através da rota da Índia e o litoral da África, tornando-se o primeiro homem a dar a volta ao mundo. Paradoxalmente, a exploração e a conquista sistemática do interior da América do Sul foi iniciada pelos alemães, quando os banqueiros Welser conseguiram que Carlos V lhes desse o direito a explorar as selvas venezuelanas em busca do mitológico Eldorado, como pagamento do dinheiro que tinham emprestado para suas guerras européias. A aventura dos alemães limitou-se a arrasar dezenas de aldeias e a torturar indígenas para que confessassem a localização do lago Guatavita, onde anualmente o rei índio mergulhava coberto de ouro em pó. Como a lenda dizia que se tratava de um ritual secular, os emissários de Welser esperavam encontrar toneladas de ouro no fundo da lagoa. No entanto, dizimados pelas febres tropicais e as flechas dos índios, poucos conseguiram voltar à Europa, sem uma pepita sequer. O primeiro europeu que alcançou o sucesso no subcontinente foi Francisco Pizarro. Estando no Panamá, obteve informações sobre um reino rico em ouro no sul, e não encontrou dificuldades em recrutar uma tropa de aventureiros, depois do retumbante êxito obtido por Cortês no México. Chegou às terras do Tahuantisuyo (Império das Quatro Regiões) quando os meio-irmãos Huáscar e Atahualpa disputavam o trono, o que facilitou a conquista, completada em 1532 com o assassinato do Inca Atahualpa. Depois de derrotar os incas, seu lugar-tenete Diego de Almagro conquistou o Chile, e em 1534 Sebastián de Benalcázar se apossou do reino de Quito. A conquista e colonização da região do Rio da Prata foi iniciada por Pedro de Mendoza em 1535, poucos anos depois dos primeiros estabelecimentos portugueses no Brasil (ver Capitanias hereditárias). Ao longo da primeira metade do século XVI, entusiasmados pela procura de ricas terras, pela aventura ou pelo interesse cristão de divulgar o evangelho entre os indígenas, milhares de imigrantes ibéricos chegaram em massa ao continente americano. Espanha e Portugal, as novas potências, receberam o apoio da Igreja para consolidar seus respectivos impérios coloniais, baseados na utilização do trabalho forçado de índios e de negros africanos (ver Escravidão africana; Escravidão indígena). Em fins do século XVII, os dois países dominavam toda a América do Sul, com exceção das Guianas, invadidas e divididas entre Grã-Bretanha, França e Holanda. As duas metrópoles, que desde o começo tinham estabelecido o monopólio do comércio em suas colônias (ver Pacto colonial), impunham restrições cada vez mais severas à economia colonial, o que agravou as dificuldades e provocou o descontentamento dos habitantes do subcontinente, levando a inúmeros levantes, especialmente no Paraguai, de 1721 a 1735; no Peru, de 1780 a 1782, em Nova Granada em 1781 e no Brasil em 1707, 1711 e 1788. As desigualdades sociais constituíam outro motivo de descontentamento entre a população das colônias. Os nascidos na metrópole, quando eram enviados às colônias, ocupavam os cargos públicos mais altos. Normalmente pertenciam à nobreza, mantendo uma atitude de desprezo para com os outros grupos sociais. Sua máxima aspiração era acumular riquezas nas colônias e depois voltar para a Europa. O grupo social que estava logo abaixo dos peninsulares era o dos brancos nascidos na América, chamados criollos nos países de língua hispânica. Mesmo que tivessem teoricamente as mesmas prerrogativas que os peninsulares, na prática esses direitos lhes eram negados e a maior parte deles era excluída dos cargos civis e eclesiásticos. Após três séculos de exploração econômica e de injustiça social e política, a invasão napoleônica na Espanha e em Portugal criou a oportunidade para a eclosão de um poderoso movimento revolucionário, que foi liderado pelos brancos nativos e era basicamente de caráter liberal. Entre as batalhas de Las Piedras (Uruguai, 1811) e Ayacucho (Peru, 1824), os exércitos espanhóis foram definitivamente derrotados e obrigados a sair da América do Sul, enquanto o Brasil obtinha sua independência (1822) quase sem violência, ao ser proclamada pelo filho do rei de Portugal, que se transformou no imperador Pedro I do Brasil (ver Francisco de Miranda; Simón Bolívar; José de San Martín; José Gervasio Artigas; Bernardo O'Higgins; Antonio José de Sucre). O sonho de Bolívar de construir uma grande federação de estados sul-americanos não conseguiu realizar-se. Poucos anos depois de sua morte a república da Grã Colômbia, que ele criara, se dividiu em três: Venezuela, Colômbia e Equador. Os problemas de fronteiras e a tendência centralizadora das antigas capitais coloniais levaram a vários conflitos armados entre as novas nações, que se somaram às guerras civis entre conservadores e liberais, unitários e federalistas. Ao longo do século XIX, os maiores conflitos foram a Guerra da Independência do Uruguai, a Guerra da Tríplice Aliança (1865-70), na qual o Paraguai teve que enfrentar as forças reunidas de Argentina, Brasil e Uruguai (ver Guerra do Paraguai) e a Guerra do Pacífico (1879-83), na qual o Chile lutou contra o Peru e a Bolívia, que perdeu sua saída ao mar. No século XX, o conflito de maior entidade foi a Guerra do Chaco (1932-35), entre o Paraguai e a Bolívia. Apesar da proclamação da Doutrina Monroe em 1823, as intervenções européias na América do Sul foram freqüentes no século XIX, particularmente as protagonizadas pela Inglaterra, que manteve sua posição de potência hegemônicas na região até a I Guerra Mundial. Depois, uma rápida transição deu esse papel aos Estados Unidos. A crise mundial de 1929 repercutiu duramente na América do Sul, onde as ditaduras militares assumiram posturas populistas que derivaram, anos depois, em movimentos políticos ligeiramente inspirados no fascismo, como o liderado por Getúlio Vargas no Brasil (ver Getulismo). A eclosão da II Guerra Mundial e a derrota do nazi-fascismo não significaram, no entanto, o fim desse modelo, que foi retomado mais tarde por Domingo Perón na Argentina, Alfredo Stroessner no Paraguai e Gustavo Rojas Pinilla na Colômbia. Os movimentos guerrilheiros surgidos na década de 60, inspirados na Revolução Cubana, tiveram como principal conseqüência a instalação de regimes militares na maioria dos países da região. Sem intervir diretamente, os Estados Unidos tiveram papel importante nos golpes de estado no Brasil (1964) e no Chile (1973). O fim desses governos ocorreu, na maioria dos casos, na década de 80, quando as sucessivas crises do petróleo e da dívida externa abalaram as economias da região. O retorno à democracia se fez em meio à deterioração das condições de trabalho, moradia, saúde e educação para a maioria da população sul-americana, cada vez mais concentrada em torno das grandes cidades. A partir de 1995, a criação efetiva do Mercado Comum do Sul (Mercosul) se transformou num elemento dinamizador da economia regional, que triplicou em poucos anos o comércio entre os estados membros e levou à adesão do Chile e da Bolívia. Outros países sul-americanos estão estreitando seus laços com o Mercosul, que deverá transformar-se no núcleo da projetada Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

 

México

INTRODUÇÃO

México, república federal da América do Norte. Seu nome oficial é Estados Unidos Mexicanos; faz fronteira ao norte com os Estados Unidos; a leste com o golfo do México e o mar do Caribe; ao sul com Belize e Guatemala; e a oeste com o oceano Pacífico. Sua jurisdição se estende, além disso, sobre numerosas ilhas próximas à sua costa. Possui 1.958.201 km2. A capital é a Cidade do México.

TERRITÓRIO E RECURSOS

O altiplano mexicano domina grande parte do país; está limitado em seus extremos leste e oeste por cadeias montanhosas que descem de maneira abrupta até as estreitas planícies costeiras. As duas cadeias montanhosas, a Sierra Madre Ocidental a oeste e a Sierra Madre Oriental no leste (ver Sierra Madre), são interceptadas pelo eixo Neovulcânico transversal, que contém os picos mais altos da República. Ao sul, está a Sierra Madre do Sul e, entre ela e a Sierra Madre Oriental, encontra-se o Entroncamento Mixteco; a oriente, uma brusca queda termina no istmo de Tehuantepec, que separa o oceano Pacífico do golfo do México. O elemento topográfico mais marcante do país é o altiplano, que é a continuação das planícies do sudoeste dos Estados Unidos e ocupa mais de um quarto da área total do México. Os rios mais importantes são o rio Bravo, Lerma-Santiago, Balsas, Pánuco, Papaloapan, Coatzacoalcas, Usumacinta, Yaqui, Mayo e Conchos. O lago de Chapala é o maior do país. O México é dividido pelo trópico de Câncer e, portanto, a metade sul está incluída na zona tórrida intertropical e em geral o clima varia com a altitude. Os recursos minerais são extremamente ricos e variados. Encontram-se quase todos os minerais conhecidos, incluindo carvão, ferro, fosfatos, urânio, prata, ouro, cobre, chumbo e zinco. As reservas de petróleo e gás natural são enormes. Os bosques e áreas florestais cobrem cerca de 23% do território e contém árvores de madeiras preciosas como o mogno, ébano, sândalo, cedro-vermelho, nogueira e pau-rosa. A fauna varia também de acordo com as zonas climáticas. No norte, há lobos e coiotes; nas zonas altas do eixo Neovulcânico, vive o teporingo, ou coelho dos vulcões, uma espécie única, e, nos bosques, jaguatiricas, jaguares, caititus, veados e pumas. Também há uma ampla variedade de répteis, aves e vida aquática.

POPULAÇÃO E GOVERNO

A população mexicana é composta por mestiços (85%), indígenas (8%) e população de origem européia. Possui (1993) 90.419.606 habitantes e uma densidade demográfica (1990) de 46 hab/km2. A capital é a Cidade do México, com mais de 18 milhões de habitantes (incluída a região metropolitana). Superam os cinco milhões de habitantes Guadalajara e Monterrey, incluídas as zonas metropolitanas, e Puebla (mais de 1 milhão de habitantes). O catolicismo é a religião de 93% dos mexicanos. O idioma oficial é o espanhol; além disso, se falam 54 dialetos e línguas indígenas, das quais as principais são o náuatle, as línguas maias, o otomi, o mixteco e o totonaca (ver Literatura mexicana; Arquitetura contemporânea mexicana). O México é uma república democrática e federal governada pela Constituição de 1917. O poder executivo é representado por um presidente, que é eleito pelo voto direto para um período de 6 anos e não pode ser reeleito. O poder legislativo é exercido pelo Congresso da União, formado pela Câmara de Senadores e a Câmara de Deputados (ver Direito mexicano). O Partido Revolucionário Institucional (PRI) está no poder há décadas. Fundado em 1929 com o nome do Partido Nacional Revolucionário, mantém-se no poder de forma ininterrupta, embora tenha utilizado ao longo desse tempo diferentes siglas. Os principais partidos de oposição são o Partido de Ação Nacional (PAN), um grupo conservador e católico, e o Partido da Revolução Democrática (PRD), que, liderado por Cuauhtémoc Cárdenas, representa os setores mais progressistas do México.

ECONOMIA

O governo tem o controle estatal da mineração, pesca, transporte e exploração florestal. Os investimentos estrangeiros começaram a ser incentivados recentemente. O produto interno bruto (PIB) cresceu rapidamente entre 1965 e 1980, ano a partir do qual caiu consideravelmente, estendendo tal queda até 1988; o panorama melhorou no início da década de 1990. Em 1994, o PIB era de 377,7 bilhões de dólares e a renda per capita, 4.295 dólares. O governo realizou a reforma agrária em 1915; na década de 1980, uma grande extensão de terra foi redistribuída. O México cobre a maioria das suas necessidades básicas e exporta parte da sua produção. O país produz cereais, arroz, feijão, batatas e cana-de-açúcar, além de ter uma significativa atividade pecuária. Os recursos minerais são ricos e variados. São extraídos quase todos os minerais conhecidos. Desde a década de 1960, o capital mexicano controla as companhias de mineração; possui alguns dos maiores depósitos do mundo de petróleo e gás natural. A produção de prata é considerável e há minas ricas em ouro; também extraem carvão, ferro, fluorita, cobre, chumbo, zinco e fosforita. A indústria mexicana se encontra entre as mais desenvolvidas da América Latina, com numerosas fábricas que montam peças importadas de modo a transformá-las em produtos acabados. Produz veículos a motor, equipamento eletrônico, papel, tecidos de algodão, aço, produtos químicos, bebidas, fertilizantes, cimento, vidro, cerâmica e artigos de couro. A unidade monetária é o peso.

HISTÓRIA

O México foi palco de algumas das civilizações mais antigas e desenvolvidas. Povos caçadores habitaram a área por volta de 21000 a.C. A primeira civilização meso-americana importante foi a dos olmecas. O auge da cultura maia ocorreu no final do século V. Os guerreiros toltecas estabeleceram no século X um império no vale do México. No século XI, entraram em decadência e grupos de chichimecas primeiro e de nauas depois se impuseram na região central. O mais importante, o grupo asteca (mais tarde chamado de mexica), fundou uma cidade denominada Tenochtitlán. Sob o comando de Itzcóatl, esse grupo estendeu seus domínios para todo o vale do México, construiu grandes cidades e desenvolveu uma complexa organização social, política e religiosa. O primeiro espanhol a chegar ao território mexicano foi Francisco Hernández de Córdoba, que descobriu os assentamentos maias em Yucatan em 1517. Um ano mais tarde, Juan de Grijalva liderou uma expedição às costas orientais do México. Seus relatos sobre o rico império asteca levaram Diego Velázquez, governador de Cuba, a enviar, em 1519, uma grande força expedicionária sob o comando de Hernán Cortés. Em 1535, anos depois da queda da capital asteca (1521), a forma de governo do que se chamou vice-reinado da Nova Espanha foi instituída com a designação do primeiro vice-rei espanhol, Antonio de Mendoza. Durante a vigência do vice-reinado (1535 a 1821), um total de 61 vice-reis governaram a Nova Espanha. Uma série de expedições anexou a seu território os atuais estados do Texas, Novo México, Arizona e Califórnia, nos Estados Unidos. Algumas características particulares do vice-reinado foram a exploração dos indígenas, que embora legalmente fossem livres e pudessem receber salários, eram escravizados; permitir que a Igreja mexicana obtivesse grande poder e enorme riqueza; e propiciar a existência de classes sociais marcadas por grande desigualdade, reservando para os nascidos na Espanha os cargos coloniais importantes. Desde o começo do sistema era patente a ineficácia e a corrupção na administração colonial. No final do século XVIII, a Espanha realizou reformas administrativas que no entanto não erradicaram os problemas e, no princípio do século XIX, o ressentimento dos criollos (descendentes de espanhóis nascidos na América), as idéias políticas liberais da Revolução Francesa e a ineficácia do governo da Nova Espanha debilitaram gravemente a união entre a colônia e a metrópole. A ocupação da Espanha por Napoleão estimulou a Guerra da Independência do México. Em setembro de 1810, o cura Miguel Hidalgo y Costilla levantou a bandeira da rebelião. Embora inicialmente vitorioso, um ano mais tarde foi capturado e executado. A liderança do movimento passou a José María Morelos y Pavón, outro sacerdote, que em 1814 proclamou a República e aboliu a escravidão. Em 1815, Morelos e seu exército foram derrotados pelas forças reais sob o comando de Agustín de Iturbide, um general crioulo. A revolução continuou com Vicente Guerrero. A revolução espanhola de 1820 afetou a rebelião do México. Por sua vez, Iturbide se reuniu com Guerrero em 1821 e assinaram um acordo pelo qual uniram suas forças para conseguir a independência mediante o Plano de Iguala. O último vice-rei da Nova Espanha, Juan O’Donojú, aceitou, em 1821, o Tratado de Córdoba, reconhecendo a independência do México. Em 1822, Iturbide foi proclamado imperador com o nome de Agustín I e dez meses mais tarde foi deposto por seu antigo colaborador Antonio López de Santa Anna. Foi proclamada a República e Guadalupe Victoria tornou-se o primeiro presidente. Começou então um conflito entre os centralistas — grupo conservador decidido a manter uma forma de governo centralizado — e os federalistas — facção liberal e anticlerical que apoiava uma federação de estados soberanos. Guerrero, líder liberal, chegou a ser presidente em 1829, mas foi assassinado dois anos mais tarde por forças do político e militar Anastasio Bustamante. Uma rebelião seguiu a outra até 1833, quando Santa Anna, muito popular dentro do Exército, foi eleito presidente. Pouco depois, sua política centralista e o descontentamento que gerou entre os habitantes do Texas levaram os Estados Unidos a declarar a guerra contra o México em 1846 (ver Guerra México-Estados Unidos). Pelo tratado de Guadalupe Hidalgo, o rio Bravo, ou Grande do Norte, foi definido como fronteira do Texas e os Estados Unidos se apoderaram do território que atualmente correspondem aos estados do Arizona, da Califórnia, do Colorado, do Novo México, de Nevada, de Utah e parte de Wyoming. Santa Anna, obrigado a renunciar depois da guerra, regressou do exílio em 1853 e, com o apoio dos centralistas, se proclamou ditador. No começo de 1854, começou uma rebelião liberal e, depois de mais de um ano de intensa luta, Santa Anna fugiu do México. O grande líder que surgiu entre os liberais foi Benito Juárez, um indígena famoso por sua integridade e firme lealdade à democracia. Uma forma federal de governo, a liberdade de expressão e outras liberdades civis tomaram corpo na Constituição de 1857, à qual os grupos conservadores, apoiados pela Espanha, se opuseram encarniçadamente. Em 1858, a guerra da Reforma ou dos Três Anos entre conservadores e liberais devastou o México. Juárez contava com o apoio dos Estados Unidos e em 1860 suas tropas tinham triunfado definitivamente. Entre 1858 e 1861, Juárez sancionou as Leis da Reforma que decretavam a nacionalização dos bens da Igreja, a lei do matrimônio civil, a separação da Igreja do Estado, a lei do registro civil, a secularização dos cemitérios e dos hospitais e a liberdade de cultos. Eleito presidente em 1861, uma das suas primeiras ações foi suspender o pagamento dos juros da dívida externa contraída pelos governos precedentes. A França, a Grã-Bretanha e a Espanha decidiram intervir conjuntamente para salvaguardarem os seus investimentos no México. Uma expedição conjunta ocupou Vera Cruz em 1861, mas, quando as ambições colonialistas de Napoleão III da França se tornaram evidentes, os britânicos e os espanhóis se retiraram. Durante um ano, as tropas francesas abriram caminho através do México e finalmente entraram na capital em junho de 1863. Juárez e seu gabinete fugiram para o interior e um governo conservador provisional proclamou o Império Mexicano e ofereceu a coroa a Maximiliano I, arquiduque da Áustria, que governou de 1864 a 1867. Em 1865, pressionada pelos Estados Unidos, que continuavam reconhecendo Juárez, a França retirou suas tropas. O exército republicano, sob o comando do general Porfirio Díaz, ocupou a cidade do México, e o imperador austriaco foi fuzilado em Querétaro. Juárez morreu em 1872 e foi sucedido por Sebastián Lerdo de Tejada. Quando ele tentou a reeleição, Porfirio Díaz liderou outra rebelião e se proclamou presidente em 1877. Governou até 1911 e, no seu governo, ocorreram importantes realizações nos campos econômico e comercial, embora fossem claras as medidas em benefício dos ricos latifundiários e as concessões ao capital estrangeiro, que chegou a monopolizar a quase totalidade da mineração, do petróleo e das ferrovias. Díaz renovou seu mandato em 1910, mas o candidato liberal Francisco I. Madero foi reconhecido como o líder da revolução popular. Díaz foi obrigado a renunciar em 1911 e Madero foi eleito presidente. Emiliano Zapata e Francisco (Pancho) Villa se negaram a acatar a autoridade presidencial; Victoriano Huerta, chefe do exército de Madero, conspirou com os rebeldes e, em 1913, assumiu o controle da capital. Começaram novas rebeliões armadas comandadas por Zapata, Villa e Venustiano Carranza, que obrigaram Huerta a renunciar em 1914. Carranza assumiu o poder nesse mesmo ano e Villa lhe declarou a guerra imediatamente. Em 1915, os líderes rebeldes depuseram as armas, com exceção de Villa, que deu continuidade a suas atividades guerrilheiras no campo mexicano até 1920. A Constituição de 1917 criou um novo código trabalhista, proibiu a reeleição presidencial, expropriou as propriedades das ordens religiosas e devolveu os terrenos comunais aos indígenas. Carranza foi eleito presidente e, embora muitos dos preceitos constitucionais não tenham entrado em vigor, desagradou as companhias petrolíferas estrangeiras. Em 1920, os generais Plutarco Elías Calles, Álvaro Obregón e Adolfo de la Huerta se rebelaram contra Carranza. Obregón, eleito novo presidente, aceitou as reivindicações das companhias norte-americanas e foi reconhecido pelos Estados Unidos em 1923. Em 1924, Calles foi eleito presidente e começou a aplicar as reformas constitucionais, especialmente em matéria agrária. Suas reformas religiosas desencadearam a chamada Guerra Cristera (1926-1929). Obregón foi reeleito presidente em 1928, mas alguns meses mais tarde morreu assassinado por um fanático religioso. A presidência provisional foi exercida por Emilio Portes Gil e posteriormente por Abelardo L. Rodríguez. Em 1932, o Partido Nacional Revolucionário (PNR), do governo, projetou um “sistema econômico cooperativo com tendências socialistas”, incluindo uma lei trabalhista, obras públicas, divisão da terra e o embargo das áreas petroleiras controladas por empresas estrangeiras. O programa do PNR foi colocado em prática em 1934 com a eleição de Lázaro Cárdenas para a presidência da República. Em 1938, o governo expropriou as companhias petrolíferas e criou a estatal Petróleos Mexicanos (PEMEX). As represálias afetaram seriamente a indústria petroleira mexicana, que se viu obrigada a realizar intercâmbios comerciais com a Itália, a Alemanha e o Japão. O comércio com essas nações foi interrompido pela II Guerra Mundial (1939-1945). Cárdenas apoiou de várias formas a República espanhola e, depois da Guerra Civil e da instauração do regime franquista, o México acolheu como exilados aproximadamente 40.000 espanhóis e favoreceu o estabelecimento de um governo espanhol no exílio. Em 1940, Manuel Ávila Camacho, apoiado pelos trabalhadores mexicanos, foi eleito presidente. A chamada “política da boa vizinhança” dos Estados Unidos influiu positivamente no México. Diante da iminente participação dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, o México permitiu que a Força Aérea norte-americana utilizasse os seus campos de aviação e restringiu a exportação de materiais críticos e estratégicos (principalmente minerais escassos) aos países do hemisfério ocidental. Em 22 de maio de 1942, depois do afundamento de dois petroleiros mexicanos por submarinos alemães, o Congresso mexicano declarou guerra à Alemanha, Itália e ao Japão. Em junho de 1945, o México assinou a declaração das Nações Unidas (ONU). Em 1946, Miguel Alemán Valdés sucedeu Ávila Camacho como presidente; seus objetivos eram a distribuição equânime da riqueza, amplas obras de irrigação e a industrialização do país. Teve dificuldades para resolver o problema da emigração mexicana ilegal para os Estados Unidos, mas os acordos entre ambos países resultaram na permissão da entrada de um determinado número de trabalhadores. Adolfo Ruiz Cortines, candidato do PRI, foi eleito presidente em 1952. No ano seguinte, o congresso estendeu o direito de voto às mulheres. Em 1958, foi sucedido por Adolfo López Mateos. Na campanha presidencial de 1964, o candidato do PRI e futuro presidente, Gustavo Díaz Ordaz, deu total prioridade aos camponeses sem recursos. Nesse mesmo ano, o México se negou a apoiar a decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de romper relações diplomáticas com Cuba, e os Estados Unidos cancelaram o seu programa de aceitação de trabalhadores temporários mexicanos. Em 1966, Díaz Ordaz anunciou um programa qüinqüenal de desenvolvimento e planificação econômica. Em 1968, o governo se deparou com grandes manifestações estudantis. Luis Echeverría Álvarez ascendeu à presidência em 1970. Durante o seu sexênio, adotou uma estratégia mais equilibrada de crescimento econômico com medidas para aumentar as exportações. Em 1976, José López Portillo, do PRI, foi eleito presidente. Implantou um bem-sucedido programa nacional de austeridade econômica e, no campo externo, restabeleceu as relações diplomáticas com a Espanha, interrompidas há 38 anos. Miguel de la Madrid Hurtado foi eleito presidente em 1982. Na metade da década, um acelerado crescimento na dívida externa, juntamente com a queda dos preços do petróleo, deixaram o país em grandes dificuldades financeiras. Em 1988, o candidato do PRI, Carlos Salinas de Gortari, assumiu a presidência. Acelerou a privatização das empresas do Estado e em dezembro de 1992 assinou com o presidente norte-americano, George Bush, e o primeiro-ministro do Canadá, Brian Mulroney, o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), a maior zona de livre comércio do mundo. No dia 1º de janeiro de 1994, um grupo de indígenas chamado Exército Zapatista de Libertação Nacional ocupou quatro povoados do estado de Chiapas exigindo melhoras para a população indígena (ver Zapatistas). Em agosto deste ano, Ernesto Zedillo Ponce de León ganhou as eleições presidenciais. Esperava-o a pior crise financeira do México, cuja solução só se conseguiu depois de obter ajuda internacional, Zedillo anunciou medidas de austeridade e a privatização dos bens do Estado.

 

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