América
A América latina reúne as
nações derivadas do latim, a América do Norte é
formada por três países: Canadá, EUA e México. A Groenlândia
é território autônomo sob soberania dinamarquesa e América
Central e do Sul.
Realidades diferentes
O México
forma um único bloco com os outros dois países somente do
ponto de vista fisiográfico, porque, na verdade, suas
realidades são muito diferentes. Paralelamente, foram
desenvolvidos projetos de integração supranacionais como o
Nafta, que estabeleceu uma zona de livre comércio entre os
Estados Unidos, o Canadá e o México.
Existem ainda dois principais problemas geopolíticos: o
movimento separatista pacífico da Província de Quebec, no
Canadá, e a revolta do Exército Zapatista de Libertação
Nacional, no Estado de Chiapas, no México.
A
CRISE NA AMÉRICA LATINA
México
O México
tem sofrido com a retração da economia norte-americana, O
PIB do país encolheu 2% no primeiro trimestre. A indústria
sofreu a maior queda, produzindo 4,4% menos no período.
As
exportações do país para o Canadá, outro importante parceiro
econômico do México, despencaram 2,3% somente em abril.
Argentina
Desde o
início do ano, após declarar a moratória, o governo
argentino tenta de forma infrutífera fechar um acordo com o
FMI.
As
reservas do país evaporaram neste ano, caindo para baixo dos
US$ 10 bilhões. A perda das reservas foi causada pela
tentativa de conter a forte desvalorização e no socorro ao
sistema financeiro que está em colapso.
Uruguai
Governo
foi obrigado a deixar a moeda do país flutuar livremente por
não conseguir mais manter o câmbio administrado.
Perdas nas
vendas ao exterior, provocadas principalmente pelo colapso
argentino e pela estagnação brasileira que tem castigado o
país. No primeiro trimestre, as exportações ao Mercosul
despencaram 41%.
Venezuela
País sofre
com a instabilidade política. Apesar de Hugo Chávez ter
voltado ao poder após o fracassado golpe sofrido em abril,
seu governo carece de apoio. A queda nos preços
internacionais do petróleo castiga o país, que tem no
produto importante fonte de recurso. A queda projetada para
o PIB venezuelano neste ano é de 4%.
Brasil
País
enfrenta problemas com a volta da escalada do dólar.
Risco país
também segue em forte trajetória de alta há dias.Pressionado
pelo mercado, governo tem sido obrigado a encurtar os prazos
de vencimento da dívida pública.
América
Central
América Central, região do continente
americano, é constituída por um istmo longo e estreito entre
a América do Norte e a América do Sul. Tem a extensão de
523.000 km2 e compreende os seguintes países: Guatemala,
Belize, Honduras, El Salvador, Nicarágua, Costa
Rica,Panamá,Cuba,Porto Rico,Jamaica e Republica Dominicana
AMBIENTE NATURAL
A América Central vai desde o istmo de
Tehuantepec, no sul do México, até o vale do rio Atrato, na
Colômbia. É uma região montanhosa e uma das zonas do
continente americano com maior número de vulcões ativos. O
relevo sobe abruptamente da estreita região costeira do
oceano Pacífico para as cristas das montanhas e desce
gradualmente para uma vasta região que se estende ao longo
do mar do Caribe. Existe uma passagem interoceânica no
Panamá, o canal do Panamá. Os rios de maior curso da América
Central desembocam no Caribe, enquanto os menores deságuam
no Pacífico. Há três grandes lagos: Nicarágua, Manágua e
Gatún. Distinguem-se três zonas climáticas principais: a
chamada terra quente, que engloba regiões do nível do mar
até a altitude de 910 m; a terra temperada, que abrange
regiões de 915 m a 1.830 m; a terra fria, que abrange
regiões de até 3.050 m aproximadamente. As terras baixas da
floresta tropical das costas caribenhas e do Pacífico
assemelham-se às selvas ou florestas tropicais da América do
Sul. A vegetação apresenta semelhanças com a da América do
Norte com altitudes entre 1.000 m e 1.600 m, com florestas
de pinheiros e carvalhos. Na Costa Rica, a 3.100 m, crescem
arbustos parecidos com os da cordilheira dos Andes. Já a
fauna é mais parecida com a da América do Sul do que com a
da América do Norte.
POPULAÇÃO
A maioria da população é indígena ou mestiça
com 65,5 milhões de habitantes. A densidade demográfica
chega a mais de 385 hab/km2 em algumas partes do planalto
central da Costa Rica, mas fica abaixo dos 4 hab/km2 em
extensas zonas do oriente hondurenho e nicaragüense. O
espanhol é o idioma oficial de todos os países, exceto de
Belize onde fala-se inglês. Muitas das populações indígenas
utilizam o seu próprio idioma. A religião católica é a
predominante.
ECONOMIA
No início da década de 1990, os países da
América Central tinham uma economia subdesenvolvida, em que
a agricultura era a atividade econômica mais importante. A
indústria manufatureira dedicava-se ao tratamento de
matérias-primas exportáveis e a renda per capita anual era
muito baixa. A agricultura é a base do desenvolvimento
econômico. As culturas mais importantes para exportação são
café, banana, cana-de-açúcar, cacau, borracha e mandioca.
Esses produtos são cultivados extensivamente, enquanto os
alimentos para o consumo interno provêm de pequenas
propriedades agrícolas tradicionais. Nas regiões secas do
ocidente centro-americano, pratica-se a agropecuária em
grandes fazendas. A pesca e a exploração florestal são
atividades menores na economia. A exportação de minerais é
pequena. El Salvador, Honduras e Nicarágua produzem ouro,
prata, chumbo, cobre e antimônio em quantidades limitadas. A
Guatemala exporta também pequenas quantidades de petróleo
bruto.
HISTÓRIA
A região compreendida entre o México e a
Colômbia tem uma rica história de civilizações
pré-colombianas. A mais importante foi a maia. Essa
civilização indígena entrou em decadência por volta do ano
900 e seu povo foi conquistado pelos toltecas. Em 1502,
Cristóvão Colombo tomou posse da América Central em nome da
coroa espanhola. Em 1510, Vasco Nunes de Balboa fundou em
Darién a primeira colônia produtiva da América. Pedro
Alvarado consolidou o controle de todo o istmo. Os indígenas
foram escravizados ou reduzidos à servidão pelos espanhóis,
que implantaram uma sociedade agrícola baseada em
instituições importadas da península Ibérica. Apesar de
tudo, os costumes e as tradições indígenas se mantiveram. A
América Central colonial foi dividida em duas jurisdições. O
reino da Guatemala, que se estendia de Chiapas (atualmente
estado do México) até a Costa Rica, era parte do
Vice-reinado da Nova Espanha. O restante do território foi
agregado à Nova Granada (atual Colômbia), inicialmente
dependente do Vice-reinado do Peru. Em 1821, a classe
crioula da Guatemala, imitando a do México, rompeu sua
vassalagem com a Espanha. A zona passou a integrar o Império
mexicano de Agustín de Iturbide até 1823, quando tornou-se
independente do México e formou as Províncias Unidas da
América Central. Chiapas continuou pertencendo ao México,
enquanto o Panamá fazia parte da Grande Colômbia de Simón
Bolívar. As Províncias Unidas embarcaram em um programa
ambicioso, mas pouco realista, de reformas políticas e
desenvolvimento econômico. A guerra civil foi o resultado do
regionalismo exacerbado. Em 1838, com a revolta iniciada
pelo líder guatemalteco Rafael Carrera, a federação começou
a desintegrar-se e surgiram como repúblicas independentes a
Guatemala, Honduras, El Salvador, Nicarágua e Costa Rica.
Nessa época, a Grã-Bretanha começava a substituir a Espanha
como força dominante na região. O assentamento britânico de
Belize tornou-se o principal centro de comércio de toda a
América Central com o exterior. Em 1862, Belize tornou-se
oficialmente colônia inglesa, com o nome de Honduras
Britânica. Em 1903, movidos por seu interesse particular na
construção do canal, os Estados Unidos pressionaram o Panamá
para que obtivesse a independência, desmembrando-se do
território colombiano.
América do
Norte
América do Norte, subcontinente que
compreende o Canadá, os Estados Unidos e o México. Inclui
também a Groenlândia, o departamento francês de ultramar de
Saint Pierre e Miquelon e a colônia britânica de Bermudas. A
América do Norte tem mais de 395 milhões de habitantes
(segundo estimativas para 1997).
AMBIENTE NATURAL
Limita-se ao norte com o oceano Ártico, ao
leste com o oceano Atlântico, ao sul com o golfo do México e
o istmo de Tehuantepec e a oeste com o oceano Pacífico. A
superfície do continente é de aproximadamente 23,5 milhões
de km2. A América do Norte pode ser dividida em cinco
importantes regiões fisiográficas. A metade oriental do
Canadá, a maior parte da Groenlândia e porções de Minnesota,
Wisconsin, Michigan e Nova York nos Estados Unidos fazem
parte do Escudo Canadense. A segunda região faz parte de uma
planície costeira, que ocupa a maior parte do leste dos
Estados Unidos e do México. Nos Estados Unidos, a planície
costeira é limitada a oeste por uma terceira região, que
compreende a cordilheira formada principalmente pelos montes
Apalaches. A quarta região abrange a parte central do
continente, que vai do Canadá meridional até o sudoeste do
Texas e compreende uma extensa planície. A quinta região,
que é também a mais ocidental e engloba grande parte do
México, é uma área de orogenia ativa, formada por grandes
cordilheiras (montanhas Rochosas e sierra Madre), planaltos
(planaltos do Colorado e o planalto Mexicano) e bacias
profundas (a Great Basin). Dois importantes sistemas de
drenagem — o sistema dos Grandes Lagos e o rio São Lourenço
e o sistema dos rios Mississippi e Missouri— dominam a
hidrografia da América do Norte oriental e central. Do
Canadá ocidental o rio Mackenzie flui para o oceano Glacial
Ártico. Em direção ao golfo do México e ao mar das Antilhas
correm os rios Bravo e Pánuco. No Pacífico deságuam os rios
Colorado, Sonora, Yaqui, Balsas, Colúmbia, Fraser e Yukón.
Embora a América do Norte possua uma considerável variedade
de climas, é possível identificar cinco importantes regiões
climáticas. Os dois-terços setentrionais do Canadá e do
Alasca, da mesma forma que toda a Groenlândia, têm climas
subártico e ártico. Uma segunda região climática abrange os
dois-terços orientais dos Estados Unidos e do Canadá
meridional. Essa região carateriza-se por um clima úmido em
que as quatro estações são muito diferenciadas. A terceira
região inclui o interior do oeste dos Estados Unidos e
grande parte do norte do México. A maior parte dessa zona é
desértica e montanhosa. A quarta região climática engloba
uma estreita região ao longo do oceano Pacífico que vai
desde o Alasca meridional até a Califórnia meridional. Tem
invernos relativamente temperados, mas úmidos, e verões
quase secos. A maior parte do sul do México possui clima
tropical. A floresta mais notável é a taiga, ou floresta
boreal, uma enorme extensão de árvores, em sua maioria
coníferas, que cobre boa parte do Canadá meridional e
central e se estende até o Alasca. No leste dos Estados
Unidos, as florestas são mistas, dominadas por árvores
caducifólias. Na parte ocidental do continente, as florestas
estão associadas principalmente às cordilheiras montanhosas
e nelas predominam as coníferas. Na Califórnia, a sequóia de
madeira vermelha e a sequóia gigante são as espécies mais
importantes. As florestas tropicais do México caraterizam-se
por uma grande variedade de espécies. Destacam-se os grandes
mamíferos, como os ursos, o carneiro canadense, o urso
formigueiro, a jaguatirica, o veado, o bisão (que era
característico da fauna do norte do México e dos Estados
Unidos, e atualmente só se encontra em rebanhos protegidos),
o caribu, o alce americano, o boi almiscarado e o wapiti.
Entre os grandes carnívoros estão o puma, o jaguar (nas
regiões mais meridionais), o lobo e seu parente menor, o
coiote, e, no extremo norte, o urso polar. Os numerosos
répteis, como a cobra coral, as víboras, o monstro de Gila e
o lagarto de contas, habitam o sudoeste dos Estados Unidos e
do México. A América do Norte possui enormes jazidas de
grande variedade de minerais, entre os quais se destacam os
seguintes: o petróleo e o gás natural no Alasca meridional,
no Canadá ocidental e no sul e oeste dos Estados Unidos e do
México oriental; grandes leitos de carvão no leste e no
oeste do Canadá e dos Estados Unidos; e as grandes jazidas
de minério de ferro do leste do Canadá, do norte de Estados
Unidos e do centro do México.
POPULAÇÃO
Com exceção da zona central do México, os
povos indígenas do subcontinente viviam dispersos
geograficamente. Os europeus dizimaram-os e deslocaram-os. A
maioria da população atual da América do Norte é de
ascendência européia. Pelo menos 35% dos habitantes do
Canadá são de ascendência britânica e cerca de 4% são de
origem francesa. A população dos Estados Unidos de
ascendência britânica ou irlandesa chega a 29% dos
habitantes. Os negros constituem cerca de 12%, os alemães
23%, os hispanos 9% e os habitantes de origem asiática 2,9%.
Os povos indígenas americanos e os inuit (esquimós)
representam um contigente de cerca de 1,8 milhão nos Estados
Unidos e de 400 mil no Canadá. Cerca de 55% da população
mexicana é formada por mestiços. Da população restante, 30%
são de origem indígena americana e 15% de origem européia.
Em 1997, os Estados Unidos tinham 271,6 milhões de
habitantes, o México 94,3 milhões de habitantes, o Canadá
29,9 milhões de habitantes e a Groenlândia (estimativas para
1995) 55.700 habitantes. A maior parte da população
concentra-se na metade oriental dos Estados Unidos e nas
adjacências de Ontário e Quebec, na costa do Pacífico dos
Estados Unidos e no planalto central do México. No geral, a
densidade populacional da América do Norte é moderada. No
México é de 43 hab/km2, nos Estados Unidos de 27,2 hab/km2 e
de 2,6 hab/km2 no Canadá. O inglês é a língua mais
utilizada. A população hispânica dos Estados Unidos fala
espanhol. O francês é falado por um-quarto da população
canadense. Muitos dos povos indígenas dos Estados Unidos, do
Canadá e da Groenlândia utilizam suas línguas tradicionais.
O espanhol é a língua dominante no México. Porém mais de
cinco milhões de mexicanos falam línguas indígenas.
ECONOMIA
A agricultura tem uma importância maior no
México do que nos demais países da América do Norte e
proporciona emprego a cerca de 25% da população ativa. A
agricultura de subsistência ainda existe, principalmente no
sul. A agricultura comercial desenvolveu-se, sobretudo, na
planície central e no norte do país. Nos Estados Unidos e no
Canadá, a agricultura é dominada por fazendas mecanizadas,
que produzem imensas quantidades de produtos vegetais e
animais. As Grandes Planícies do centro dos Estados Unidos e
as províncias da pradaria canadense (Alberta, Manitoba,
Saskatchewan) são importantes centros produtores mundiais de
cereais, sementes oleaginosas e gado. A agricultura da
Califórnia produz grande quantidade de culturas de
irrigação. A silvicultura é um dos setores básicos da
economia canadense. Importantes indústrias de produtos
florestais prosperam também nos estados do oeste e do
sudeste dos Estados Unidos. A pesca é a principal atividade
econômica da Groenlândia. Há muito que a indústria vem sendo
o principal setor econômico dos Estados Unidos. A maior
concentração de fábricas ocorre no cinturão industrial que
se estende de Boston a Chicago. Essa atividade econômica
também é importante no Canadá e concentra-se nas cidades de
Ontário, Quebec, Colúmbia Britânica e Alberta e atualmente é
uma atividade em franco desenvolvimento na economia
mexicana. Os Estados Unidos, o Canadá e o México são
parceiros comerciais graças ao Acordo de Livre Comércio da
América do Norte (NAFTA), que entrou em vigor em 1994,
determinando a eliminação das barreiras comerciais entre
esses três países.
HISTÓRIA
A ocupação humana da América do Norte começou
no período quaternário, talvez há cerca de 50.000 anos.
Provavelmente, povos de raça mongolóide alcançaram o
subcontinente a partir da Ásia. Eric, o Vermelho, explorou e
colonizou a Groenlândia. Depois, Leif Eriksson desembarcou
em algum lugar situado entre Labrador e Nova Inglaterra. As
explorações européias da América do Norte adquiriram
importância com a viagem realizada em 1492 por Cristóvão
Colombo. Em 1497, Giovanni Caboto, navegante a serviço da
Inglaterra, percorreu as costas de Labrador, Terra Nova e
Nova Inglaterra. Em 1519, Hernán Cortés chegou ao México e
conquistou a região. O êxito surpreendente da ocupação
deveu-se, em grande parte, às lutas que dividiam os povos
indígenas. A divisão interna era especialmente grave no
império asteca, que dominava com mão de ferro as outras
etnias do centro do México. Os maias, outro grande povo
mexicano, não foram capazes de oferecer uma resistência
efetiva aos espanhóis, que os encontraram já em plena
decadência. As colônias criadas pelos espanhóis na área do
México agruparam-se no Vice-reinado da Nova Espanha. As
autoridades espanholas completaram a conquista do México e
ocuparam grandes áreas agora situadas ao sul dos Estados
Unidos. A França explorou e colonizou o continente desde o
Canadá até o sul. Em 1524, Giovanni da Verrazano, a serviço
da França, percorreu a costa norte-americana desde o cabo
Fear até o cabo Breton. O explorador francês Jacques Cartier
explorou o rio São Lourenço. Em 1682, Robert Cavalier e
Henri de Tonty navegaram pelo Mississippi e reclamaram a
posse de todos os territórios banhados por esse rio. A coroa
inglesa reivindicou os seus direitos sobre América do Norte
com base na viagem de Cabot, mas durante quase um século não
fez qualquer tentativa de colonização. Depois de 1607, os
ingleses colonizaram progressivamente todo o litoral
Atlântico entre a colônia francesa da Acádia e a espanhola
da Flórida. Os principais assentamentos franceses fixaram-se
no Canadá e próximo da desembocadura do Mississippi. As
possessões inglesas consistiam em 13 colônias que se
estendiam ao longo do litoral Atlântico. Como conseqüência
de suas tentativas de expansão para o oeste, os ingleses
acabaram entrando em conflito com os franceses. Em 1689, as
duas potências começaram uma luta pela supremacia militar e
colonial. Depois de quatro guerras, os franceses capitularam
e cederam à Grã-Bretanha todas as suas possessões no Canadá
e também a parte da Louisiana ao leste do Mississippi. A
Guerra da Independência Norte-americana (1776-1783) fez
nascer os Estados Unidos da América. O êxito das Treze
Colônias em sua independência da Inglaterra teve
repercussões nas colônias espanholas da América. O México
tornou-se independente em 1821. No final do século XIX e
início do XX, o Canadá também obteve total autonomia da
Grã-Bretanha. A expansão territorial dos Estados Unidos foi
marcada por uma guerra impiedosa contra os povos indígenas,
que resistiram à invasão de suas terras. Não foram somente
os conflitos armados que dominaram esses povos, mas também a
assimilação pela força e a expropriação de suas terras. Nos
Estados Unidos e no Canadá, a maioria dos povos indígenas
americanos continuam vivendo em reservas. Além da compra de
territórios contíguos, os Estados Unidos obtiveram outras
regiões das Américas do Norte e Central: o Alasca, Porto
Rico, a zona do Canal de Panamá e as ilhas Virgens
norte-americanas. A hegemonia que os Estados Unidos exercem
no subcontinente começou em 1823 com a Doutrina Monroe
(“América para os americanos”), ainda que na prática ela não
se aplicasse a América do Sul até depois da I Guerra
Mundial. O único conflito sério depois da independência foi
a Guerra México-Estados Unidos, na qual o primeiro perdeu
metade do seu território. Durante o século XX, a tendência à
hegemonia norte-americana, sob a forma de amizade mútua
entre as nações americanas, tomou forma em 1910 com o
estabelecimento da União Pan-americana. Em 1948 nasceu a
Organização dos Estados Americanos, para executar o tratado
do Rio de Janeiro e como sistema de segurança coletivo. As
relações entre os Estados Unidos e o Canadá têm sido
amistosas e cooperativas, desde a Guerra de 1812.
América do
Sul
INTRODUÇÃO
América do Sul, subcontinente americano cuja
extensão é de 17.819.100 km2, abrangendo 12% da superfície
terrestre. Tem uma extensão de 7.400 km. Em 1990, a América
do Sul tinha aproximadamente 304 milhões de habitantes. Ela
é composta pelos seguintes países: Argentina, Bolívia,
Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai,
Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (departamento
sob a jurisdição da França). Existem ilhas no oceano
Pacífico que se localizam a grande distância do continente,
como o arquipélago de Juan Fernández e a ilha de Páscoa, que
pertencem ao Chile; e o arquipélago de Galápagos,
pertencente ao Equador. Perto da costa atlântica está o
arquipélago de Fernando de Noronha, que pertence ao Brasil,
e muito mais ao sul as ilhas Malvinas, também conhecidas
como Falkland, sob domínio britânico e que são reclamadas
pela Argentina. A linha costeira da América do Sul é
bastante regular exceto no extremo sul, onde se fragmenta em
inúmeros fiordos e ilhas.
AMBIENTE NATURAL
A América do Sul tem sete grandes áreas
geográficas: quatro regiões altas, que se estendem da costa
até o interior, e entre elas, três regiões baixas. A faixa
ocidental está marcada pelos Andes, a segunda em altitude
das cadeias montanhosas do mundo. Grande parte da costa
norte e oriental está margeada pelos extensos maciços das
Guianas, o maciço brasileiro e os planaltos da Patagônia. A
região mais extensa de terras baixas encontra-se na enorme
bacia amazônica, na zona equatorial do continente, que é
banhada pelo rio Amazonas. No norte, uma porção menor de
terras baixas é drenada pelo rio Orinoco; ao sul localiza-se
a bacia Paraguai-Paraná. O ponto mais baixo da América do
Sul, 4 m abaixo do nível do mar, está no Pantanal
Mato-grossense e o ponto mais alto é o Aconcágua. Os Andes
se estendem desde a Venezuela, ao norte, até o Chile e a
Argentina, no sul; na parte central, o sistema se abre em
duas ou três cordilheiras ou cadeias paralelas. Na parte
ocidental da Bolívia encontram-se os característicos
planaltos de grande altura, ou punas. No noroeste das
Guianas e no centro do Brasil, os maciços também apresentam
extensos planaltos, de menor altura. No relevo do Brasil se
destacam as montanhas que se encontram ao longo da costa
(ver Serra Geral; Serra do Mar). Ao sul do continente,
localiza-se o planalto da Patagônia. No extremo norte do
continente se encontra a bacia do Orinoco, que compreende as
vastas planícies dos Llanos. Ao sul da bacia amazônica
encontra-se outra região de vales e planícies, formada pelo
Grande Chaco e, mais ao sul, os Pampas que caracterizam
grande parte da Argentina, o Uruguai e metade do Rio Grande
do Sul, no Brasil. Grande parte das águas da América do Sul
desemboca no oceano Atlântico através de três cursos
fluviais: o Orinoco, o Amazonas e os rios Paraguai-Paraná. O
rio Magdalena desemboca no mar do Caribe. Cerca de vinte
rios andinos de menor extensão, que correm para o Pacífico
como o Guayas, o Santa e o Bio-Bio, permitiram manter a
atividade agrícola durante séculos nas regiões andinas. Os
rios dos Andes, os das Guianas e os do maciço brasileiro
possuem um considerável potencial hidrelétrico. O
subcontinente tem também importantes lagos, dos quais os
principais são o Titicaca e o Nahuel Huapí. Predominam
regimes climáticos relativamente temperados. A América do
Sul é atravessada pela linha equatorial e possui uma grande
faixa tropical úmida, que muda gradativamente no norte e no
sul, diminuindo a duração das chuvas. Essas zonas têm verões
úmidos e invernos sem chuvas, com prolongadas secas. As
regiões chuvosas e de clima úmido tropical, estendem-se ao
longo da costa da Colômbia e do Equador sobre o Pacífico,
com uma drástica transição no Peru e no norte do Chile,
cujas costas são áridas. As áreas de clima temperado, ao sul
do trópico de Capricórnio, apresentam grandes diferenças
entre os litorais leste e oeste; o sul do Chile recebe
intensas precipitações por causa das tormentas ciclônicas
que vêm do Pacífico, que vão se reduzindo à medida que
diminuem as latitudes, trazendo como resultado uma região de
clima mediterrâneo. Essa região serve de transição para os
desertos que se estendem ao longo da costa, como o de
Atacama, um dos lugares mais áridos do mundo. No litoral
atlântico não existem esses contrastes, e a transição entre
a fria Patagônia e o Brasil tropical é gradual. Na parte
ocidental da América do Sul, os Andes constituem a única
região de clima frio do continente, além do extremo sul. Os
tipos de vegetação estão estreitamente relacionados com as
regiões climáticas. A área de clima tropical e úmido está
coberta por florestas com uma densa vegetação; se estende
desde a costa brasileira até o sopé dos Andes orientais,
abrigando todo tipo de árvores de madeiras duras, samambaias
arborescentes, bambus, uma grande variedade de palmeiras e
cipós. No sul do Brasil as florestas se abrem para dar
passagem às pradarias. Os Pampas, a leste da região central
da Argentina, constituem as maiores extensões de pastagens
da América do Sul. No centro, a transição é feita com o
cerrado, enquanto ao norte da floresta amazônica os lavrados
de Roraima continuam nos Llanos ou savanas venezuelanos. A
América do Sul, a América Central, as terras baixas do
México e as Antilhas podem ser consideradas como uma só
região zoogeográfica, que se conhece como região
neo-tropical. Encontram-se ali famílias de mamíferos que não
existem em nenhuma outra região do mundo, como por exemplo
as lhamas. Outros animais característicos do continente são:
a vicunha, a alpaca, a onça ou jaguar, o caititu ou pecari,
o tamanduá e o quati. A variedade de pássaros é ainda maior
por causa do isolamento e singularidade. São conhecidas
aproximadamente 23 famílias e 600 espécies de pássaros
exclusivamente neo-tropicais, como os colibris ou
beija-flores. A América do Sul tem diversos recursos
minerais que ainda não foram explorados totalmente, embora
alguns já fossem conhecidos pelas civilizações
pré-colombianas. As jazidas estão distribuídas por todo o
subcontinente, mas algumas zonas são particularmente famosas
por suas riquezas, como as jazidas de ouro e cobre dos
Andes. Na cordilheira central do Peru e na do sul da Bolívia
é importante a produção de prata e mercúrio. O leste da
região central do Brasil é especialmente rico em ouro e
diamantes. Mesmo que a América do Sul continue sendo o maior
produtor de chumbo, zinco, manganês e estanho, as grandes
reservas de mineral de ferro de alto teor e as de bauxita
são mais importantes para o emergente poder industrial do
continente. No entanto, não dispõe de grandes reservas de
carvão, que se encontram dispersas em pequenas jazidas nos
Andes e no sul do Brasil. O petróleo, ao contrário, está
muito bem distribuído. A maioria das reservas do combustível
e de gás natural pode ser encontrada nas bacias estruturais
que se encontram ao longo do sopé dos Andes, desde a
Venezuela até a Terra do Fogo, e na plataforma continental
atlântica, do Brasil às Malvinas.
POPULAÇÃO
O subcontinente tem mais de 300 milhões de
habitantes. Com 12% da superfície terrestre, tem menos de 6%
da população do mundo. No entanto, essa população tem
aumentado gradativamente, registrando-se um alto índice de
crescimento na população urbana. Desde 1930 a concentração
demográfica dá-se na periferia das cidades, enquanto as
regiões do interior vão ficando despovoadas. Embora existam
distintas heranças étnicas, os principais elementos são
constituídos pelos indígenas, os descendentes dos espanhóis,
dos portugueses e dos negros africanos. O que mais
caracteriza a América do Sul são os mestiços (mistura de
população hispana e portuguesa com a ascendência indígena),
sendo menos numerosos os mulatos (descendentes de hispanos e
portugueses com população negra). A população dobrou entre
1960 e 1990. Quase a metade da população do continente mora
no Brasil. O espanhol é a língua oficial de nove dos treze
países do continente. No Brasil o português é o idioma
oficial; na Guiana, o inglês; no Suriname, o holandês; e na
Guiana Francesa, o francês. Os três idiomas indígenas
principais são o quíchua, o aimará e o guarani, que são
falados por um grande número de pessoas. Além disso, existem
inúmeras línguas e dialetos próprios da Amazônia e no
extremo sul do Chile e a Argentina. Quase 90% da população
da América do Sul pratica a religião católica. Dos 11
milhões de protestantes, a maioria se encontra no Chile e no
Brasil.
ECONOMIA
A América do Sul experimentou, a partir de
1930, um notável crescimento e diversificação na maioria dos
setores econômicos. Grande parte dos produtos agrícolas e
pecuários é destinada ao consumo local e ao mercado interno.
No entanto, a exportação de produtos agrícolas é fundamental
para o equilíbrio da balança comercial da maioria dos
países. Os principais cultivos agrários são justamente os de
exportação, como a soja e o trigo. A produção de alimentos
básicos como as hortaliças, o milho ou o feijão é grande,
mas voltada para o consumo interno. A criação de gado
destinada à exportação de carne é importante na Argentina,
no Paraguai, no Uruguai e na Colômbia. Nas regiões tropicais
os cultivos mais importantes são o café, o cacau e as
bananas, principalmente no Brasil, na Colômbia e no Equador.
Por tradição, os países produtores de açúcar para a
exportação são: Peru, Guiana e Suriname, sendo que no
Brasil, a cana-de-açúcar também é utilizada para a
fabricação de álcool combustível. Na costa do Peru, noroeste
e sul do Brasil cultiva-se o algodão. Cinqüenta por cento da
superfície sul-americana está coberta por florestas, mas as
indústrias madeireiras são pequenas e direcionadas para os
mercados internos. Nos últimos anos, no entanto, empresas
transnacionais vêm se instalando na Amazônia para explorar
madeiras nobres destinadas à exportação. As águas costeiras
do Pacífico da América do Sul, são as mais importantes para
a pesca comercial. A captura de anchova chega a milhares de
toneladas, e também é abundante o atum, do qual o Peru é um
grande exportador. A captura de crustáceos é notável,
particularmente no nordeste do Brasil e no Chile. A
industrialização e o processamento de alimentos é uma das
atividades mais importantes do setor secundário. Outras
indústrias se localizam nas proximidades das grandes
cidades, como as refinarias de petróleo, as siderúrgicas de
ferro e aço, cimento, manufaturas e fábricas de bens de
consumo tais como tecidos, bebidas, carros,
eletrodomésticos, equipamentos mecânicos e elétricos e
plásticos. O comércio intercontinental da América do Sul se
realiza prioritariamente com os Estados Unidos, a Europa
Ocidental e o Japão. O petróleo e seus derivados
constituíram um componente importante desse comércio
internacional, mas nos últimos anos se desenvolveu a
tendência ao auto-abastecimento, com o Brasil reduzindo suas
compras no Oriente Médio e transformando-se no principal
comprador desse combustível da Argentina e Venezuela. O
comércio dentro do subcontinente foi promovido, a partir de
1960, por instituições regionais de integração, dentre as
quais as mais importantes são a Associação Latino-Americana
de Integração (ALADI), o Bloco Andino, e em especial o
Mercosul, formado inicialmente por Argentina, Brasil,
Paraguai e Uruguai, ao qual aderiram depois o Chile e a
Bolívia.
HISTÓRIA
Os primeiros homens chegaram à América do Sul
há pelo menos 13.000 anos, ainda que alguns pesquisadores
sustentem que essa chegada se produziu em época tão recuada
como 40.000 anos antes da nossa era. Recentes descobertas no
Chile, no entanto, comprovam que os primeiros americanos já
tinham chegado ao extremo sul do continente em torno de
12.000 anos atrás. São inúmeras as culturas locais
desenvolvidas pelos índios, que atingiram a fase das
civilizações urbanas em torno do ano 200 d.C. As mais
importantes foram a de Tiahuanaco (a mais antiga,
desenvolvida às margens do lago Titicaca), a Chibcha (na
Colômbia) e a dos Incas, que chegou ao seu máximo esplendor
poucos anos antes da chegada dos conquistadores europeus
(ver Araucanos; Arqueologia; Peru; Arte e arquitetura
pré-colombianas; Tupi-guarani). Depois da descoberta do
Brasil, Espanha e Portugal se viram envolvidos na
controvérsia relacionada com os direitos sobre as terras do
Novo Mundo. A disputa foi resolvida pelo papa Alexandre VI,
que deu a Portugal todos os novos territórios ao leste de
uma linha, de norte a sul, situada a 300 léguas marítimas a
oeste das ilhas de Cabo Verde. À Espanha foram atribuídos os
territórios a oeste da divisa. A posição da linha divisória
foi modificada depois pelo Tratado de Tordesilhas (1494) e
ficou conhecida por esse nome. Em 1519, Fernão de Magalhães
explorou o estuário do Prata, descobriu a passagem entre os
oceanos Atlântico e Pacífico e morreu num combate nas
Filipinas. Seu lugar-tenente, o espanhol Juan Sebastián
Elcano, conseguiu voltar a Espanha através da rota da Índia
e o litoral da África, tornando-se o primeiro homem a dar a
volta ao mundo. Paradoxalmente, a exploração e a conquista
sistemática do interior da América do Sul foi iniciada pelos
alemães, quando os banqueiros Welser conseguiram que Carlos
V lhes desse o direito a explorar as selvas venezuelanas em
busca do mitológico Eldorado, como pagamento do dinheiro que
tinham emprestado para suas guerras européias. A aventura
dos alemães limitou-se a arrasar dezenas de aldeias e a
torturar indígenas para que confessassem a localização do
lago Guatavita, onde anualmente o rei índio mergulhava
coberto de ouro em pó. Como a lenda dizia que se tratava de
um ritual secular, os emissários de Welser esperavam
encontrar toneladas de ouro no fundo da lagoa. No entanto,
dizimados pelas febres tropicais e as flechas dos índios,
poucos conseguiram voltar à Europa, sem uma pepita sequer. O
primeiro europeu que alcançou o sucesso no subcontinente foi
Francisco Pizarro. Estando no Panamá, obteve informações
sobre um reino rico em ouro no sul, e não encontrou
dificuldades em recrutar uma tropa de aventureiros, depois
do retumbante êxito obtido por Cortês no México. Chegou às
terras do Tahuantisuyo (Império das Quatro Regiões) quando
os meio-irmãos Huáscar e Atahualpa disputavam o trono, o que
facilitou a conquista, completada em 1532 com o assassinato
do Inca Atahualpa. Depois de derrotar os incas, seu
lugar-tenete Diego de Almagro conquistou o Chile, e em 1534
Sebastián de Benalcázar se apossou do reino de Quito. A
conquista e colonização da região do Rio da Prata foi
iniciada por Pedro de Mendoza em 1535, poucos anos depois
dos primeiros estabelecimentos portugueses no Brasil (ver
Capitanias hereditárias). Ao longo da primeira metade do
século XVI, entusiasmados pela procura de ricas terras, pela
aventura ou pelo interesse cristão de divulgar o evangelho
entre os indígenas, milhares de imigrantes ibéricos chegaram
em massa ao continente americano. Espanha e Portugal, as
novas potências, receberam o apoio da Igreja para consolidar
seus respectivos impérios coloniais, baseados na utilização
do trabalho forçado de índios e de negros africanos (ver
Escravidão africana; Escravidão indígena). Em fins do século
XVII, os dois países dominavam toda a América do Sul, com
exceção das Guianas, invadidas e divididas entre
Grã-Bretanha, França e Holanda. As duas metrópoles, que
desde o começo tinham estabelecido o monopólio do comércio
em suas colônias (ver Pacto colonial), impunham restrições
cada vez mais severas à economia colonial, o que agravou as
dificuldades e provocou o descontentamento dos habitantes do
subcontinente, levando a inúmeros levantes, especialmente no
Paraguai, de 1721 a 1735; no Peru, de 1780 a 1782, em Nova
Granada em 1781 e no Brasil em 1707, 1711 e 1788. As
desigualdades sociais constituíam outro motivo de
descontentamento entre a população das colônias. Os nascidos
na metrópole, quando eram enviados às colônias, ocupavam os
cargos públicos mais altos. Normalmente pertenciam à
nobreza, mantendo uma atitude de desprezo para com os outros
grupos sociais. Sua máxima aspiração era acumular riquezas
nas colônias e depois voltar para a Europa. O grupo social
que estava logo abaixo dos peninsulares era o dos brancos
nascidos na América, chamados criollos nos países de língua
hispânica. Mesmo que tivessem teoricamente as mesmas
prerrogativas que os peninsulares, na prática esses direitos
lhes eram negados e a maior parte deles era excluída dos
cargos civis e eclesiásticos. Após três séculos de
exploração econômica e de injustiça social e política, a
invasão napoleônica na Espanha e em Portugal criou a
oportunidade para a eclosão de um poderoso movimento
revolucionário, que foi liderado pelos brancos nativos e era
basicamente de caráter liberal. Entre as batalhas de Las
Piedras (Uruguai, 1811) e Ayacucho (Peru, 1824), os
exércitos espanhóis foram definitivamente derrotados e
obrigados a sair da América do Sul, enquanto o Brasil
obtinha sua independência (1822) quase sem violência, ao ser
proclamada pelo filho do rei de Portugal, que se transformou
no imperador Pedro I do Brasil (ver Francisco de Miranda;
Simón Bolívar; José de San Martín; José Gervasio Artigas;
Bernardo O'Higgins; Antonio José de Sucre). O sonho de
Bolívar de construir uma grande federação de estados
sul-americanos não conseguiu realizar-se. Poucos anos depois
de sua morte a república da Grã Colômbia, que ele criara, se
dividiu em três: Venezuela, Colômbia e Equador. Os problemas
de fronteiras e a tendência centralizadora das antigas
capitais coloniais levaram a vários conflitos armados entre
as novas nações, que se somaram às guerras civis entre
conservadores e liberais, unitários e federalistas. Ao longo
do século XIX, os maiores conflitos foram a Guerra da
Independência do Uruguai, a Guerra da Tríplice Aliança
(1865-70), na qual o Paraguai teve que enfrentar as forças
reunidas de Argentina, Brasil e Uruguai (ver Guerra do
Paraguai) e a Guerra do Pacífico (1879-83), na qual o Chile
lutou contra o Peru e a Bolívia, que perdeu sua saída ao
mar. No século XX, o conflito de maior entidade foi a Guerra
do Chaco (1932-35), entre o Paraguai e a Bolívia. Apesar da
proclamação da Doutrina Monroe em 1823, as intervenções
européias na América do Sul foram freqüentes no século XIX,
particularmente as protagonizadas pela Inglaterra, que
manteve sua posição de potência hegemônicas na região até a
I Guerra Mundial. Depois, uma rápida transição deu esse
papel aos Estados Unidos. A crise mundial de 1929 repercutiu
duramente na América do Sul, onde as ditaduras militares
assumiram posturas populistas que derivaram, anos depois, em
movimentos políticos ligeiramente inspirados no fascismo,
como o liderado por Getúlio Vargas no Brasil (ver
Getulismo). A eclosão da II Guerra Mundial e a derrota do
nazi-fascismo não significaram, no entanto, o fim desse
modelo, que foi retomado mais tarde por Domingo Perón na
Argentina, Alfredo Stroessner no Paraguai e Gustavo Rojas
Pinilla na Colômbia. Os movimentos guerrilheiros surgidos na
década de 60, inspirados na Revolução Cubana, tiveram como
principal conseqüência a instalação de regimes militares na
maioria dos países da região. Sem intervir diretamente, os
Estados Unidos tiveram papel importante nos golpes de estado
no Brasil (1964) e no Chile (1973). O fim desses governos
ocorreu, na maioria dos casos, na década de 80, quando as
sucessivas crises do petróleo e da dívida externa abalaram
as economias da região. O retorno à democracia se fez em
meio à deterioração das condições de trabalho, moradia,
saúde e educação para a maioria da população sul-americana,
cada vez mais concentrada em torno das grandes cidades. A
partir de 1995, a criação efetiva do Mercado Comum do Sul
(Mercosul) se transformou num elemento dinamizador da
economia regional, que triplicou em poucos anos o comércio
entre os estados membros e levou à adesão do Chile e da
Bolívia. Outros países sul-americanos estão estreitando seus
laços com o Mercosul, que deverá transformar-se no núcleo da
projetada Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
México
INTRODUÇÃO
México, república federal da América do
Norte. Seu nome oficial é Estados Unidos Mexicanos; faz
fronteira ao norte com os Estados Unidos; a leste com o
golfo do México e o mar do Caribe; ao sul com Belize e
Guatemala; e a oeste com o oceano Pacífico. Sua jurisdição
se estende, além disso, sobre numerosas ilhas próximas à sua
costa. Possui 1.958.201 km2. A capital é a Cidade do México.
TERRITÓRIO E RECURSOS
O altiplano mexicano domina grande parte do
país; está limitado em seus extremos leste e oeste por
cadeias montanhosas que descem de maneira abrupta até as
estreitas planícies costeiras. As duas cadeias montanhosas,
a Sierra Madre Ocidental a oeste e a Sierra Madre Oriental
no leste (ver Sierra Madre), são interceptadas pelo eixo
Neovulcânico transversal, que contém os picos mais altos da
República. Ao sul, está a Sierra Madre do Sul e, entre ela e
a Sierra Madre Oriental, encontra-se o Entroncamento
Mixteco; a oriente, uma brusca queda termina no istmo de
Tehuantepec, que separa o oceano Pacífico do golfo do
México. O elemento topográfico mais marcante do país é o
altiplano, que é a continuação das planícies do sudoeste dos
Estados Unidos e ocupa mais de um quarto da área total do
México. Os rios mais importantes são o rio Bravo,
Lerma-Santiago, Balsas, Pánuco, Papaloapan, Coatzacoalcas,
Usumacinta, Yaqui, Mayo e Conchos. O lago de Chapala é o
maior do país. O México é dividido pelo trópico de Câncer e,
portanto, a metade sul está incluída na zona tórrida
intertropical e em geral o clima varia com a altitude. Os
recursos minerais são extremamente ricos e variados.
Encontram-se quase todos os minerais conhecidos, incluindo
carvão, ferro, fosfatos, urânio, prata, ouro, cobre, chumbo
e zinco. As reservas de petróleo e gás natural são enormes.
Os bosques e áreas florestais cobrem cerca de 23% do
território e contém árvores de madeiras preciosas como o
mogno, ébano, sândalo, cedro-vermelho, nogueira e pau-rosa.
A fauna varia também de acordo com as zonas climáticas. No
norte, há lobos e coiotes; nas zonas altas do eixo
Neovulcânico, vive o teporingo, ou coelho dos vulcões, uma
espécie única, e, nos bosques, jaguatiricas, jaguares,
caititus, veados e pumas. Também há uma ampla variedade de
répteis, aves e vida aquática.
POPULAÇÃO E GOVERNO
A população mexicana é composta por mestiços
(85%), indígenas (8%) e população de origem européia. Possui
(1993) 90.419.606 habitantes e uma densidade demográfica
(1990) de 46 hab/km2. A capital é a Cidade do México, com
mais de 18 milhões de habitantes (incluída a região
metropolitana). Superam os cinco milhões de habitantes
Guadalajara e Monterrey, incluídas as zonas metropolitanas,
e Puebla (mais de 1 milhão de habitantes). O catolicismo é a
religião de 93% dos mexicanos. O idioma oficial é o
espanhol; além disso, se falam 54 dialetos e línguas
indígenas, das quais as principais são o náuatle, as línguas
maias, o otomi, o mixteco e o totonaca (ver Literatura
mexicana; Arquitetura contemporânea mexicana). O México é
uma república democrática e federal governada pela
Constituição de 1917. O poder executivo é representado por
um presidente, que é eleito pelo voto direto para um período
de 6 anos e não pode ser reeleito. O poder legislativo é
exercido pelo Congresso da União, formado pela Câmara de
Senadores e a Câmara de Deputados (ver Direito mexicano). O
Partido Revolucionário Institucional (PRI) está no poder há
décadas. Fundado em 1929 com o nome do Partido Nacional
Revolucionário, mantém-se no poder de forma ininterrupta,
embora tenha utilizado ao longo desse tempo diferentes
siglas. Os principais partidos de oposição são o Partido de
Ação Nacional (PAN), um grupo conservador e católico, e o
Partido da Revolução Democrática (PRD), que, liderado por
Cuauhtémoc Cárdenas, representa os setores mais
progressistas do México.
ECONOMIA
O governo tem o controle estatal da
mineração, pesca, transporte e exploração florestal. Os
investimentos estrangeiros começaram a ser incentivados
recentemente. O produto interno bruto (PIB) cresceu
rapidamente entre 1965 e 1980, ano a partir do qual caiu
consideravelmente, estendendo tal queda até 1988; o panorama
melhorou no início da década de 1990. Em 1994, o PIB era de
377,7 bilhões de dólares e a renda per capita, 4.295
dólares. O governo realizou a reforma agrária em 1915; na
década de 1980, uma grande extensão de terra foi
redistribuída. O México cobre a maioria das suas
necessidades básicas e exporta parte da sua produção. O país
produz cereais, arroz, feijão, batatas e cana-de-açúcar,
além de ter uma significativa atividade pecuária. Os
recursos minerais são ricos e variados. São extraídos quase
todos os minerais conhecidos. Desde a década de 1960, o
capital mexicano controla as companhias de mineração; possui
alguns dos maiores depósitos do mundo de petróleo e gás
natural. A produção de prata é considerável e há minas ricas
em ouro; também extraem carvão, ferro, fluorita, cobre,
chumbo, zinco e fosforita. A indústria mexicana se encontra
entre as mais desenvolvidas da América Latina, com numerosas
fábricas que montam peças importadas de modo a
transformá-las em produtos acabados. Produz veículos a
motor, equipamento eletrônico, papel, tecidos de algodão,
aço, produtos químicos, bebidas, fertilizantes, cimento,
vidro, cerâmica e artigos de couro. A unidade monetária é o
peso.
HISTÓRIA
O México foi palco de algumas das
civilizações mais antigas e desenvolvidas. Povos caçadores
habitaram a área por volta de 21000 a.C. A primeira
civilização meso-americana importante foi a dos olmecas. O
auge da cultura maia ocorreu no final do século V. Os
guerreiros toltecas estabeleceram no século X um império no
vale do México. No século XI, entraram em decadência e
grupos de chichimecas primeiro e de nauas depois se
impuseram na região central. O mais importante, o grupo
asteca (mais tarde chamado de mexica), fundou uma cidade
denominada Tenochtitlán. Sob o comando de Itzcóatl, esse
grupo estendeu seus domínios para todo o vale do México,
construiu grandes cidades e desenvolveu uma complexa
organização social, política e religiosa. O primeiro
espanhol a chegar ao território mexicano foi Francisco
Hernández de Córdoba, que descobriu os assentamentos maias
em Yucatan em 1517. Um ano mais tarde, Juan de Grijalva
liderou uma expedição às costas orientais do México. Seus
relatos sobre o rico império asteca levaram Diego Velázquez,
governador de Cuba, a enviar, em 1519, uma grande força
expedicionária sob o comando de Hernán Cortés. Em 1535, anos
depois da queda da capital asteca (1521), a forma de governo
do que se chamou vice-reinado da Nova Espanha foi instituída
com a designação do primeiro vice-rei espanhol, Antonio de
Mendoza. Durante a vigência do vice-reinado (1535 a 1821),
um total de 61 vice-reis governaram a Nova Espanha. Uma
série de expedições anexou a seu território os atuais
estados do Texas, Novo México, Arizona e Califórnia, nos
Estados Unidos. Algumas características particulares do
vice-reinado foram a exploração dos indígenas, que embora
legalmente fossem livres e pudessem receber salários, eram
escravizados; permitir que a Igreja mexicana obtivesse
grande poder e enorme riqueza; e propiciar a existência de
classes sociais marcadas por grande desigualdade, reservando
para os nascidos na Espanha os cargos coloniais importantes.
Desde o começo do sistema era patente a ineficácia e a
corrupção na administração colonial. No final do século
XVIII, a Espanha realizou reformas administrativas que no
entanto não erradicaram os problemas e, no princípio do
século XIX, o ressentimento dos criollos (descendentes de
espanhóis nascidos na América), as idéias políticas liberais
da Revolução Francesa e a ineficácia do governo da Nova
Espanha debilitaram gravemente a união entre a colônia e a
metrópole. A ocupação da Espanha por Napoleão estimulou a
Guerra da Independência do México. Em setembro de 1810, o
cura Miguel Hidalgo y Costilla levantou a bandeira da
rebelião. Embora inicialmente vitorioso, um ano mais tarde
foi capturado e executado. A liderança do movimento passou a
José María Morelos y Pavón, outro sacerdote, que em 1814
proclamou a República e aboliu a escravidão. Em 1815,
Morelos e seu exército foram derrotados pelas forças reais
sob o comando de Agustín de Iturbide, um general crioulo. A
revolução continuou com Vicente Guerrero. A revolução
espanhola de 1820 afetou a rebelião do México. Por sua vez,
Iturbide se reuniu com Guerrero em 1821 e assinaram um
acordo pelo qual uniram suas forças para conseguir a
independência mediante o Plano de Iguala. O último vice-rei
da Nova Espanha, Juan O’Donojú, aceitou, em 1821, o Tratado
de Córdoba, reconhecendo a independência do México. Em 1822,
Iturbide foi proclamado imperador com o nome de Agustín I e
dez meses mais tarde foi deposto por seu antigo colaborador
Antonio López de Santa Anna. Foi proclamada a República e
Guadalupe Victoria tornou-se o primeiro presidente. Começou
então um conflito entre os centralistas — grupo conservador
decidido a manter uma forma de governo centralizado — e os
federalistas — facção liberal e anticlerical que apoiava uma
federação de estados soberanos. Guerrero, líder liberal,
chegou a ser presidente em 1829, mas foi assassinado dois
anos mais tarde por forças do político e militar Anastasio
Bustamante. Uma rebelião seguiu a outra até 1833, quando
Santa Anna, muito popular dentro do Exército, foi eleito
presidente. Pouco depois, sua política centralista e o
descontentamento que gerou entre os habitantes do Texas
levaram os Estados Unidos a declarar a guerra contra o
México em 1846 (ver Guerra México-Estados Unidos). Pelo
tratado de Guadalupe Hidalgo, o rio Bravo, ou Grande do
Norte, foi definido como fronteira do Texas e os Estados
Unidos se apoderaram do território que atualmente
correspondem aos estados do Arizona, da Califórnia, do
Colorado, do Novo México, de Nevada, de Utah e parte de
Wyoming. Santa Anna, obrigado a renunciar depois da guerra,
regressou do exílio em 1853 e, com o apoio dos centralistas,
se proclamou ditador. No começo de 1854, começou uma
rebelião liberal e, depois de mais de um ano de intensa
luta, Santa Anna fugiu do México. O grande líder que surgiu
entre os liberais foi Benito Juárez, um indígena famoso por
sua integridade e firme lealdade à democracia. Uma forma
federal de governo, a liberdade de expressão e outras
liberdades civis tomaram corpo na Constituição de 1857, à
qual os grupos conservadores, apoiados pela Espanha, se
opuseram encarniçadamente. Em 1858, a guerra da Reforma ou
dos Três Anos entre conservadores e liberais devastou o
México. Juárez contava com o apoio dos Estados Unidos e em
1860 suas tropas tinham triunfado definitivamente. Entre
1858 e 1861, Juárez sancionou as Leis da Reforma que
decretavam a nacionalização dos bens da Igreja, a lei do
matrimônio civil, a separação da Igreja do Estado, a lei do
registro civil, a secularização dos cemitérios e dos
hospitais e a liberdade de cultos. Eleito presidente em
1861, uma das suas primeiras ações foi suspender o pagamento
dos juros da dívida externa contraída pelos governos
precedentes. A França, a Grã-Bretanha e a Espanha decidiram
intervir conjuntamente para salvaguardarem os seus
investimentos no México. Uma expedição conjunta ocupou Vera
Cruz em 1861, mas, quando as ambições colonialistas de
Napoleão III da França se tornaram evidentes, os britânicos
e os espanhóis se retiraram. Durante um ano, as tropas
francesas abriram caminho através do México e finalmente
entraram na capital em junho de 1863. Juárez e seu gabinete
fugiram para o interior e um governo conservador provisional
proclamou o Império Mexicano e ofereceu a coroa a
Maximiliano I, arquiduque da Áustria, que governou de 1864 a
1867. Em 1865, pressionada pelos Estados Unidos, que
continuavam reconhecendo Juárez, a França retirou suas
tropas. O exército republicano, sob o comando do general
Porfirio Díaz, ocupou a cidade do México, e o imperador
austriaco foi fuzilado em Querétaro. Juárez morreu em 1872 e
foi sucedido por Sebastián Lerdo de Tejada. Quando ele
tentou a reeleição, Porfirio Díaz liderou outra rebelião e
se proclamou presidente em 1877. Governou até 1911 e, no seu
governo, ocorreram importantes realizações nos campos
econômico e comercial, embora fossem claras as medidas em
benefício dos ricos latifundiários e as concessões ao
capital estrangeiro, que chegou a monopolizar a quase
totalidade da mineração, do petróleo e das ferrovias. Díaz
renovou seu mandato em 1910, mas o candidato liberal
Francisco I. Madero foi reconhecido como o líder da
revolução popular. Díaz foi obrigado a renunciar em 1911 e
Madero foi eleito presidente. Emiliano Zapata e Francisco
(Pancho) Villa se negaram a acatar a autoridade
presidencial; Victoriano Huerta, chefe do exército de Madero,
conspirou com os rebeldes e, em 1913, assumiu o controle da
capital. Começaram novas rebeliões armadas comandadas por
Zapata, Villa e Venustiano Carranza, que obrigaram Huerta a
renunciar em 1914. Carranza assumiu o poder nesse mesmo ano
e Villa lhe declarou a guerra imediatamente. Em 1915, os
líderes rebeldes depuseram as armas, com exceção de Villa,
que deu continuidade a suas atividades guerrilheiras no
campo mexicano até 1920. A Constituição de 1917 criou um
novo código trabalhista, proibiu a reeleição presidencial,
expropriou as propriedades das ordens religiosas e devolveu
os terrenos comunais aos indígenas. Carranza foi eleito
presidente e, embora muitos dos preceitos constitucionais
não tenham entrado em vigor, desagradou as companhias
petrolíferas estrangeiras. Em 1920, os generais Plutarco
Elías Calles, Álvaro Obregón e Adolfo de la Huerta se
rebelaram contra Carranza. Obregón, eleito novo presidente,
aceitou as reivindicações das companhias norte-americanas e
foi reconhecido pelos Estados Unidos em 1923. Em 1924,
Calles foi eleito presidente e começou a aplicar as reformas
constitucionais, especialmente em matéria agrária. Suas
reformas religiosas desencadearam a chamada Guerra Cristera
(1926-1929). Obregón foi reeleito presidente em 1928, mas
alguns meses mais tarde morreu assassinado por um fanático
religioso. A presidência provisional foi exercida por Emilio
Portes Gil e posteriormente por Abelardo L. Rodríguez. Em
1932, o Partido Nacional Revolucionário (PNR), do governo,
projetou um “sistema econômico cooperativo com tendências
socialistas”, incluindo uma lei trabalhista, obras públicas,
divisão da terra e o embargo das áreas petroleiras
controladas por empresas estrangeiras. O programa do PNR foi
colocado em prática em 1934 com a eleição de Lázaro Cárdenas
para a presidência da República. Em 1938, o governo
expropriou as companhias petrolíferas e criou a estatal
Petróleos Mexicanos (PEMEX). As represálias afetaram
seriamente a indústria petroleira mexicana, que se viu
obrigada a realizar intercâmbios comerciais com a Itália, a
Alemanha e o Japão. O comércio com essas nações foi
interrompido pela II Guerra Mundial (1939-1945). Cárdenas
apoiou de várias formas a República espanhola e, depois da
Guerra Civil e da instauração do regime franquista, o México
acolheu como exilados aproximadamente 40.000 espanhóis e
favoreceu o estabelecimento de um governo espanhol no
exílio. Em 1940, Manuel Ávila Camacho, apoiado pelos
trabalhadores mexicanos, foi eleito presidente. A chamada
“política da boa vizinhança” dos Estados Unidos influiu
positivamente no México. Diante da iminente participação dos
Estados Unidos na II Guerra Mundial, o México permitiu que a
Força Aérea norte-americana utilizasse os seus campos de
aviação e restringiu a exportação de materiais críticos e
estratégicos (principalmente minerais escassos) aos países
do hemisfério ocidental. Em 22 de maio de 1942, depois do
afundamento de dois petroleiros mexicanos por submarinos
alemães, o Congresso mexicano declarou guerra à Alemanha,
Itália e ao Japão. Em junho de 1945, o México assinou a
declaração das Nações Unidas (ONU). Em 1946, Miguel Alemán
Valdés sucedeu Ávila Camacho como presidente; seus objetivos
eram a distribuição equânime da riqueza, amplas obras de
irrigação e a industrialização do país. Teve dificuldades
para resolver o problema da emigração mexicana ilegal para
os Estados Unidos, mas os acordos entre ambos países
resultaram na permissão da entrada de um determinado número
de trabalhadores. Adolfo Ruiz Cortines, candidato do PRI,
foi eleito presidente em 1952. No ano seguinte, o congresso
estendeu o direito de voto às mulheres. Em 1958, foi
sucedido por Adolfo López Mateos. Na campanha presidencial
de 1964, o candidato do PRI e futuro presidente, Gustavo
Díaz Ordaz, deu total prioridade aos camponeses sem
recursos. Nesse mesmo ano, o México se negou a apoiar a
decisão da Organização dos Estados Americanos (OEA) de
romper relações diplomáticas com Cuba, e os Estados Unidos
cancelaram o seu programa de aceitação de trabalhadores
temporários mexicanos. Em 1966, Díaz Ordaz anunciou um
programa qüinqüenal de desenvolvimento e planificação
econômica. Em 1968, o governo se deparou com grandes
manifestações estudantis. Luis Echeverría Álvarez ascendeu à
presidência em 1970. Durante o seu sexênio, adotou uma
estratégia mais equilibrada de crescimento econômico com
medidas para aumentar as exportações. Em 1976, José López
Portillo, do PRI, foi eleito presidente. Implantou um
bem-sucedido programa nacional de austeridade econômica e,
no campo externo, restabeleceu as relações diplomáticas com
a Espanha, interrompidas há 38 anos. Miguel de la Madrid
Hurtado foi eleito presidente em 1982. Na metade da década,
um acelerado crescimento na dívida externa, juntamente com a
queda dos preços do petróleo, deixaram o país em grandes
dificuldades financeiras. Em 1988, o candidato do PRI,
Carlos Salinas de Gortari, assumiu a presidência. Acelerou a
privatização das empresas do Estado e em dezembro de 1992
assinou com o presidente norte-americano, George Bush, e o
primeiro-ministro do Canadá, Brian Mulroney, o Acordo de
Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), a maior zona de
livre comércio do mundo. No dia 1º de janeiro de 1994, um
grupo de indígenas chamado Exército Zapatista de Libertação
Nacional ocupou quatro povoados do estado de Chiapas
exigindo melhoras para a população indígena (ver
Zapatistas). Em agosto deste ano, Ernesto Zedillo Ponce de
León ganhou as eleições presidenciais. Esperava-o a pior
crise financeira do México, cuja solução só se conseguiu
depois de obter ajuda internacional, Zedillo anunciou
medidas de austeridade e a privatização dos bens do Estado.