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Migrações Internacionais

Uma das mais antigas e marcantes características humanas é o seu poder de deslocamento no espaço da superfí­cie terrestre. Quando se trata de movi­mentos populacionais que envolvem dois países diferentes, eles são chama­dos de migrações internacionais ou migrações externas.

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Nesse caso, uma população, ao sair de seu país de origem, é denominada emigrante e, ao entrar no novo país, é chamada de imigrante.

EMIGRAÇÃO ⇒ IMIGRAÇÃO

Na atualidade, as migrações inter­nacionais são o reflexo das desigualda­des entre países ricos e países pobres, entre países estáveis e países instáveis, formando um conjunto de causas so­ciais, econômicas, políticas e bélicas.

A pressão demográfica, unida ao alto nível de miséria de algumas po­pulações, torna inevitável a emigração em alguns países subdesenvolvidos do mundo. Os emigrantes assumem o risco de sair de seus países de ori­gem por não terem o que perder.

O atrativo que exerce o mundo desenvolvido é um grande estímulo para o empreendimento da emigra­ção, apesar de todas as dificuldades que cercam o processo de instalação e adaptação de qualquer população em um novo país, mesmo que haja semelhanças culturais e de língua entre eles.

Cada lugar com um mínimo de história é carregado de cultura e tra­dições, o que o torna uma entidade especial e particular no espaço geo­gráfico. Por isso, as regiões do mundo marcadas pela entrada de imigrantes sofrem, de um lado, o impacto da car­ga cultural dos que chegam e, estes, vivenciam as dificuldades típicas de adaptação ao novo ambiente.

Somente o tempo e a tolerância são capazes de criar condições para o aparecimento de uma nova cultura regional, fruto das influências mú­tuas que fatalmente ocorrerão.

É por conta do receio dessas influências culturais e pelo medo da perda de identidade que muitos paí­ses do mundo têm tratado o tema da migração internacional com precon­ceito. Se, de um lado, alguns países precisaram e até hoje precisam de mão-de-obra para suprir setores para os quais não há disponíveis demo­gráficos locais, e a solução seria esti­mular a entrada de estrangeiros, por outro, predomina ainda o medo dos enquistamentos culturais (núcleos populacionais fechados culturalmente). É importante ressaltar que os enquistamen­tos só ocorrem quando contingentes significativos de imigrantes se con­centram num determinado lugar, for­mando núcleos como vilarejos e bair­ros. Aí, em função das facilidades do isolamento, os imigrantes pouco se integram ao novo país, mantendo a língua de origem e suas tradições relativamente intactas.

Não devemos também esquecer que, num mundo cheio de instabilidades, o desemprego estrutural (causado pelo desenvolvimento tecnológico), que é uma realidade de escala global é, geralmente, usado para estabelecer limites rigorosos com relação à imi­gração, com o pretexto político de proteger os empregos das popula­ções locais.

Migrações extracomunitárias rumo à UE:

Migrações internacionais rumo à União Europeia
Em rosa: países emissores; Em verde: países receptores; Seta: fluxo de emigrantes. (clique para aumentar)

Os problemas atuais decorrentes das migrações internacionais

As migrações, pelo que se pode deduzir do que foi tratado até agora, podem gerar conflitos individuais, sociais e políticos. Os problemas decorrentes dos fluxos migratórios são importantes e, em alguns países, chegam a alcançar níveis de certa gravidade.

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As causas desses problemas residem num velho debate que existe nos países receptores, sobre se os imigrantes vão integrar-se à comunidade ou manter-se enquistados, mar­ginalizados, com regras próprias que regem suas vidas.

Por um lado, os imigrantes são vistos como pessoas dife­rentes, em virtude de questões religiosas, étnicas ou culturais. Por outro, dependendo das condições, são os próprios imi­grantes que adotam a atitude de defesa de não se integrar.

Como consequência dessas dificuldades de integração, os imigrantes correm muitos riscos e enfrentam uma série de problemas em alguns países receptores, o que estimula o retorno de parte deles ao país de origem.

As diferenças linguísticas são o primeiro obstáculo para as relações sociais e o exercício da atividade profissional para o imigrante. Os tipos de trabalho em certos setores, como a construção civil, agricultura e alguns serviços menos valorizados, têm características pouco atrativas, pois são temporários, pouco remunerados e rejeitados socialmente pela população local, o que leva o imigrante a questionar sua permanência.

Há estudiosos que afirmam que na maioria dos casos o imigrante nutre o desejo e a esperança de retornar ao país de origem, principalmente se obtiver sucesso financeiro, em especial quando se trata de migração motivada por crises econômicas. Entretanto, a assimilação cultural acomoda tais expectativas e, de maneira geral, o “enriquecimento”, que não passa de um sonho do imigrante, faz com que ocorra a permanência da maioria no novo país.

Por: Renan Bardine

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