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Austrália

Austrália, considerada algumas vezes como um continente insular, localizada entre os oceanos Índico e Pacífico, formando com a Tasmânia, a Commonwealth da Austrália. Limita-se ao norte com o mar de Timor, o mar de Arafura e o estreito de Torres, a leste com o mar de Coral e o mar da Tasmânia, ao sul com o estreito de Bass e o oceano Índico e a oeste com o oceano Índico. Tem 7.682.300 km2. A capital é Canberra.

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TERRITÓRIO E RECURSOS

A Austrália é, com exceção da Antártida, o continente mais plano e seco que existe. Seu interior é formado por planícies e por um planalto. A leste, as planícies costeiras, estão separadas do interior pela Grande Cordilheira Divisória que é formada pelas Blue Mountains e pelos Alpes australianos. A Tasmânia está separada do continente pelo estreito de Bass. O Escudo Australiano Ocidental ocupa mais da metade do continente, onde se encontram a Terra de Arnhem, o Grande Deserto de Areia, o Deserto Gibson, o Grande Deserto Victoria e a planície Nullarbor. Entre o Escudo Australiano Ocidental e a Grande Cordilheira Divisória se estende a Grande Bacia Artesiana, uma extensa planície que é uma das mais produtivas da Austrália.

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A Grande Barreira de Coral, patrimônio mundial, é o maior recife de coral do mundo. (Parque nacional de Kosciusko; Parque nacional de Uluru). Dois terços da Austrália são constituídos por áreas desérticas ou semi-desérticas. A oeste da Grande Cordilheira Divisória, encontra-se o rio Murray com seus afluentes Darling e Murrumbidgee, o sistema fluvial mais importante da Austrália. Os lagos são salinos, remanescentes de um vasto mar interior. Embora o clima varie de tropical (monções) ao norte, para frio e temperado na Tasmânia, na maior parte do país registra-se um clima seco e quente. Mais de dois terços do continente, no centro e no oeste recebem menos de 500mm de chuva ao ano. Apenas 10%, no norte e na Tasmânia, recebem mais de 1.000mm de chuva por ano. Das 22 mil espécies da flora australiana mais de 90% são autóctones e muitas delas endêmicas.

Sua vegetação varia de uma densa região de arbustos e de bosques de eucalipto na costa, até uma vegetação espinhosa de mulga e mallee, além dos arbustos das planícies do interior. Existem três zonas características: a zona tropical, com clima de monções e altas temperaturas, com predominância de árvores caducifólias; a zona temperada se caracteriza por possuir árvores esclerófilas temperadas de savana, florestas pluviais temperadas e vegetação alpina nas zonas montanhosas de pináceas; e na zona desértica, pastagens semi-áridas e esclerófilas, além de vastas áreas carentes de vegetação. Acredita-se que a Austrália tenha até 300 mil espécies de animais, das quais apenas 100 mil foram classificadas.

Muitas delas são autóctones. Os únicos mamíferos ovíparos, os monotremados, são originários da Austrália. Os mamíferos mais comuns são os marsupiais (cangurus, coalas e o diabo-da-tasmânia, entre outros). Há também crocodilos, sáurios, inúmeras variedades de serpentes venenosas e várias espécies de baleias e de tubarões. Das espécies trazidas do exterior, o coelho europeu é o que mais dano tem causado. Desde a chegada dos europeus já desapareceram muitas espécies.

POPULAÇÃO E GOVERNO

Os aborígenes da Austrália e os ilhéus do estreito de Torres constituem 1,5% da população; quase 94% são de origem européia. O inglês é a língua oficial, sendo também faladas línguas aborígenes. Em 1993, a população da Austrália era de 17. 827.204 habitantes. A densidade é de pouco mais de 2 hab/km2. Suas cidades são muito extensas. As mais importantes são: Sydney, com 3.719.000 habitantes em 1993, Melbourne com 3.187.500 habitantes, Brisbane com 1.421.700 habitantes e Canberra, com 303.836 habitantes, construída para ser a capital nacional. A maior parte da população é cristã; existem também pequenas comunidades de judeus, budistas e muçulmanos.

A Austrália é uma democracia federal parlamentar, um estado independente e membro da Commonwealth. A Constituição entrou em vigor em 1901, elaborada com base na tradição parlamentar britânica mas incluindo elementos do sistema americano. O chefe de Estado é o soberano britânico, representado por um governador geral. Um dos assuntos gerais de maior transcendência nos últimos anos tem sido o direito às terras dos aborígenes. Em 1985, formulou-se uma série de propostas de lei para conceder aos aborígenes o livre direito aos parques nacionais, às terras da coroa que não estão ocupadas e às antigas reservas aborígenes. Em 1993, o governo promulgou uma Lei de Direitos Territoriais Aborígines que permite à população nativa reivindicar até 10% das terras da Austrália.

ECONOMIA

Em 1994, o produto interno bruto era de 332,6 bilhões de dólares. A agricultura e os minérios desempenham um papel essencial na Austrália, que é um importante exportador de trigo, carne, leite e lã. O setor industrial cresceu vertiginosamente desde 1940 e o setor de serviços, no começo da década de 1990, contribuiu com mais de 60% do produto interno. Embora o setor agrícola não tenha hoje muita importância, o futuro do país continua dependendo do setor pecuário e dos cultivos. A Austrália é o maior país produtor e exportador de lã do mundo e a criação de gado tem também grande relevância. A agricultura é altamente mecanizada, destacando-se a forragem, cereais, sementes oleaginosas, tabaco e muitas frutas. Até fins da década de 1970 a caça da baleia teve grande importância mas o país abandonou essa prática ao aderir ao acordo sobre a conservação dos cetáceos. A indústria de mineração foi um dos fatores essenciais de crescimento econômico do país.

A Austrália é rica em minerais como a bauxita, carvão betuminoso, ferro, níquel, ouro, chumbo, zinco, prata, linhito, petróleo e gás natural. Das jazidas de gemas, as mais famosas são as de opala. As enormes jazidas de diamantes descobertas em 1979 tornaram a Austrália um dos primeiros fornecedores quanto à quantidade e o sexto quanto ao valor. Destacam-se também o topázio e a safira. Possui algumas das maiores reservas de urânio do mundo e as reservas de carvão também são consideráveis. Contribui com 12% da produção aurífera mundial. Sydney, Newcastle, Victoria e sobretudo a área metropolitana de Melbourne são os maiores centros industriais. O turismo cresceu consideravelmente a partir de 1970, principalmente graças ao aumento do mercado japonês e à diminuição das tarifas aéreas internacionais. O turismo é um dos setores mais dinâmicos da economia da Austrália. Sua moeda é o dólar australiano.

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HISTÓRIA

Há cerca de 40 a 60 mil anos os aborígines chegaram à Austrália, provenientes da Ásia. A partir do século XVI, diversos navegantes atravessaram o Pacífico sul na esperança de encontrar a Terra Australis. Embora tenha sido um holandês, William Jansz, quem em 1606 navegou até o estreito de Torres e avistou parte da costa australiana, não foram os holandeses que colonizaram o território. Foram as três viagens realizadas pelo capitão inglês James Cook que concretizaram as pretensões britânicas no continente. A costa australiana não foi completamente explorada até o século XIX. Matthew Flinders foi o primeiro que, de 1801 a 1803, navegou ao redor do continente.

Em 1786, o governo britânico anunciou a sua intenção de fundar uma colônia penitenciária na costa do sudeste de Nova Gales do Sul. Em 1788, foi criada a primeira colônia européia de Sydney, um dos melhores portos naturais do mundo. Os principais problemas dos colonizadores eram o fornecimento de alimentos, o desenvolvimento de um sistema econômico interno e a produção de artigos para exportação, para que pudessem pagar os produtos importados da Grã-Bretanha. Teve início a criação de ovelhas merinas e o pastoreio foi se tornando a atividade econômica mais importante. Com a chegada dos europeus, os aborígines foram expulsos das terras costeiras mais férteis e se dirigiram ao interior. Seus esforços de resistência acabaram em uma “pacificação pela força” na qual muitos morreram. Lachlan Macquarie foi governador de 1809 a 1821, iniciou um extenso programa de obras públicas, empregando antigos convictos. Com a chegada de mais colonos livres, aumentou a demanda de terras cultiváveis nas quais o crescente número de convictos poderia trabalhar recebendo salário diário.

Em 1825, o governo britânico independizou da Austrália a colônia da Terra de Van Diemen (cujo nome mudaria em 1857 para Tasmânia). Em 1852, o transporte de presos para a Austrália oriental foi abolido. Até esse momento tinham sido enviados para lá 150.000 pessoas, das quais aproximadamente 20% eram mulheres, em grande parte irlandesas. Uma minoria de convictos pertencia às classes médias instruídas; com freqüência lhes era permitido utilizar seus conhecimentos para os negócios e para os cargos governamentais.

Entre as décadas de 1820 e 1880, formaram-se as colônias que com o passar do tempo converteram-se em estados australianos. A criação pecuária e de ovelhas se estendeu no interior do país, ao mesmo tempo que foram descobertos o ouro e outros minerais. Em 1850, as colônias orientais receberam novas constituições que as tornavam responsáveis pelo seu próprio governo. Victoria, Austrália Meridional e a Terra de Van Diemen ganharam conselhos legislativos. Gales do Sul já tinha conseguido esse mesmo estatuto em 1842. Em 1860, foi estabelecido o voto universal da população masculina adulta. Desde 1851, quando foi descoberto ouro no centro-oeste de Nova Gales do Sul, um grande número de pessoas chegou a essa região. Os imigrantes concentraram-se em Victoria, Mount Alexander, Ballarat e Bendigo. Britânicos, norte-americanos e canadenses uniram-se aos imigrantes nas suas colônias do leste. Ao mesmo tempo, num processo que começou com a fundação dos assentamentos na Terra de Van Diemen, comunidades aborígines foram destruídas em grande escala. A destruição da cultura aborígine costumava ser acompanhada por práticas segregacionistas que acabavam agrupando os aborígines em reservas. No século XX, várias comunidades foram confinadas nas reservas do Território do Norte, Queensland e de Nova Gales do Sul. Na década de 1850, foi criada a Liga Australiana em favor da unificação da Austrália.

Em 1883, Queensland reclamou Papua, na Nova Guiné. As colônias australianas criaram um Conselho Federal em 1885, do qual Gales do Sul recusou-se a fazer parte e começou um movimento para substituir o Conselho Federal. Em 1901, a Commonwealth da Austrália foi criada e, em 1911, Canberra tornou-se a capital federal. Os governos impuseram taxas para os produtos importados no intuito de potencializar o desenvolvimento interno, estabelecendo um salário mínimo para o setor industrial e mantendo uma política de imigração só para brancos. A I Guerra Mundial beneficiou economicamente a Austrália, principalmente as indústrias têxtil, de produção de veículos e a produção de ferro e de aço. Com o término da guerra, ganhou a Nova Guiné e começou a fazer parte da Sociedade das Nações. Na II Guerra Mundial, serviu como base de operações das tropas dos Estados Unidos quando, em 1941, explodiu a guerra no Pacífico entre o Japão e os Estados Unidos.

Em 1945, a Austrália concordou com a descolonização das ilhas do Pacífico, preparando a independência de Papua-Nova Guiné finalmente obtida em 1975. A Austrália manteve sua aliança com os Estados Unidos, lutou na guerra da Coréia, participou da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (SEATO) e lutou na guerra do Vietnã como aliado. No âmbito político, o Partido Liberal, o Partido Nacional e o Partido Trabalhista têm se alternado no poder e desde 1984 este último ganhou todas as eleições, até 1996. Nesse ano, uma aliança dos liberais com os nacionalistas, tendo à frente John Howard, derrotou os trabalhistas. Essa vitória foi ratificada nas eleições parlamentares de 1998, quando a coalizão de centro-direita obteve uma maioria de 76 deputados, na Câmara de Representantes que tem 148 cadeiras. Os trabalhistas e independentes conseguiram a maioria no Senado de 76 membros, mas isso não impediu que John Howard continuasse no cargo de primeiro-ministro.

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