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Chile (2)

Localização: sudoeste da América do Sul.

Características: região montanhosa de N a S, com a cordilheira da Costa (litoral) e a cordilheira dos Andes (L) separadas por planaltos desérticos e semidesérticos (N), por um vale fértil (centro) e, no sul, por lagos, ilhas e fiordes (golfo estreito e profundo entre montanhas altas).

Clima: de montanha (interior), árido tropical (litoral N), mediterrâneo (litoral centro), temperado oceânico (litoral S). 

Área: 756.626 km². 

População: 14,6 milhões (1997); composição: europeus ibéricos e eurameríndios 95%, ameríndios 3% (araucanos e aimarás), outros 2% (1996). 

Cidades Principais (hab.): Santiago (5.076.808), Concepción (350.268), Viña del Mar (322.220), Valparaíso (282.168), Talcahuano (260.915) (1995). 

Patrimônio da humanidade: Parque Nacional Rapa Nui, na ilha de Páscoa. GOVERNO república presidencialista. 

O Chile oferece aos visitantes paisagens variadas que incluem as geleiras, no extremo sul, o deserto de Atacama , no norte, e o paraíso tropical da ilha de Páscoa , no oceano Pacífico. Situado entre os Andes e o mar, no sudoeste da América do Sul, é o país mais estreito do mundo - sua extensão, de 4.300 km, é 25 vezes maior do que sua largura máxima, de 175 km. 

Alfabetização: Com índice de alfabetização de adultos de 95% e expectativa de vida de 75 anos, é o terceiro colocado no ranking dos países com índice de desenvolvimento humano mais elevado da América Latina, segundo o relatório da ONU de 1997.
O PIB chileno foi o que mais cresceu na América Latina nos últimos anos. 

A comercialização de frutas e de vinhos tem aumentado, embora a economia ainda dependa bastante da exportação de cobre, do qual é o maior produtor mundial. 

FATOS HISTÓRICOS – A região norte é ocupada pelos índios atacamas até o século XV, quando passa ao domínio dos Incas. O sul é controlado pelas tribos araucanas, e no extremo sul vivem os fueguinos e os patagões.
A serviço da Espanha, o navegador Fernão de Magalhães, cruzando o estreito que hoje leva seu nome, chega às terras chilenas em 1520. O espanhol Pedro de Valdivia, ajudante de Pizarro, conquista em 1541 o Vale Central e funda Santiago. Os descendentes dos Incas e dos araucanos continuam hostis à capitania geral que governa o Chile, subordinada ao Vice-Reino do Peru.
 
INDEPENDÊNCIA – Bernardo O'Higgins começa a campanha pela independência, obtida graças ao apoio militar do general argentino José de San Martín - que atravessa os Andes com seu Exército e impõe a derrota definitiva aos espanhóis na Batalha de Maipú em 1818. O'Higgins governa ditatorialmente até 1823, quando renuncia. 

Nos dez anos seguintes, os liberais federalistas provocam várias revoltas contra o poder central. Diego Portales promulga uma nova Constituição em 1833 e o país estabiliza-se inaugurando um longo período de progresso econômico. 

O êxito repete-se na política externa: o Chile sai vitorioso da Guerra do Pacífico (1879-1884), conflito militar envolvendo Bolívia e Peru sobre a região de Atacama, rica em minérios. Pelo Tratado de Valparaíso (1884), a Bolívia entrega ao Chile sua única saída para o mar. Entre 1920 e 1930, o presidente Arturo Alessandri introduz reformas sociais. Em 1938, uma frente popular formada por socialistas, comunistas e centristas elege o presidente Pedro Aguirre Cerda, ao qual se seguem governos conservadores. De 1964 a 1970, Eduardo Frei, do Partido Democrata-Cristão (PDC), dá início à reforma agrária e à nacionalização gradual e negociada da indústria do cobre.
 
GOVERNO SOCIALISTA – Em 1970, Salvador Allende , da Unidade Popular (aliança de socialistas, comunistas e cristãos de esquerda), é eleito com 34% dos votos, tendo de fazer aliança com o PDC para governar. Para controlar os grandes monopólios, seu governo nacionaliza as empresas norte-americanas de mineração de cobre e sofre uma campanha de desestabilização promovida pelos EUA.

Em meio à agitação social generalizada, um golpe militar depõe Allende, que morre no palácio presidencial de La Moneda em 11 de setembro de 1973. Uma junta militar chefiada pelo general Augusto Pinochet assume o poder, dissolve os partidos políticos e implanta uma brutal repressão, deixando milhares de mortos. 

Em 1980, os militares promulgam nova Constituição - aprovada em plebiscito -, que institucionaliza o regime ditatorial. 

REDEMOCRATIZAÇÃO – A recessão provocada pela política de ajuste econômico dos militares alimenta a oposição, que volta a se manifestar nas ruas a partir de 1983. O regime aprova, em 1987, a reorganização de partidos políticos, exceto a dos marxistas. A inesperada derrota de Pinochet em 1988, no plebiscito sobre sua permanência no poder por mais oito anos, dá início à transição para a democracia. As oposições unem-se no Acordo pela Democracia e elegem presidente o democrata-cristão Patricio Aylwin em dezembro de 1989. 

Mas, graças a um dispositivo da Constituição de 1980, válido até 1997, Pinochet se mantém à frente do Exército, com poder de fato sobre o comando das três Armas e apoiado no Legislativo pelos senadores vitalícios por ele indicados. Em 1990 crescem as exigências de investigação às violações de direitos humanos pelos militares. Mas nem a divulgação, em 1991, de uma lista com o nome de 2.279 mortos pelo regime militar e de vários torturadores abala o poder de Pinochet. 

ESTABILIDADE – Em dezembro de 1993, o democrata-cristão Eduardo Frei Ruiz-Tagle (filho do ex-presidente de 1964) é eleito presidente. Embora mantendo o essencial da política econômica do regime militar (abertura ao capital estrangeiro, privatizações, redução de gastos públicos), ele aumenta os investimentos em educação e saúde. Desde sua posse enfrenta problemas políticos em conseqüência das limitações impostas à sua autoridade pelo comandante-em-chefe do Exército, general Pinochet. 

Em agosto de 1995, Frei propõe ao Congresso um pacote de mudanças constitucionais para reduzir o poder das Forças Armadas, mas não obtém sua aprovação pelo Senado. Em dez anos, de 1987 a 1996, o índice de pobreza no país cai de 45,1% para 23,2% da população, mas o desemprego entre os jovens gira em torno de 15% em 1996.

BLOCOS ECONÔMICOS – A integração total do Chile ao Nafta, para o qual foi convidado em 1994 , não se tinha efetivado até setembro de 1997. Com vistas a ampliar a inserção do país no mercado internacional, Frei negocia acordos bilaterais de comércio com o Canadá e o Mercosul , organização da qual é membro associado desde outubro de 1996. 

O Chile é o país-sede da segunda reunião de cúpula das Américas em março de 1998, na qual foram lançadas as negociações para a formação da Alca. 
 
SALVADOR ALLENDE

Salvador Allende olítico e estadista chileno (1908-1973). Nascido em Valparaiso, Salvador Allende Gossens é o primeiro marxista eleito presidente da República pelo voto direto na América Latina. Médico, começa a carreira política como deputado em 1937 e ocupa o Ministério da Saúde de 1939 a 1942. É senador em 1952 pelo Partido Socialista do Chile. Em três tentativas (1952, 1958 e 1964) perde a disputa pela Presidência da República. Nas eleições de 1970 concorre como candidato da coalizão de esquerda Unidade Popular (UP) e conquista o primeiro lugar, com 34% dos votos.
Na Presidência, Allende tenta socializar a economia do Chile com um projeto de reforma agrária e nacionalização das indústrias que divide a opinião pública. Sob pressão norte-americana, o panorama político e econômico do país deteriora-se, e, em setembro de 1973, com o apoio dos Estados Unidos, as Forças Armadas dão um sangrento golpe de Estado que derruba o governo da UP. Allende se suicida no Palácio de La Moneda durante a resistência às tropas do Exército que cercavam a sede do governo. 
 
JOSÉ DE SAN MARTÍN

José de San Martín militar e político argentino (1778-1850). Líder do processo de independência da Argentina, do Chile e do Peru no século XIX. Nasce em Yapeyú, na província de Corrientes, filho de um coronel espanhol. Com 6 anos de idade vai para a Espanha, junto com sua família. É educado no seminário dos Nobres, em Madri, e serve no Exército desse país por mais de 22 anos. Volta à Argentina em 1812 ao saber do movimento pela independência do país. Envolve-se na luta e sai vitorioso (1816). Dedica-se, então, a libertar as nações vizinhas do domínio espanhol. Treina um pequeno exército e cruza os Andes para ajudar na luta pela independência do Chile. Colabora com o líder Bernardo O'Higgins, e a vitória é conquistada nas batalhas de Chacabuco e de Maipú. Em 1820 chega por mar ao Peru. Toma Lima no ano seguinte e é eleito "protetor" do país. Mas não vence totalmente os espanhóis, que fogem para o altiplano peruano. Em 1822 encontra-se com Simón Bolívar , que também lutava pela libertação do continente. Decepcionado com o que considera falta de apoio de Bolívar, deixa a vida militar e exila-se na Bélgica e depois na França, morrendo em Boulogne-sur-Mer. 
 
Augusto Pinochet

Militar e político chileno (1915-). Augusto Pinochet Ugarte nasce em Valparaíso e faz carreira no Exército, chegando ao posto de general. Em 1973, como comandante das Forças Armadas chilenas, lidera o golpe de Estado que derruba o presidente socialista Salvador Allende . Preside a junta militar que passa a governar o Chile e instala uma ditadura militar, assumindo a Presidência da República em 1974. Fecha o Congresso, extingue os partidos e comanda uma feroz campanha de repressão aos adversários políticos. 

Em 1980, depois de um plebiscito que aprova um projeto de Constituição, tem legalizada sua permanência no poder. Em seus 16 anos e meio de governo, milhares de chilenos são presos, torturados ou mortos. A partir de meados da década de 80 implanta uma política que reergue a economia do país. Convoca plebiscito em 1988, consultando a população sobre sua permanência à frente do governo, mas é derrotado . Em 1990 entrega o poder a Patricio Aylwin, presidente eleito diretamente, mas mantém-se como comandante-em-chefe do Exército. 

Em 10 de março de 1998 entra para reserva, depois de 65 anos na ativa. No dia seguinte, sob protesto de parlamentares e manifestante, o cargo de senador vitalício, direito garantido pela constituição por ele promulgada em 1980. 
 
Bernardo O´Higgins

Militar e político chileno (1778-1842). Libertador do Chile e seu primeiro presidente. Nasce em Chillán, filho ilegítimo de Ambrosio O'Higgins, general espanhol, vice-rei do Peru. Estuda na Inglaterra, onde entra em contato com ativistas sul-americanos, entre eles José de San Martín, futuro libertador da Argentina. 

Em 1799, na Espanha, conhece religiosos favoráveis à independência das colônias. Volta para Chillán em 1802 para administrar as propriedades do pai, morto um ano antes. Em 1810, época da invasão da Espanha por Napoleão, alia-se a líderes locais para formar uma junta nacional e, no ano seguinte, um Congresso próprio. 

Em 1814 as forças espanholas invadem o Chile, vencendo os revolucionários. O'Higgins foge para a Argentina e, em 1817, ajudado por San Martín, reconquista seu país com as vitórias de Chacabuco e Maipo. No governo, adota uma política progressista, sendo o primeiro governante das Américas a abolir a escravidão. A aristocracia e o clero, que haviam desenvolvido o sentimento nacionalista, não aceitam o plano de integração sul-americana, defendido por O'Higgins, que é deposto em 1823.
Exila-se no Peru, onde morre. 
 
Gabriela Mistral 

Poetisa chilena (1889-1957). É a primeira escritora latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua poesia única e repleta de imagens singulares não mostra influências do modernismo nem das vanguardas. Descendente de espanhóis, bascos e índios, Lucila Godoy Alcayaga nasce em Vicuña, uma vila do norte do Chile.

Com apenas 15 anos, dá aulas. Seu noivo comete suicídio em 1907, fato que marca sua obra e sua vida. Ela nunca se casa e dedica-se somente ao trabalho. Vence um concurso literário chileno em 1914 com Sonetos de la Muerte, assinados com o pseudônimo Gabriela Mistral, formado a partir do nome de dois poetas que admira, o italiano Gabriele d'Annunzio e o francês Frédéric Mistral. Seu primeiro livro de poesias, Desolación (1922), inclui o poema Dolor, no qual fala da perda do amado. O sentimento de maternidade frustrada aparece nos trabalhos seguintes, Ternura (1924) e Tala (1938). Colabora na reforma educacional do México e do Chile. Representa seu país como cônsul em Nápoles, Madri, Lisboa e Rio de Janeiro. Em 1954 publica Lagar. Leciona literatura espanhola na Universidade de Columbia. Morre em Hempstead, no estado de Nova York.

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