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Coréia do Norte

Em 1945, a península da Coréia foi dividida em duas zonas, separadas pelo paralelo 38°N:

• o Norte foi ocupado por tropas soviéticas (República Democrática Popular da Coréia).

o Sul ficou sob controle norte-americano (República da Coréia).

Em 1950 tem início a Guerra da Coréia, com os norte-coreanos invadindo o sul, numa tentativa de unificar o país sob o regime comunista. A China entra na guerra apoiando o norte e os EUA, o sul.

Um armistício foi assinado em 1953, ficando uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 38°N.

A Coréia do Norte, socialista, tem um dos regimes mais fechados do mundo. Realizou a reforma agrária, coletivizou o campo e seguiu o sistema socialista, com planejamento centralizado.

Em 1990, a ONU aprovou por unanimidade a admissão das duas Coréias, como os membros 160 e 161.

Em 1991, os primeiros-ministros do Norte e do Sul assinaram um Acordo de Reconciliação, Não-Agressão, intercâmbio e Cooperação, considerado um importante passo para a reunificação.

A partir de 1991, a Coréia do Norte começa a sentir dificuldades econômicas com a retiraria da ajuda soviética. A perda do fornecimento de petróleo soviético imobilizou tratores e fábricas de fertilizantes.

Em 1992, o governo norte-coreano entregou à AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) um relatório sobre as instalações nucleares do país, incluindo a de Yongbion.

Em 1993, a Coréia do Norte negou permissão à AIEA para inspecionar a usina, dando início a uma grave crise.

Em 1994, a Coréia do Norte aceitou congelar seu programa nuclear e submetê-lo a controle internacional.

A década de 1990 foi marcada por graves inundações e períodos de seca, que agravaram a escassez de alimentos, ) que levou o governo norte-coreano a fazer um inusitado pedido de ajuda internacional.

A escassez de alimentos, a fome, a subnutrição, a alta mortalidade infantil e a falta de condições de assistência médica são graves problemas da Coréia do Norte, que recebe ajuda humanitária da Coréia do Sul, Japão, EUA e da ONU, desde 1995.

Em 2000 (julho), celebrou-se em Pyongyang, capital norte-coreana, uma histórica reunião de cúpula entre as duas Coréias para discutir temas de segurança, programas de mísseis e a possível reunificação da península coreana.

Em setembro de 2000, as duas Coréias, pela primeira vez, desfilam juntas nos Jogos Olímpicos, em Sidney, na Austrália.


Crise nuclear

A Coréia do Norte, advertindo sobre o. risco de uma “3ª Guerra Mundial”, abandonou em janeiro de 2003 o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), mas disse estai disposta a conversar com os EUA para resolver a crise sobre seu programa nuclear.

A dependência da Coréia do Norte das exportações de armamentos constitui uma séria ameaça aos esforços mundiais de controlar a proliferação de armas nucleares.

Em janeiro de 2002, o presidente dos EUA, George W. Bush, acusou a Coréia do Norte de formar, junto com o Irã e o Iraque, um “eixo do mal” responsável pelo desenvolvimento de armas de destruição em massa.

Em 2002, as duas Coréias realizaram a construção de ligações rodoviárias e ferroviárias através de uma fronteira fortemente militarizada, com a esperança de que o projeto melhore as relações bilaterais. Começaram, também, a retirar parte das minas instaladas na fronteira. Após reconectada, a ferrovia coreana deverá ser ligada à russa Transiberiana.

Em setembro de 2002, a Coréia do Norte iniciou aberturas “capitalistas”, criando três zonas econômicas especiais:

• em Sinuiju, na fronteira com a China, noroeste coreano. Será uma “zona internacional financeira, comercial e industrial”, que operará sem interferência do governo central por um período de 50 anos, e que atrairá capital da China, Japão e Coréia do Sul, bem como do Ocidente. Ela operará seu sistema legal e econômico e emitirá até os seus passaportes. Os estrangeiros poderão entrar sem vistos, embora o governo deva construir muros em torno da cidade para controlar o acesso dos norte-coreanos.

• em Kaesong, parque industrial e uma nova cidade de 30,4 quilômetros quadrados. Quando concluído em 2010, este empreendimento deverá abrigar 3 mil! fábricas, 200 mil unidades residenciais, 1.100 quartos de hotel, um shopping center e dois campos de golfe de 18. buracos. Todo este complexo estará situado a apenas 72 quilômetros de Seul, em Kaesong, exatamente ao norte da zona desmilitarizada.

• um enclave turístico no Monte Kumgang, para atrair turistas sul-coreanos.

O TNP é considerado a pedra angular dos esforços internacionais para controlar a disseminação de armas nucleares. Ao abandonar o tratado, a Coréia do Norte evitará que a AIEA inspecione seus programas nucleares.

A crise foi desatada em dezembro de 2002, quando a Coréia do Norte reativou o reator nuclear de Yongbyon para, segundo ela, suprir suas necessidades de energia. EUA e aliados suspenderam o fornecimento de petróleo.

A suspensão foi decidida em novembro de 2002, após um alto funcionário norte-coreano revelar que Pyongyang estava mantendo secretamente um programa nuclear, violando o acordo de 1994, segundo o qual a Coréia do Norte se comprometia a congelar seus projetos atômicos e os EUA e aliados, a fornecer petróleo (500 mil toneladas por ano) e a construir dois reatores de água leve.

O primeiro reator nuclear a entrar em funcionamento na Coréia do Norte, na localidade de Yongbyon, ao norte de Seul, em 1965, era soviético e nele trabalharam: especialistas formados na antiga URSS.

A Coréia do Norte tornou-se o primeiro dos 188 países signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) que decide abandonar esse acordo multilateral, aprovado em Nova York pela Assembléia Geral da ONU em junho de 1968, com o objetivo de evitar a corrida armamentista mundial.

Segundo o texto, os países em posse desse tipo de armas se comprometem a não exportá-las às nações não- nucleares e estas a não adquirir material nuclear suscetível de ser usado para fins militares.

Quando o TNP entrou em vigor, em 1970, existiam cinco potências nucleares declaradas: EUA, ex-URSS, Grã-Bretanha, França e China — atualmente os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. Índia, Paquistão e Israel também possuem hoje esse tipo de! armamento e são os únicos países que se negam a firmar oi TNP A África do Sul aderiu ao tratado em 1991, após ter admitido que produziu armas nucleares até 1970.

A Coréia do Norte assinou o TNP em 1985, apesar de ter ameaçado abandoná-lo em 1993/1994, durante outra crise nuclear com os EUA, antes de firmar um acordo! especial com Washington que lhe garantia o fornecimento de petróleo, de dois reatores de água leve e ajuda financeira em troca do congelamento de seu programa nuclear.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) é o órgão da ONU encarregado de supervisionar o processo de produção de minério de urânio, sua transformação em combustível nuclear e o destino dos resíduos das centrais, mas pode apenas controlar as instalações dos países que se prestam voluntariamente a isso.

A Coréia do Norte tem cerca de 1,2 milhão de soldados — o terceiro maior exército ativo do mundo. Seus reservistas elevam a força total de batalha para 8 milhões de homens, de acordo com estimativas sul-coreanas.

A Coréia do Norte tem um projeto de construção de instalações, que estão espalhadas pelo país, capazes de enriquecer urânio para armas nucleares.


Influências norte-coreanas

A Coréia do Norte apresenta características que a diferenciam do restante do mundo. E o país mais isolado do mundo, que adota a economia socialista e se isolou dentro do próprio mundo socialista. Os norte-coreanos acreditam ter construído uma sociedade de comunistas, com grande influência marxista, leninista e confucionista.

O confucionismo prega que o Estado deve ser governado por personalidades moralmente avançadas. É por isso que os trabalhadores participam de estudos supervisionados sobre as escrituras de Kim II-sung, que, quando faleceu em 1994, foi declarado presidente pela Eternidade.

Na Coréia do Norte a frase comum é “O grande líder nos ensinou”. O poderdo antigo ditador Kim II-sung e do seu sucessor, seu filho, Kim Jong-ll, baseia-se no mandato celestial.

Outro fator que molda a mentalidade norte-coreana é a fé das pessoas no marxismo-leninismo e a crença de que elas possuem a ciência do futuro.

Como entender a mentalidade de um regime ditatorial que adota a fome como um passo necessário em seu combate ao imperialismo?1


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