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Galícia

O relativo isolamento da Galícia, conseqüência de sua localização geográfica e de circunstâncias históricas que a separaram do resto da Espanha, preservou quase intactos o idioma galego, que apresenta estreitos vínculos com o português, e as tradições de seus habitantes.

A Galícia é uma das 17 comunidades autônomas da Espanha e abrange as províncias de Lugo, La Coruña, Pontevedra e Orense. Seu território montanhoso limita-se ao norte com o mar Cantábrico, a oeste com o oceano Atlântico, a leste com as regiões espanholas de Astúrias, Castela e Leão e, ao sul, com Portugal. A capital é Santiago de Compostela.

O território da Galícia repousa sobre o maciço Galaico, fortemente erodido, e tem altitude relativamente uniforme: mais de metade entre 200 e 600m de altitude. Na vegetação natural predominava originariamente o carvalho, depois substituído por pinheiros, eucaliptos e castanheiros. Com exceção do Minho, na fronteira com Portugal, e seu afluente Sil, os rios têm percurso breve.

Os primeiros habitantes conhecidos da Galícia foram os celtas. A região foi chamada Gallaecia pelos romanos, que a conquistaram por volta de 137 a.C. A partir do ano 410, tornou-se um reino independente sob os suevos, que foram derrotados e expulsos pelos visigodos em 585. Os árabes que invadiram a península ibérica no século VIII chegaram à Galícia, mas depois de trinta anos de ocupação foram expulsos pelo rei Afonso I de Astúrias.

No século XII, o sul da Galícia se separou e passou a integrar o reino de Portugal. Durante a baixa Idade Média, a região foi controlada por poucas famílias nobres e o clero, que exerciam domínio despótico sobre as populações rurais e citadinas. No fim do século XV, os galegos tomaram o partido de Joana de Portugal contra Isabel a Católica. Vitoriosa, a soberana espanhola destituiu a Galícia de seus privilégios e proibiu o uso do galego nos documentos oficiais. Excluída dos empreendimentos ultramarinos, a Galícia permaneceu mergulhada numa estagnação que só terminaria três séculos depois e sofreu os efeitos de uma acelerada migração de seus habitantes para outras regiões espanholas.

No início do século XIX, quando o governo de Madri revelou-se incapaz de liderar a resistência ao exército de Napoleão, a Galícia foi obrigada a enfrentar o invasor. A luta pela independência levou ao fortalecimento da consciência regionalista, com novo florescimento cultural e o renascimento do galego como linguagem literária.

O atraso econômico, agravado pela opressão dos poderosos sobre a população rural, motivou revoltas populares no século XIX e reforçou o sentimento regionalista. O estatuto de autonomia, concedido à região em 1936, não chegou a entrar em vigor, devido à guerra civil espanhola. A partir de 1978, a Galícia conquistou um órgão de governo autônomo denominado junta de governo, legitimado por um plebiscito em 1981.

As aldeias da província são pequenas e dispersas e a pecuária, a agricultura e a pesca constituem as principais atividades econômicas da população. Entre as propriedades rurais prevalecem os minifúndios, dedicados à agricultura de subsistência. Os principais produtos agrícolas são cereais e tubérculos, aos que se somam, no vale do Minho, maçãs e uvas. A Galícia é a principal região pesqueira da Espanha e produz principalmente mariscos, pescada e sardinhas. A indústria, pobremente desenvolvida, está voltada para a fabricação de conservas e para a construção naval. A fonte principal de energia é hidrelétrica. Os minérios, em especial o estanho, são abundantes e já eram extraídos na época dos romanos.

O galego e o português integraram um mesmo complexo lingüístico até o século XII, quando o sul da província ligou-se ao reino de Portugal. A partir de então, o galego começou a adquirir características próprias, sob influência do castelhano. O uso literário do idioma atingiu o apogeu no século XIII, quando sua métrica, de origem provençal, revelou maior refinamento e versatilidade do que a castelhana.

O centro cultural e universitário mais importante é Santiago de Compostela. A Galícia conta com numerosos monumentos representativos de épocas diversas de sua história, principalmente do período românico, cuja principal obra é a catedral de Santiago. Entre os mais antigos destaca-se o farol de La Coruña, chamado Torre de Hércules, da época dos romanos. O túmulo do apóstolo Tiago converteu a capital da província, durante a Idade Média, no maior centro de peregrinação cristã depois de Roma e Jerusalém.

Autoria: Hermes Benedet


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