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Honduras

Geografia física

Três versões explicam o nome de Honduras. Segundo a lenda, ao ali aportarem, os descobridores, na quarta viagem de Colombo, deram graças a Deus por tê-los livrado das honduras (profundidades) por que haviam passado. A segunda versão diz respeito à profundidade das costas nessa região e à conseqüente dificuldade que os espanhóis encontraram para ancorar seus navios, em 1523. A última pode relacionar-se à profundidade dos vales da região.

Honduras é um país da América Central, situado no centro do istmo que liga a América do Norte à América do Sul. Ocupa uma área de 112.088km2 e limita-se ao norte com o mar das Antilhas, ao sul com El Salvador e o oceano Pacífico, a oeste com a Guatemala e a sudoeste com a Nicarágua.


Geologia e relevo

Honduras pode ser dividida em quatro regiões geográficas: (1) as planícies orientais e encostas das montanhas orientais; (2) o litoral norte, planícies aluviais e serras litorâneas; (3) as terras elevadas do interior; (4) as planícies do Pacífico e baixas encostas das montanhas. É o país mais montanhoso da América Central, constituído de cadeias cortadas por uma depressão no sentido norte-sul. As cadeias do leste e do oeste (serras de Pija, de Yoro e de Paya), culminam com a altitude de 2.700m e se prolongam ao sul por maciços vulcânicos. Nas montanhas, os vales e as bacias interiores encontram-se entre 600 e 1.500m de altitude. O litoral norte, baixo e pantanoso, está parcialmente drenado. O litoral do Pacífico e as baixas encostas possuem solos férteis de origem aluvial e outros solos derivados da decomposição de rochas vulcânicas.


Clima

Nas planícies costeiras o clima é geralmente quente e úmido, mas ameniza-se com a altitude. Distinguem-se no país três regiões climáticas: a do litoral do Atlântico, quente, úmida e insalubre; a dos montes e vales interiores, de clima temperado; e a das planícies e da vertente do Pacífico, muito quente e relativamente seca. Nas partes mais quentes a temperatura oscila entre 26 e 28o C, e cai para 10o C nas grandes elevações.

Hidrografia

Os rios de Honduras pertencem às vertentes do Atlântico e do Pacífico. A principal rede de drenagem encaminha-se para o mar das Antilhas. O rio Coco ou Segovia, na fronteira com a Nicarágua, é o mais extenso, com 275km. Destacam-se ainda o Patuca, o Aguán, o Ulúa e o Sico. Entre os rios da vertente do Pacífico, o mais extenso é o Choluteca, com 241km, que desemboca na baía de Fonseca. Além das lagunas costeiras, como a lagoa de Caratasca, existem diversos lagos, dos quais o mais importante é o de Yojoa, perto de San Pedro Sula.

Flora e fauna

Predomina no país a vegetação tropical, nas planícies e baixas encostas. Nos vales e bacias entre as montanhas dominam florestas de pinheiros e de carvalhos. Em pequenas áreas, como a leste de Tegucigalpa, aparece a savana.

A fauna é rica em insetos, aves e répteis. São numerosas as espécies de borboletas, escaravelhos, formigas, aranhas e abelhas. Muitas espécies de aves aquáticas habitam as regiões litorâneas, enquanto crocodilos, cobras, tartarugas e lagartos (como o iguana gigante) preferem a floresta tropical. Nas montanhas podem ser encontrados ursos, pumas e leopardos. Nas lagunas e águas litorâneas são abundantes os peixes e moluscos.


População

Honduras é um país de mestiços de espanhóis e índios. A maioria da população indígena pertence às tribos dos mosquitos, zambos, paias e jicaques. A população é jovem -- metade tem menos de 15 anos. As taxas de nascimento, mortalidade infantil e crescimento demográfico são altas em comparação com as de outros países da América Latina.

A maior parte da população vive em pequenas aldeias na região central do país. As áreas mais povoadas são os vales e a costa do Pacífico, em função da cultura do café e cereais e da pecuária, e no planalto do interior. Na depressão central, cortada pelos rios Ulúa e Choluteca, ficam as duas principais cidades do país, Tegucigalpa, a capital, e San Pedro Sula. Outras cidades maiores são La Ceiba, Choluteca, Puerto Cortés e Tela. Em Honduras vivem centenas de milhares de trabalhadores provenientes de El Salvador, o que com freqüência tem provocado atritos entre os dois países.


Economia

Agricultura, pecuária e pesca

A economia hondurenha depende muito da produção e exportação de bananas, café, açúcar e madeira, sobretudo mogno e pinho. A exportação da banana, sustentáculo da economia hondurenha, é feita por duas empresas americanas, a United Fruit e a Standard Fruit. Também são culturas importantes milho, feijão, arroz e fumo. No interior a pecuária é extensiva, com predominância para a criação de bovinos e suínos. A atividade pesqueira de maior relevância é a de lagostas e camarões.
 

Energia e mineração

A eletricidade de consumo industrial e doméstico é fornecida principalmente por hidrelétricas. Existe um grande complexo hidrelétrico a sudeste de San Pedro Sula, em El Cajón. Os principais recursos minerais do país são zinco, chumbo, prata e ouro, explorados sobretudo nas minas de El Mochito. A exploração de petróleo é financiada pelo Banco Mundial.


Indústria

A principal indústria é a do açúcar. O parque industrial é formado de pequenas indústrias, com tecnologia de nível médio. Dedica-se à produção de alimentos, têxteis, calçados, produtos químicos, cimento, borracha e móveis.


Finanças e comércio

O país tem um déficit crônico em sua balança de pagamentos, devido às importações de petróleo. Banana, café, madeira e produtos minerais formam a maior parte da pauta de exportações de Honduras. As importações são principalmente de combustíveis, lubrificantes, produtos químicos, máquinas e equipamento de transporte. Os principais parceiros comerciais são Estados Unidos, Japão e Alemanha. Honduras faz parte do Mercado Comum Centro-Americano, criado em 1961, junto com El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Costa Rica.


Transportes e comunicações

A rede de ferrovias de Honduras serve principalmente às regiões agrícolas e o sistema rodoviário é muito deficiente. A rodovia Pan-americana atravessa o sul do país, próximo à baía de Fonseca. O porto mais movimentado é o de Puerto Cortés, seguido pelos de La Ceiba, Tela e San Lorenzo. Há dois aeroportos no país, em Tegucigalpa e San Pedro Sula. História


Pré-história e descoberta

O território de Honduras era habitado pelos maias, muito antes do descobrimento do Novo Mundo. Quando Colombo, em sua quarta viagem, aportou no litoral hondurenho, os remanescentes da outrora gloriosa civilização maia habitavam Copán, Quiriguá e outros locais. Ante a brutalidade dos invasores, fugiram para a península de Yucatán. Hernán Cortés, o conquistador do México, colonizou a região auxiliado por seus prepostos Cristóbal de Olid, Francisco de Las Casas e Pedro de Alvarado, que fundou a cidade de San Pedro Sula. A primeira capital de Honduras, Comayagua, foi fundada por Alonso de Cáceres. Esse período de conquista foi marcado por violenta repressão aos indígenas, que, sob comando do chefe Lempira, resistiram bravamente ao avanço dos espanhóis em direção ao interior, até serem impiedosamente massacrados.


Período colonial

Em 1539 Honduras foi incorporada à Capitania Geral da Guatemala e ficou nessa condição durante todo o período colonial. Com a descoberta de minas de prata em seu território, entre 1570 e 1580, numerosos grupos de imigrantes chegaram ao país, enquanto o litoral do mar do Caribe era transformado em ponto de encontro de piratas. Mais tarde a região foi invadida por madeireiros ingleses, que já em fins do século XVIII controlavam a costa do Mosquito.


Independência

Em 1821, já com o México independente, as províncias integrantes da Capitania Geral da Guatemala romperam seus vínculos com a Espanha e, no ano seguinte, passaram a integrar o Império Mexicano de Agustín de Itúrbide, do qual separaram-se um ano depois, para formar a Federação Centro-Americana. A Federação foi governada inicialmente por Manuel José Arce, e posteriormente por Francisco Morazán. Divergências entre os países membros provocaram sua dissolução, e os estados-membros tornaram-se independentes. Em 5 de novembro de 1838 Honduras proclamou-se estado soberano e independente e, no começo do ano seguinte uma assembléia constituinte aprovou sua primeira constituição. No entanto, diversas vezes, Honduras apoiou tentativas de reconstituição parcial ou total da antiga união centro-americana. O primeiro presidente constitucional foi o conservador Francisco Ferrera, que chegou ao poder em 1841. Conservadores dominaram o país até 1876, quando o liberal Marco Aurélio Soto assumiu o governo. Quatro anos depois foi promulgada uma nova constituição. Nas últimas décadas do século XIX Honduras sofreu interferências da Guatemala em seus assuntos internos.

Nos primeiros anos do século XX, o presidente da Nicarágua, José Santos Zelaya, impôs Manuel Bonilla como presidente de Honduras, fato que mergulhou o país num período de rebeliões internas, entre 1911 e 1912. A pretexto de controlar a anarquia, os Estados Unidos intervieram no país e enviaram tropas para proteger os interesses das empresas bananeiras. A turbulência política continuou até 1932, quando o general Tiburcio Carías Andiro assumiu o poder e, como presidente, governou o país de forma ditatorial. Em 1949, foi sucedido por Juan Manuel Gálvez, que tentou restaurar a normalidade. Mas entre 1954 e 1956 o país recaiu na ditadura sob a administração de Júlio Lozano Díaz, deposto por uma junta chefiada pelo coronel Hector Caraccioli. O país só voltou a ter uma eleição pacífica em 1957. O vencedor foi o liberal Ramón Villeda Morales, que promulgou uma nova constituição mas também foi deposto por um golpe, chefiado pelo coronel Osvaldo López Arellano, cuja ascensão à presidência formalizou-se em 1965. Nesse ano foi promulgada mais uma constituição.

A chamada "guerra do futebol" com El Salvador, em decorrência de conflitos demográficos e problemas econômicos, foi solucionada com a intervenção da Organização dos Estados Americanos (OEA). Em 1971, Ramón Ernesto Cruz foi eleito presidente, mas no ano seguinte o general Osvaldo López Arellano voltou ao poder após um golpe de estado. Em 1975 López Arellano foi deposto pelo coronel Juan Alberto Melgar Castro, por sua vez obrigado a renunciar em 1978, quando o general Policarpo Paz García assumiu o poder. Em 1981, após nove anos de regime militar, Roberto Suazo Córdova, do Partido Liberal, venceu as eleições presidenciais. Em 1986 ocorreu a primeira transferência de poder na história do país sem interferência militar direta, com a eleição do liberal José Azcona del Hoyo.

Em 1989 Rafael Leonardo Callejas, do Partido Nacional, venceu as eleições e no ano seguinte um plano de ajuste econômico provocou a greve dos plantadores de banana, que terminou com a intervenção do Exército. O início da década de 1990 encontrou o país ainda agitado por divergências internas, agravadas pela luta contra três grupos guerrilheiros. Em 11 de setembro de 1992, o conflito com El Salvador terminou com a intervenção da Corte Internacional de Justiça, que traçou definitivamente os limites territoriais dos dois países.


Instituições políticas

De acordo com a constituição de 1982 o poder é exercido pelo presidente da república, que deve ser eleito pelo voto popular para um mandato de quatro anos. O poder legislativo é unicameral, e a câmara compõe-se de 128 membros. Entretanto, o poder supremo cabe ao Conselho Superior das Forças Armadas, que tem total autonomia sobre as questões de segurança nacional.


Sociedade

O país possui um sistema de seguridade social que presta auxílio por doença, maternidade, orfandade, desemprego, acidentes do trabalho e moléstias profissionais, assim como subvenção à família e aos anciãos. As garantias aos empregados estão asseguradas no código do trabalho.

O espanhol é a língua oficial, mas parte da população ainda fala seus idiomas nativos. A religião dominante é a cristã -- católica ou protestante -- e há pequenos grupos de judeus, budistas e muçulmanos. A educação entre 7 e 15 anos é gratuita e de responsabilidade do estado. Em Tegucigalpa funciona a Universidade Nacional Autônoma de Honduras. (Para dados sobre sociedade, ver DATAPÉDIA.)

Cultura

No território hondurenho encontram-se as ruínas maias de Copán, cujos magníficos monumentos, decorados com grandes figuras esculpidas, evocam a grandeza daquela civilização centro-americana. A arquitetura colonial é típica do barroco espanhol. A catedral de Tegucigalpa, terminada na década de 1760, mostra evidentes semelhanças com a catedral da cidade de Antigua Guatemala. O monumento histórico mais curioso de Honduras é a catedral de Comayagua, em que a euforia decorativa deu um sentido tropical americano aos símbolos da Conceição.

Literatura

A primeira personalidade a se destacar nas letras hondurenhas foi José Cecilio del Valle, polígrafo de conhecimentos enciclopédicos e que dedicou a vida à causa da unificação da América Central. A poesia romântica surgiu modestamente com Manuel Molina Vigil, mas o tradicionalismo literário sobreviveu até o século XX com Luis Andrés Zúñiga, cujas Fábulas (1917) foram reeditadas várias vezes.

O período modernista revelou a poesia de Juan Ramón Molina, o maior poeta hondurenho, que recebeu forte influência de Rubén Darío. A edição de suas poesias no volume Tierra, mares y cielos (1911) deve-se a Froilán Turcios, também modernista, autor de contos e romances fantásticos em estilo rebuscado. O nome mais famoso da literatura de Honduras é Rafael Heliodor Valle, historiador, poeta e jornalista. Destacam-se ainda Arturo Mejía Nieto, Claudio Barrera, que recebeu influência de César Vallejo e Pablo Neruda, e Roberto Sosa, o poeta de Los Pobres.

Artes plásticas

A pintura hondurenha foi fortemente influenciada pela herança espanhola. Os artistas mais importantes no século XX foram o pintor de paisagens Carlos Garay e Antonio Valásquez.

©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.


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