O
Contestado
“Uma Pequena Conclusão”
Quando
falamos em contestado, nos vem em mente as fracas e poucas
idéias que temos, referindo-se mais especificamente sobre a
Guerra Do Contestado (de 1912 a 1916). É difícil
assimilar de forma global o movimento ocorrido, inseri-lo
dentro de um contexto vivido e iniciado décadas antes do
conflito. Existe aí, todo um processo histórico a ser
compreendido. Retratando a região, seus desbravadores para
chegara compreensão de uma formação social, e cultural entre
outras.
E então após
poucas, mas grandes e riquíssimas aulas com o professor
DELMIR VALENTINI sobre História do Contestado, chegamos
a uma compreensão maior e mais ampla sobre o
contestado histórico, inserido num contexto e claramente
visualizado por nós e vivenciado por algumas de nossas
gerações passadas e não tão remotas. Como estamos
acostumados a ver nas tradicionais aulas de história; que
pouco nos acrescentam e não nos levam a um crescimento de
conhecimentos.
Compreender a
história do contestado, aprender sobre ela, conhecer seus
protagonistas, seus personagens, fatos e regiões, nos traz a
tona um pouco mais sobre nossa identidade, sobre nossas
origens, nossas raízes e com certeza nos ajuda compreender
de forma clara muitos de nossos costumes, crenças e até
nossas origens, nossas raízes.
No início do
século passado devido a expansão capitalista e a chegada de
poderosas forças econômicas à região. Alavanca a crise de
disputas de terras de tal forma que resulta em luta armada.
Crise essa também social, onde se discute questões variadas.
As forças
econômicas estão diretamente relacionadas à expansão
capitalista e social. Contribuindo para a construção da
ferrovia, exploração comercial da madeira e na colonização.
E com tudo isso, esqueceu-se do sertanejo, já morador do
contestado, com raízes e formação local. Que foram de forma
progressiva marginalizados.
Contudo, somando
as referidas questões, analisando a história em seu espaço e
tempo, chegamos a um fator muito importante de ser citado
como elemento causador da revolta; a questão religiosa,
muito influente, muito forte e expressiva em todos os
momentos. Havia uma grande aceitação sobre a prática dos
monges entre os sertanejos, que os acolhiam, aceitavam seus
conselhos e seguiam seus passos. Pois os sertanejos já se
encontravam desolados, sem rumo, pois o governo
abandonando-os, oprimindo-os, recusa-se a dar o direito
sobre as terras nas quais viviam. E numa tentativa de
restituir seus direitos os sertanejos armam-se e põem em
pratica a rebelião.
A guerra do
contestado teve uma grande repercussão, no que se refere a
dados estatísticos, onde assimilam a participação de mais da
metade do exercito republicano brasileiro, o uso de
armamentos pesados e até mesmo ações onde contou-se com a
força aérea brasileira em suas primeiras atuações de guerra.
No que se refere
ao saldo da guerra é apontado baixa de cerca de 8.000
brasileiros, na grande maioria sertanejos.
Nos redutos foram
onde nasceram as marcas mais profundas da memória dos
envolvidos e também de seus descendentes. Pois todos nós
sabemos quão profundas elas são e quão grandes cicatrizes
deixaram em nossos guerreiros.
Mas pode-se dizer
que também há memórias boas sobre os redutos, quando nos
referimos aos monges, onde os sertanejos buscavam amparo e
conforto para suas dores e tristezas. E lembranças tristes,
ao comentar e relembrar da fase final do movimento
contestado, onde esteve sobre o comando Adeodato.
Ainda muito
respeitado pelo povo, os marcos deixados pelos monges que
por aqui passaram, deixando suas boas ações, seus milagres,
suas curas e seus conselhos, além de marcos como os
cruzeiros, as fontes de águas. Que hoje temos como local
sagrado, onde há devoção, rezas e promessas.
Ainda vivas as
memórias de antigos moradores dos redutos podem ainda
relatar as experiências pelas quais passaram. Os
descendentes da guerra, contam o que ouviram e detalham suas
idéias formadas sobre o ocorrido. E que apesar de tudo causa
culpa nos sertanejos o derramamento de sangue causado que
envolveu a população da região do contestado no início deste
século.
Os registros,
principalmente os da imprensa diária, contribuíram para
formar a imagem do sertanejo como o grande vilão dos fatos,
desconsiderando a conjuntura vivenciada anteriormente e
também durante o tempo dos redutos. A imagem do grande mal
que era e representava o sertanejo pode ser sintetizada nas
atribuições que eram feitas aos lideres, produtos da
sociedade. E essa imagem foi interiorizada pelo homem do
Contestado.
Houve um
personagem que é tido como o representante da maldade, o
caboclo que foi o ultimo comandante sertanejo. E isso se faz
de forma tão consistente, que o maior tempo das conversas
sobre o tempo dos redutos é reservado para relatos de dor,
tristeza e sofrimento, durante o decorrer do movimento. O
que também é atribuído a todos os que estiveram nos redutos.
Durante muitos
anos os sertanejos permaneceram em silencio, como a condição
de vencidos que lhes foi imposta. Nos dias atuais, as novas
gerações, já não se envergonham de dizer que o avô foi parte
atuante da revolução. Na verdade não se trata de fazer um
resgate heróico do sertanejo, adotando uma postura pelos
seus feitos, mas simplesmente de compreendê-los dentro de um
contexto histórico.
Pretende-se na
verdade demonstrar a importância histórica dos sertanejos,
dar-lhes o direito de ser parte integrante da história do
contestado, de santa Catarina e do Brasil.
Mas o que se sabe
é que apesar de todo o esforço do professor DELMIR,
entre outros Grandes Historiadores e Desbravadores da
História, em relatar essa história que se faz presente
em nosso dia-a-dia, ocorrida em nosso chão, vivenciada
pelos nossos antepassados mais próximos; Ainda pode ser que
existam coisas a serem descobertas, e relatadas, mas podemos
dizer com convicção que hoje crescemos historicamente,
aumentamos nosso conhecimento e podemos dizer que
enriquecemos em nosso saber histórico. Graças as aulas
maravilhosas do professor DELMIR VALENTINI, sobre a
História do Contestado.