O CONTESTADO
Houve por volta de 1912 uma
rebelião sertaneja que ficou sendo denominada “Guerra do
Contestado”. Apesar de pouco compreendida, e vista de modo
geral como uma guerra, a rebelião iniciou-se algumas décadas
antes da guerra, e é resultado de muitas polemicas. De
terras, religião, agrupamentos, e também política.
Em Santa Catarina, ainda
inesplorada, há duas regiões fisiográficas distintas entre
si: a litorânea e a do planalto, o limite que é dado pela
Serra Geral; separa as duas regiões de forma intransponível
pelas serras geral e do mar.
Uma série de serras no
planalto serve de divisor das águas das duas grandes bacias
hidrográficas pelas águas que correm para o Sul e a do Rio
Iguaçu, pelas águas que correm para o Norte. Ambas as bacias
depois correm para oeste.
As serras dividem a região das
bacias do Iguaçu e do Uruguai; são elas; Espigão, Esperança,
Caçador, Taquara Verde, Xanxerê e Fartur
A maior bacia hidrográfica no planalto é a do rio Uruguai.
No longo percurso do rio
Uruguai, em direção Oeste, até a confluência do Peperi-Guaçu,
que recebe outros tributários do lado catarinense, como o
rio do Peixe, rio Jacutinga, rio Chapecó, rio das Antas,
etc...
O rio do Peixe, localiza-se no Planalto do Meio-Oeste, daí a
denominação Alto Vale do rio do Peixe na cabeceira e Baixo
Vale do rio do Peixe, próximo à confluência com o rio
Uruguai. No outro lado está a bacia hidrográfica formada
pelo rio Iguaçu. É menor e menos acidentada que a do rio
Uruguai.
Tem como principais afluentes os rios, Jangada, Timbó,
Paciência e Negro. Suas águas correm em direção ao Oeste,
até alcançar o rio Paraná. Os afluentes de ambas,
distribuídos entre os vales das serras.
O rio Iguaçu compõe parte da divisa entre os estados de
Santa Catarina e Paraná, abrangendo zonas da região
contestada.
No tempo dos redutos as fronteiras entre os estados estavam
indefinidas e geravam muita polêmica. A questão lindeira
também constituiu-se em agravante na já conturbada região.
Uma população reduzida, mais ou menos na metade do séc XVI,
que surgiu, dando origem às primeiras povoações litorâneas:
São Francisco, Desterro e Laguna. Constituindo os primitivos
focos litorâneos que não penetrariam pelo sertão adentro.
Embora próximos, o litoral e o planalto eram separados por
barreiras naturais, sendo a serra Geral, por muito tempo,
obstáculos intransponível entre ambos.
Desta forma povoava-se o litoral e no sertão construía-se
uma história bem diferente. Tinham outra origem, outros
costumes, outra índole, outra cultura, enfim, outra
história...
Os primeiros contatos dos colonizadores com a região oeste,
são remotos. Em 1541 é possível que Alvar Nunes tenha
atravessado a região; desembarcando no litoral de Santa
Catarina e seguindo por terra até Assumpção, teria galgado a
serra pelo vale do Itapocu, ao sul da barra do São
Francisco, atravessando o Rio Negro e o Iguaçu.
Por volta de 1600, os jesuítas espanhóis se aproximaram
bastante da região compreendida entre o Uruguai e o Iguaçu.
Serviram de alvo para os bandeirantes paulistas, em busca
dos aldeamentos, o território passa ser conhecido pelos
bandeirantes paulistas por “Ibituruna” na caça aos
índios aldeados. Até que os bandeirantes mudam a
orientação: Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A região de
Ibituruna que, em função desses movimentos, não resultou
povoada.
O gado vacum, se multiplicava
em larga quantidade na vasta região ainda despovoada,
segundo as leis da natureza.
Foi somente com o ciclo de
ouro, que se tornaram conhecidos os caminhos da região
serrana catarinense. Pois tornou-se o trajeto mais curto e
mais cômodo nos sertões catarinense.
O planalto foi apenas o caminho dos tropeiros do sul. O
caminho que ligava o extremo sul ao centro do Brasil. Que
até então, só perde a importância com a chegada do trem de
ferro e dos barcos a vapor, passando os campos de Lages,
Curitibanos, seguindo pelo o Paraná no rumo de Sorocaba.
A partir deste trajeto, outras áreas mais para o Oeste
foram sendo conhecidas, como campos de Guarapuava. Uma
passagem para o Rio Grande pelo passo de Goio-ên e Nonoai.
A descoberta de novos caminhos e o conhecimento da região,
aos poucos, encorajavam o povoamento dos vastos espaços
ocupados anteriormente somente pelos aborígenes locais.
A importância econômica que representava a criação de gado e
a existência de vastas áreas próprias para este fim,
impulsionaram a vinda dos primeiros moradores.
A ocupação da região teve como eixo condutor principalmente
a criação de gado.
Na região Sul do planalto serrano, abrangendo a vasta área
dos campos, que se desenvolveu esta sociedade pastoril.
A estrutura social da região do contestado, destaca o
poderio ilimitado dos proprietários das terras e suas
relações com seus subordinados.
Garantia o exercício da
chefia política regional.
O sistema de organização da sociedade pastoril ficava
dividido em classes, incluindo as principais formadas por:
coronéis, fazendeiros, lavradores, peões, e agregados.
Os lavradores, geralmente mais afastados das fazendas de
criação de gado, dedicavam-se a pequenas plantações. Os
caboclos, que se estabeleciam nas terras como posseiros,
tiravam da natureza o sustento, levando uma vida pacata e de
privações.
Entre lavradores, caboclos, pequenos plantadores de tabaco e
criadores de porcos encontra-se “a grande massa dos
colonos estrangeiros, alemães, polacos e rutenos.”
Impossibilitados de ter acesso a terra, muitos iam para o
sertão. Formado tipicamente por sertanejos que, abandonados
e esquecidos pelos governantes, viveram isolados até o
inicio do século passado.
Quando lembraram destes pobres sertanejos, foi para
expusá-los das terras de que tiveram a sobrevivência. Não é
difícil entender porque os sertanejos partiram para os
redutos. Pois já desolados e expulsos das terras nas quais
formaram suas raízes.
Após sua expulsão, das terras, o que restou foi apenas
alguns dos costumes e hábitos alimentares de certa
importância para os sertanejos. Foi nesse período que
implantou-se o uso da Erva-mate como hábito, tanto medicinal
como alimentar.
Com a difusão do hábito, a Erva-mate tornou-se um dos mais
importantes produtos de exportação.
O seu manejo, era dividido em etapas: O corte, o sapeco, a
secagem, o quebramento, a peneiração e o ensaque.
Esta atividade rendeu boas fortunas em Santa Catarina e
Paraná. Não para os colonos que a plantavam e a preparavam
em todas as suas etapas de produção. Mas sim para os
governantes e capitães, que comandavam todos os passos de
produção e controlavam principalmente seus derivados lucros.
A fiscalização e a cobrança de impostos era intensa por
parte dos governantes estaduais de Santa Catarina e do
Paraná. Postos fiscais eram instalados na região por ambos
os estados, uma vez que a questão lindeira estendia-se
indefinida.
Para os ervateiros e peões ervateiros a situação de
marginalização continuava, não sendo difícil compreender o
quanto significavam as palavras de conforto e esperança
trazidas pelos monges.
Os brasileiros buscavam definições com os habitantes dos
países vizinhos. Os limites interestaduais também causaram
disputas acirradas e, por vezes, a diplomacia deixou a
desejar.
O alvará de 12 de fevereiro de 1821 criou a Província de
Santa Catarina e, desta data em diante, Lages passou a
pertencer a esta província de Santa Catarina.
A descoberta e ocupação dos
Campos de Palmas, feitas pelos paulistas, gera algumas
polemicas.
Curitiba, que era a quinta comarca de São Paulo, é elevada à
categoria de Província e receber por herança a fastidiosa
questão lindeira. A área disputada foi ampliada, pois além
dos Campos de Palmas, Rio Negro também entrou nas pretenções
do Paraná.
Até a Proclamação da Republica, em que as províncias se
transformaram em estados, nada estava definido.
Em 1881, Brasil e Argentina levantaram uma questão lindeira
que ficou conhecida por Questão de Palmas ou de Misiones. A
divisa internacional passava pelos rios Peperi-Guaçu e Santo
Antônio, porém, alegravam os argentinos que os referidos
rios deveriam ser o Chapecó e o Jangada.
A questão foi solucionada em 1895 com o arbitramento do
presidente norte-americano, Grover Cleveland, concedendo
ganho de causa ao Brasil.
Província do Paraná instala uma Estação Fiscal em Chapecó.
Por sua vez, Santa Catarina responde, instalando outra no
Uruguai. Outros postos fiscais são instalados, pelo governo
paranaense, junto à Estrada Dona Francisca, nas
proximidades de São Bento. Diante dos protestos dos colonos
da localidade e também do governo catarinenses, que tentava
mostrar que São Bento sempre pertenceu à Santa Catarina, o
Paraná retira a força policial que havia enviado para São
Bento. Rio Negro mandaram destruir algumas pontes próximos
a São Bento. Assim, é concedido ganho de causa a Santa
Catarina. O Paraná recorreu da decisão. O Supremo Tribunal
Federal confirma em definitivo a sentença em favor de Santa
Catarina.
É neste ambiente de
hostilidade entre Estados vizinhos que surgem em primeiros
ajuntamentos em torno de José Maria.
Foi somente em 1916 que um acordo colocou ponto final nas
disputas. Os limites no território contestado, ficaram assim
definidos:
“...
o rio Negro, desde suas cabeceiras até a sua foz no rio
Iguaçu, e por este até a ponte da Estrada de Ferro S.Paulo –
Rio Grande; pelos eixos desta ponte e da mesma estrada a de
ferro até sua intercepção com o eixo da estrada de rodagem
que atualmente liga a cidade de Porto União da Vitória à
cidade de palmas; pelo eixo da referida estrada de rodagem
até o seu encontro com o rio Jangada; por este acima até a
sua intercepção com a linha divisória das águas dos rios
Iguaçu e Uruguai. E por esta linha divisória das ditas águas
na direção geral de Oeste até encontrar a linha que liga as
cabeceiras dos rios Santo Antonio e Peperi-Guaçu, na
fronteira Argentina”
(PIAZZA, p.597, apud, VALENTINI, p. 39)
O acordo foi atacado com
constrangimento pelas populações dos dois estados.
Nesse mesmo período foi iniciada a construção da estrada de
ferro, ligando o centro do país ao o sul. Onde existem
questões de interesses geopolíticos sobre a região,
justificando a construção da ferrovia e colonização da
região.
O governo brasileiro promovido a colonização estabelecendo
imigrantes estrangeiros em áreas estratégicas.
A ferrovia cruzaria por perto
do território pretendido pela Argentina e que causara a
famosa Questão de Palmas.
Com a cogitação da construção da ferrovia e a eminente
futura valorização das terras circunvizinhas, despertou-se o
interesse dos fazendeiros em adquirir terras devolutas ainda
existe na região.
As facilidades aumentaram, principalmente por causa dos
governos estaduais pretendiam firmar domínio administrativo
sobre o contestado.
A construção da ferrovia teve
inicio em 1890. Em Santa Maria da Bocca do Monte rumo á
região central do Brasil.
A liberação da construção da estrada de ferro para a
empresa, concedia benefícios, como a cessão de terras
marginais.
Foram várias empresas que atuaram nos diversos trechos da
extensa ferrovia até seu final. Bem como:
Esta poderosa Companhia
norte-americana, além de controlar ferrovias, controlava
também portos, industrias, empresas pecuárias, madeireiras e
de colonização, e investiu pesado na região, também em
outros setores.
Quando ocorre um estremecimento nas relações Brasil e
Argentina. A crise não descartava a possibilidade de um
confronto armado e a ligação ferroviária para a fronteira
ainda não estava concluída. Ás pressas, foram contratados
milhares de trabalhadores, para garantir a imediação
conclusão da ferrovia.
Distribuídos ao longo dos trechos, logo se evidencia a
exploração a que eram submetidos os trabalhadores dessa
construção. Que para manter a ordem e defender os interesses
da companhia, formaram um corpo de seguranças especial, que
através da violência, garantiam a justiça própria.
Cerca de 8.000 trabalhadores, encontravam-se na região, e
com o término dos serviços de construção, não foram levados
de volta as suas localidades de origem, conforme prometido
anteriormente. Ficaram deixados na região.
A Cia norte-americana Brazil Railway também investiu.
Criou-se Southern Brasil Lumber and Colonization Company com
objetivo de explorar as terras laterais à ferrovia.
E a Concessão foi feita pelo governo brasileiro de uma
grande área localizada nas margens da ferrovia implantada na
região do contestado.
´´
A estrada obtivera do governo federal um concessão de terras
equivalente a uma superfície de nove quilômetros para lado
do eixo, ou igual a o produto da extensão quilométrica da
estrada multiplicando por 18. A área total assim obtida
deveria ser escolhida e demarcada, sem levar em conta
sesmaria nem posse, dentro se uma zona de trinta
quilômetros, ou seja quinze para cada lado``
(QUEIROZ, Op. Cit., p.04 apud VALENTINI, p. 43)
Essas áreas eram pelo governo
consideradas devolutas, embora, existiam moradores
estabelecidos na região de longa data. Mas que pela falta de
instrução não haviam formalizado a posse das terras que
habitavam e tiravam seu sustento.
Sem os termos de posse em mãos
eram desalojados sumariamente.
A Lumber também montou duas
serrarias. Em Três Barras, foi instalada a maior serraria da
América do Sul. Para a vasta exploração de madeiras de lei
que eram abundantes na região. Tudo, com a concessão do
governo, que não se importava com os sertanejos que há muito
habitavam a região e simplesmente davam espaço para os
exploradores.
Os lotes de terra de onde
retirava-se a madeira foram vendidas para colonos
estrangeiros, desta forma que influíram para região os
imigrantes descendentes de europeus. Que são considerados
até hoje os colonizadores da região. Onde se via-se
concretizar as pretensões do governo brasileiro.
As praticas dos monges
encontraram grande receptividade entre os sertanejos,
qualquer palavra de conforto era bem vinda, justiça divina
tornava-se esperança, uma vez que a justiça deixaria a
desejar.
A igreja e a crença, serviu
como apoio aos sertanejos desolados. Franciscanos e monge
fizeram parte do universo religioso dos sertanejos, que
influenciaram profundamente o povo do Contestado.
Os colonizadores vencendo as
distancias, afastando os índios, derrubando as florestas e
estabelecendo povoados eram auxiliados com a tarefas dos
padres que abençoavam as obra dos desbravadores e
conquistavam novas almas.
O processo de colonização
acorre tardiamente, assim, bem como a presença da religião
católica, nessa região. Serias dificuldades enfrentaram os
frades nesse trabalho pioneiro. Aliada ao desinteresse geral
havia outra barreira a ser enfrentada pelos missionários. As
pregações dos monges seriam os maiores obstáculos.
As missas realizadas pelos
Franciscanos eram bem aceitas pelos sertanejos. Em seu modo
simples de professar a fé, apreciavam tanto as pregações dos
padres quanto os conselhos dos monges.
O catolicismo rústico
praticada pela gente de Serra-Acima era fortemente
impregnando de praticas mágicas de origem medieval européia,
indígena ou africana. Manifestava-se espontaneamente em
qualquer zona rural, munindo mortais de poderes
sobrenaturais e justificavas de sorte ou azar. Nas
circunstâncias em que viviam os sertanejos, em estados de
desprendimento e abandono, era perfeitamente compatível e
aceitação de conselhos, crenças em profecias e em castigos
sobrenaturais.
A figura do monge é
inseparável da vida sertaneja e, é parte integrante desta
vida, representando o papel do padre, acentuando o caráter
religioso e místico.
Os sertanejos, desprezando os
frades, dedicam-se ás verdades dos monges.
Os sertanejos ouviam as
palavras dos frades com certa desconfiança. E como nunca
viam João Maria tocar em dinheiro, acreditavam que a
santificação incluía desprendimento desprezo dos valores
materiais.
Como o surgimento dos redutos
outras mudanças ocorreram, o próprio catolicismo rústico é
submetido pela chamada Santa Religião. Inserem, a
instituição de uma nova ordem religiosa.
Todo o povo da região conhece
João Maria. O personagem lendário faz parte da vida das
pessoas que acreditam nele como em qualquer outro santo da
religião católica. Reservam para sua fotografia um lugar no
altar rude que conservam nos lares ou nos cruzeiros e águas
santas que marcam a passagem do monge pela religião
Atribuem a ele prodígios e
milagres, mas de acordo com o escritor mudam as referencias
sobre os monges. Para Frei Rogério o que os monges fizeram
aos juntos aos sertanejos foi um grande mal, expondo-lhes a
mercê de qualquer embusteiro.
Durante muito tempo, a
responsabilidades pelos trágicos acontecimentos ocorridos,
são expiados nas costas dos monges.
Sobre o monge João Maria de
Agostini:
Em muitos comentários sobre
João Maria, os depoentes fazem questão de frisar que se
referem ao verdadeiro monge, simplificando a forma
cristalizada de crenças no monge.
O primeiro aparecer, em meados
do século XIX. Trata-se de João Maria de Agostini ou -
Agostinho – italiano, que nasceu em Piemonte em 1801. Sua
vida é ignorada. Não há referências sobre a chegada de João
Maria ao Brasil. Na Câmera Municipal de Sorocaba, Província
de São Paulo. Deixa o termo de estrangeiro datado de 24 de
dezembro de 1844.
Sobre suas característica
físicas sabe-se que possuía ´´estatura baixa , cor clara,
cabelos grisalhos, olhos pardos, nariz regular, barba
cerrada, rosto comprido``. Como sinal particular
registrou-se que era aleijado dos três dedos da mão
esquerda.
Vivendo numa gruta no morro de
Araçoiaba, o apontam como homem piedoso, de vida
rigorosamente sóbria e severa, dedica a Deus.
Como Sorocaba era ponto de
parada de peões, tropeiros, operários, e camponeses, fez que
esses logo espalhassem a fama do monge que passou a ser
procurado por inúmeros visitantes.
O monge, às vezes assistia à
missa na capela da Fabrica de Ferro de Ipanema, não se sabe
ao certo que rumo o monge tomou, apenas é possível comprovar
a sua passagem pelo Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do
Sul através do testemunho de artigos de jornais que
mencionam sua presença.
Embora as datas apresentam-se
contraditórias, e confusos locais e trajetos palmilhados
pelo monge, há noticias em jornais que trazem copiosos
esclarecimentos.
O monge solicitou audiência ao
Presidente da Província. Apresentando-se, teria dito estar
cumprindo uma promessa e solicitou a imagem de Santo Antão
que estava numa igreja dos Sete Povos das Missões. Em
setembro, estava no Campestre com imagem do Santo numa
capela.
“Era italiano mais, dizia
ele em São Paulo, donde retirou-se, enveredando por ínvias
selvas (quem sabe Por quantos meses de arriscada
peregrinação) ate a fronteira do Paraguai. Daí foi obrigado
a sair. Atravessou o Rio Paraná, depois a Lagoa Yberá, numa
pequena canoa: seguiu a pelo território deserto das Missões
Correntinas, até o extinto povo de São Tome, hoje restaurado
e elevado a cidade. Desceu pelo Uruguai até São Borja foi
bem acolhido. Deu ai o nome de João Maria Agostini. Em
poucos dias começoi sua peregrinação a pé foi dar, com mais
de 580 quilômetros, de marcha, ao Serro de Botucaraí, a onde
pouco demorou e regressou a Campestre, perto de Santa Maria,
por onde já havia passado. Nesta situação agreste e
merencória, escolheu um serro elevado a à base deste uma
fonte cristalina, à qual atribuía a virtude de curar
inúmeras enfermidades... Após alguns sucessos reais e
aparentes após uma boa colheita em esmolas, o ermitão
resolveu, auxiliado por alguns devotos, levantar, o no alto
do Serro, uma ermitã nessa foi colocado uma imagem de Santo
Antão, abade da Tebaida, imagem que existia em poder de um
morador do lugar e fora pertencendo aos povos das Missões.”
Apesar dos desencontros das
datas e das poucas pistas sobre o itinerário do monge,
quando partiu de Sorocaba, adentrou pelo sertão tendo
chegado a Paraguai, depois São Borja e em seguida Santa
Maria. Na passagem pelas missões teria tomado conhecimento
da referente imagem e teria escolhido Campestre como local
ideal para construção da capela. Conquistando permissão para
fixar-se naquele local.
A partir de 1848 João Maria é
considerado como “milagreiro”. No sitio onde acampou,
tornou-se um verdadeiro capo de atração para doentes de
todos os males. As noticias do monge e a existência das
águas miraculosas ressoaram nos estados vizinhos, no Uruguai
e também na Argentina. Verdadeira multidão de romeiros
acorria ao Campestre em busca dos efeitos terapêuticos das
águas.
O Presidente da Província
solicitou um exame das águas denominadas – Santas. O General
Andréa manda prender João Maria que se encontra no Cerro do
Botucaraí. E no relatório do Dr. Thomaz Antunes de Abreu,
encontra-se a comprovação de que as águas examinadas “não
contém princípios além dos, que são comuns em águas
potáveis”.
João Maria é transferido para
a Santa Catarina, por ordem do General Andréa. E solicita
que lhe deixasse solitário na Ilha de Arvoredo.
Após sair da ilha, o monge
encontra-se no ano de 1851, na cidade da lapa no Paraná,
abrigando numa gruta, tal como havia feito antes em Sorocaba
e Botucarí.
Aumentando a crença do monge.
Em sua peregrinação teria
monge chegado ao Registro do Rio Negro e Mafra, em 1851. A
tradicional cruz da cidade de Mafra teria sido plantada pelo
monge juntamente com outras 18 em julho de 1851.
Em 1856 estava o monge em
Lages, e posteriormente em Otacílio Costa mencionou este
“filho da floreta”, peregrino que repousava debaixo de
árvores e alimentava-se de ervas.
O tempo que permaneceu nos
lugares por onde passou e os caminhos trilhados de um lugar
ao outro, são desconhecidos. No final da vida teria
regressado para seu primitivo abrigo em Sorocaba. Nestes
últimos tempos esteve sempre entregue as orações e devoções.
Faleceu em 1865.
Envoltas em mistérios estão as
circunstancias da sua morte.Varias versões circulam.
Desapareceu, portanto, envolto de mistério. O que nuca
desapareceu é sua memória.
Enquanto sobre João Maria de
Jesus o que podemos dizer é que:
Um segundo monge perambulou
pela região sul do país, no final do século XIX. Foi
conhecido pelo nome de João Maria de Jesus. Procurou
identificar-se a João Maria Agostini, com quem apresentava
alguns pontos comum.
O nome do primeiro fez reviver
a sua memória, ampliou área em que mesma se tornaria
conhecida e tornou uma só pessoa as que verdadeiramente
duas. Chegou em Lages em 1892.
“O monge é um tipo especial
que convém ser conhecido. Caminha só por este sertões, nada
conduz, nada pede. Se chega a uma casa, dão- lhe de comer,
ele só aceita o que e mais frugal e em pequena quantidade
não dorme dentro das casas a não ser noites de chuva
torrencial. Conversa com os moradores sem ostentação sem
impostura, sua conversa e calma como que fala para si só,
porem todos o ouvem, todos lhe obedecem, sua figura e
humilde. Porem todos respeitam e estimam. Nunca diz para
onde vai, nem quando. Anoitecer e não amanhecer, raramente,
porem, passa por um lugar mais de uma vez. Quer chova , quer
os rios estejam transbordando vai-se. Não canoas e ele
passa, ninguém sabe dizer como passou”.
Registrada a área de atuação
do monge, em toda a região missioneira. Após um descanso
nas margens do Rio do Peixe.
“Seu nome será lembrado
eternamente no meio desse povo que não compreende senão as
coisas simples e naturais.”
A passagem de João Maria em
União da Vitória no ano de 1896, é registrada. De “sotaque
espanhol” andava cumprido uma promessa e aconselhava os
sertanejos. Costumava acampar onde tinha água boa e não
permitia que acompanhassem. Aceitava apenas oferendas de
alimentos como queijo, leite e verduras.
“Era um homem de seus
cinqüentas a sessenta anos, de estatura media, vestido
pobre, mas decentemente”. João Maria assiste a missa,
ouvindo o sermão em que o padre aconselha ao povo no sentido
de não seguir conselhos dos monges. Frei Rogério indaga-lhe
sobre sua origem e seus propósitos.
“- Eu nasci no mar –
criei-me em Buenos Aires, e faz onze anos que tive um sonho,
percebendo nele claramente que devia caminhar pelo mundo
durante quatorze anos, sem comer carne nas quartas-feiras,
sextas-feiras e sábados, e sem pousar na casa de ninguém.
Vi-o claramente.”
Segundo pesquisas feitas, seu
nome era Atanás Marcat, sendo de origem francesa.
“João Maria a todos atendia
bondosamente, recitava, aconselhava o bem, recusava
pagamento em dinheiro, apenas recebendo presentes de
cavalos, porcos, vacas, etc., sendo que o mesmo esta
distribuindo entre seus inúmeros afilhados por ele mesmo
batizado. A população sertaneja, então inculta, porem
ordeira, estava vivamente fanatizada pelo velho monge.”
Não restam duvidas sobre a
existência dos dois monges João Maria. Não foram uma única
pessoa, pois as datas das idades não coincidem. Outra
diferença entre tantas, era que o primeiro era italiano de
Piemonte, o segundo nascera no mar, criara-se em Buenos
Aires e falava co sotaque espanhol.
João Maria de Jesus perambulou
mais adotando um estilo itinerante, não estabelecendo
paradeiros em grutas. A sua proteção geralmente, era a copa
das arvores.
Não aceitava dinheiro nem
certos alimentos, bem como não permitia ajuntamentos de
pessoas em torno de si. Também plantava cruzes, muitas delas
até hoje conservada pelo povo.
Não deixou de também utilizar
as águas e receitar ervas para alivio de males.
Existem pontos de divergências
entre os dois monges, o que mais claramente possibilita a
distinção e a prova de que não existia apenas “O João
Maria”.
João Maria de Agostini chegou
de dirigir-se a povo nas missões rezadas pelo padre Antonio
Dias de Arruda. João Maria de Jesus ou Atanás Marcaf, foi
repreendido por Frei Rogério por fazer interpretações
errôneas da S. Escritura, pregar penitencia, profetizar
calamidades e principalmente batizar crianças, que era
oficio dos padres da religião oficial.
Outro ponto é o posicionamento
político-partidário de João Maria de Jesus, pois era
monarquista, como acusava a republica pelos males que
estavam ocorrendo.
Um dos exemplos é a situação
jurídica das terras devolutas da união, a partir da
proclamação da Republica.
As profecias, entre elas e da
que surgiriam linhas de burros pretos, de ferro, carregando
pessoas; vinda de gafanhotos de ferro, que ia ocorrer
guerra; que viriam cercas de espinhos, entre muitas outras.
Nos pousos que fazia o monge,
quando se retirava, o pessoal recolhido todos os carvões e
levava para casa. Onde serviam para fazer simpatias e também
como remédios.
As estampas que existiam são
João Maria de Jesus, basicamente são três as mais conhecidas
e difundidas na região. Entre elas uma que foi reproduzida
por um fotógrafo de Caxias do Sul.
O desaparecimento do João
Maria de Jesus está envolto em mistérios não diferindo muito
de suas imprevista chegadas e partidas por lugares por onde
andava. Simplesmente desapareceu se deixar rastro de si.
João Maria identificou-se com
os sertanejos, na sua presença as esperanças renasciam a as
suas palavras confortavam. Os sertanejos acreditavam estar
diante de um santo que ensinava a sobriedade, o jejum, a
vida digna, a caridade, não só praticava como também
aconselhava-os a fazerem o mesmo.
Como fim sobre José Maria, o
que se sabe:
Com o desaparecimento de João
Maria restaram apenas as lembranças, exaltando-o como
conselheiro do bem. Venerado como um santo.
A chegada na região de grandes
companhias estrangeiras, na colonização e a construção da
ferrovia marginalizavam ainda mais aqueles que já eram
desassistidos pelas autoridades.
No ano der 1912 correram
boatos de que João Maria havia reaparecido em Campos Novos.
Fazendo-se conhecer por José
Maria de Santo Agostinho, o curandeiro instalou-se na
fazenda do Coronel Henrique de Almeida.
José Maria apresentou-se como
sendo irmão de João Maria de Agostini. Na verdade
apresentava muitas diferenças dos monges que antecederam e
mais tarde descobriu-se sua verdadeira identidade,
chamava-se Miguel Lucena de Boaventura.
O novo monge não tinha a
constituição mística dos anteriores. Comparação e diferenças
foram feitas em época posterior por historiadores que
rastrearam a vida desses personagens. Detalharam suas
atitudes e modos de pregação, aspectos complexos que
passavam desapercebido aos sertanejos.
A fama de José Maria
espalhou-se rapidamente, principalmente após curar a mulher
do fazendeiro Francisco Almeida. E, foi coroado pelo ato de
não aceitar as recompensas em terras e ouro oferecidos pelo
fazendeiro.
José Maria sabia ler e
escrever, possuía uns cadernos onde anotava as propriedades
medicinas, consultando-o na ora de receitar aos seus
pacientes.
Observou-se também que José
Maria não dispensava o auxilio de outras pessoas em suas
tarefas, inclusive articulando serviços e, opondo-se
literalmente aos monges anteriores, admite o gosto de
popularidade.
Também simpatizava com o
regime monárquico.
Mudou para Taquaruçu onde
achou muitos adeptos que, com as respectivas famílias
permaneciam a sua volta. O deslocamento de José Maria, está
relacionado com a realização da tradicional festa do Senhor
Bom Jesus.
Permaneceu em Taquaruçu mais
de um mês o que desagrava o Coronel da região. Para
Albuquerque, Intendente Municipal de Curitibanos, aquilo não
passava de manobra políticas de seus opositores, ligado a
seu maior adversário político.
De inicio Albuquerque solicita
José Maria venha até sua casa, o que não fez o monge. Parte
então uma intimação e, mesmo assim, José Maria não foi à
casa de Albuquerque. Que para eximir-se da responsabilidade
de atacar o monge, telegrafou para o compadre e Governador
se Santa Catarina, Vidal Ramos, comunicando que os fanáticos
haviam proclamado a monarquia nos sertões de Taquaruçu.
O pretexto foi uma trova de
versos de porfia onde o verso vencedor finalizou com um
"viva a monarquia", sendo repetido pelos espectadores.
O telegrama do coronel alarmou
Florianópolis e Curitiba, tendo repercussão na imprensa do
Rio de Janeiro. O presidente da Republica Marechal Hermes da
Fonseca, foi informado de que no Sul iniciara-se uma greve
sublevação com intuito de restaurar a monarquia.
José Maria e seus seguidores,
depois de passar por Campos Novos e Catanduvas, onde
acamparam, estabeleceram nos Campos do Irani, então
município de Palmas, no Paraná.
O governador do Paraná sabendo
da chegada de José Maria e seus homens em território
paranaense, julgou tratar-se de manobras do governador
catarinense, a fim de guarnecer o contestado cem tropas
federais e garantir assim a execução do Supremo Tribunal
Federal, no caso dos limites.
As noticia agitaram o país. No
Estado do Paraná os ânimos inflaram-se. Foi assimilado como
invasão de um "bando armado de catarinense" na zona
litigiosa, para garantir o direito de Santa Catarina.
Ao chegar no Município de
palmas, o Regimento encontrou o Coronel Domingos Soares,
chefe político da zona, preocupado com os fatos, empenhou-se
a contornar a situação. Enquanto as tropas ficarem
acampadas, um piquete com o Tenente Busse é acompanhado por
Domingos Soares no rumo do Irani. No caminho encontram-se
com João Varela e com José Júlio Farrapo, criadores de gado
das redondezas, que ainda tentam explicar ao comandante que
José Maria não quer briga.
João Gualberto impôs a
condições de não atacar se o monge se apresentasse com maior
urgência no seu acampamento. Domingos Soares, acompanhado
por quatros pessoas, vai até o acampamento do monge e tenta
persuadi-lo. João Gualberto é taxativo, impondo suas
condições em caráter resoluto e irrevogável: ou José Maria
se apresentava de imediato ou era atacado.
Temendo ser maltratado José
Maria, solicitou 24horas para voltar a Santa Catarina.
João Gualberto, ao saber da
resposta, disse que atacaria no clarear do dia e mandou
preparar as cordas que havia trazido de Curitiba, para levar
amarados os fanáticos. Foi alertado da inferioridade
numérica por Domingos Soares que lavou as mãos da decidida
resolução do comandante.
Na madrugada do dia 22 de
outubro de 1912, à frente de 64 homens, João Gualberto
atacou o reduto, onde havia pouco mais de 200 sertanejos.
“No meio da luta, José
Maria caiu prostrado por uma bala.” (QUEIROZ, p.106-7
apud VALENTINI, p. 72).
José Maria de retirava para o
morro encantado do Taió para regressar no exercício
encantado de São Sebastião. Por algum tempo os sertanejos
permaneceram nos seus ranchos, mais ou menos calados. Depois
de um ano juntaram-se nos redutos para esperarem juntos a
volta de José Maria. Aguardavam a sua ressurreição.
Internados nas matas das
regiões permaneceram muitos sertanejos. Do Irani carregaram
o desgosto da pela morte do líder e as armas abandonadas
pelos soldados. Gente que andava sem destino e que
alimentava a crença na ressurreição de José Maria.
Devido ao grande numero de
redutos e as diversidades entre ambos, a descrição abrange
os mais conhecidos, alguns que foram denominados redutos do
mor.
O conseqüente confronto com a
polícia do Paraná em 22 de outubro de 1912, a dispersão dos
sobreviventes, somente um ano depois os sertanejos
principiaram a se reunir em acampamentos que posteriormente
serão denominados redutos.
No decorrer dos anos seguintes
significou problemas de grandes proporções. Distintas fases
que alcançou o movimento desde o primeiro agrupamentos de
Taquaruçu em 1913 até a dispersão total no reduto São Pedro
em dezembro de 1915.
O tamanho e o numero de
habitantes que faziam parte de um reduto pode variar. Alguns
redutos chegaram a ter milhares de habitantes. O Santa
Maria, por exemplo, chegou a ter aproximadamente 5 mil
habitantes.
As guardas, em geral, ocupavam
uma posição de vanguarda em relação ao reduto. Nas guardas a
inferioridade numérica e bélica dos sertanejos quase
desaparecia devido a posição estratégicas de defensores que
assumiam.
O avanço era dificultado o
ocasionavam grande números de baixas. A principal atividade
dos piquetes era trazer gado para o redutos, mantimentos,
armas, enfim, o que fosse necessário, sem considerar a quem
pertencem.
Nos redutos, todos podiam
usufruir do gado, dos alimentos e mesmo do dinheiro. Só não
eram utilizados em comum os animais de montaria e as armas,
consideradas pertences pessoais que, entretanto, não
poderiam ser compradas ou vendidas entre irmãos.
Em sua fase final, enquanto as
forças de exercito, das policias estaduais e vaqueanos
reprimiam a ação dos piquetes de arrebatamento nas fazendas
e povoados, este diminuíram em números de participantes e
limitaram a distancias a percorrer.
Quanto a vida nos Redutos,
sabe-se que nos redutos reuniam-se pessoas de todas as
classes e condições sociais. Peões, criadores, pequenos,
médicos e grandes fazendeiros.
E o entusiasmo religioso
animava e garantiam a fraternidade. Com certeza muitos
alcançaram a vida melhor do que aqueles que levaram se os
ranchos isolados. A fartura de carne, e de erva para o
chimarrão e de produtos de roças deixava os moradores dos
redutos alegres e eufóricos.
Comenta-se que Adeodato teria
matado sua mulher Maria Firmina para casar se com
Mariazinha, viúva do comandante Francisco Alonso, pois as
leis dos redutos não permitiam bigamia.
As cerimônias religiosas de
purificação, batizados e casamentos eram realizados pelos
lideres religiosos. Os preceitos morais eram rigidamente
obedecidos, pois qualquer desvio ocasionava em penalidades.
Para protegerem-se das armas
inimigas carregavam sempre consigo, dentro de patuás,
orações que julgavam poderosas para fechar o corpo.
A principio estavam a serviço
da virgem compondo a guarda de honra e auxiliando nas
formas. De Caraguatá em diante estavam a serviço do
comandante geral. Alem de participarem efetivamente nos
momentos decisivos dos combates, obedeciam ordens,
aterrorizavam os vacilantes e os inimigos do comandante.
O sonho da convivência
fraterna, com passar do tempo, transformar-se-ia em
pesadelo. Os ataques das forças oficiais espalhariam o
constante medo e a morte nos redutos que eram destruídos e
queimados após serem tomados.
Seguiam-se a fome, a miséria,
as doenças...
Alguns dos Principais Redutos
conhecidos foram:
1.
Taquaruçu
Taquaruçu localiza-se no
interior do município de Fraiburgo. Contava com poucos
residenciais, tinha como moradia principalmente a casa do
comerciante Paraxedes Gomes Damasceno.
2.
Caraguatá
Caraguatá localizava-se em
Perdizes Grandes e foi criado antes da destruição de
Taquaruçu. Os motivos do deslocamento dos sertanejos de
Taquaruçu para Caraguatá estão relacionadas às predições do
menino de Deus, Joaquim. Que recebeu “o aviso” do iminente
ataque das forças do governo.
Caraguatá localizava-se na
área sobe posse de Manoel Alves de Assunção Rochas, que
estavam sendo contestadas.
3.
Bom Sossego
Em Bom Sossego, surgiu logo
depois um novo reduto. As improvisadas ruas desembocavam
numa praça central. No inicio, permaneceu a mesma formação
de Caraguatá.
Maria Rosa, continuava sendo
ouvida. Elias era comandante geral e Venuto Bahiano o
comandante de briga.
Redutos menores pipocaram por
toda a região. Cada qual com seus comandantes. Da noite para
o dia organizava-se uma nova irmandade, que nem sempre,
tinha ligações com reduto mor.
4.
Caçador
Francisco Alonso de Souza
ordenou que o reduto fosse transferido para Caçador. Ordenou
os moradores das vizinhanças que viessem de pronto para o
reduto ou seriam considerados peludos.
Pessoas de influencia se
engajaram no movimento. Em Canoinhas, aderiram: Aleixo
Gonçalves, Capitão da Guarda Nacional, com larga experiência
militar: Bonifácio José dos Santos, antigo maragato, e ainda
Antonio Tavares Junior.
Em Curitibanos, por motivos
políticos, aderiram Paulino Pereira e os irmãos Sampaio,
acompanhados mais de 40 homens armados.
5. Santa Maria
O reduto mor de Santa Maria
foi, sem duvidas o que ficou marcado pelos seguintes
combates e pelo grande número de mortos, ocorridas não
apenas pelas armas, mas também pela fome e doenças. A
destruição deste reduto marcou o fim da Campanha do
Contestado, sob o comandante do General Setembrino.
Para alcançar o local era
necessário transpor obstáculo naturais galgando peraus e
ladeiras. Espalhou-se o mito de que Santa Maria era o “chão
sagrado” e ali todos seriam imortais. Peludo ali não
chegaria. O pessoal outras guardas e redutos, que iam sendo
tomadas pelas forças legais, convergiam para Santa Maria,
que chegou a ter, aproximadamente 5.000 habitantes.
6.
São Miguel
Em poucos dias, São Miguel
transformou-se em novo reduto, e a vida começava a
transcorrer normalmente, com antes da grande ofensiva das
forças legais. As formas continuavam sendo realizados com
antes, comandadas por Elias de Moraes e Adeodato ainda era
comandante geral.
Em São Miguel, Adeodato
controlava a situação praticamente sozinho e seu poder
tornou incontestável. As suas ordens eram cegamente
executadas e passou matar por qualquer motivo.
7. São Pedro
A mudanças de São Miguel para
São Pedro ocorreu por ordem de Adeodato, que resolveu
instalar outra cidade santa nas margens do Rio Timbó.
O numero de moradores de São
Pedro era grande. Ao mesmo tempo em que viva milhares de
pessoas em São Miguel, ou depois em São Pedro, havia outro
reduto chamado Pedras Brancas que também contava com grande
números de habitantes, comandos por Sebastião de Campos.
Cantador domador e tropeiro,
Adeodato Manoel Ramos ou também Joaquim José de Ramos como
se denominava é natural de Cerrito, município de Lages.
Aprendeu o oficio de tropeiro
e outras lides do campo. Durante vários anos trabalharam
juntos como peões.
A sua habilidade como tropeiro
e domador redeu-lhe o oficio de capataz de um fazenda de
gado nos arredores de Perdizes Grandes, pertencente a Manoel
Dias, sua capacidade de liderança deve-se sua potente voz.
Era comum entre os sertanejos
comunicarem-se através de versos. A porfia era apreciada
como divertimento que todos gostavam. Adeodato na prisão
improvisava versos com as mais variedades finalidades
Outra características
atribuída Adeodato é que, posteriormente, lhe trouxe grandes
proveitos: a habilidade que possuía no manejo de armas.
Entrando para os Redutos, a
região conflagrada foi aumentando e adesão ao movimento
acorrida espontaneamente, por influencias de parentes e
amigos, ou aconteciam pelas forças dos piquetes de coerção.
Adeodato, no começo não aderira ao movimento.
Participou como outro
qualquer. A sua bravura rende-lhe um posto no piquete xucro
de Francisco Alonso.
O novo comandante seria
escolhido entre os que faziam parte do reduto, e entre os
que desejavam tomar parte do novo comandante, os partidários
de Maria Rosa. Tinham como principal nome Antoninho, menino
de Deus do reduto de São Sebastião.
Os partidários de Antoninho
eram acusados de traírem o movimento, querendo que todos
sertanejos se entregassem.
Elias de Moraes e Eusébio,
contrariados, optaram por que lhes parecia melhor (Adeodato
Manoel) como Comandante Geral de todos os Redutos.
Ao regressar já estava
consagrado; Já era o novo chefe.
Antoninho, antes da chegada de
Adeodato, ainda tentou transferir o reduto-mor de Caçador
para reduto de São Sebastião no Timbòzinho. Foi preso por
Aleixo Gonçalves e trazido para Caçador.
Em dezembro de 1914, Adodato
ordenou que o reduto mor fosse transferido de Caçador para o
vale de Santa Maria. A mudança deu-se ao fato das forças
legais fecharam cada vez mais o cerco e por Santa Maria
localizar-se numa área estratégica privilegiada.
A fortaleza natural, onde foi
organizado reduto-mor de Santa Maria, aparentava ser
verdadeiramente um “chão sagrado”, uma “cidade santa” que os
sertanejos acreditavam construir. Transformou-se em pouco
tempo no palco da maior batalha que os sertões conheceram
até então.
Desde a data que o General
Setembrino assumiu o comando das forças do governo, até a
destruição total do reduto de Santa Maria, incluindo
piquetes, guardas e redutos circunvizinhos , foi um período
de grande mortandade de lado a lado
As guardas e redutos que iam
sendo desalojados pelas forças oficiais convergiam para
Santa Maria, prova de que destruir Santa Maria não seria
tarefa fácil para exercito, a marcha do Comandante Potiguara
com sua coluna assinalava os momentos decisivos da campanha.
A tropa de Potiguara, depois
de fazer um percurso de 19 léguas, de Canoinhas até Santa
Maria, em dez dias de seguidos combates, atinge o âmago da
fortificação: alcançaram o coração do reduto de Santa Maria.
A exaustão dos soldados de Potiguara, o grande numero de
feridos, a morte do único da expedição, de soldados e de
oficiais, eram indicadores da situação dramática das tropas.
Por outro lado, Adeodato, com seus homens ainda tenta
impedir a tomada do reduto, concentrando as enfraquecidades
forças contra o invasores que se encontravam no centro da
cidade santa. E o momento oportuno, em que a coluna sul
consegue transpor a forte guardada da entrada do vale,
anteriormente intransponível, então abandonada. A junção das
duas colunas assinalou a destruição final do Santa Maria.
Para Adeodato, a batalha
estava perdida, mas a guerra ainda não, enquanto as brasas
ainda ardiam em Santa Maria, o comandante rumava para São
Miguel.
Ao contrário das boas
lembranças que havia de Caraguatá, no tempo de Maria Rosa, o
tempo de Santa Maria, no comando de Adeodato, são marcados
por um cotidiano de sofrimento: guerra, fome, doença e
morte. A doença mais grave que acometia caboclos era o tifo,
e não foi uma única vez que se manifestou de forma
epidêmica.
A fome castigava. Não
possuindo roças e impedidos de saírem para coletar frutas,
mel e caçar, os sertanejos não tinham o que comer.
Alimentar perto de 5.000
pessoas não era fácil, com o cerco militar complicou-se
mais. O gado arrebanhado anteriormente e que estava na
mangueira, foi sendo abatido, pois carneavam de dez a doze
cabeças por dia. Conta o senhor Miguel:
Na tentativa de saciar a fome
apelavam para frutas de imbuia, miolos de xaxim, brotos, mel
e caça, o que fosse possível encontrar nos arredores. Muitas
crianças morreram de fome.
Há unanimidade nos
depoimentos, quando afirmam que comiam tudo que fosse de
couro, além de cavalos.
Calcula-se que mais de 3.000
sertanejos se entregaram em janeiro de 1915. Desta fase até
o final do conflito, nem todos os que se entregaram tiveram
a mesma sorte.
Por outro lado, para fugir dos
redutos também não era fácil. Quem falhasse na tentativa de
fuga enfrentaria a fúria de Adeodato, podendo pagar com a
pena capital.
Era na verdade o Regime do
Terror. Quando foi dissolvida a expedição militar, a
guarnição da região ficou a cargo de reduzidas tropas do
exército nas principais cidades da região.
Adeodato se defendeu dizendo
que matou a mulher porque fora por ela enganado. Miguel
Correa confirma que Adeodato também matou Joaquim Germano.
Não há dúvida que o Comandante praticou o terror interno de
forma crescente, referindo-se à violência.
Explorando em crueldade,
Adeodato chegou a proibir qualquer tipo de lamentação. Era
proibir chorar. Até mesmo as viúvas deveriam conformar-se
silenciosamente, porque assim tinha que ser.
Andando pelo reduto,
principalmente na ocasião das formas, simplesmente puxava o
revólver e atirava, eliminando um companheiro.
O derradeiro Reduto foi São
Pedro, nas margens do rio Timbó, onde atualmente se localiza
a sede do município de Timbó Grande. E as regras de Adeodato
continuam vigorando nos redutos, atemorizando e controlando
com maior obstinação.
Agravaram-se os fatos quando
evidenciou-se novamente a fome aguda; o espaço foi
delimitado para que ninguém se afastasse do reduto; poucos
conseguiam ordem para partir em busca de alimentos.
O povo do reduto andava
desanimado, já não havia mais o entusiasmo de antes, e o
fervor religioso estava esmorecido.
Quando chega o ano de 1915, no
mês de outubro, o reduto de Pedras Brancas, fora tomado, e
incendiado por vaqueanos comandados por Lau Fernandes e por
praças da polícia militar de Santa Catarina.
Para aqueles que haviam se
dispersado não sobrou muitas alternativas, entregarem-se as
forças ou ir para o reduto de Adeodato.
O reduto estava com os seus
dias contados, e ainda assim, teve quem optou por São Pedro,
onde foram recebidos a contragosto, aumentando a fome no
reduto.
Ainda no ano de 1915, no mês
de dezembro, os moradores de São Pedro, foram surpreendidos
enquanto rezavam. Em uma ação rápida, os vaqueanos em meio
ao pânico geral, puseram fim ao ultimo reduto, que não fora
em nada diferente dos anteriores. Transpondo cadáveres,
incendiando ranchos e saqueando míseros pertences, as
forças atacantes espalham o pavor.
Apesar de ter escapado
Adeodato não chegou reerguer novo reduto. Os sertanejos eram
maltrapilhos famintos, doentes e moribundos. Muitos,
vencidos pela fraqueza, caiam pelo caminho e ali, esperavam
a morte.
Depois de vagar alguns dias
pelas matas, com um pequeno grupo de pessoas doentes e
famintas, chegou as margens do rio Tamanduá. Onde declarou a
guerra perdida e ordenou que ninguém o seguisse.
Mariazinha o acompanhou, onde
logo mais foi morta por Adeodato, que continuou vagante
pelas matas, tentando escapar de piquetes vaqueanos, até ser
preso.
Marcando profundamente a
Guerra do Contestado, e a memória dos que presenciaram os
acontecimentos. Ainda hoje, permanece na imaginação do povo,
apontado como personagem abominável, e até culpado pelo
fracasso.
Em divulgação aos fatos
relativos à Campanha do Contestado, condenaram os
sertanejos, de modo geral, e não apenas Adeodato. Teriam
sido os únicos responsáveis pelo terrível episódio.
Encontrou-se nos caboclos os culpados, condenando-os ao
silêncio pelo fato de terem sido vencidos.
De São Francisco, Adeodato foi
levado para Florianópolis para o interrogatório com o chefe
de polícia, Admitiu sua qualidade de comandante e procurou
justificar as mortes que lhe atribuíram.
Na cadeia de Curitibanos
aguardou o julgamento. Foi julgado, e condenado a pena
máxima permitida por lei. Trinta anos de cadeia. Que deveria
ser cumprida em curitibanos mas por questões de segurança
foi remetido a Lages. De onde, numa noite de ventania
juntamente com mais dois presos fugiu. Sua fuga durou pouco,
fora encontrado completamente embriagado, e sem resistência
foi recapturado. Desta vez foi enviado para Florianópolis
onde cumpriu o resto da pena.